Amor Por Aluguel
17 ღ O Tempo É A Lição ღ
Notas iniciais
Anastásia Steele
Sete Meses Depois...
Entro em casa rapidamente e acendo a luz rindo, Katherine entra na sala e me olha emburrada, mas logo começa a gargalhar.
—Não tem graça! —Ela exclama tentando ficar séria. —Você trapaceou.
—Eu estou de saltos. —Murmuro olhando para os meus pés molhados. Arranco meus sapatos e vou atrás de uma toalha enquanto Katherine me segue. —Sabe, você deveria ser mais rápida.
—Você me trancou do lado de fora, eu dei a volta na casa. —Katherine diz roubando minha toalha. Ela me mostra língua e sai andando.
—Que madura! —Digo rindo. —Ei, que horas as meninas chegam?
—Eu não sei. Acho que em meia hora. —Katherine diz subindo as escadas, e eu vou atrás. Entro meu quarto e Katherine entra no dela.
Começo a tirar minha roupa e acabo parando em frente ao espelho, olhando minha barriga agora tão baixa. As lágrimas vem aos meus olhos, lembro de toda a complicação que sofri... o sangramento... e então... eu estava apenas de seis meses e...
—Ana?
Viro-me e vejo Katherine no quarto, ela joga a cabeça para o lado me fazendo sorrir. Eu sou tão sortuda por ter as melhores irmãs do mundo. Minha irmã se aproxima e me abraça.
—Você pode me emprestar aquele seu vestido? —Katherine pergunta e eu gargalho.
—Entendi, pensei que você me abraçasse porque me ama.
—Mas eu te amo, e amo suas roupas. —Katherine diz rindo.
—Certo, nós vamos as compras, vocês precisam de roupas novas. —Murmuro dando um beijo em sua testa. —Fique a vontade, eu vou tomar um banho, receba as meninas e você pode ir, mas lembre-se...
—Eu sei, as nove. —Katherine diz rindo.
Dou um beijo em sua testa e vou para o banheiro, ligo a torneira e tiro o resto da minha roupa, sentando-me dentro da banheira enquanto a agua vai enchendo, recosto minha cabeça na borda e fecho meus olhos, lembrando de tudo que aconteceu nos últimos sete meses.
Eu sabia, pela carta de vovó, que ela tinha deixado algum dinheiro para mim, mas nunca imaginei que fosse alguns milhões, que eu não sabia que existia, não sabia também que ela tinha outras propriedades. Como essa casa que moramos agora, é num campo, afastado da cidade, e é a nossa tranquilidade.
As crianças se acostumaram com a ausência de Christian, e entenderam que ele não vai voltar. Ele... ele nem sequer chegou a me ligar, Taylor me ligou, querendo por dinheiro na minha conta, mas eu não aceitei, e acabei tendo que fechar minha conta para Christian não se intrometer, depois disso... ele não me ligou mais, nem mesmo para perguntar do bebê. Foi melhor assim, eu estou bem sem ele, e minhas irmãs e filhas também.
Katherine é a única que ainda fala dele, vez ou outro, as mais novas normalmente perguntam sobre Elliot e Mia, mas nós não temos contato com eles, eu acho que eles ficaram magoados comigo, e não sei... resolveram se afastar. Eu sinto falta dos dois, é claro, mas eu não posso fazer nada.
Mas enfim, tudo tem estado melhor. Maria é uma garota super falante agora. Ela adora falar, e eu só sei rir. Ela fala com Lana, o tempo todo, e é a única que entende as palavras da irmã, já que Lana aprendeu a falar a pouco tempo, e fala tudo enrolado.
Sophie entrou numa escolinha de futebol, e tem se distraído com isso, ela está bem feliz, e sua maior diversão é passear com CG e mostra-lo para as novas amiguinhas, que moram há alguns quilômetros daqui. Emma decidiu praticar violino, e tem uma professora que vem aqui todas as noites ensiná-la, e eu estou surpresa, ela fica cada vez melhor. E Lulu... bom, depois de Christian ela acabou com suas pegadinhas, e ela... ela decidiu que queria fazer boxe, e ela está se empenhando nisso.
E Katherine... minha doce e terrível Katherine, que agora está sempre na escola e me ajudando no trabalho. Com uma pequena parte do dinheiro de vovó, eu investi em um prédio pequeno, e comecei uma pequena empresa editorial, Katherine me ajuda muito nisso, no começo foi difícil, mas agora as coisas estão crescendo, e eu recebi algumas propostas, tenho dinheiro e patrocínio suficiente para expandir a empresa e tudo mais.
—Ana, as monstrinhas chegaram. —Katherine grita e eu gargalho acordando dos meus sonhos.
—Ok, princesinha. —Digo e ela gargalha.
Termino meu banho rapidamente e me troco, colocando apenas uma calça cinza de moletom e uma regata branca. Ajeito meus cabelos e vou a mais uma noite superdivertida, com todas essas minhas filhas do coração.
—Mamãe! —Maria grita eufórica quando entro na sala, e é claro que Fifi já está pulando nos seus pés.
—Oi meus amores. —Digo recebendo Maria em meus braços, e ela começa a me encher de beijos. —Quem deu açúcar para ela?
—Foi... torta de chocolate da cantina. —Emma diz rindo enquanto pendura sua mochila.
—Ana, eu estou indo. —Katherine diz correndo para a porta. —Tchau.
—Tchau, querida, bom cinema. —Murmuro sorrindo para ela.
—Mãe... —Sophie diz rindo e eu a encaro.
Eu não entendi o que elas combinaram, mas agora minhas irmãs mais novas decidiram que eu sou mãe delas, e isso é irrevogável, se bem que eu estou adorando isso, eu sempre cuidei delas, e elas sempre vão ser minhas filhas do coração.
—Pois não? —Pergunto colocando Maria no chão.
—Nós podemos comer pizza hoje? —Sophie pergunta batendo os cílios.
—Sim, podemos. —Murmuro sorrindo. —Mas... antes, banho, todas, a babá já deve estar chegando com a Lana, enquanto vocês se aprontam, eu peço a pizza.
—Queijo. —Todas dizem juntas, depois começam a rir.
—Sim, queijo. —Murmuro revirando os olhos.
Ganho um beijo de cada uma e depois elas correm escada acima. Sorrio enquanto ajeito as mochilas nos cabides. Isso... isso é um sonho. Depois de Christian, foi doloroso, ainda é, as lembranças ainda me machucam, mas depois que tudo passou, eu finalmente consegui seguir em frente, e eu vivo um sonho com as minhas filhas e as minhas irmãs. Nada poderia estar melhor.
Falando em melhor... abro a porta assim que a campainha toca. Lana começa a bater palmas no colo da babá, sorrio e a pego no colo, entrego o dinheiro da babá e entro com a minha filha, que já começa a chamar sua ‘Malia’. Ponho Lana no chão e ela corre para pegar Fifi e CG que fogem desesperadamente dela.
—CG. —Lana diz gargalhando. —Chlis... Chlis... Tian...
—Ei. —Murmuro surpresa e ela ri fugindo de mim. Abaixo-me e Lana me olha. —Você sabe quem ele é?
—Papai! —Lana diz rindo.
—Não. —Exclamo rindo e Lana balança a cabeça.
—Nã? Papai nã? Chlis nã?
—Não, absolutamente não! —Digo rindo e surpresa. —Quem disse que ele é seu papai? Isso não é verdade.
—Malia. —Lana diz dando de ombros.
—Ah, ela mentiu!
—Nã. Papai Chlis, sim! —Lana grita e depois gargalha.
—Eu vou matar sua irmã! —Exclamo bufando e Lana apenas me dá um olhar Christian e bufa. —Ei, não me olhe assim.
Lana não me dá atenção, apenas começa a andar pela casa. Semicerro os olhos e me levanto, ainda surpresa com essa pequena conversa. Da onde Maria tiraria essa ideia? Mas que garota danadinha. Comigo ela não fala sobre o Christian, por que diabos ela encheria a cabeça de Lana com essa ideia? Ah, mas eu vou ter uma conversa muito séria com essa mocinha. Ah, se vou!
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Christian Grey
Esfrego meu rosto, extremamente cansado, os últimos dias não tem sido nada fáceis. Eu simplesmente não tenho dormido bem, com todos aqueles pesadelos. Se ao menos... se ao menos Anastásia estivesse aqui, mas ela não está, e nunca mais vai estar. Ela não quer mais saber de mim, mas quem a julgaria por isso? Ela disse que me amava, e eu a deixei ir, logo depois... quando eu decidi ir atrás dela, eu descobri sobre nosso filho, ela o perdeu, e eu não estava ao lado dela para ajudá-la. Eu fui tão... tão idiota.
Saio do carro batendo a porta e vejo que as luzes estão todas apagadas. Como sempre estão quando chego. Há sete meses tudo é assim, não há mais Lana para me receber com seus gritinhos, Sophie para jogar bola, Lulu com suas pegadinhas... Emma, Katherine, Anastásia ou Maria. Maria... eu prometi que iria vê-la novamente, e ela falou, ela pediu que eu não fosse, mas eu fui, eu a deixei. Ela jamais vai me perdoar. Sua voz não sai da minha cabeça, todas as noites, em todos os sonhos eu a ouço me chamando, mas ela não está lá quando acordo. Tudo é tão... vazio agora.
Entro em casa e caminho até o sofá, jogando-me sobre o mesmo, então a luz se acende. Olho para ver quem é e me deparo com Elliot entrando, é quase meia noite, onde diabos ele esteve?
—Elliot? Onde você estava? —Pergunto e ele suspira.
—Eu saí, fui ao cinema. —Elliot murmura sentando-se no sofá.
—E Mia?
—Dormindo. —Elliot sussurra. —Sabe... Christian, ela não tem estado bem.
—Eu sei... —Murmuro cansado. —Ela tem passado com Flynn...
—Christian, você sabe que ela não está melhorando, mesmo com todas as terapias.
—E o que você quer que eu faça, Elliot? —Pergunto encarando meu irmão.
—O que é certo! —Elliot exclama sem paciência. —Isso que está acontecendo é tudo culpa sua.
—Não, Elliot, você não imagina. Eu...
—Você o que, Christian?
—Nada... —Suspiro pesadamente.
—Fala! —Elliot diz começando a se alterar.
—Eu não tenho nada para falar! —Levanto-me e dou as costas a Elliot.
—Não? Não mesmo? Você vai negar então que Anastásia só esteve aqui porque você a pagou para isso? —Ele cospe as palavras e tudo dói dentro de mim. —Diga, Christian! Diz que você se aproveitou da morte da avó dela para convencê-la a vir para cá, e depois, ela se foi, sem aceitar nada seu, ela te amava!
—Eu não poderia ficar com ela! —Grito me virando para ele.
—Por quê? Porque ela não é a Rose? —Elliot grita. Ele me olha com raiva. —Você tem certeza que ela não é a Rose?
—Elliot... do que você está falando?
—Você não percebeu, Christian? Ela, a Maria... a Mariana, sua filha, que você deixou ir embora!
—Cala a boca! —Grito cerrando os punhos!
—Você deveria ter lutado por ela! Pela garota que você amava! Pela Maria. Mas você preferiu negar a verdade, e agir como um covarde! Porque é isso que você é! Um covarde. Você deixou elas escaparem, de novo Christian!
Elliot balança a cabeça e sai da sala, caio no sofá com o rosto entre as mãos.
Não... ele está ficando louco, não pode ser... isso... Anastásia, Maria... não! É claro que não!
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Anastásia Steele
Katherine entra em casa, sorrindo bobamente, não pergunto nada, já que ela está sorrindo demais, ela dá um gritinho e corre para as escadas. Reviro os olhos e decido ter uma conversinha com Maria. Nós temos que falar algumas coisas. Passo pelo quarto das meninas antes, mandando todas para a cama, então chego ao quarto de Maria, pego-a na cama, cantarolando enquanto desenha em um caderno, mas a surpresa de vê-la desenhando novamente, não vai diminuir a bronca.
—Mariana Grace Steele, nós temos que ter uma conversinha. —Murmuro cruzando os braços.
—Mariana? —Maria diz apavorada. —Você só me chama assim quando está muito brava.
—É porque eu estou muito brava. —Sussurro fechando a porta.
—Ah, mamãe, não me mata, por favor, o que eu fiz? —Maria diz correndo da cama para a janela e eu gargalho destruindo a postura ‘mãe super séria’.
—Certo, venha aqui. —Sussurro sentando-me na cama, ela se aproxima com cautela e senta ao meu lado. —Maria... por que você disse a Lana que o Christian é o pai dela?
—Ele, não é? —Maria pergunta.
—Você sabe que não.
—Bem..., mas ele é meu pai. —Maria diz dando de ombros. —Ele poderia ser dela também.
—Olha só, sua coisa falante! Ele pode ser o seu pai, mas ele não é da Lana, e você sabe disso, ele... ele nem sequer sabe da verdade.
—Ele deveria saber. —Maria diz dando de ombros e volta a desenhar.
—Não... ele não quis ficar.
—Se você tivesse contado a verdade, ele ficaria.
—Você fala como se fosse simples, ele... não me amava, ele amava a garota que eu fui no passado.
—Faz diferença? Ainda é você.
—Não, eu não sou mais.
—Só porque seu cabelo não é loiro, você agora gosta de ser chamada de Anastásia? Isso te torna diferente? Você ainda parece a mesma mamãe de quando eu nasci.
—As coisas não são assim, Mariana.
—Mamãe, Maria, eu não saio por aí te chamando de Rose.
—Rose é um nome horrível.
—Eu pensava que Anastásia era, você dizia isso.
—Sim, eu também pensava, mas Rose é horrível.
—Você é tão complicada? Talvez, se você não fosse assim, tão medrosa, o papai estaria conosco hoje.
—Não, Maria... ele não estaria. —Sussurro prendendo as lágrimas. —Eu nunca vou ser a Rose, e ele amava aquela garota, eu não sou mais ela.
—Claro que não. —Maria murmura revirando os olhos. —Mamãe, quando o Teddy vai vir para casa?
—A médica disse que ele recebe alta amanhã. —Sussurro sorrindo amplamente.
Minha gravidez foi tão complicada, a queda que eu tive na escada, todo o sangramento e o medo de Teddy não nasceu, mas ele nasceu, com toda a força do mundo, com aqueles grandes olhos cinzas que conquistaram todos os médicos, ele está internado, pelo parto prematuro, mas amanhã, depois de quatro meses, meu bebê virá para casa.
—Certo... eu estou ansiosa para ter meu irmãozinho em casa. —Maria sussurra sorrindo. —Ei, para ele posso contar sobre o papai?
—Você é muito engraçadinha, não é? Sua tagarela.
—Quer que eu pare de falar?
—Não, eu gosto disso. —Murmuro rindo. Levanto-me e dou um beijo em sua cabeça. —Sem minhocas na cabeça da sua irmã.
—Mãe, não são minhocas, é o Christian. —Maria sussurra como se fosse óbvio.
—Claro.
Semicerro os olhos para ela que me ignora totalmente e começa a cantar. Já entendi. Ela não vai mudar de ideia, mas... será que ela tem razão? Se eu tivesse falado a verdade, mudaria em algo? Christian me amou..., mas eu só tinha 16 anos, e eu estive com ele apenas para fugir da minha mãe. Eu... o amava..., mas eu era tão nova. Quando eu o reencontrei, na escola de Katherine eu quis gritar, dizer que eu estava viva, que minha mãe mentiu e que eu estava viva. Que Maria estava viva, nossa Maria, mas ele não me reconheceu, e quando ele foi atrás de mim, eu fiquei tão feliz, e ele apenas me decepcionou, e decepcionou durante o ano que estivemos juntos, eu passei o último ano tentando fazê-lo lembrar de mim, mas ele só olhou para o passado, e não percebeu que eu... a garota que ele tanto procurou, estava bem ali, esperando ele se lembrar, mas eu acho que não importa mais, não é? Ele nem se quer me ligou para saber sobre Teddy, ele não quer mais nada comigo.
ღღღღ
Abro a porta do carro e desço, ainda com os olhos cheios de lágrimas, mas um sorriso absurdo no rosto. Caminho até a porta de trás e posso ver as meninas todas nas janelas, sorrio e abro a porta pegando meu homenzinho de olhos cinzas da cadeirinha, Theodore sorri enquanto dorme, então eu tento conter minhas lágrimas, finalmente nós estamos em casa.
Caminho até a porta, e quando entro todas as meninas estão esperando, ansiosamente, abaixo-me e desenrolo meu bebê um pouco.
—Digam olá para o Teddy, meninas. —Sussurro sorrindo amplamente, e como mágica, meu bebê abre os olhinhos, revelando seus grandes olhos cinzentos.
ღღღღ
Teddy

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