Amor E Salvação.
2 Obsession...
Notas iniciais
Distância
Seus dedos não lhe obedeciam, pareciam escorregar das chaves, tocava o clarinete desde que esse havia sido inventado, contudo, estando fora de si, os únicos sons que seu sopro emitia eram de fúria. Não queria tocar daquela forma, não podia. Mas ao vê-la nos braços dele, havia ficado cego de ódio. Sabia que ela estava do outro lado da porta, ouvindo-o, como sempre fazia. Contudo não queria cautela, havia deixado à porta entreaberta, queria que ela entrasse, queria que ela o visse, queria. Deixou que sua voz dominasse sua garganta e logo os lamentos agudos podiam ser ouvidos ecoando por todo o lugar. Ouviu o barulho da porta, mas não queria abrir os olhos e não encontrá-la ali. Contudo seu perfume logo invadiu seus sentidos, então sua voz tornou-se lenta e melodiosa, há quanto tempo não cantava para ela? Parecia uma eternidade desde última vez que a vira dançar livremente ao som de sua voz. Ouviu os soluços e as palmas fracas vindo de suas delicadas mãos. Abriu seus olhos e encontrou aqueles olhos negros que tanto amava encarando-o, não pode evitar sorrir, estavam cheios de lágrimas, a emocionara. Seus cabelos já não eram castanhos, agora ela os usava loiros, porém seus lábios ainda eram pequenos e cheios, as maçãs do rosto salientes, estavam coradas, pudera ele tocar-lhe o corpo, sabia que este era feito na medida exata de suas mãos.
_Então era você, que ficava ouvindo do outro lado da porta. – não podia esconder seu sorriso.
_Perdão. Perdão. Eu só. É tão lindo. – ela dizia confusa e envergonhada.
_Deixei a porta aberta para que entrasse prazer, Yeo Hoon Min. Mas pode chamar-me Hoon. – estendeu sua mão e quando ela fez o mesmo não pode evitar, a segurou com carinho e deu um leve beijo, ganhou um suspiro languido em troca.
_Prazer, Cassie, a menina do outro lado da porta. – ela sorria timidamente e apertava sua mão com carinho.
_Bom, a deixarei aberta, se quiser entrar. – ele esperava que ela entrasse, todas as noites...
_Não sei, eu o atrapalharia. –e ela mexia o braço esquerdo e ele podia ver o carvão e o caderno de desenho.
_Por isso? – apontou o caderno em seu braço. _ Penso que podes usar a mesa para desenhar. – disse apontando para a longa mesa de mogno.
_Não te atrapalharia? – ela parecia apreciar a ideia.
_Não. – ele sorria sinceramente.
_Então amanhã eu virei. – disse ela fazendo uma pequena reverência e já saindo pela porta. Ele simplesmente assentiu. Esperaria alguns segundos, a seguiria até sua casa, teria certeza que chegara bem, então passaria a noite imaginando estar com ela no outro dia, poder vê-la desenhando, era mais do que podia desejar.
Primeiras impressões
Observava ele guardar seu material, era impressionante como nunca havia mudado, sempre atrapalhado, inquieto. Ouviu quando saiu pedindo as anotações de Cálculo Avançado, ficou indecisa se ofereceria as suas ou não, o pegou olhando esperançosamente para ele, não pode conter-se, ainda de cabeça baixa disse enquanto esticava o caderno em sua direção.
_Aqui está Ki Seop, pode levá-las. – esperou que ele as pegasse, mas logo sentiu seu colônia, levantou a cabeça e ele a olhava curioso enquanto pegava suas folhas.
_Obrigada, Bruna. Você salvou minha vida. – ele bagunçava sem jeito seus cabelos, e sorria de uma forma sincera.
_Sem problemas, até mais. – colocou sua bolsa sobre os ombros e já ia saindo quando sentiu a mão dele em seu braço, olhou-o surpresa.
_Ei. Você está com muita pressa? Olhe, terá uma festa na casa do Lee Min Ho, na verdade é a festa de abertura do Campeonato desse ano, algo assim. Se considere convidada. – ele mordia o lábio ansioso e a olhava, ela estava sonhando?
_Ah claro. Festa na casa do Lee Min Ho. – ela tentava assimilar o convite.
_Vai ser legal, apareça tudo bem? Ele mora no Bloco B, bom você vai saber qual a casa quando chegar lá, acredite. Vejo você lá. – e então ele saiu pela porta, deixando-a estarrecida.
Mas seu irmão aparecera parecendo adivinhar o que havia acontecido, e lhe tirou do transe. Eles caminharam em silêncio até a saída. Kiseop estava lá com Cassie, ambos brincavam como crianças, ela provavelmente estaria na festa, seria uma boa oportunidade.
_Você podia vir comigo, seria uma boa oportunidade hum? – disse esperançosamente.
_Não, não seria. Em todos esses anos, eu e ele nunca nos damos bem. Até mesmo ele me olha torto pelos corredores da Universidade, Lee Min Ho parece adivinhar que eu planejo roubar sua namorada. – ele ria agora.
_Então acho bom você começar a por seu plano em prática logo. – ela sabia, ouvia os rumores, parece que não era só um namoro bobo, as coisas estavam ficando sérias entre Cassie e Lee Min Ho, Hoon teria que interferir agora, antes que todos saíssem magoados.
_Já está em prática. Vamos, vou ajudá-la a escolher algo, nada muito curto, okey? – ele lhe abraçava e sorria, mas seus olhos seguiam Cassie até o carro de Kiseop.
A Pura Satisfação (e) da Insatisfação
Estava encostada no deck, olhava ele de longe. Com certeza era o rei da festa. Todos o adoravam, era um bom aluno, quarterback do time de futebol, popular. Todas as garotas queriam estar com Lee Min Ho, mas não conseguia vê-lo dessa maneira. Só conseguia ver o garoto que cresceu consigo a vida toda, que tentava lhe roubar beijos, que tentava afastar os outros garotos, que lhe dava aulas de matemática e que havia entrado para o grupo de teatro porque não a queria fazendo par romântico com outro garoto. E mesmo assim, faltava algo, talvez lhe chamassem de louca, mas não achava que ele era o amor da sua vida, apesar de parecer certo estar com ele. Foi quando a viu e foi até ela. Estava com um vestido preto justo, botas de salto baixo, seus lábios estavam vermelhos e os cabelos ondulados. Hoje com certeza Kiseop teria um ataque.
_Junte-se ao grupo dos perdidos. – disse aproximando-se e beijando lhe a bochecha.
_Você perdida? – respondeu Bruna hesitante.
_Sempre. Venha, vamos pegar algo pra beber. – segurou sua mão e a arrastou pela festa.
Às vezes, costumava desenhar os dois irmãos. Eles eram tão lindos. Bruna com seus longos cabelos negros e olhos verdes. Hoon com seus cabelos vermelhos, olhos negros profundos, eram tão diferentes, e ao mesmo tempo tão iguais. Algo inexplicável. Era como se fossem de outro mundo. Os imaginava como anjos.
_Seu irmão não vem? – perguntou como quem não queria nada. A verdade é que os conhecia, sabia quase tudo sobre eles, por isso havia ficado tão mexida quando fora descoberta por ele, ela e Kiseop eram obcecados pelos dois irmãos, e eles nem faziam ideia disso.
_Ah não! Ele costuma tocar num barzinho. – respondeu a garota como se soubesse o que se passava em sua cabeça. _Posso te levar qualquer dia desses? – ela completou com um sorriso.
_Claro, eu adoraria. – talvez tenha respondido rápido demais.
_Onde as damas pretendem ir? Posso saber? – Lee Min Ho chegava por trás e enlaçava Cassie com seus braços, uma clara demonstração de posse.
_No Bar que o irmão de Bruna toca. – respondeu a garota sorrindo.
_Vocês se conhecem? – ele parecia chateado por não ter conhecimento disso.
_Fiz algumas aulas de gráfico com Cassie. – respondeu Bruna sorrindo.
_E eu costumo ouvir o irmão dela tocar clarinete, você tem que ouvir, ele é um fenômeno. – respondia Cassie agora animada.
_Ah claro. Já volto. – beijou a bochecha da namorada e saiu.
A garota agora parecia sem graça, mas não perdera a postura, logo acenava para alguém que logo veio na direção delas, sentiu seu perfume.
_Eu disse que ela vinha Ki. – disse Cassie animada.
_Oi. – ele disse timidamente.
_Oi. – respondeu Bruna com um sorriso.
_Não acredito, Dara está de novo em cima do Lee, acho que devo ir lá resgatar meu namorado. – dizendo isso Cassie se foi, mais óbvio impossível.
_Vocês se conhecem há muito tempo? – perguntava a Kiseop.
_Desde crianças, Cassie, Lee Min Ho e eu crescemos juntos. Mas eu não sabia que vocês duas se conheciam. – ele dizia incerto.
_Só de vista. – respondeu Bruna agora rindo.
_Cassie tem essa habilidade, faz amigos com uma rapidez surpreendente, se não fosse por ela e Min Ho... – ele agora estava rindo também.
_Você parece bem popular. – ela agora olhava em seus olhos.
_Bom, eu costumo ser meio tímido. Demorei um ano para chamá-la para uma festa. – ele agora sorria inseguro.
_Ainda bem que eu vim, vai saber se me convidaria novamente. – ela desviava os olhos.
_Eu convidaria. – ele agora se aproximava lentamente e com cuidado segurava a mão dela. Essa noite parecia surreal, mas parecia bem real, sentia o calor da sua mão na dela
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