Amor Eterno
3 Não Tenho Medo
Notas iniciais
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Amor Eterno
Não Tenho Medo
“Você me mostrou um jeito de viver
Foi seu sorriso que me salvou
Para te proteger
Não tenho medo de morrer.”
Não pensei. Corri! Corri como louca. Não tive medo. Porém ali não era uma questão de “amor”, ali não era querer ou não querer. Foi adrenalina. Eu me joguei. Junto, eu só fui perceber depois, eu joguei todas as minhas esperanças e dúvidas naquele salto. Não tive tempo para pensar em mais ninguém. Só tive que tirá-lo dali. Quando minhas mãos tocaram seu corpo eu o empurrei para o mais longe que pude. Tive sucesso, mas meus músculos protestaram ao impacto, mas quando virei meu rosto eu não senti dor. Só surpresa. Então... eu não estava mais ali. Tudo virou escuridão. Eu ainda tinha minhas consciência, mas estava escura e repleta de dor.
Cheguei a conclusão que perdê-lo foi mais difícil do que nunca o ter encontrado. Estava cansada. Estava com raiva de ficar cansada. Estava cansada de ficar com raiva. Eu podia ouvir a multidão a minha volta. Fofocas, risadas, espantos, gritos. Tudo junto numa confusão similar a sua cabeça em uma prova de matemática. Senti alguém me segurando nos braços. Doeu muito. Mas isso significava que eu ainda estava viva. A sensação de dor é a sensação de vida. De não ter ido ainda. Quando percebi quem era comecei a soluçar num choro baixinho. Era Adrien. Pela sua cara, estava em desespero. Eu devia estar tão estraçalhada que ficara irreconhecível. Eu não podia me mexer.
–– Você sabia o quanto eu estava sofrendo. – Sussurrei fazendo uma pausa e recobrando o fôlego. –– Por fora podia estar sorrindo, mas por dentro eu sempre estava gritando. E você foi o único que viu! – Tossi e sangue saiu da minha boca. –– Eu t-te amo-o. – Eu estava caindo para a inconsciência. E a última coisa que me dei conta antes de apagar foram grossas gotas salgadas banhando meu rosto manchado de sangue. Depois disso, tudo havia acabado.
♡
O acidente fora um baque para minha família. Sinto falta deles. Nunca tive oportunidade de fazer contato, nem mesmo dar uma de fantasma. Eu não sei o que me tornei. Acredito que eu seja o “nada”. Eu tenho consciência que estou aqui. Eu sei o que está ao meu redor. Mas é somente isso... somente isso. Não me arrependo de o ter salvo. Mas eu queria que ele me ouvisse, somente isso. Queria que minha voz se arrastasse até Adrien. Queria escrever, mas só pude escrever em meus pensamentos afinal.
“Um dia você vai estar sozinho, vai fechar os olhos e tudo estará negro. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum número para discar.
Sua boca vai tentar chamar alguém, mas não há alguém solidário o bastante para sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar nessa fração de segundos, quando seus pés se perderem do chão, você vai lembrar da minha ternura e do meu sorriso infantil.
Virão súbitas memórias gostosas dos meus abraços, das minhas risadas bobas e do beijo do meu sentimento transbordando para você. E só vão ter algumas músicas repetindo no seu rádio: as nossas.
Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte para ter o aquele mundinho de novo... o nome disso é saudade, é aquilo que eu te falava sempre, e quando você finalmente discar meu número ele estará desligado. Se você bater na minha porta ela estará trancada, se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas. Aquelas que eu expulsei dos meus olhos e que desciam rápidas e quentes molhando meu rosto e o seu casaco. Elas ardiam tanto. O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento e a falta de fome que virá chama-se tristeza.
Então quando os dias se passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com meus olhos encantados, você encontrará a famosa solidão, a partir dai o que acontecerá chama-se surpresa e provavelmente o remédio para todas essas sensações acima é o tal tempo em que você tanto falava.
Mas mesmo assim, admito que mesmo não desejando que você sinta tudo isso, você vai sentir. E eu nunca poderei dizer. O quanto seu amor importou para mim. O quanto importa. E o quanto sempre vai importar. Você foi aquele garoto, o primeiro, o especial. Sempre irei estar presa a esse sentimento. Eternamente presa a você.”
Era isso Adrien. O que eu queria te dizer, mas não consegui.
Estou presa a você. Essa jaula do amor.
Eternamente.....
[POV'S ADRIEN]
Bônus
–– DROGA!!!! – Mesmo segurando a Beatriz em meus braços, eu podia sentir aquele peso morto. Era um cheiro de sangue e ferro predominante. A larguei ali, ela não estava mais...
Fui me lavar, mas não consegui tirar da memória o que ela falou. Eu jogava água na minha camisa, e quanto mais ela encharcava, mais aquele sangue se alastrava.
–– Heeyy! Adrien. – Me assustei com o chamado. Quando me virei era somente Lucas com mais uma de suas gracinhas. –– E agora cara? Pensei que você ia catar aquela mina. Perdeu a aposta. Me devolve meus $50,00.
–– “Nadahaver”! O dinheiro é meu agora. O único que eu tinha que fazer era beijá-la não? Acabou. Você não viu que a garota morreu? Esquece. – Cansei daquele joguinho. Eu não aguentava mais. Não queria mais nada com aquela garota. Eu realmente tinha apostado $50,00 para beijá-la, era só uma aposta. Sem perceber a medida que a conheci eu realmente gostei dela. Eu realmente a “amava”... talvez. Coloquei a mão no bolso e senti o bombom amassado. A raiva veio. A culpa veio. E eu não pude fazer mais nada.
Era isso Bia. O que eu queria te dizer, mas não consegui.
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