Amor Cumplice

9 Ideias vem tão rápido como vão


Notas iniciais
Ha dessa vez eu fui rápida ao postar de novo U.U Embora eu tenha recebido um comentário só resolvi postar logo, porque o ENEM tá ai e talvez eu fique ausente tendo que estudar... Bom aproveitem e até lá embaixo.

De manhã consegui acordar antes de Tomás e fui preparar um café da manhã, peguei um pacote de pão de forma e torrada no armário presunto, queijo e leite, na geladeira. Preparei uma limonada e coloquei tudo em uma bandeja e levei para o quarto.

Tomás estava esticado e eu tive alguma dificuldade em colocar a bandeja em cima da cama, mas consegui, (pontos para mim). Fiquei com dó em chamá-lo, por isso resolvi trocar de roupa antes para dar um tempo a ele, e mesmo assim ele não acordou.

– Tomás, está na hora de levantar senão vamos perder a aula que você tanto queria ver. – Ele resmungou algo indistinguível e deitou de bruços

– Vamos logo, eu não quero me atrasar, e também não quero faltar dois dias seguidos.

– Então vai e eu vou depois.

– Nem pensar! E quem vai fechar a porta depois? E eu não quero que você SOZINHO na minha casa, no meu apartamento. – Naquele momento lembrei do dinheiro no esconderijo e gelei.

– Ahhh! Como você é chata – Ele sentou e jogou uma almofada em mim.

– Já que eu sou chata, você vai embora agora e não vai voltar mais! – eu estava perdendo a paciência com aquela birra dele, ele estava no mínimo estranho. Resolvi pegar a bandeja e sai do quarto, coloquei tudo em cima da mesa e comecei a comer.

Ele veio do quarto um pouco depois e comeu em silencio, eu terminei meu café bem rápido, fui ao banheiro escovei os dentes dei uma arrumadinha no cabelo antes de voltar para o quarto para arrumar minha mochila.

Quando voltei para a sala Tomás já estava pronto para ir, ele brincava com suas chaves.

Ele não olhou para mim, até irmos para o elevador.

– Desculpa – Ele disse bem baixo, aquilo feria seu orgulho, pois eu não tinha feito o que ele queria e como menino mimado ele ficara sentido.

– Ok, eu também fui dura com você. – Lhe dei um sorrisinho e voltei a olhar os números do painel, ele segurou minha mão e ficamos assim até chegarmos ao ponto de ônibus.

– Tem certeza que você vai querer ir? Não podemos cabular a aula num parque? – Tomás estava mesmo disposto a me contrariar.

– Você pode ir. Eu vou à escola e depois vou ao shopping com a Vanessa.

– Não vai mais trabalhar, não?

– Vou sim, só que eu já tinha trocado de turno com a moça da noite, então hoje eu trabalharei a noite. Satisfeito?

– Não, porque primeiro você não quer ir passear comigo e segundo porque não irei te ver à tarde.

– Bom, a vida não é sempre como queremos. O ônibus está vindo, você decide se vem ou não. – Eu soltei da mão dele e dei sinal para o ônibus.

Ele não veio atrás de mim. No fundo eu senti uma pontada de dor por ele não vir comigo, mas acho que meu orgulho era grande demais, acho que nossa “paixão” não era tudo o que eu achava.

O dia na escola teria sido tedioso se Vanessa não estivesse comigo, ela sentou no lugar do Tomás e ficou falando o dia todo, sobre as mais diversas coisas, isso meio que me distraiu sobre o resto.

Saímos da escola e fomos direto ao shopping, resolvemos almoçar e depois dar uma olhada nas lojas. Vanessa ficava louca com as roupas, e eu ria e apontava algumas que eu gostava, mas ela sem dúvida era maníaca por consumo, tanto que comprou duas camisetas pra ela e uma pra mim.

Finalmente chegamos a minha loja favorita do shopping, uma loja de discos, que na verdade tinha de tudo um pouco, tinha algumas roupas, CD’s, DVD’s, livros e HQ’s. Vanessa ficou olhando os CD’s mais atuais enquanto eu fui ver se encontrava um livro que eu queria muito. Não era nenhum bestsseller, mas era um livro que eu tinha sido obrigada a ler na escola e gostara muito.

– Orgulho e Preconceito – Vanessa disse espiando o nome por cima do meu ombro. – Não sabia que gostava dos clássicos.

– Não são todos os clássicos que eu gosto, mas esse eu tive que ler uma vez e me apaixonei, a história é meio parada, mas tem um tema por trás, uma moral.

– Interessante, se for só isso vamos pagar – Ela levantou o Cd de uma cantora famosa, que eu não lembrava o nome. Dei risada e concordei.

Saímos do shopping as quatro, o que me dava tempo de ir até o hospital ver minha avó.

Cheguei ao hospital quatro e meia e fui direto para o quarto, não queria ver médicos petulantes e nem enfermeiras que tentavam ser legais e gentis, só queria minha avó, Luiza Anjos dos Santos, a mulher mais durona e imprevisível que eu conhecia. Ela estava acordada e até falava um pouco. Isso me alegrou, resolvi então que lhe daria um presente, talvez – rezava para que não fosse – o último. Peguei a cadeira de rodas do quarto e levei até o lado da cama.

– O que vai fazer meu pardal? – Minha avó perguntou com a voz rouca, mas ainda assim um pouco animada e me chamou pelo meu apelido de infância.

– Vou te conceder um pedido. – Eu a coloquei na cadeira e comecei a empurrar. Sai do quarto sem ser vista e nos corredores por onde passei ninguém me parou. Descemos até a parte mais antiga do hospital onde tinha nosso destino final, um jardim de inverno lindo, com as mais variadas flores. Minha vó ficou encantada com tudo. Ela já tinha estado ali, mas acho que ela não se recordava.

– Mas que lugar lindo, como viemos parar aqui?

– Estamos na parte mais antiga do hospital, você disse que queria tomar ar fresco, então aqui estamos, num verdadeiro paraíso.

Sentei em um banco e deixei minha vó perto das tulipas, sua flor favorita. Ela sorria e falava com as flores, ficamos lá uma meia hora, quando recebi uma mensagem da enfermeira dizendo que minha avó não estava no quarto, dei uma risadinha, mas achei melhor leva-la de volta para o quarto.

– Vamos vó? O médico já está sentindo sua falta.

– Ele que sinta porque eu estou muito bem sem ele – Dei risada, era dessa vó que eu me lembrava, divertida e com uma pitada de ironia.

Deixei-a de volta no quarto com broncas, alertas e um blá-blá-blá chato pra cacete do médico, não liguei muito, porque minha avó estava feliz e seus sinais vitais estavam normais. Eu dei uma desculpinha para o médico e fui para o trabalho.

Cheguei lá cinco e vinte, quarenta minutos antes, mas já mandei a moça ir pra casa, ou seja, lá pra onde ela ia numa sexta à noite.

Sexta à noite era uma expressão que não constava muito no meu vocabulário. Sair também não, abri uma exceção para Vanessa porque acabamos de nos conhecer, mas eu não costumo passear...

Fui ao banheiro lavar o rosto e colocar o avental e quando saí tive uma bela de uma surpresa. Sentado, acho que posso dizer isso, mas ele parecia mais jogado no banco do balcão estava Tomás, todo despenteado e com o rosto meio abatido, falava ao telefone, quando me aproximei.

– Não hoje eu não estou livre, mas quem sabe domingo... É estou muito cansado a semana foi longa e eu não tive muito descanso. Ok então vejo você domingo bem cedo. – Ele parecia mais velho falando ao telefone, um verdadeiro homem de negócios.

– Boa noite senhor como posso ajudar? – Fiz uma voz extremamente falsa, como as de atendente que quer passar uma felicidade extrema, mas está de saco cheio.

– Boa noite, eu achei que era a Ana Julia que estaria de plantão agora, mas acho... – Ele falava enquanto olhava o celular, mas quando seu olhar achou o meu perdeu o resto da fala. – Nossa você me surpreendeu agora.

– No momento que eu parar de ti surpreender, acho que você para de procurar, acho que você vai atrás de outra mais interessante – Eu fui sarcástica ainda não estava tão de boa assim com ele, para tentar parar a conversa fui arrumar os copos na parte interna do balcão, mas não deu certo.

– Hey Ana, eu sei que você está magoada, eu entendo, me desculpe, por favor, eu fui um idiota controlador. Eu não sei o que deu em mim, sinceramente não sei.

– Acho que você revelou quem você sempre foi Tomás, você é rico e tem tudo o que quer, e pensa que eu vou ser mais uma de suas aquisições, mas eu não eu não vou, não sou esse tipo de garota, já aprendi o que os garotos podem fazer com meu coração e acho que nossas definições de amor são bem diferentes. – Eu estava muito estressada, com uma raiva que eu não sabia de onde vinha. Parecia que tudo nele queria me subjulgar, me menosprezar.

– Ana, você está errada, eu não sou assim você me conhece pouco, deveríamos nos conhecer mais.

– Acho que aí é que está o ponto, você acha que me conhece por “sua lógica” e “sua dedução”, mas não conhece me conhece por inteiro, e o pior EU não ti conheço, não sei nada sobre você, ou melhor, você não me conta nada, acho que o melhor agora é darmos distância e sermos só amigos. – As lágrimas estavam prestes a rolar pelo meu rosto.

– Eu não acho isso – Ele pulou o balcão e eu recuei até o final deste, mas sem tirar os olhos dele. – Nós estamos tão bem, e você está assim tão nervosa por conta de uma coisinha que eu fiz?

– Você tentou fazer birra que eu não gosto e depois ficou usando “charminho” em mim como ontem você fez com aquelas garotas, você acha que eu pensaria o que disso? Eu não quero e não vou ser mais uma na sua coleção. – Ele riu e chegou mais perto de mim, me deixando encurralada na parede.

– Então é isso. Como você é boba, eu fiz manha porque percebi como você ficou com raiva ontem por eu tratar aquelas meninas gentilmente, mas se você não gosta isso não vai se repetir. – Ele me deu um selinho que eu limpei com as costas da mão.

– Você fez mais que isso, você me fez me sentir mal e inferior, mas do que eu já me sinto com você por perto com todo o seu jeito certinho e seu dinheiro e sua casa perfeita. Eu não tenho nada a oferecer em troca a não ser meu amor. E do jeito que você me tratou ele não vale muito não é mesmo.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa a porta abriu.

– Ana, acho melhor você esfriar a cabeça e depois nós conversamos – Ele tentou me dar um beijo, mas eu sai para atender a pessoa que havia chegado e ele foi embora.

Notas finais
E ai o que acharam?? Mudança radical né? Acho que ficou meio bipolar, mas eu gostei e espero que vocês tenham gostado também. Bjs Bia-chan PS: Alguma alma boa podia comentar a fanfic além da Gabih né eu ficaria tão feliz :3