Amor Em Meio Ao Sobrenatural
11 Aflorando
Notas iniciais
Mary já tinha quatro anos, era Natal, todos estavam reunidos na casa de Bob como sempre.
- Estou tão feliz, mais um ano juntos, mais um ano de felicidade, eu te amo. – diz Dean olhando profundamente nos olhos de Claire.
- Eu também te amo muito meu amor. – responde ela.
- Vem abrir meu presente comigo papai! – Mary diz puxando Dean pelas mãos.
- Vai, depois a gente conversa. – diz Claire sorrindo, ela adorava ver pai e filha juntos.
Quando a meia noite se aproximava, todos se juntam e brindam o Natal, eles não comemoravam muito a sua essência, mas, não queriam que Mary perdesse a comemoração em família.
- Mamãe, podemos ficar mais um dia aqui? – pergunta Mary.
- Claro meu amor! – responde Claire depois de olhar para a afirmativa de Dean.
- Oba, eu adoro ficar na casa do tio Bob! Eu posso ajudar ele a consertar os carros papai, posso? – pede Mary eufórica.
- Essa parte ela herdou de você. – diz Claire divertida.
- Claro que pode princesa. – responde Dean alegre pelo gosto por carros que a filha apresentava.
Pouco tempo depois, Mary adormece em meio a toda agitação da noite e Claire a leva para o quarto, voltando para a sala logo após para ajudar a arrumar a bagunça da festa. Depois de tudo em seus devidos lugares, todos vão dormir. Claire e Dean estão em seu quarto quando ele percebe que ela estava diferente.
- No que está pensando? – ele pergunta.
- Eu? É...nada não. – ela tenta mentir.
- Você nunca soube mentir.
- Tudo bem...Dean é que eu tenho medo.
- Medo do que?
- Nós juramos manter nossa filha o maior tempo possível longe do sobrenatural, e eu temo que ela descubra alguma coisa e...
- Tem mais não é? Me diz, o que está havendo?
- Dean, Mary é minha filha e eu sou uma bruxa, sendo assim ela mais cedo ou mais tarde vai desenvolver seus poderes, ela é muito inteligente e eu temo que se ela encontrar algo aqui na casa do Bob, de novo, ela acabe juntando as peças e...
- Espera aí, de novo?
- Ela, uma vez, encontrou o quarto do pânico e quando ela entrou as portas se fecharam sozinhas, eu me assustei muito e demorei um tempinho para conseguir tirar ela de lá.
- Porque não me contou isso antes?
- Eu não quis te encher de problemas, nós nos vemos tão pouco que eu preferi aproveitar nossos momentos juntos, eu não achei que fosse importante, e...depois ela ficou me perguntando o que era aquele lugar e porque as portas se fecharam e ela não conseguia abrir. Inventei uma desculpa qualquer e consegui acalmá-la, mas, eu tenho medo Dean, está acontecendo eu sei disso... – Claire explica entre lágrimas se jogando no colo do marido.
- Calma meu amor, calma. – Dean acaricia Claire tentando acalmá-la.
Claire sabia que isso um dia ia acontecer, sua filha assim como ela possuía os poderes, mas, estava acontecendo muito cedo e ela não entendia o por que.
- Isso não era o que você queria não é? Ter uma mulher e uma filha bruxas...
- Shiii, não fala besteira, eu amo você e Mary, nós vamos enfrentar tudo juntos entendeu? – diz Dean abraçando Claire bem forte.
A noite seguiu seu rumo e a madrugada ia passando, quando Dean e Claire ouviram gritos no quarto de Mary. Eles correm até lá e quando entram quase não acreditam no que viam. A cama se mexia e sacudia sem parar com Mary em cima com uma expressão assustada, as janelas do quarto abriam e fechavam, assim como as portas dos armários, as cortinas voavam e objetos do quarto caíam no chão. Bob e Sam também acordaram, mas, se mantiveram afastados do quarto dando cobertura.
- Accessit! – diz Claire lançando um feitiço fazendo as coisas voltarem ao normal.
- O que foi isso? – exclama Dean incrédulo.
- Mamãe, mamãe! – dizia Mary assustada.
- Eu estou aqui meu amor, está tudo bem, se acalme. – diz Claire com Mary nos braços.
- O que aconteceu? Eu estou com medo mamãe...
- Está tudo bem agora princesa, vem vamos dormir no quarto da mamãe. – diz Claire pegando Mary no colo.
Mary estava muito agitada e demorou um pouco a dormir, mas, enfim adormeceu.
- Agora me explica o que diabos aconteceu naquele quarto. – diz Dean atordoado, com Bob e Sam ao seu lado.
- Está começando Dean, os poderes de Mary estão aflorando, mas, ela ainda não tem controle. Ela deve ter tido um pesadelo enquanto dormia e...ela é tão pequena e frágil.
- Não tem um jeito de parar isso? – pergunta Dean.
- Parar? É claro que não, faz parte dela, está no DNA. Quando aconteceu comigo eu tinha oito anos e meus pais me ajudaram a controlar. Eu estou com medo Dean, quando entrei no quarto dela eu senti um poder muito grande, como eu não sentia há muito tempo.
- Tudo bem, vai ficar tudo bem, nós vamos fazer umas pesquisas e ver o que podemos fazer. – diz Dean abraçando Claire.
Quando amanheceu Mary ainda dormia.
- Ela não vai acordar? – pergunta Dean preocupado.
- É normal que ela durma Dean, ela usou uma grande quantidade de energia ontem, ela precisa descansar.
- Vai dar certo gente, nós vamos encontrar um jeito. – diz Sam tentando acalmar os ânimos.
As horas iam avançando e Mary ainda dormia profundamente, começando a deixar Claire preocupada. Já se passava das duas da tarde quando Dean explode.
- Eu vou acordá-la! – ele diz.
- Não! Eu vou, é preciso ter muito cuidado com essas coisas. – diz Claire.
Claire sobe até o quarto e se senta ao lado da filha na cama. Dean, Sam e Bob a observavam.
- Somno excitet et obliviscere factum est. – diz Claire com as mãos na testa de Claire, e no mesmo momento a pequena acorda de seu sono.
- Mamãe! – Mary exclama abraçando Claire.
- Oi meu amor, dormiu bem?
- Sim mamãe! E eu estou com fome.
- Então vem, vou preparar algo para você comer.
Todos descem e observam Mary comer. Eles se distanciam e é a oportunidade perfeita para Dean fazer a pergunta que todos queriam fazer.
- Ela não se lembra de ontem? – ele pergunta.
- Eu fiz com que ela não se lembrasse, é melhor assim. Eu preciso de um tempo para encontrar a melhor maneira de contar isso a ela. – responde Claire acerca do feitiço que lançou fazendo com que a filha acordasse e não se lembrasse de nada do que aconteceu.
- Eu estarei com você. – diz Dean abraçando a mulher.
- Vem querida, tio Bob vai arrumar alguns carros. – diz Bob tentando distrair Mary.
- Oba, vamos tio Bob, amo carros! – exclama Mary já puxando Bob pelas mãos.
- Definitivamente ela é sua filha Dean. – diz Sam sorrindo.
- Como eu direi isso a ela? – pergunta Claire.
- Pense em como foi com você Claire, em como seus pais lhe disseram, talvez funcione com Mary. Ela é esperta e bem madura para uma criança de quatro anos. O melhor é dizer a verdade. – diz Sam.
- Eu...acho que tem razão Sam. – assente Claire.
Mary havia passado a tarde toda com Bob e quando voltou estava toda suja de graxa.
- Passou um furacão por aqui? – pergunta Claire.
- Eu nunca pensei que sua filha se parecesse tanto com você Dean. – diz Bob.
- Vem minha sujinha, vamos tomar um banho porque depois a mamãe tem que conversar com você. – Claire leva Mary para cima.
Enquanto Mary cantava no chuveiro, Claire estava sentada na cama, pensando em como falar com a filha sobre um assunto tão delicado.
- Vai dar certo, eu estou aqui com você. – diz Dean acariciando as mãos da esposa.
Dean e Claire se abraçam por alguns instantes e quando a filha sai do banho eles a trocam e reúnem todos na sala. Chegara a hora da verdade.
- Diz mamãe, o que você quer me dizer, estou curiosa. – exclama Mary ansiosa.
- Filha...eu sei que você ainda é muito pequena e pode não entender algumas coisas, mas, é necessário que você saiba a verdade sobre o que nós somos. – Claire começa.
- Nós? – pergunta a pequena, confusa.
- Sim. Mary, nós somos um pouco...diferentes das outras pessoas.
- Diferentes mamãe?
- Sim anjo, diferentes. Você e eu podemos fazer coisas que as demais pessoas não fazem, temos poderes.
- Como super heróis?
- Mais ou menos filha. O poder está aqui dentro. – diz Claire tocando o peito da filha.
- Não entendo mamãe.
Claire pensa que a melhor forma de fazer a filha entender o que se passava era mostrando a ela.
- Levitate! – exclama ela em direção a uma cadeira e esta imediatamente começa a levitar.
Todos na sala se impressionam, e Mary observa tudo com uma expressão que mescla medo, surpresa e encantamento.
- Eu também posso fazer isso mamãe? – ela questiona.
- Claro que sim meu amor, é só se concentrar, eu te ajudo. – Claire responde se aproximando da filha.
Mary tenta fazer o que a mãe lhe dissera, e se concentra em tentar fazer a cadeira levitar, mas, o que acontece não é bem isso. Ela fecha os olhinhos e quando abre um copo de vidro que estava na mesa simplesmente explode.
- Ai, desculpa! – ela exclama.
- Tudo bem meu amor, nem sempre se consegue da primeira vez. – diz Claire sorrindo em um misto de orgulho e pena da filha.
- Desculpa tio Bob, quebrei seu copo. – diz Mary sentida.
- Sem problemas Mary. – ele responde.
- Você foi ótima filha. – diz Dean abraçando a pequena.
- Mas eu não queria quebrar o copo, ele deveria estar inteiro. – diz Mary, e no momento que estas palavras saem da boca da menina, imediatamente o copo se refaz e fica perfeito novamente.
- Olha mamãe, olha! – a pequena diz sem parar.
- Você é brilhante meu amor! – diz Claire abraçando a filha.
- Oba. – comemora a pequena.
- Olha filha, você ainda é muito pequena para entender, mas, esses poderes trazem uma grande responsabilidade. Se você usá-los sem controle pode acabar machucando alguém, então você apenas deve usá-los para o bem. É um dom Mary, não desperdice.
- Eu nunca machucaria ninguém mamãe. Mas, todos aqui podem fazer essas coisas?
- Não filha, apenas você e eu.
- Então...o que somos?
- Somos...bruxas.
- Bruxas? Então somos más?
- Não meu amor, e por isso eu te disse que devemos usar os poderes para o bem, é assim que deve ser.
- Eu serei uma bruxa boa mamãe, eu prometo.
- Eu sei que sim Mary, e todos nós lutamos contra o mal, inclusive tio Sam, tio Bob e o seu papai.
- Como assim?
- Eles são caçadores filha, destroem todas as criaturas malignas que existem.
- Que legal! E eu posso caçar com vocês papai? Eu sou corajosa e não gosto de monstros. – diz a pequena toda feliz.
- É...quem sabe um dia filha. – Dean responde desconcertado.
- Tudo bem, foram muitas informações por hoje, vamos jantar e depois subir e dormir, você precisa descansar meu anjo. – diz Claire.
- Está bem mamãe.
Fale com o autor