Amor & Pecado

27 Capítulo 27 - Uma Oportunidade...


Notas iniciais
Ansioso pelos comentários... Aceito sugestões referente ao rumo da história e espero que gostem. ;)

Hoje acordei melhor do que ontem, estou mais disposto e espero que amanhã eu acorde melhor do que hoje. O dia foi tranquilo e consegui me concentrar mais em minhas tarefas, tentei manter certa distância de Marcos, pois Mariana me perguntou se tinha acontecido algo, porque sai ontem, na parte da manhã com ele e não retornei. Disse que estava indisposto e pedi para que Marcos me desse o dia de folga e como ele iria para o mesmo sentido da minha casa, acabou me dando uma carona. Ela não disse nada, porém sua feição disse muito, como: “Hmm... O patrão quer te pegar”.

Logo mais, será a primeira vez que verei Vinicius depois do nosso término. Espero que eu consiga aguentar ve-lo e não poder conversar ou toca-lo. Também estou receoso em saber, qual é a maneira que ele encontrou de resolver nossa situação, depois que Letícia me flagrou e ameaçou nos desmascarar na frente da Igreja. Encaro-me pela última vez no espelho e vejo que estou impecável. Posso estar ferido por dentro, mas não quero mais ser o garoto “frágil e inseguro”. A partir de hoje haverá mudanças! Na verdade, já houve mudanças. Desde que Marcos entrou na minha vida, algo em mim despertou e começou a me mudar de certa forma. Não sei se foi para melhor ou pior. Nem quero ficar pensando muito nisso, darei tempo ao tempo e aguardarei as surpresas que o destino me reserva.

X

– Boa noite, André! – Meu pai cumprimenta o Pastor.

– Boa noite, Claudio! – Estende a mão e cumprimenta meu pai. – Vanessa, Marcos. – Pastor André faz um leve aceno com a cabeça, ao dizer meu nome e o de minha mãe. Enquanto meu pai e ele conversam, eu e minha mãe vamos escolher nossos assentos.

– Aqui não. – Digo.

– Por quê?! – Pergunta, surpresa.

– Não gosto de ficar tão perto do palco, a senhora sabe disso.

– Não quer ficar perto do palco ou perto do Vinicius?

– Fique aqui com meu pai e sentarei mais para trás. – Reviro os olhos e levo meus pertences. Minha mãe não interfere, só me observa enquanto vou para o fundo da Igreja, perto da porta de entrada.

Sento-me e aguardo o inicio do culto, vinte minutos depois a Igreja encontra-se cheia e permaneço sentado, apenas cumprimentando quem se dá ao trabalho de me cumprimentar, não estou muito a fim de ser simpático hoje. Abro a bíblia e tento me entreter com algumas passagens, embora eu esteja lendo, não estou concentrado. Estou apenas evitando o inevitável. Tomo coragem, ergo a cabeça e lá está Vinicius, rodeado por alguns garotos e garotas, rindo e nem um pouco abatido. Com certeza passou por mim ao entrar, mas como eu estava de cabeça baixa, não o vi. Está usando um terno grafite, camisa branca e uma gravata que lhe dei, há alguns meses atrás, preta com riscos transversais brancos. Ele está tão lindo! Em meio aos risos, por um instante, seu olhar encontra o meu, fazendo meu peito latejar. Logo após seus olhos fixam-se ao meu lado oposto, de onde vem Letícia, sorridente e confiante. Ao chegar ao seu lado, encosta seus lábios nos dele, fazendo meu sangue ferver. Vinicius retribui calorosamente seu sorriso e passa sua mão, pela cintura dela, puxando-a para mais perto. Os demais se entreolham espantados e ouço um deles perguntar o que aconteceu neste final de semana. Letícia levanta a mão direita e mostra a larga aliança, prata e lustrosa no dedo anelar. Todos exclamam um “Oh!”, extremamente exagerado e desejam felicidades, ao mais novo casal de namorados da Igreja. Meu coração martela, muito rápido, penso que ele sairá pela boca, minhas mãos estão tremulas e sinto que preciso de ar.

– Irmãos, boa noite! Por favor, vão para seus devidos lugares e vamos começar mais um culto...

Levanto-me de pronto e sigo em direção à porta, o som dos instrumentos tomam conta do ambiente, juntamente com as vozes, dos presentes.

Ainda que as águas se perturbem eu confiarei

Ainda que os montes se abalem no Senhor esperarei

Mesmo que seja impossível para o alto olharei

O meu socorro está em Ti

Teu nome eu clamarei

Nesse momento, também estou clamando, porém não é pelo nome do Senhor e sim por uma oportunidade de enfiar a mão na cara daquela vaca e arrancar não só aquela aliança, mas também o dedo dela, se possível. Encosto-me na parede do lado de fora da Igreja e fecho meus olhos. Tento relaxar e apagar a imagem daquela aliança, reluzindo nos dedos de Letícia e Vinicius. Sempre quis usar aliança, sempre quiser dizer a todos, quem eu amo e a quem meu coração pertence. As lágrimas chegam rapidamente em meus olhos e os abro.

– Olá! – Letícia está na minha frente, com sua mão direita, propositalmente no rosto, para que eu veja, mais uma vez, porém de perto, sua aliança. – Gostou? – Pergunta sorrindo e inclina a cabeça em direção à mão.

– Adorei! – Exclamo, engolindo o choro e fazendo as lágrimas dissiparem. – Pena que não significa nada. – Consigo controlar meu tom de voz. – Absolutamente nada! – Digo com firmeza e olhar fixo no dela.

– Significa vitória! – Letícia ri.

– Vitória? – Repito com desdém. – Se você diz que essa porcaria significa algo, creio que não seja vitória e sim chantagem. – Semicerro os olhos.

– Bem que você gostaria de estar com essa “porcaria” no dedo, não é?

– Não mesmo, não sou baixo como você! – A encaro. – Quando eu estiver com uma dessas no dedo, não significará vitória e muito menos chantagem. Ela significará amor recíproco, coisa que você desconhece.

– Vinicius é meu! – Letícia chega mais perto, diminuindo distância de metros a centímetros.

– Sim, ele é seu. – Confirmo. – Mas saiba que cada beijo e cada toque, serão dedicados a mim. – Sorrio. – Você nunca saberá o que é o ter, cem por cento. Nunca saberá o que é ouvir um “Eu te amo”, após fazer amor com ele e ter plena certeza, com toda sua alma de que essas palavras são verdadeiras. Você pensa que está sendo esperta, com esse seu joguinho, mas está sendo uma ridícula e nem sequer percebe.

– Cale essa sua boca, seu viadinho. – Letícia fala entre dentes. – Senão espalharei todas aquelas fotos pela Igreja e ainda fico com Vinicius, já que ele não aparece nelas.

– Como você é burra. – Rio. – Você acredita mesmo que ele continuará com você, se essas fotos vazarem? Se isso acontecer ele não terá nada a perder.

– Claro que terá. Caso ele me largue, abro o jogo e falo de vocês dois.

– Caso você fale de nós dois, eu digo a todos sobre seu acordo com ele e suas reais intenções comigo, ao dar a vaga de emprego. – Letícia fica um pouco surpresa, em eu saber do acordo. – E saiba que Vinicius me contou tudo sobre isso, após uma longa e perfeita transa, mesmo depois de você o ter chantageado. – Sorrio. — Você nunca terá um toque sincero dele, sua vadiazinha desclassificada! – Digo praticamente cuspindo, cada palavra em sua cara.

Letícia ergue a mão, em direção ao meu rosto, consigo pegar seu pulso no ar e fecho minha mão em volta dele. Viro seu braço para o sentido contrário, lhe causando dor. Vejo seus olhos se arregalarem e se encher de lágrimas.

– Você está me machucando. – Diz ofegando e a solto. Ela se afasta um pouco e massageia o pulso. – Isso não ficará assim Marcos! – Vira-se em direção a porta, olho para os lados, vejo se nenhum dos obreiros está por perto ou se há algum irmão chegando.

– Letícia! – Eu a chamo. Ao se virar, me aproximo dela, levanto minha mão e com toda minha força, de palma aberta, lhe dou um tapa certeiro no rosto. O som ecoa no pequeno jardim, na entrada da Igreja, e a força dele a faz cambalear.

– Abra essa sua boca imunda, sobre o que aconteceu aqui e juro por tudo, que esfrego essa sua cada de vagabunda no asfalto, sem se importar com as consequências. – Digo baixinho em seu ouvido. — Não pense que me intimida, quando você voltar com o troco desse tapa, eu já estarei preparado. – Letícia está encostada na parede, ouvindo cada palavra. Vejo seu corpo tremer levemente, de raiva ou surpresa? Pouco me importa. Viro-me e entro na Igreja,a deixando sozinha do lado de fora.

– Obrigado, pela oportunidade Senhor! – Agradeço mentalmente, ao sentir o alivio de ter enfiado a mão na cara dessa garota.