Amor Em Las Vegas

8 Capítulo 8 - Período pós-farra


Notas iniciais
N/A: Peço perdão por esse imenso atraso. Eu tive alguns contratempos e minha preciosa beta adoeceu. Eu não seria capaz de substituí-la. Acredito que valeu a pena esperar. Lia Collins, não sei o que faria sem você betando minhas estórias!!! Thanks.

Capítulo 8: Período pós-farraCapítulo 8: Período pós-farra

Steve saiu de seu quarto e parou em frente a porta de Danny. Armou-se de coragem e bateu. Não houve resposta. Bateu mais duas vezes e continuou ignorado. Se Daniel Williams queria resolver as coisas de forma infantil, Steve McGarret o acompanharia. Enfiou o pé na porta e ela cedeu.

O detetive estava sentado sobre a cama, encostado na cabeceira e abraçava os joelhos. O rosto carregava um ar meio sofrido. Os olhos estavam avermelhados e o comandante soube que ele estava segurando o choro.

– Danno?

O loiro fechou os olhos e não respondeu. O nó na garganta ameaçando se desfazer em choro, ele não ia chorar na frente de Steve, nem morto! Maldita hora em que ele se envolveu de forma tão complicada com o chefe. Onde estava com a cabeça pra fazer uma merda tão grande? E Rachel? Ele sempre achou que ainda podia ter uma chance de voltar.

Ainda havia Grace para se preocupar. E Rachel grávida. Ele acreditou por um momento que seria pai novamente, acreditou que o destino estava ao seu favor e por intermédio da mulher que ele tanto amava seria presenteado com a dádiva da paternidade pela segunda vez. Grace era uma garota maravilhosa, seu irmãozinho também seria. Danny era capaz de apostar nisso.

Agora tinha um novo problema nas mãos. Como poderia encarar o chefe no trabalho depois de tudo? Estava fazendo tempestade em copo d’água. Ele não era nenhum adolescente e podia apostar que Steve não era nenhum bastardo idiota sem consciência do que fizeram. Precisavam conversar. Conversar seriamente.

– Daniel?

O tom usado pelo chefe fora autoritário. Ele o chamara de Daniel. Onde estava o “Danno”? Ok. Hora de conversar e colocar as coisas em pratos limpos. Ele precisava se controlar e conversar adequadamente com o moreno. Sim, ele falaria do que estava sentindo naquele momento. NÃO!! Ele não podia contar que estava começando a desenvolver um afeto extra por McGarret.

– Daniel, eu não vou voltar pra conversar novamente. Se você prefere ignorar, tudo bem. Vamos continuar nossa vida de onde paramos aqui no Hawaii. Vou te deixar em paz e voltar para o meu quarto. Vou dormir e quando acordar amanhã tudo não passará de um... sonho...

Steve não tinha certeza de que Danny ouvira a última palavra que dissera num sussurro como se fosse apenas para si mesmo. Tudo podia ser mais fácil se Danno lhe respondesse, gritasse com ele e o esmurrasse. Mas o homem loiro não tinha qualquer reação e isso deixava o militar maluco!

Ótimo, o SEAL não ficar ali esperando a boa vontade do companheiro em lhe dar um mínimo de atenção e conversar como dois homens maduros. Que idade eles tinham? Dez? Respirou fundo e voltou para a porta, instantaneamente seus olhos percorreram a porta avaliando o estrago. Agora, precisava de uma porta nova.

– Não consegue bater antes de entrar? Bem feito pela porta.

– Danny, eu quero conversar civilizadamente. Podemos? Aliás, eu bati, bati exatamente três vezes antes de derrubar a porta.

– Não, na verdade você gosta de entradas dramáticas. Nunca entramos normalmente em lugar nenhum... Mas você tem razão precisamos conversar.

– Nós transamos sem proteção, isso não é uma questão de confiar ou não. Foi imprudente e precisamos tomar as medidas necessárias.

– O que você sugere? O hospital central realiza os exames necessários.

– Acredito que exista medicação preventiva para esse caso. Temos que consultar um médico o mais rápido possível porque pode haver um prazo para se iniciar o tratamento.

Após entrarem num acordo sobre o local saíram imediatamente da casa do SEAL rumo aos devidos cuidados para a situação delicada. O silêncio imperou no interior do camaro durante o percurso até o hospital. Precisavam de discrição. Seria bem embaraçoso cruzar com um conhecido nessa situação.

– Ainda dói?

Daniel parecia imerso em pensamentos e não pareceu escutar Steve, tanto que a pergunta precisou ser repetida duas vezes. Quando ele finalmente prestou atenção e compreendeu, um rubor subiu-lhe pelo pescoço e o rosto ficou corado em segundos.

– Eu... Eu estou bem...

O detetive parecia extremamente constrangido pela pergunta inesperada, mas ele não poderia falar que ainda doía e era incômodo ficar sentado por muito tempo ou andar. Será que não estava disfarçando o desconforto tão bem a ponto de McGarret notar?

– Tem certeza? Notei que fez uma careta de dor quando sentou no banco do carro e está andando esquisito. Se quiser posso dar uma olhada e passar um remédio, sei lá.

“Se quiser posso dar uma olhada e passar um remédio, sei lá.”. Ele não tinha escutado certo. Ou então era uma brincadeira de mau gosto por parte de Steve. Que conversa era aquela de dar uma olhada? Ele estava pensando que Danny simplesmente abaixaria as calças ali mesmo e se colocaria em uma posição vergonhosa para que o outro lhe examinasse? Usando os dedos, por exemplo? Como ele tinha a petulância, a ousadia e o atrevimento de propor uma merda dessas? Sentiu o sangue ferver e tentou se conter ao pronunciar as próximas palavras.

– Consciência pesada? Você pegou pesado comigo, não podia ser menos SEAL, apressado e rude? Eu ainda estou todo fodido, cara!

– Danny, eu só queria...

– Não, agora que perguntou vai ouvir. Não posso virar na cama pra dormir porque sinto umas fisgadas no traseiro, não posso nem mesmo dirigir meu carro porque estou todo ardido. Quando ando, a mesma coisa! De quem é a culpa mesmo?

– Danny...

– E tem mais você não vai mais chegar perto do meu traseiro, seu estúpido. Fica aí pagando de bom moço, se oferecendo pra me examinar, que merda é essa?! Acha mesmo que vou te deixar colocar as mãos ou os dedos em mim?!

– Fica calmo.

– Calma, porra nenhuma!

– Então cale a porra da boca, porque estamos no estacionamento do hospital e você está falando de coisas íntimas aos berros, todo mundo deve ter escutado.

Algumas pessoas notaram os dois homens no camaro discutindo e pararam na intenção de ver o desfecho da briga. Até o moreno descer e colocar os curiosos pra correr. Respirou fundo clamando por paciência, o loiro era difícil de lidar.

Danny desceu do carro e tentou seguir o chefe da forma mais discreta e confortável que conseguiu. A recepção estava vazia aquela hora. Steve abriu a ficha para os dois e logo foram encaminhados para a sala de espera. O atendimento deles poderia ser priorizado caso mostrassem os distintivos. Mas devido a natureza da consulta preferiram manter em oculto os cargos que ocupavam.

Na verdade, a médica que faria o atendimento era uma conhecida de longa data do SEAL. Trabalharam juntos algumas vezes, quando ela fazia plantões noturnos na unidade da marinha e em algumas missões pelo mundo. A mulher era uma ótima fuzileira naval. No momento, realizava consultas como infectologista para a Marinha e estava fora das missões. Tinha uma clínica de terapia para casais, onde Steve e Danno estavam, mas atendia como infectologista quando velhos amigos precisavam.

Em poucos minutos foram chamados ao consultório. A médica, muito simpática e bonita, estranhou os dois homens entrarem juntos para a consulta. E preferiu confirmar. Afinal de contas, Steve não mencionou nenhum amigo. Provavelmente o amigo seria o paciente da vez. Ela continuava intrigada. Ao telefone Steve lhe informara que havia transado sem preservativo. A menos que... Oh, Yes!!! Eles estavam juntos! Ela podia notar o clima e tensão sexual que rondava o casal.

– Daniel Williams?

– Sim, sou eu.

A mulher olhou para o comandante esperando uma justificativa para sua presença naquele consultório, já que ele não era o paciente chamado. O homem parecia não ter notado esse detalhe. Obviamente Steve lhe pedira que não mencionasse que eram conhecidos.

– E o senhor é?...

– Steve McGarret.

– Não pode esperar na sala de espera enquanto cuido do paciente?

– Doutora, vamos poupar trabalho e tempo. Steve McGarret. Minha ficha deve estar aí. Nós temos um problema em comum e seria mais fácil se consultássemos juntos.

Danno desviou o olhar quando a médica se voltou para ele, sentiu a face esquentar e já sabia que estava corando. Em pouco tempo, a mulher entenderia.

–Ah, vocês estão juntos? Digo como amantes ou algo assim?

– Ok, sexta-feira saímos para beber e transei com o Danny sem preservativo.

O loiro já havia passado por todos os tons de vermelho possíveis. Abaixou a cabeça pra não ter um troço ou qualquer coisa parecida. Tinha certeza que tanto a médica quanto o comandante estavam olhando pra ele nesse momento.

– Gostaria de examiná-lo, senhor Williams.

Oh, não. Danny não queria passar por essa cena constrangedora outra vez, já bastava ter que aturar Steve lhe examinando. Mas agora era oficial. A médica teria que ver o estado em que seu corpo estava.

Derrotado, Williams foi encaminhado para um espaço reservado atrás das cortinas. A doutora lhe apresentou um sanitário para que pudesse fazer a higiene íntima antes de ser examinado e o avental que deveria usar.

– Precisa tirar toda a roupa e usar apenas o avental. Fique à vontade, volto em alguns minutos.

O detetive suspirou resignado e começou a se despir. Quanto mais rápido o fizesse, mais rápido acabaria sua penitência. Afrouxou a gravata e a colocou sobre uma cadeira que havia ao lado da cama. Retirou os sapatos, as meias e calçou as sapatilhas descartáveis. Tirou a camisa e a calça. Ficou relutante em se desfazer da peça íntima. Deveria vestir o avental e ficar com a cueca até a médica entrar para não se sentir tão nu? Ou poderia ficar apenas com o avental e a mercê do predador Steve.

Os pensamentos do loiro foram interrompidos por braços fortes que circundaram seu corpo e um tórax largo que se postou as suas costas. Ele não sabia de onde Steve havia surgido. Ficou tão tenso com tal proximidade que nem se deu conta de Steve descendo as mãos pelas laterais de seu corpo parando nos quadris.

As mãos morenas que estavam nos quadris ganharam movimento e alcançaram o elástico da cueca que o policial vestia e desceu a peça lentamente pelas pernas torneadas até chegar aos pés, depois levantou uma perna de cada vez para retirar a boxer por completo. Os pelos loiros ficaram arrepiados pelo contato inesperado das mãos do SEAL com o corpo de Danny.

Era incrível como não conseguia resistir ao toque do comandante. Seu corpo parecia ansiar por isso. Fechou os olhos quando ficaram frente a frente e ele o abraçou. Não pôde se impedir de arrepiar quando as mãos ásperas acariciaram suas costas nuas e gemeu contido ao senti-lo apertar suas nádegas com um pouco de força. Mandou o bom senso para o inferno e se permitiu desfrutar o momento. Sua boca foi tomada num beijo voraz e instintivamente suas mãos procuraram o caminho para os cabelos curtos do militar. Mal sentiu as mesmas mãos fortes lhe erguerem pelas coxas e o colocar sentado sobre a cama.

Steve se instalou entre as pernas do outro e suas carícias foram direcionadas a outros pontos no corpo do loiro que o fariam gemer de verdade. Seus lábios percorreram o pescoço distribuindo chupões e mordidas pela pele. Sentiu a excitação dele através do tecido de sua calça cargo. Não poderia deixá-lo assim, a médica logo voltaria.

Williams entrou em pânico quando percebeu que estavam no meio de uns amassos dentro do consultório e a médica podia voltar a qualquer momento e se deparar com aquela cena tórrida e desavergonhada num local inapropriado.

Acontece que as mãos grandes e fortes do moreno faziam um ótimo trabalho acariciando o detetive loiro. Ele nem percebeu que estava deitado na cama enquanto o moreno o masturbava. Apenas deixou-se levar pelas sensações maravilhosas que tomavam o seu corpo.

O SEAL sabia do risco que corria fazendo tudo aquilo no consultório da doutora. No mínimo seria um desrespeito a dona do local, mas ele não conseguia resistir a um Danno tímido e constrangido ao falar de Vegas. Quando notou o que acontecia, já estava atacando o policial.

A vontade era tomar novamente o corpo de Danno. Possuí-lo até a exaustão e sentir o estremecer do corpo firme sob o seu ao alcançar o orgasmo. Segurá-lo em seus braços e beijá-lo com vontade, sem preocupações, sem se importar com mais nada e ninguém.

A doutora voltou ao consultório quando Steve lavava as mãos na pia que estava ao lado da cama. Apenas uma pessoa completamente idiota não perceberia o que havia acontecido entre os dois homens. Na verdade a médica deixara a sala justamente esperando que acontecesse. Ela percebera os olhares incendiados de luxúria que Steve dirigia ao outro paciente e precisava ver a interação dos dois.

Daniel estava largado sobre a maca. O relaxamento pós-orgasmo que tomava o seu corpo o mantinha calado e sem forças para levantar. Mas a imagem denunciava as últimas atividades. O rosto muito corado, respiração ofegante e marcas de chupões e mordidas recentes, feitas na hora.

Em todos os seus anos de atuação na área não tinha visto ainda um caso assim. Geralmente seus pacientes não assumiam uma relação homossexual tão abertamente e McGarret não parecia ter esse problema de negação quanto a sua sexualidade. Talvez Daniel ficasse constrangido pela exposição, mas em suma, ela percebeu que o sentimento era forte pra ser ignorado.

O moreno olhou pra ela como se nada tivesse acontecido, ao passo que Daniel corava até a alma e desviava o olhar a qualquer custo. A mulher sorriu divertida e deu uma piscadela carregada de malícia ao comandante.

O detetive estava esparramado na cama, obviamente o SEAL fizera a higiene íntima no loiro porque ele não estava em condições de executar nada por vontade própria. O orgasmo o deixara relaxado e meio atordoado. O rosto corado e alguns chupões e mordias à vista apenas confirmaram o inevitável.

A médica abriu um kit de procedimento, abriu a bisnaga de lidocaína gel 1% e despejou um pouco sobre a compressa de gaze estéril. O gel a base de anestésico funcionava mais para lubrificar. Com outra gaze ela higienizou o local com iodopovidona e calçou as luvas estéreis, descartando antes o par de luvas comuns de procedimento que usava. Com os dedos untados de lidocaína gel, a doutora iniciou o exame.

Danno fechou os olhos enquanto a mulher o ajudava a se posicionar na cama. Ela o tocou com dedos cuidadosos e precisos. Era uma profissional qualificada e ele tentava relaxar pensando nisso enquanto ela introduzia o primeiro dedo em sua entrada.

– Era virgem até o último fim de semana, certo?

– Bem, eu nunca imaginei que fosse acontecer... Ok, sim.

– Você praticou sexo anal receptivo. Seu parceiro não tem do que se envergonhar em questão de tamanho, porque ele fez um pequeno estrago aqui atrás. Imagino que deve ter sentido o efeito. Vou prescrever uma pomada anestésica para aliviar a dor e anti-inflamatórios para prevenir possíveis problemas no futuro.

– Doutora, eu não sei como vou fazer agora.

– Ora, não é porque o relacionamento de vocês evoluiu que as coisas vão mudar. Ele gosta muito de você e não vai deixá-lo por nada. Não tenha medo, o sexo pode trazer ótimas consequências ao relacionamento de vocês.

– Acho que está entendendo o nosso caso.

– Não, você está enganado. Eu vejo como se olham. Existe paixão no olhar de vocês, não se declararam ainda? A relação ainda não é oficial? Precisam resolver isso logo. Porque ele pode desistir de você.

– EU... Eu nem sei o que aconteceu entre nós.

– Apenas aceite e tenha paciência. Vou pedir alguns exames e o teste rápido para HIV e outras DST’s. Porque você deve ter sangrado durante a relação e entrou em contato com o esperma dele. Depois prescrevo o tratamento preventivo com retrovirais conforme o resultado dos testes. Pode se vestir.

A médica viu dúvida e angústia nos olhos azuis do loiro. Mas já falara o suficiente sobre o relacionamento deles. Agora era só esperar surtir efeito. Ela retirou as luvas e lavou a mão para eliminar o talco que as luvas deixaram em suas mãos.

– Daniel? Não vai levantar? Devo chamar Steve para ajudar?

– Não! Não precisa chamar aquele maldito pervertido.

– Não o chame assim. Aposto que essa mancha de sêmen no lençol não é dele. Mas foi causada por ele.

A mulher assistiu com prazer sádico a transformação de Danno. Não havia mancha nenhuma, ela admirava a meticulosidade de Steve em limpar o local. Mas assistir o seu paciente nervosinho passar por todas as tonalidades do vermelho e cobrir o rosto com as mãos num gesto adoravelmente infantil era, sem dúvida alguma, divertido. Precisava apenas de um detalhe pra finalizar.

– Steve, venha aqui. Daniel precisa de sua ajuda.

Ela deixou o reservado com um sorriso macabro. Steve passou por ela rapidamente. Ainda ouviu o loiro engasgar depois de escutá-la chamar o SEAL. Houve resmungos e alguns “não me toque!”, “tire suas mãos de mim!”, “saia!”, “ela percebeu o que você fez!” O amor é lindo, não?

Danno ficou sentado na mesa da médica enquanto ela examinava o comandante. Ele não parecia embaraçado por estar nu e ter alguém examinando seu corpo minuciosamente. Afinal, no exército devia ser comum exames médicos desse tipo. Exército não, Danny. Marinha!

O policial tamborilava os dedos sobre o tampo de vidro que compunha a mesa do consultório. Ouvia a conversa da médica com o paciente Steve e notou que nenhum deles tinha vergonha de falar da vida sexual do militar.

– Faz sexo anal com frequência?

– Não.

– Com quantos homens teve relações sexuais de qualquer natureza?

– Apenas com Danny. Nunca houve interesse por outros homens.

– Oh, vocês são iniciantes! E o sexo foi insertivo de sua parte. Se quiser, posso orientar vocês. Sou terapeuta sexual.

– Acredito que Danny vai adorar.

– Se ele não me contasse que era virgem até esse fim de semana e que a relação não é oficial, podia jurar que estavam casados há anos!

– Ele disse que a relação não é oficial?

– Sim, acho que não deveriam ter medo de assumir. Não dá pra agradar o mundo todo.

– Acho que não seria tão chocante paras as pessoas mais próximas, afinal todos nos tratam como se estivéssemos casados há anos.

– Parece que só vocês não percebera o climão que rola entre os dois. Acho que deveria ser um pouco menos rude no sexo.

– Ele me disse a mesma coisa.

– Daniel vai apreciar um pouco de gentileza na hora da penetração.

– Ele te disse isso?

– O espécime que você tem aqui não entra numa boa em orifícios que não estão habituados à invasões. Daniel está um pouco machucado, por isso ofereço minhas orientações se quiserem um acompanhamento mais próximo.

A conversa fluía naturalmente e depois de passar as orientações e pedir os mesmos exames de Danny, os homens foram dispensados até o fim da tarde quando os exames estariam prontos.

– Até mais rapazes.

Andaram até o estacionamento num clima estranho. Danno ia apressadamente na frente. Não queria papo com o SEAL. O comandante vinha logo atrás, o semblante pensativo e distraído. Até que a voz da médica chamou a atenção dos dois homens no estacionamento quase vazio.

– Juízo, hein! Não quero nem imaginar o que fariam na privacidade do carro depois que concluí o que aconteceu realmente no meu consultório.

Daniel entrou no carro feito uma flecha depois de ouvir a médica falando as últimas palavras da sacada do prédio pra todo mundo ouvir. Embora não houvesse uma alma viva no local, ele simplesmente achava desnecessário que a doutora ficasse falando essas coisas tão naturalmente e desconfiava que ela conhecia McGarret para agir de forma tão íntima com os dois. Sim, o pervertido e a safada já se conheciam! E ele, um policial de boa índole achando que a escolha da médica fora aleatória.

– Vamos almoçar, Danno?

– Não tenho fome. Só quero que essa merda acabe e que minha vida volte ao normal.

– Ok. Se não quer almoçar comigo pode ficar dentro do carro, porque eu não vou ficar com fome.

– Não me importo com você.

O comandante parou próximo a um restaurante e desceu, mas antes de seguir deu um último alerta ao subordinado. Puxou o detetive pela gravata até ficarem face a face pela janela do carro, respirando o mesmo ar e falou baixo entre os dentes.

– É bom eu sair do restaurante e encontrar você e o carro aqui.

– Por quê? Vai me bater?

– Não, vou para a sede a pé e quando chegar lá vou te jogar sobre aquela mesa multifuncional e fodê-lo até a inconsciência na frente de quem estiver lá pra ver.

O moreno entrou no restaurante e deixou um embasbacado policial imóvel no banco do camaro prata. Ele não acreditava que seu chefe tinha feito aquela ameaça. Não apenas isso, tinha ameaçado Danno em seu próprio carro, usando seu local de trabalho. Pior, o loiro acreditava que ele certamente cumpriria cada palavra dita.

Danno tentou veemente ignorar o arrepio que percorreu sua espinha ao ouvir aquela frase na voz baixa e grave de seu comandante, olhando diretamente nos olhos verdes dele. Detalhe: sua mente não parecia ter aversão a possível ocorrência e logo se viu deitado nu sobre a grande mesa com Steve possuindo seu corpo enquanto os integrantes da sede assistiam. Maldita mente pervertida!

Notas finais
Apreciaram?