Amor E Inocência II-Uma Nova História d'Amor HIATU
8 Capítulo 08
Notas iniciais

Agradeci a criança que trouxe a mensagem e pedi para que ele tivesse cuidado ao voltar para casa. O Tenente Toni pegou a chave de um dos carros do exercito e eu o acompanhei até a carroça de aço movido por uma espécie de bateria. Assim que chegamos, ele abriu a porta de passageiro pra mim e me ajudou a subir depois ele deu a meia volta e foi para o volante.
Quando estávamos na estrada, lembrei-me do que eu e mamãe tínhamos conversado. Eu convenci a mim mesma que este homem ao meu lado, não é o Toni com que um dia passei momentos felizes.
— Algo te preocupa? – Perguntou ele me dando uma breve olhada. – Se quiser conversar.
— Ahn, não. Tudo bem. – Respondi um pouco incerta.
— Você parece bastante preocupada desde que avisei sobre aquele garoto.
— Sim... – Concordei olhando pela a janela. – Isso foi tão repentino. Digo, meus pais não são de mandar esses tipos de mensagens. Provavelmente algo aconteceu.
— Entendo.
O carro começa a balançar, avisando assim que estávamos numa estrada de terra com alguns buracos e que logo chegaríamos às propriedades da Mansão Suarck, que agora pertence a minha mãe.
— Queria perguntar algo... – Falei um pouco baixo.
— Pode perguntar. – Sorriu de leve, olhando pra mim e logo em seguida para a estrada.
— Minha mãe acredita que você seja um garotinho da nossa Vila e... – Eu abaixei a cabeça, meu coração batia extremamente rápido. Talvez eu estivesse com medo de sua resposta. – gostaria de saber se você é ele.
— Hm, entendo. – Seu tom era calmo, mas sua expressão suave tinha tomado por uma de série. Passamos alguns segundos sem falar alguma palavra, assim que eu ia abrir a boca pra dizer algo, ele continua. – Talvez.
— Como assim talvez? – Perguntei com um pouco de medo, e minha voz me denunciou.
— Quando fui levado para o exercito, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então. – Ele suspira. – Não sou mais aquele garoto que um dia você me conheceu, Aika.
— Então, é você mesmo... – Não pude me conter, sentir minhas lágrimas escorrerem pelo o meu rosto, rapidamente me agarrei a ele. Fazendo com que ele perdesse o controle do carro por alguns segundos.
— Não faça isso! – Me repreendeu parando o carro. Eu não disse nada, apenas continuei ali o abraçando, aos pouco o mesmo me correspondeu. – Também senti sua falta, pequena lady.
Sim, aquele foi um de seus apelidos carinhosos que ele havia colocado em mim. Senti sua mão grande e quente acariciar minha nuca, eu parecia uma verdadeira criança chorona, que derramava lagrimas sem parar. Não podia simplesmente me conter. Levantei minha cabeça para encarar seus olhos.
— Toni. – Chamei em um murmúrio baixo. O mesmo apenas sorriu, passando sua mão em meu rosto, secando a água dos meus olhos. Novamente senti meu coração bater rápido, o que era isso? Por que ele estava se aproximando de mim assim? Sentia minhas bochechas queimarem. – Idiota!
— O que? – Perguntou ele, após eu me afastar.
— Você sequer mandou uma carta pra mim! – Agora o encarava raivosa.
— Como não? Durante um ano e meio eu escrevia uma carta por dia quando sempre podia. – Falou ele agora me encarando nos olhos, parecia ofendido. – Você não respondeu nenhuma delas.
— Não tinha como eu responder se eu não recebi nenhuma!
Nos encaramos por alguns minutos e rapidamente nossas mentes foram se clareando. Suspiramos quando chegamos numa conclusão:
— Sophia. – Falamos igualmente.
— Me desculpe por isso. – Falou o moreno passando sua mão em seus cabelos castanhos. – Deveria ter percebido. Fui Ingênuo!
— A culpa não foi sua. — Eu disse, logo abaixei meu olhar. — Parece que ela realmente gosta de você...
— Hm. – Ele parecia incomodado. Respirou fundo e : — Vamos ligar isso e chegar na mansão, se não seus pais irão ficar preocupados.
— Sim.
O restante do trajeto foi silencioso. A gente já tinha passado do enorme portão onde uma placa com um letreiro foi substituído para o nome “Propriedades Dos Tsukiyomi’s” . Toni deu a volta na fonte, parando atrás de uma carruagem com o cocheiro que cuidava de seus cavalos.
— Parece que temos visitas. – Comentei descendo do carro, sendo acompanha pelo o tenente.
Abri a porta de entrada e eu assim pude ouvir algumas vozes reconhecidas. Virando para a minha direita, adentrei a sala de estar, vi meu pai de pé com os braços cruzados em frente ao peito; minha irmã sentada ao lado da minha mãe e a sua frente, uma senhora com trajes escuros, a mesma apreciava uma xicara de chá que lhe foi servido e em pé ao seu lado uma mulher que aparentava a mesma idade mais ou menos dos meus pais, no qual estava toda de branco, presumindo ser uma enfermeira.
— Depois de anos você simplesmente me manda uma carta avisando que viria! – Sem querer, ou até mesmo sua paciência chegou ao seu limite, a rosada de olhos de mel elevou sua voz.
— Abaixe o seu tom. – Disse a senhora de madeixas completamente brancas e donas de olhos dourados também, pôs a xicara de porcelana na mesinha de madeira a sua frente. – Você perdeu sua educação depois que... que casou com esse sujeitinho mesquinho que você chama de marido?
— Quem você ta chamando de mesquinho, sua velha! – Misa levantou-se da cadeira e apontou o seu dedo indicador para a mulher, meu pai que não estava nenhum pouco ofendido com o que aquela senhora o chamou, apenas virou o rosto e pôs uma de suas mãos em frente a sua boca, tentando esconder inutilmente o seu riso.
— Misa! – Mamãe a repreendeu fazendo com que ela voltasse para o lugar de antes.
— O que você disse? – A mulher a encara raivosa. –Veja Amu, até a sua cria é mal educada e respondona. Deve ser por causa do sangue camponês que corre em suas veias.
— Sra. Miller, já chega! – Ela agora realmente perdeu sua paciência e sua educação. – Você acha que realmente pode vim aqui, do nada, simplesmente pra xingar e falar mau da minha família?
— Querendo ou não, irei ficar nesta casa. – Disse simplesmente.
— Mãe, Pai... – me pronunciei pela primeira vez desde que cheguei aqui. Todos me olharam, provando assim que ninguém tinham me notado desde então.
— Querida, graça aos céus que você chegou. – Mamãe falou aliviada. – Desculpe por pedir pra você vim pra cá.
— Ahn, o Tenente Toni me trouxe. – Eu falei, olhando pra trás, indicando que o mesmo estava presente comigo.
— Boa noite.- Ele cumprimentou todos.
— Menina Aika? – Perguntou a mulher, se levantando com dificuldades, com ajuda da enfermeira ela conseguiu vim até mim. Olhou bem nos meus olhos. – É você mesmo. Virou uma linda jovem, e ao contrario de sua mãe, vejo que encontrou um partido a sua altura, não é meu jovem? – Disse ela direcionando o seu olhar para o soldado do meu lado.
— Eu realmente espero que não. – Intrometeu-se o meu pai bufando.
— Fique quieto seu Verm...
— Se você completar esta palavra ou ofender o meu marido mais uma vez, tenha certeza que não irá ter uma cama ou um teto pra dormir.
— Você esta me ameaçando? – Ela virou-se para a minha mãe.
— Sim, estou. – A rosada a encarou determinada com suas palavras.
— É isso mesmo, sua velha. – minha irmã novamente se pronunciou.
— E você, Misa. – Amu a olha. – Vá para o quarto.
— Eeh?! Mas eu não fiz nada.
— Misa, por favor, obedeça a sua mãe. – Falou papai calmo.
A morena de olhos âmbar sussurrou um “bruxa” direcionado para a Sra. Miller, por tanto apenas eu e Toni a ouvimos, ela subiu as escadas correndo, fazendo com que nossa mãe reclamasse com ela novamente com as petulâncias.
— Bom, tenho que voltar para a mansão do Sr. Lefroy. – Comentou o tenente. – Até porque eu me ausentei demais, com licença.
— Deixa que eu te acompanho. – Eu disse.
Minha mãe o desejou uma boa noite, a senhora acenou para ele e meu pai continuou parado, com um olhar desaprovação. Eu logo o acompanhei até a porta, assim a abrindo para o mesmo.
— Parece que aqui vai ser uma longa noite.
— Nem me fale. – Suspirei.
— Pelo menos tente descansar, você teve um dia bem corrido.
Eu dei um sorriso mínimo e o rapaz a minha frente me correspondeu com um igualmente. Ficamos alguns segundos sem falar nada, apenas olhando para o chão. Percebi que ele mexia em seus cabelos, estava inquieto.
— Então até amanhã?! – Sua voz saiu mais como pergunta do que afirmação.
— Provavelmente só irei comparecer à tarde. – Eu disse.
— Tudo bem. Eu avisarei a Sophia. – Ele deu as costas para mim, indo em direção de seu veiculo.
— Toni! – O chamei, procurei as palavras certas. – Ela quer te ver. Você sabe disto, não é?
— Sim, eu sei. – Por um momento, ele abaixou a cabeça tristemente, depois olhou pra mim com um sorriso amarelo. – Irei vê-la em breve, não se preocupe.
— Certo. – concordei, dando um tchau.
Voltei para a sala onde mamãe assinava umas documentações que a enfermeira a entregou, que provavelmente seja algo relacionado ao hospital. Talvez contas. Depois disso tudo, a senhora disse que estava cansada demais para continuar qualquer tipo de conversa, fazendo com que a enfermeira a ajudasse a leva-la para o seu antigo quarto.
Eu também estava exausta e fui para o meu quarto , no qual não precisava dividir com a minha irmã encrenqueira. Apenas ficando na sala o casal. Mamãe simplesmente se jogou no sofá, massageando o meio entre seus olhos, o moreno se posicionou atrás da rosada, apoiando suas mãos no ombro da mesma.
— Tem certeza disto? – Perguntou.
— Eu não tenho outras escolhas. – Suspirou. – Não posso dar as costas a ela...
Fale com o autor