Amor Por Aluguel
23 ღ Dia Chuvoso, Chocolate Quente ღ
Notas iniciais
Anastásia Steele
—Ei, mãe, você está bem? —Emma pergunta rindo quando me vê correndo de um lado para o outro.
—Sim, eu só... estou nervosa. O Christian vem para casa hoje, e o Taylor disse que ele não ficou nada feliz em saber que eu mandei que o trouxessem para cá.
—O Christian é um chato, mas você sempre passa a perna nele. —Emma diz conseguindo tirar um sorriso. —Até os seguranças têm medo de você, e eles são tipo... muito maiores que você.
—Isso é horrível. —Digo rindo.
—É que você é bem mandona. Até o Sr. Grey, tem medo.
—Sr. Grey? —Murmuro rindo. —Vocês terão que chamá-lo de pai agora, já que eu virei a mamãe.
—Não. —Emma diz rindo. —Christian odiaria.
—Mas ele tem filha.
—A Maria, que o vê como um Sr. Príncipe.
—Ele bem que parece um. —Digo rindo.
—Não, ele está mais para cavaleiro das trevas.
—Que horror, Emma! —Exclamo rindo.
—Ele chegou. —Maria grita do salão de entrada. —O papai chegou.
Olho nervosamente para Emma e ela apenas ri ajeitando Theodore em seu colo. Emma se levanta e vai na frente, levando meu bebê. Estralo meus dedos nervosamente antes de me levantar e seguir para o salão de entrada. Todas as crianças estão juntas, Katherine, Elliot e Mia atrás, Emma, Sophie, Maria e Lulu estão à frente. Emma segura Theodore enquanto Maria segura Lana.
A porta está aberta, Christian está bem ali, sentado em uma cadeira de rodas e Taylor está atrás, conduzindo-o. O olhar de Christian faz tudo parecer o fim do mundo, mesmo sabendo que ele não ficará assim me dói vê-lo dessa forma, e saber... saber que de alguma forma eu tenho culpa nisso. Eu poderia tê-lo impedido, mas eu não fiz isso.
—Papai. —Lana grita abrindo os braços e Christian acaba sorrindo. Ela pula do colo de Maria e corre para abraçar Christian que a recebe.
Para a minha grande surpresa. Christian sempre me surpreende, ele tem o dom de fazer isso. Eu pensei que ele ia rejeitar as meninas, mas acho que não. Talvez ele nem me odeie tanto.
—Deixa eu segurar meu filho, Emma. —Christian pede depois de soltar Lana que vai abraçar as pernas de Elliot. Emma me olha e eu sorrio para ela, ela caminha até Christian e lhe entrega Teddy que já começa a gungunar. —Ei, garotão. Olha só como você cresceu. Você sabe quem eu sou?
—É claro que ele sabe! —Maria diz revirando os olhos e Christian a olha, mas ele olha diferente. Sem amor... sem carinho.
Maria recua instantaneamente, ela se aproxima e abraça minhas pernas, então vejo Christian me olhar da mesma forma, apenas um olhar vazio. Não, ele não pode fazer isso. Ele pode me odiar se quiser, mas Maria? Ela é filha dele. Ela é sem dúvidas a pessoa que mais o ama no mundo. Ele estava abraçando Lana, e agora vai negar Maria? Sua filha?
—Emma, é hora de dar banho no Teddy. —Murmuro e Emma balança a cabeça, todos entenderam o que houve.
—Deixa eu ficar com ele mais um pouco. —Christian pede quando Emma se aproxima.
—Ele vai tomar banho agora. —Murmuro impaciente e ele balança a cabeça, entregando Theodore a Emma. —Kate, vai lá dar um banho nele, por favor. —Meninas, vão fazer o dever. Mia e Elliot, ajudem elas, e por favor, levem o CG e a Fifi para a área deles.
—Está bem, Ana. —Elliot diz pegando Lana no colo.
Mia encara Christian por alguns segundos, realmente decepcionada. Ela suspira então explode.
—Sabe, eu não entendo como você sempre consegue estragar tudo! É sua culpa você estar aí, ninguém pediu para você sair correndo na chuva. Você não queria tanto a Rose e a Mariana, olha elas aqui! —Mia grita apontando para Maria e eu. —Eu não vou perder elas novamente, Christina, não vou.
Mia enxuga suas lágrimas e se abaixa pegando Luiza no colo, ela vai em direção as escadas e os outros a seguem, menos Maria, ela continua parada ao meu lado, abraçando minha cintura, e Elliot, ao notar isso, volta para busca-la.
—Não, Elliot, eu não quero você. Não quero. —Maria diz chorando enquanto estapeia as mãos de Elliot que tenta inutilmente segurá-la. —Eu quero a minha mãe. Minha.
—Querida, vá com ele, por favor. —Peço encarando-a.
—Não, você não vai me rejeitar. —Maria diz soltando um soluço.
—Ei. —Digo surpresa. Abaixo a sua frente e seguro seu rosto. —Eu não seria nem louca, eu não estou te rejeitando, certo?
—Eu quero ficar com você, mamãe. —Maria diz dando solavancos.
—Tudo bem, Elliot pode ir. —Murmuro levantando-me, agora com Maria nos braços. —Taylor, aconchegue o Sr. Grey, aonde ele achar melhor, mas que seja aqui embaixo, ele pode se locomover sozinho.
Taylor balança a cabeça e eu me viro, mas não ando quando ouço Christian.
—Taylor irá me levar para casa, Anastásia, eu não pedi para vir para cá.
—Não! —Digo virando para olhá-lo. —Mas eu mandei trazer você, e você vai ficar aqui, querendo ou não! Eu sou a sua mulher, e você vai ficar ao meu lado.
—Minha mulher? —Christian diz num tom de ironia. —Nós estamos falando da Rose, ou da Anastásia?
—Isso importa? Porque eu sou as duas, e a única disposta a te amar e cuidar de você, mesmo que você estivesse na lama! —Grito deixando as lágrimas caírem. —Fique à vontade Sr. Grey.
Saio da sala rapidamente, em lágrimas, assim como Maria; ela está me abraçando, sua cabeça repousa em meu ombro e ela não para de chorar, mesmo quando entro no quarto e a coloco na cama, ela continua chorando. Sento-me e a puxo para mim, deixando ela entre minhas pernas enquanto a abraço. Eu não digo nada, absolutamente nada, eu só quero que ela saiba que eu estou aqui, eu nunca vou deixá-la.
Eu sabia que Christian ficaria com raiva. Eu tinha certeza disso, mas eu nunca imaginei que ele rejeitaria Maria. Maria? Ela é simplesmente a maior fã dele, completamente apaixonada por ele. Isso... eu não entendo.
—Mamãe, canta. Por favor. —Maria implora baixo enquanto a balanço.
Aconchego-a com cuidado e deito minha cabeça sobre a sua, então começo a cantar baixinho, em seu ouvido, para acalmá-la. Acalmá-la e dizer que eu estou aqui. Dizer que eu a amo, e que essa garotinha é o que tem me mantido viva.
(Emeli Sandé – My Kind Of Love) — https://www.youtube.com/watch?v=r_siYfZDh5w
Quando Maria pega no sono eu a deixo na minha cama, dormindo. Fifi não está por aqui, então eu a deixo abraçar minha blusa, um costume que ela tem desde muito pequena. Dou um beijo sobre a sua testa e vou atrás dos meus outros filhos. Passo pelo corredor e posso ver a porta do quarto ao lado fechada, então imagino que Christian esteja aqui, mas tudo que menos quero nesse momento é vê-lo, então sigo direto para o andar de cima.
Ouço vozes vindas do quarto de estudos, quando entro lá encontro todas as crianças juntas. Emma e Mia sentadas juntas, enquanto Mia explica ao para Emma. Sophie e Lulu estão recebendo ajuda de Elliot, e Katherine está sentada em um dos pufes, segurando Teddy.
—Está tudo bem por aqui? —Pergunto me aproximando de Katherine.
—Sim. —Ela diz sorrindo, calmamente me entrega Teddy.
—E a Lana?
—Está dormindo no quarto dela. —Katherine murmura ajeitando a coberta de Teddy que sorri todo babão para ela.
—Está bem, eu vou leva-la para mamar. —Murmuro caminho até a porta. —Vocês lá embaixo em uma hora para o jantar.
Saio do quarto e tranco a porta, volto ao andar de baixo e levo Teddy para o meu quarto, ponho ele no berço e o cubro, depois olho para Maria, ela ainda está dormindo, e eu acho que seria uma boa eu trazer Fifi, mas eu não quero que ela incomode Christian. Suspiro e deixo o pensamento de lado. Maria precisa dela.
Vou para a cozinha e atravesso as portas francesas em direção ao jardim, Fifi e CG estão aqui fora, quando nós nos mudamos para cá, eu pedi que fizessem um quarto para eles aqui, uma pequena área para eles poderem ficar as vezes, já que quando tem visitas eles simplesmente ficam loucos. Abro a porta e dos dois passam correndo e vem pulando para cima de mim, acabo rindo, como eles podem ser tão fofinhos assim? CG está enorme, mas ainda morre de medo de Fifi, que é muito menor que ele.
—Vai CG, vai ficar com a Sophie. —Ordeno e ele sai correndo dando pulinhos. Abaixo-me e pego Fifi, ela começa a lamber e eu tenho que empurrá-la todo o percurso até o quarto. Ponho-a ao lado de Maria e por incrível que parece ela para, qualquer barulho some.
Eu não entendo como Maria tem essa conexão com Fifi, era o mesmo com pop, toda vez que minha filha está mal, Fifi fica em total silêncio, deitada ao seu lado. Acho que ela também quer mostrar que está aqui, não é mesmo?
ღღღღ
Aproximo-me da mesa e abaixo atrás de Lulu para cortar sua carne, ela sorri e agradece. Caminho até a minha cadeira e me sento.
—Srta. Steele, você precisa de algo? —Marisa diz entrando na sala de jantar. Eu a contratei faz algum tempo, e ela é uma ótima governanta.
—Sim, por favor, Marisa, leve o jantar do Sr. Grey. —Peço. —E, o fisioterapeuta virá amanhã, você pode ajeitar as coisas para ele?
—Claro, senhora.
—Obrigada, Marisa, é só isso. —Murmuro e ela balança a cabeça se retirando.
—Mamãe, o Christian não vai comer na mesa conosco? —Lulu pergunta desconfiada.
—O Christian precisa se adaptar à nova vida dele, entende? —Sussurro e ela balança a cabeça. —Eu não vou ficar mimando, como fazia antes, ele precisa saber que não é nenhuma criança, se ele quiser vir, ele vem. Sophie, não dê comida ao CG.
—Desculpe. —Sophie diz rindo. —Ana, nós ainda vamos poder brincar lá fora amanhã?
—Na chuva? —Pergunto semicerrando os olhos. —Claro que não. Nós podemos ver alguns filmes.
—Com o Christian? —Emma pergunta arqueando as sobrancelhas.
—Se ele quiser. —Digo calmamente.
—Boa noite. —A voz de Christian ecoa na sala e faz todos virarem a cabeça. Taylor está com ele, e o ajuda a se posicionar ao lado de Elliot, depois Marisa coloca seu prato, e o silêncio se instala.
—A Maria não vai jantar? —Katherine pergunta quebrando o silêncio.
—É mesmo. —Digo notando a ausência da minha filha. —Eu acho que ela ainda está dormindo.
—Esqueceu da sua filha? —Christian pergunta semicerrando os olhos?
—Da minha filha? Jamais. —Murmuro me levantando. —Com licença.
Caminho até meu quarto e abro a porta, está escuro, apenas o berço de Teddy está claro pelo abajur, e ele está bem acordado. Ando até o berço e me curvo, meu pequeno filho abre um largo sorriso e começa a gungunar.
—Olá, querido. —Murmuro sorrindo. Afasto-me um pouco e caminho até a cama, sento-me e acaricio as costas de Maria. —Querida, está acordada?
Não tenho respostas, e imagino que ela esteja dormindo, mas isso me surpreende, ela nunca dorme tanto tempo assim durante a tarde, aliás, é muito raro ela dormir à tarde. Puxo Maria virando-a e vejo que ela está acordada, ela me olha e pisca.
—Ei, você não me ouviu? —Pergunto e não ganho resposta.
Não, ela não pode estar fazendo isso. Eu não vou deixar a minha filha se trancar assim de novo.
—Maria, me responda! —Exclamo impaciente e ela apenas boceja. —Certo, você não precisa responder agora, mas não faça isso, por favor.
—Desculpe... —Maria sussurra quando algumas lágrimas começam a escorrer do meu rosto.
—Vem. —Levanto-me rapidamente e pego Maria, abraçando-a por alguns minutos. Ponho-a no chão e vou pegar Teddy, então volto a sala de jantar com eles.
—Eu quero. —Mia diz estendendo os braços. Sorrio e lhe entrego Teddy.
Maria olha para Christian que está sentado ao lado do seu lugar de costume, ela me encara e franze as sobrancelhas e acho que vai chorar.
—Vem, matraquinha. —Emma diz rindo. Ela se levanta e pesa seu prato, dando seu lugar a Maria.
—Obrigada, Emma. —Sussurro sorrindo.
—De nada, mãe. —Emma diz sentando-se ao lado de Christian, ele parece estranhar algo, mas continua a comer em silêncio.
Sento-me e Maria se senta no lugar de Emma, ajudo-a a pôr seu prato e ela começa a comer vagarosamente. Todos estão estranhando o silêncio. Normalmente Maria e Lulu são as que mais falam durante as refeições, mas elas estão em total silêncio, apenas encarando-se. Fifi está deita aos pés de Maria, e está rosnando um pouco, acho que para Christian.
—Maria... você pode me contar aquela história... como é? —Katherine diz na tentativa de animar Maria, mas ela nem sequer olha para a tia.
—Vamos, Maria, diga algo. —Emma implora, mas Maria apenas desvia o olhar para o seu prato.
—Se o problema for eu, eu posso sair. —Christian diz num tom estranho, mas Maria nem lhe dá atenção.
—Mamãe, minha carne. —Maria diz. Balanço a cabeça e corto sua carne. —Pronto.
—Obrigada.
—Vocês são sempre calados? —Christian pergunta e Katherine bufa rindo com ironia. —Alguém problema?
—Problema? Imagina. —Kate diz sorrindo de forma falsa. —Ana, eu posso fazer um bolo depois?
—Claro, meu amor. —Sussurro um pouco perdida em pensamentos.
Christian estar aqui, deveria ser como antes. As conversas no jantar, ele fazendo Maria gargalhar, mas agora eu percebo que nada vai ser como antes. Eu pensei que seria certo trazê-lo para cá, que... que eu deveria fazer isso, mas eu errei, eu errei miseravelmente. E se eu tiver que escolher, entre fazer Maria feliz e manda-lo embora, eu não vou pensar duas vezes. Eu não vou estragar as coisas por ele. Eu não posso fazer isso. Tudo é diferente, de quando eu tinha 16, porque agora eu o amo, mas eu também amo as minhas filhas, as minhas irmãs, e eu não vou pensar duas vezes em escolhe-las.
—Mamãe! —Lana grita rindo e me assusto ao vê-lo ao meu lado.
—Desculpe, querida, o que você quer? —Pergunto e ela ri, correndo para fora da sala de jantar.
—Eu também terminei. —Emma diz se levantando. —Com licença, mãe.
—À vontade, querida. Não esqueça seu prato. —Murmuro.
—Certo. —Emma diz pegando seu prato e sai da sala.
—Nós também podemos ir, mamãe? —Sophie pergunta olhando para Luiza.
—Claro. —Sussurro.
Elas se levantam e pegam seus pratos, depois Katherine e Elliot se vão. Mia se levanta e vem me entregar Teddy, então ela sai, deixando apenas, Christian, Maria, eu e Teddy. Até mesmo CG e Fifi se foram.
—Você não comeu muito. —Murmuro para Maria e ela dá de ombros.
—Você deveria comer, Maria. —Christian murmura olhando-a com um... olhar extremamente vazio.
Eu não consigo entender como uma criança de sete anos pode tê-lo magoado. Isso é ridículo. Ele é o herói dela, ela nunca faria nada contra Christian, eu sei disso. Eu conheço minha filha.
—Você pode ir ajudar Kate com o bolo. —Murmuro acariciando o rosto de Maria e ela balança a cabeça, se levantando.
—Você não vai sair enquanto não terminar de comer. —Christian diz e Maria acaba rindo. Ela vira a cabeça para ele e semicerra os olhos. —Desculpe, mas eu só obedeço às ordens da minha mãe.
—Eu sou seu pai, Maria.
—É mesmo? E você descobriu isso há quantos dias? Dois? —Maria diz rindo com ironia.
—Querida, por favor, está tudo bem. —Digo e Maria suspira relaxando os ombros. —Você quer levar seu irmãozinho?
—Eu quero ficar com meu filho. —Christian diz meio autoritário.
—Eu tenho pena de você, Teddy. —Maria murmura encarando o irmão, e isso com certeza me surpreende. Ela se vira para Christian e ri. —Eu também tenho pena de você, muita. Esse é único sentimento.
Ela se vira e sai da sala de jantar, deixando-me sozinha com Christian.
—Ela não estaria assim se eu a tivesse criado. —Christian diz e eu a gargalho com escarnio.
—Você está querendo falar da educação que eu dei a minha filha? —Pergunto incrédula. —Por favor, Christian. Você nem um pai presente foi.
—Por sua causa.
—É mesmo? Por minha causa? Os dois anos em que você conviveu com ela? Você teve todas, mas todas as oportunidades do mundo para estar com ela, e eu posso contar nos dedos os finais de semana que você foi vê-la, e depois de duas horas foi embora, deixando uns brinquedinhos bobos.
—Eu não ficava com ela, porque eu não podia chegar nem na sua casa. Você se lembra disso?
—A única coisa que eu consigo me lembrar, a toda hora, é como eu fui idiota em achar que um cara como você, poderia gostar de alguém.
—Você acha que eu não posso gostar de ninguém? —Christian pergunta rindo.
—Não. Você não pode! —Digo me levantando. —Sabe por quê? Porque você está tão preocupado em se afogar no seu mar de sofrimento e auto piedade, que você não nota que bem ao seu lado há pessoas que te amam!
—Como você? Você me ama? —Christian diz rindo enquanto seu olhar permanece frio.
—Eu te amo, Christian! —Exclamo chorando, o que leva Teddy a chorar. —E pode ter certeza, se eu não te amasse, você nunca estaria aqui, mas eu sou uma idiota. Porque eu ainda acredito que você vá mudar.
—Você tem razão. Você é uma completa idiota! —Christian exclama ferindo-me ainda mais. —Suas palavras não me comovem. Se você me amasse, como diz, você nunca teria mentido sobre a sua morte, muito menos teria passado tanto tempo ao meu lado, sem me dizer nada.
—Você não sabe de nada. —Digo rindo com escarnio.
—E você sabe?
—Tudo que eu sei, Christian, é que eu era apenas uma garotinha, quando você me engravidou, e depois, eu aceitei fugir com você! Com você. —Grito assustando mais Teddy. —Sabe o que eu estava perdendo naquele dia? As pessoas que eu deixei para trás. Porque para você, seus irmãos não eram importantes, mas as minhas irmãs são as pessoas mais importantes do mundo para mim, e você sabe disso. E foi isso que eu deixei para trás, as minhas irmãs! Para fugir com um idiota igual a você! Mas eu estou feliz.
—Está? —Christian pergunta arqueando a sobrancelha.
—Sim, eu estou feliz que aquele acidente tenha acontecido, que minha mãe tenha feito você acreditar na minha morte, que ela tenha me ameaçado durante anos. Jurando tirar as minhas irmãs, que eu tenha caído em todos os joguinhos dela. Porque valeu muito mais a pena, viver numa casa simples, com uma avó maravilhosa, com as minhas filhas e as minhas irmãs, do que viver com um homem que não acreditar que o amor também é sacrifício. A Maria tem razão, pena é o único sentimento que você merece.
Viro-me e saio da sala deixando Christian sozinho, entro na sala de estar e me deparo com todas as crianças em pé, paradas, todas com os olhos repletos de lagrimas, e é óbvio que elas ouviram a briga.
—Você quer que eu segure o Teddy? —Elliot pergunta.
—Não. —Sussurro sorrindo enquanto uso a mão livre para enxugar as lágrimas. —Eu não posso me trancar todas as vezes que o mundo estive desabando, não é mesmo?
—Você é muito forte, sabia, Ana? —Mia pergunta chorando e eu sorrio aceitando seu abraço, logo todas as crianças estão me abraçando.
—Mamãe?
Viro-me e vejo Katherine e Maria segurando algumas bandejas com chocolate-quente. Sorrio e enxugo minhas lágrimas. Numa tentativa de deixar os problemas de lado, ajeito algumas cobertas e travesseiros no meio da sala, deixo as luzes baixas, pego algumas lanternas e me sento com as crianças, todos bem aconchegadinhos... falta apenas Christian, mas eu não quero pensamentos tristes.
Enquanto a chuva forte e barulhenta cai lá fora, minhas irmãs, minhas filhas, meus cunhados, eu, e até mesmo Fifi e CG, nos aconchegamos entre mantas, histórias antes e chocolate-quente, e com tanto amor, os problemas não poderiam sumir de melhor forma.
Fale com o autor