Amor Inesperado
44 44° Capítulo: Lembranças
Notas iniciais
_ _ (18h03min) _ _ Quarto da Magali
O tempo passou bem depressa, depois que Monica saiu, Magali ficou pensando bastante no que ela falou. Ela gostava do Cascão, era inútil negar, e muito menos evitar o que estava sentindo. Ele sentia a mesma coisa, já havia dado inúmeras provas disso. O namoro entre ela e Quim já havia terminado, e possivelmente agora o dele com a Cascuda, o passo seguinte era só aceitar, e dar uma chance para o garoto. Coisa que ela não queria fazer por causa dos amigos que ia machucar.
Magali já tinha recebido conselhos da mãe, muitos da Mônica, até do Cascão. Agora era só seguir em frente.
Ela pensou tanto naquilo, que sem querer deixou cair uma lagrima, e enquanto ouvia seu iPod, se lembrou de tudo que aconteceu entre os dois nesses últimos meses. Já iria fazer exatamente seis meses que tudo começou. O plano de juntar Mônica e Cebola, o sequestro, no qual ele a salvou, o primeiro beijo, etc.
De repente veio um flashback na sua cabeça.
[FLASHBACK]
– Como eu vou descer agora?
– Pula, ué. — diz ele como se fosse obvio.
– Mas...
Cascão percebeu o medo da garota olhando pra baixo e suspirou.
– Vem! – diz estendendo a duas mãos para cima.
– Não! De jeito nenhum! Se você não conseguir me pegar.
– Magali, deixa de frescura!
– Não é frescura!
– É medo então?
– NÃO!
– Shhhhh!! – diz olhando para os lados.
– Opa desculpa! – Magali tapa a boca com um das mãos.
– Vem logo!
– Não!
– Olha, pensa o seguinte! Que você vai cair na piscina!
Magali se agarrou ainda mais no tronco da arvore, deixando Cascão sem paciência.
– Vai quebrar... – diz ela referindo-se ao galho que estava em cima.
– Tá ai mais um motivo pra você pular! Você prefere sair por bem ou por mal?
– EU NÃO...
– Shhh, fala baixo! – “grita” ele.
– Eu não posso pular! – responde sussurrando
– Por que não?
– P-porque... você vai me deixar cair...
– Eu juro pela minha mãe que não.
– Eu não senti firmeza nas suas palavras...
– Ah quer saber? Desisto! Tchau!
– Ei, perai aonde você vai?
– Pra casa, já perdi tempo de mais aqui!
– Cascão!!
O sujinho se vira de volta sorrindo e Magali respira fundo.
– Ta bom, eu desço!
– Aleluia!
– Não me deixa cair, hein?
– Anda logo, Magali.
Respirando fundo mais uma vez, Magali se joga e Cascão consegue pega-la como prometido. Mas, a queda foi tão alta que Cascão acabou caindo pra trás, e Magali ficou em cima dele.
Os dois que ainda estavam de olhos fechados, começaram a abrir devagar e...
– Ahhhhhhhhh!! – Magali levantou depressa ao notar que sua boca havia tocado na do sujinho.
[Fim do FLASHBACK]
Sem ela perceber, acaba abrindo um sorriso só por lembrar daquilo. Foi seu primeiro beijo dela com ele. Eles já tinham passado tantas coisas não só depois de se apaixonarem, mas antes também, eram muito amigos, e viviam sempre juntos, não importava o que.
Aquilo só fez com que deixasse mais uma lagrima cair. Ela não podia mais evitar o garoto daquele jeito. Hoje, no clube dos meninos, ela teve a certeza de que os dois já não viviam mais no papel de melhores amigos, muito menos de ficantes, mas sim de... Namorados. E não era a primeira vez.
Sem perceber, eles já estavam se tratando como um casal de verdade, e aquilo Magali não podia negar, pois até Cascão já sabia.
Seus pensamentos foram interrompidos com a presença de Dona Lili entrando no quarto, ela tirou um dos fones de ouvido, ao ver que ela estava falando com ela.
– Vim trazer isso pra você... – diz com uma bandeja na mão, onde tinha sanduíche e um suco. – Como você realmente não desceu pra comer, e muito menos comeu o prato que eu pedi pra Mônica trazer...
Ela suspirou e se sentou na cama, pegando a bandeja da mão da mãe. Ela seguia sem fome, mas estava cansada de ficar de castigo.
– Tudo bem, eu como.
– O que está acontecendo com você? – perguntou enquanto se sentava na ponta.
– Nada, mãe.
– É o Cascão que anda te tirando até a fome?
Ela começou a rir daquela pergunta, negando com a cabeça.
– Pois parece. Você nunca foi assim, Magali. Tá certo que depois que você cresceu, maneirou na comida, mas assim já é exagero. Nem to mais te reconhecendo – diz preocupada.
– Não precisa se preocupar mãe... Deve ser uma fase. Tem épocas que os adolescentes passam o dia inteiro com fome, e tem épocas que passam sem – explicou, dando uma mordida no seu sanduiche em seguida.
– Se é assim, pois então eu prefiro a época que você passe com – diz se levantando. – E não me apareça lá em baixo até esse prato estiver vazio.
– Sim senhora! – diz colocando a mão na cabeça.
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_ _ (18h27min) _ _ Quarto do Cebola
Cebola e Mônica estavam namorando no quarto, quando de repente um ser entra sem bater, deixando os dois constrangidos.
– Opa! – virou de costas rindo. – Atrapalhei alguma coisa?
– Não sabe mais bater não, seu cabeção?! – perguntou Cebola arrumando a camiseta que estava amarrotada.
– Foi mal, foi mal! – riu. – Estava aberta...
– Ah, mas não estava mesmo! – diz Mônica se levantando.
– Enfim, posso me virar agora?
– Já atrapalhou mesmo…
– Cebola, vim te perguntar se você vai jogar bola amanhã – quando o sujinho faz aquela pergunta, uma almofada é arremessada contra a sua cabeça.
– Aii! O qual o motivo dessa agressão?
– Não poderia ter me ligado pra perguntar, seu bocó?
– Não, oras. Ah e eu também vim pegar meu jogo de volta.
– Seu jogo? Que jogo?
– Como assim que jogo? O meu jogo, aquele que eu te emprestei já faz duas semanas e você não me devolveu até agora...
– Cara... – ele colocou a mão na cabeça. – Nem sei onde enfiei aquilo!
– Pois pode procurar! – diz irritado. – Não saio daqui sem ele hoje!
Cebola fez sinal para ele esperar, pra ir procurar pela sala.
Mônica ainda estava sentada na cama, meio envergonhada por ter sido flagrada duas vezes naquela situação, primeiro a Magali, agora o sujinho... Quem faltava mais? Seus pais?
– Precisa ficar bolada não, eu não vi nada... – diz sorrindo e deitando na cama do careca.
– Aham... Sei.
– Já pensou se é a irmã, ou pior... Os pais do Cebola?
– Cala a boca Cascão, vai dizer que você nunca passou por isso?
– Já né? Mas só foi uma vez, depois eu aprendi a trancar a porta.
– Claro... – revirou os olhos. – Mas enfim... Estou sentindo que seu ar está diferente hoje – diz sorrindo, já sabendo o motivo.
– Notou é? – sorriu pra ela.
– Se notei. Ter sido mandado pra diretoria não foi tão ruim assim, pelo visto.
– Falar a verdade... Estou começando a gostar da professora de português de repente. –Cascão riu, fazendo ela rir também.
– Ela baixou a guarda não foi?
– Foi... – seu sorriso desaparece e ele se senta, suspirando. – Mas parece que a decisão dela não vai mudar.
– Eu já dei os possíveis melhores conselhos a ela desde que eu descobri que ela gostava de você. Mas ela é assim... Se importa com os outros, não que eu ache isso errado, mas as vezes ela põe em risco a felicidade dela por outras pessoas.
– Eu sei. É uma das coisas que eu admiro na Magali, o problema é que... – ele colocou as mãos na cabeça, sem conseguir continuar.
Mônica se sentou perto dele, alisando a sua cabeça como forma de consolo.
– A Magali não gosta de fazer os outros sofrerem, Cascão.
– Eu ouvi isso várias vezes... Eu só queria saber o que aconteceu de tão grave, para ela ficar desse jeito. Ela nunca foi assim... – diz negando com a cabeça.
Mônica solta um suspiro e vira pra frente e o sujinho percebe que ela sabia de alguma coisa.
– Aconteceu... Alguma coisa pra ela ficar desse jeito?
A dentuça não respondeu, e continuou calada, fazendo Cascão ficar ainda mais desconfiado.
– Mônica! – gritou ele.
– N-não aconteceu nada...
– Aconteceu sim!
– Não aconteceu não! – diz se levantando.
– Mônica, eu estou vendo na sua cara que você está escondendo alguma coisa...
– E-eu não posso te contar!
– Então tem mesmo algo por debaixo disso!
– Tem! – admitiu. – Mas a Magali me mataria se eu contasse alguma coisa... Especialmente pra você...
– Por quê?
– C-Cascão, e-eu não posso te contar… Já disse!
– Mas você vai! Mônica, se tiver acontecido algo, eu preciso saber! Por que se foi um trauma que a Magali sofreu, precisamos curar... Ou ela vai ficar se culpando pelo sofrimento da Cascuda e do Quim pra sempre, e nunca vai conseguir sem feliz comigo!
Mônica baixou o olhar. Ela concordava imensamente com o Cascão, mas não podia trair a confiança da melhor amiga daquele jeito. Era um segredo guardado as sete chaves, pois ela jamais quis lembrar do ocorrido.
De qualquer forma, estaria ajudando Magali, contando toda a história pra Cascão. Só ele poderia curar a comilona daquele medo.
– Eu só quero que ela seja feliz... – pensou ainda com a cabeça baixa.
– E então?! – Cascão a tirou dos pensamentos.
Ela soltou um longo suspiro e afirmou com a cabeça.
– Tudo bem eu te conto – Cascão abriu um sorriso e na mesma hora apareceu Cebola com um DVD na mão.
– Tá aqui seu jogo! – diz entregando.
– Valeu. Cebola, se importa se eu levar a Mônica por alguns estantes?
– C-como assim?
– Cascão, agente pode conversar sobre isso outro dia… — diz Mônica.
– Eu não vou esperar nem mais um dia! – diz puxando o braço da garota.
– Ei! P-perai! Eu quero ir junto — diz Cebola.
– Não! Você fica! – diz Mônica. Não queria que ninguém mais soubesse daquele segredo. Já estava se arriscando demais tendo que contar para Cascão, se mais uma pessoa soubesse, estaria morta.
– Mas...
– Eu preciso conversar com o Cascão sobre um assunto da Magali – diz Mônica no pé de ouvido do careca.
Ele resolveu assentir e deu um meio sorriso, afinal era por uma boa causa. Ele já sabia o quanto Cascão gostava da comilona e torcia tanto quanto a sua namorada. Alias, era sempre Cebola que dava os melhores conselhos para Cascão, por isso os dois chegaram naquele ponto, pois o careca sempre aconselhava o garoto a insistir com Magali.
– Amanhã eu passo aqui e agente continua o que não terminamos... – diz e em seguida olha para Cascão com a mão na cintura. Dá um beijo no garoto, e é puxada novamente pelo sujinho.
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_ _ (18h58min) _ _ Sorveteria
Chegando na sorveteria, Mônica e Cascão se sentaram de frente para o outro.
– E ai?!
– Calma... Tá com pressa? – Mônica levantou a mão para que fossem atender a mesa deles.
– Tô sim! Com muita pressa!
– Eu não vou fugir Cascão. E depois que eu te contar você não vai fazer nada hoje, ou vai?
Cascão revirou os olhos e um garoto foi atende-los.
– Eu quero um de morango e flocos – diz sorrindo.
O garoto assentiu com a cabeça e olhou para Cascão que permanecia mudo.
– Não vai escolher o seu?- perguntou Mônica.
– Não quero sorvete – respondeu sério.
A dentuça então despacha o garoto, olhando nervosa para os lados em seguida.
– E então...?
– O meu sorvete ainda não chegou – ela estava tensa, por isso enrolava daquele jeito.
Cinco minutos depois, o sorvete é colocado na sua mesa, e Cascão cruza os braços.
– Dá pra começar, por favor? – perguntou impaciente.
Mônica respira fundo e começa…
– Há dois anos atrás, a Magali conheceu uma pessoa. Ele era super gentil, simpático, meigo, enfim...Tinha todas as qualidades que uma garota sonhava em garoto.
Cascão ficou paralisado, no começo pensou que era Quim, mas do jeito que Mônica contava não parecia ser ele.
– Ela acabou se apaixonando, claro... Ele também dava índices de que era reciproco. A Magali sabia que o que estava fazendo era errado...
– Perai! A Magali se apaixonou por outro cara… E… Traiu o Quim com ele?
– Foi... – diz baixando o olhar. – Mas era inevitável, Cascão. Assim como foi inevitável com você.
– M-mas... – Cascão não sabia o que sentir. Não sabia se sentia ciúmes, raiva, angustia, mas ao ouvir aquelas coisas era mais ou menos tudo aquilo.
– Deixa eu continuar antes que eu me arrependa de estar te contando.
Ele afirmou com a cabeça.
– Bom, os dois infelizmente e felizmente viveram essa paixão de criança. Eles tinham apenas catorze anos, mas agiam como se tivessem mais... – deu uma pausa e continuou. – Eu era a única que sabia daquilo, e prometi pra ela que nunca ia contar pra ninguém. Eu até sugeri que ela terminasse com Quim, porque achava errado aquela traição. Ela também achou por isso... Terminou com ele.
– Eles terminaram?! – perguntou chocado.
– Naquela época sim... A Magali foi sincera, e contou tudo para o Quinzinho, que estava apaixonada e que não era certo continuar com ele. Pois sim… Aquele romance proibido continuou até então. Eu nunca tinha visto a Magali daquele jeito... Ela estava perdidamente apaixonada – brotou um sorriso em seu rosto, ao lembrar.
O garoto pareceu ainda mais chocado.
– Durante todos os anos de namoro com o Quim, ela nunca tinha ficado tão iluminada. Mas, como sempre, a felicidade durou pouco. O garoto que tinha feito várias promessas, largou ela no dia em que ficou sabendo que eles tinham terminado...
– P-por que ele fez isso?
– Não sei... Ninguém sabe... – negou com a cabeça, triste. – Só sei que a Magali sofreu de mais – Mônica ficou tão triste por lembrar daquela época que quase chorou. – Ela ficou deprimida, não quis mais sair... Não quis mais fazer nada.
– Eu... Eu que sempre estive presente... Como eu nunca percebi isso antes?
– A Magali tentava de todas as formas não demonstra sua tristeza perto dos amigos... Ela não queria preocupar ninguém...
– Mesmo assim... Eu devia ter sacado que ela estava sofrendo...
– Você não tem culpa Cascão. Mas ela não ficou assim por muito tempo, o Quim que também sofreu muito por causa do término, ficou do lado dela quando soube que o garoto tinha ido embora, apoiando ela de todas as formas, por isso eles voltaram. Ela prometeu pra si mesma que iria esquecer aquela fase da sua vida. Aquele perfume que ela viu na loja e ficou estranha... Era o perfume que ele deu pra ela... E o primeiro perfume que ela ganhou de um garoto.
Cascão negava com a cabeça, ainda paralisado. Ele nunca imaginou que a comilona teria passado por isso.
– Como ela sentiu na pele o que é sofrer por amor, não quis isso pra ninguém... E não é só por isso que ela tem tanto medo de ficar com você... É porque ela também tem medo de sofrer de novo.
– Agora tudo faz sentido... Mas Mônica... Eu nunca...
– Eu sei, Cascão! Eu sei disso... Mas é pra ela que você precisa dizer.
Cascão abriu um sorriso e beijou a testa de Mônica como forma de agradecimento.
– Onde você vai?
– Não se preocupe... Eu vou mostrar pra Magali que ela não precisa mais ter medo de voltar a amar... – dizendo isso saiu da sorveteria e Mônica sorriu contente. Talvez aquela conversa traria bons resultados.
Pegou a colher para tomar o seu sorvete, mas para a sua surpresa... Tinha derretido.
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