Amor & Pecado
7 Capítulo 7 - Surpreendido: Narrado por Vinicius
Entro no carro ainda em choque. Caramba! Marcos conseguiu me surpreender. O que foi aquele beijo? E aquele desejo? Juro que se meu celular não tivesse tocado, talvez a essa hora teríamos tido nossa primeira vez. Não sei o que meus pais querem falar comigo, porém pode ser o que for, ganhei meu dia após essa ida à casa dele.
Chego em casa, meus pais estão na sala assistindo televisão.
– Boa noite! – Digo.
– Boa noite! – Ambos respondem, mas com um tom sério.
– Sei que os senhores precisam conversar comigo, mas posso tomar banho primeiro?
– Sim, esteja aqui em baixo dentro de meia hora Vinicius. – Meu pai está seco, na verdade ele sempre foi, mas hoje sinto que algo não está muito certo.
– Tudo bem. – Falo subindo as escadas.
Ao entrar no meu quarto percebo que algumas coisas estão fora do lugar. Estranho. Meus pais não tem o costume de mexer em minhas coisas e mesmo que isso acontecesse, estaria tranquilo, pois não há nada que os façam descobrir ou ao menos desconfiarem da minha relação com Marcos.
Entro debaixo do chuveiro e lembro-me de onde as mãos de Marcos passaram e um breve sorriso aparece em meus lábios. Hoje ele estava extremamente sexy, sua atitude de me agarrar de surpresa e me beijar tão urgentemente foi maravilhosa.
Ao sair do banho pego meu celular e envio uma sms que o agrade. A partir de hoje me esforçarei mais para agrada-lo. Não quero mais brigas, ele merece mais que encontros as escondidas e promessas não cumpridas, quero ser o melhor namorado possível e quem sabe algo a mais que isso. Desço e me sento na poltrona que fica de frente ao sofá de dois lugares onde meus pais estão sentados. A televisão é desligada e por um momento o silêncio é a única coisa que preenche o ambiente. Meu pai me analisa dos pés a cabeça, minha mãe reveza o olhar entre eu e ele, aquele olhar que as mães fazem aos pais furiosos, do tipo, “pega leve”. Ok, mas que diabos eu fiz para estarem assim?
– O que você fez hoje Vinicius? – Meu pai pergunta com os olhos semicerrados.
– Bem... – Que pergunta mais estranha é essa?! – Acordei, tomei café, joguei um pouco de vídeo game, academia e mais tarde fui na casa do Marcos, acabei de voltar.
– Certo. – Diz num tom sério. – E ontem?
– Ontem... – Por que não falam logo o que querem, odeio essas preliminares, já senti que vou levar bronca, não precisa fazer mistério. – Fiquei em casa, o senhor sabe que não sou muito de sair, quer dizer, ontem dei uma passada no shopping e comprei um Nike, que combina com uma calça que ganhei da minha mãe e... – Sou interrompido.
– Está ouvindo isso Diane, o garoto não faz nada por merecer e ainda fica o agradando com presentes. Quer dizer, rapaz, porque garoto ele já não é mais. – Meu pai fala enquanto lança um olhar de desaprovação à minha mãe.
– Vinicius, o que seu pai quer dizer é que você tem se afastado gradativamente das suas obrigações, como ajuda-lo na Igreja, como sempre fez e não está se dedicando mais em sua vida espiritual. – Minha mãe fala medindo cada palavra.
– E não é somente isso. – Meu pai aponta o dedo no ar. – A partir de amanhã você começará a procurar um emprego, você não tem mais idade para ficar em casa o dia inteiro, sem fazer nada de produtivo e se você estivesse estudando pelo menos, eu entenderia, mas nem isso você está fazendo. – Fico mudo absorvendo as informações. – E falando em suas obrigações espirituais cadê aquele dicionário bíblico completo que lhe dei de presente, com a esperança de você se interessar mais com que diz respeito à Igreja?
– O emprestei para o Marcos. – Respondo rapidamente. – Ele queria fazer uma pesquisa e pediu emprestado.
– Marcos. – Meu pai fala seu nome com uma expressão menos séria, até parece que vi um sorriso rápido em sua boca. – Um rapaz que admiro, que trabalha, ajuda os pais e se dedica com que diz respeito à palavra, você sabe que prezo muito isso Vinicius. – Se meu pai soubesse o que o rapaz que ele admira, trabalha e se dedica fez agora a pouco comigo, mudaria de opinião em questão de milésimos.
– Resumindo, queremos de você amadureça filho. – Diz minha mãe.
– Sim. O recado está dado, a partir de amanhã cobrarei as mudanças. – O semblante do meu pai parece menos tenso. – Está liberado, pode ir dormir se quiser.
– Tudo bem. – Digo ao me levantar do sofá. – Boa noite.
– Boa noite. – ambos respondem novamente.
Chego ao meu quarto, me jogo na cama e reflito que hoje me mandaram amadurecer duas vezes, o primeiro a dizer foi Marcos e agora meus pais. Será que sou tão ruim assim? Viro para o lado e me preparo para dormir. Amanhã o dia será longo, pois quero ver Marcos no inicio da noite e logo após ir para o culto.
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