Amor Em Meio Ao Sobrenatural
13 Conhecendo a família
Notas iniciais
Claire sabia do que se tratava, a vingança jurada há muitos anos atrás se concretizaria com Claire e o garoto que parecia ser filho de August. Enquanto ela se desesperava e bebia descontroladamente, Dean aparece e a flagra.
- Claire você está bebendo? O que está acontecendo? – ele perguntou impaciente.
- Ah Dean... – ela desabou, sendo amparada pelo marido.
Claire tenta se acalmar e aos poucos conta a história para Dean. Ela não podia mais esconder dele.
- Porque você nunca me contou tudo isso Claire? – exclamou Dean.
- Eu...eu...não achei que fosse importante.
- Não achou? Agora nossa filha corre perigo e a culpa é sua! – ele gritava.
- Dean...por favor...
- Não Claire, não!
Sam e Bob acordaram com os gritos do casal e se assustaram. Dean passou por eles como um furacão, batendo a porta fortemente, enquanto Claire permanecia aos prantos, no chão. Sem entender Sam ajudar Claire a se levantar e pede a ela que conte o que estava acontecendo.
- Eu não sei o que dizer. – disse Sam ao saber de toda a história.
- Diga que a culpa é minha, eu mereço isso Sam.
- Não Claire, o Dean disse isso porque ela está de cabeça quente é só isso. Agora vai descansar um pouco que eu vou falar com ele está bem?
Claire assentiu e se arrastou para o quarto, se jogando na cama que era muito fria sem Dean. Enquanto isso Sam foi falar com o irmão que estava andando em meio aos carros do ferro velho.
- Ela não podia ter escondido isso de mim Sam, não podia! – ela dizia, furioso.
- Se acalma Dean, ela só fez isso porque nunca imaginou que a tal vingança fosse realmente acontecer. Ela te ama e ama Mary também, qual é Dean!
- Eu não sei...
- Dean, nós já enfrentamos o apocalipse, podemos muito bem enfrentar um bruxo nervosinho. – disse Sam.
Depois de conversar com Sam e de esfriar a cabeça, Dean percebeu que foi muito rude com Claire e foi até ela para se desculpar.
- Posso entrar? – disse ele com um tom ameno.
- O quarto também é seu. – Claire respondeu sem nem se mexer na cama.
- Me desculpe, eu fui um idiota com você. – ele disse se aproximando da esposa.
- Você estava certo, a culpa é minha.
- Não é não. Você não poderia saber...
- Eu...
- Claire nós vamos dar um jeito, Sam, Bob e eu já enfrentamos coisa muito pior, vai dar certo.
Eles enfim se reconciliam e juram proteger a filha.
Quando o dia amanhece, todos descem para tomar café e Bob traz a noticia de um trabalho.
- O que acha que é Bob? – pergunta Dean.
- Não sei, é tudo muito estranho, ainda não consegui um padrão. – respondeu Bob.
- Eu vou. – disse Mary.
- É claro que você não...
- Pai, nós vamos discutir de novo sobre isso? Sério? – Mary questionou interrompendo Dean.
Por mais que o tempo tivesse passado e Mary crescido, Dean se recusava a aceitar a filha vivendo essa vida que ele sempre quis afastar dela, mas, ele tinha que admitir, ela era ótima. Desde seu primeiro tiro quando ela tinha doze anos, ele percebeu que ela havia nascido para isso, e quando ela matou seu primeiro demônio aos quinze anos encheu de orgulho o pai caçador, mas, isso ele não admitia na frente dela. E por mais que ele negasse, Mary era muito parecida com ele, o mesmo gênio, o mesmo temperamento, o humor sarcástico e às vezes negro e o gosto por carros.
Assim a discussão cessou e todos foram arrumar suas armas para partirem.
- Se cuida filha e cuida do seu pai também. – disse Claire se despedindo da filha.
- Pode deixar mãe, eu sempre faço isso. – respondeu Mary.
Sam, Dean e Mary entraram no Impala e caíram na estrada, a cidade ficava a mais ou menos duzentos quilômetros de onde estavam. Quando eles chegaram foram logo procurar um hotel para ficar. Sempre quando eles chegavam e pediam apenas um quarto as pessoas olhavam de maneira sugestiva, afinal, dois homens e uma adolescente juntos era no mínimo estranho. Mary já estava acostumada, mas, Dean sempre se irritava.
- Bem, eu vou ficar por aqui e fazer algumas pesquisas e verificar arquivos policiais. – disse Sam abrindo seu notebook.
- Eu vou tomar um banho. – disse Mary.
- E eu vou atrás de comida. – disse Dean.
Depois do banho Mary ajudou o tio nas pesquisas, mas, não conseguiram encontrar nenhum tipo de ligação entre as três mortes que ocorreram na cidade. Assim decidiram que no dia seguinte começariam as pesquisas de campo.
Era noite, um pouco mais de meia noite, quando Mary acorda de um sonho. Dessa vez um sonho diferente, era como um aviso ou uma premonição. Além dos olhos verdes, Mary também herdou do pai o fato de não saber esperar, assim, silenciosamente ela se trocou e saiu rumo ao lugar do sonho.
Era o apartamento de uma jovem mulher, uma ativista que lutava pelos direitos humanos, que no momento estava viajando e voltaria no dia seguinte. O local era grande e ela resolveu vasculhar para ver se encontrava algo suspeito. Mary estava chegando na cozinha quando ouviu um barulho e foi ver o que era, quando ela entrou ficou paralisada com o choque que levou.
- Você? – ela perguntou.
- Você! – ele respondeu.
Mary havia encontrado o rapaz do seu pesadelo, o filho de August, aquele com quem ela deveria lutar. Assim, ela se colou em posição defensiva caso uma luta se iniciasse naquele mesmo momento, porém, o que ela sentiu não foi vontade de lutar. Era uma sensação diferente, intensa.
- Espere! Eu não quero brigar, acho que estamos aqui pelo mesmo motivo. – disse o rapaz.
- Do que está falando? – Mary perguntou.
- Você sonhou também não foi? Sonhou com a morte da pessoa que mora aqui, e veio impedir, certo? – ele questionou.
- Eu...
- Eu sabia! Olá, meu nome é John. – disse ele relaxando o corpo e modificando a expressão.
- Mary. – disse ela fazendo o mesmo.
- Olá Mary.
-Então, o que acha que está acontecendo com a gente? Porque temos esses sonhos? Isso tudo é muito estranho.
- Eu não sei, mas, as coisas na minha vida nunca foram muito normais.
- É, na minha também não, mas, temos que encontrar o que está causando essas mortes e impedir.
- Tem razão, vamos vasculhar a casa. Eu fico aqui em baixo e você procura lá em cima pode ser?
- Tudo bem, vamos.
Eles se separaram e começaram a procurar, cada canto da casa era cuidadosamente verificado por eles, mas, mesmo empenhados no trabalho um não deixava de pensar no outro. Ambos estavam encantados.
- John, aqui! – Mary chamou. Ela estava no banheiro do quarto da dona da casa.
- Encontrou alguma coisa? – John perguntou, chegando rapidamente ao banheiro ao ouvir Mary chamar.
- Sim, olhe. – disse ela com algo na mão.
- Saquinho de bruxa? Mas, o que está acontecendo aqui?
- Eu não sei, é estranho. Porque uma bruxa mataria essas pessoas?
- Eu...eu acho que já sei. – disse John.
- Sabe? – ela perguntou confusa.
- Mary, eu acho que algo ou alguém está nos atraindo, queria que nos encontrássemos. – ele tentou explicar.
- É claro, os sonhos! – ela exclamou.
- Sim, e eu tenho um palpite sobre quem está fazendo isso.
- Quem?
- Meu pai.
Eles então começaram uma longa e sincera conversa, onde John contou a Mary tudo sobre sua vida e sua relação com seu pai. Contou a ela que sua mãe havia morrido e seu pai o criou para se tornar o mais poderoso bruxo de todos os tempos, e o preparou para a batalha final, que seria com ela, mas, que ele não concordava com o motivo da luta e então fugiu.
- Então, você fugiu do seu pai? – ela perguntou.
- Sim, eu não quero lutar, nunca quis, ainda mais agora. – ele respondeu.
- Como assim?
- Ainda mais agora que eu te conheci e...vi que você é incrível...
- Valeu. Você também é John.
Mary e John, nomes tão conhecidos, pessoas que há anos atrás começaram uma história através de seus filhos Sam e Dean, agora emprestam seus nomes para que mais um casal se forme, um casal que assim como eles se apaixonaram ao primeiro olhar.
Eles estavam na sala da casa, e muito mais próximos do que haviam imaginado, assim, um beijo lento e terno acontece entre os dois. Ambos puderam sentir a energia que seus lábios juntos produziam, era enlouquecedor. Quando se separaram nenhum dos dois sabia o que dizer e por alguns instantes permaneceram em silêncio.
- Eu...eu... – John tentava, em vão, dizer alguma coisa.
- Você sentiu isso? – Mary perguntou.
- Sim, foi...mágico. – ele disse.
Os dois sentiam que de uma forma inexplicável, eles eram perfeitos juntos, era como se tivessem sido feitos um para o outro, eles se completavam. Porém, eles estavam no meio de um trabalho e essa era a prioridade agora.
- Temos um trabalho a fazer. – disse Mary interrompendo um dos vários beijos que o casal havia trocado.
- Tem razão, precisamos encontrar uma ligação entre as mortes, descobrir um padrão nisso tudo. – respondeu.
Mary assentiu e eles começaram a pesquisar e tentar encontrar uma solução para o caso. Já se passava das três da manhã, quando Mary enfim encontrou algo.
- É claro! – ela exclamou.
- O que? – John perguntou sem entender.
- Eles eram bons. Todas as pessoas mortas lutavam por alguma coisa boa. Por exemplo, esse cara aqui Ben Thomaz, ele lutava contra a discriminação racial, esse outro, Daniel Ross, ele era defensor de crianças carentes e abandonadas, e a dona dessa casa, Sully Carter, ela luta pelos direitos humanos. – ela explicou.
- É isso! E, se é meu pai que está por trás disso tudo, faz sentido.
- Desculpa eu dizer, mas, seu pai é mal.
- Tudo bem, eu concordo com você.
- Aí, estou morrendo de fome, e já que salvamos a vida da Sully, acho que ela não vai se importar se fizermos um lanchinho, o que acha? – disse Mary, ela também herdara a fome do pai.
- Por mim tudo bem.
Eles então foram até a cozinha da casa, prepararam alguns sanduíches, pegaram refrigerantes na geladeira e foram até a sala.
- Quem diria! – exclamou John.
- Quem diria o que? – perguntou Mary.
- Nós dois aqui, juntos, quando deveríamos nos odiar e lutar um contra o outro.
- Tem razão, e eu estou feliz que seja assim.
- Eu também.
O romance enchia o ambiente, John e Mary nem viram o tempo passar. Assim, depois do lanche e de conversarem um pouco, eles adormeceram em meio às imensas almofadas fofas no chão em frente à lareira da sala, e quando acordaram o sol já havia nascido.
- Ai essa não! – disse Mary.
- O que foi? – perguntou John.
- Já amanheceu e eu não voltei, meu pai vai me matar! – disse ela já se levantando.
- Tudo bem, eu vou com você.
- O que? Não, meu pai te mata também.
- Mary, eu não vou te perder, vou correr esse risco e, além disso, não fizemos nada de errado.
- Tudo bem, eu também não quero nem pensar em ficar longe de você, vamos.
Fale com o autor