Notas iniciais
Então, ficou meio diferente, sei que vocês vão estranhar, mas acho que gostarão . Boa leitura a todos e, caso voces quiserem, dá para uma segunda temporada u.u

POV Bella.

Ela estava tão linda. Vestia um vestido casual, mas que não deixava de ser perfeito em seu corpo. Era floral com um fundo claro. Curto, mas nada que afrontasse sua autoridade matriarca na família que tinha. Sorria espontaneamente enquanto brincava com nossa filha em um parquinho de areia.

Sophia estava grande, três anos de idade. Seus dentes estavam grandinhos, o que tornava seu sorriso ainda mais encantador.

Anthony segurava a mão da namorada com carinho e amor, mas não retirava os olhos da família a sua frente. Sempre tão protetor... Mas percebia minha presença, me olhava de lado e não gostava daquilo. Não o culpo, era uma desconhecida para ele...

Meu coração perdeu o compasso com esse pensamento, era dolorido só de lembrar por que não estou no meio deles, e o pior, o por que daquele olhar desconfiado em mim...

FBOn

– E pelo jeito, mais uma vez eu morri. – Falei com ironia ao encontrar Gabriel e Heniel em minha frente. Suas expressões eram sérias, tristes. Em seus olhos eu conseguia ver a decepção. – Eu fiz tudo o que foi me orientado, a Terra foi salva, por que essa tristeza?

– Não foi assim que eu imaginei seu futuro, Bella. – Gabriel lamentou.

– Eu... Eu quero apenas descansar, quero apenas esperar minha esposa vir até mim... Aceitar que nunca mais poderei toca-la, cuidar de nossa filha e de Toni... Eu... – Acabei chorando.

– Você foi forte, Isabella. – Arcanjo Rafael apareceu e me fitou sorridente.

– Fiz apenas a vontade do Pai. – Negou.

– Foi mais que isso. Enganou Lúcifer e o prendeu em sua cela. Lutou contra a maldade que implantou em seu coração e seguiu a luz em vez da escuridão. Não consegue entender, não compreende o nível de fé que você alcançou.

– Obrigada. – Agradeci triste. – Ao menos a vida de minha família será normal. – Negou.

– Sua perda foi triste, inesperada por todos. – O fitei sem entender. – Venha, verás o futuro. – Me encaminhou para a fonte e encostou um único dedo na água. Ondas circulares se formaram, e logo imagens apareceram.

– Alice! – Sorri comigo mesma, mas logo o perdi ao ver sua cara de dor, sofrimento e depressão. Anthony não estava diferente, tentava cuidar da mãe e da irmã, mas não conseguia se manter em pé. Minha família estava acabada.

– Eles não são mais os mesmos. – Assenti.

– Por que está me mostrando isso? – Perguntei chorando e nervosa. – Por que essa tortura?

– Para que possa decidir com mais firmeza. – O olhei sem entender.

– Bella, você não morreu. – Gabriel falou com pesar.

– Como?

– Sua alma se deslocou do corpo, a ferida causa isso as pessoas, mas não morreu. – Suspirei pesadamente. – Há uma maneira de voltar. – Sorri levemente.

– Se existe mesmo, por que nunca mandou Edward de volta? – Perguntei séria.

– Porque era sua hora, Deus o queria aqui.

– E o Pai não me quer? – Não entendi.

– Sua missão ainda não acabou. – Miguel surgiu e sorriu de lado. – Belo trabalho. – Assenti.

– Como não? – Indaguei séria.

– Sua missão, desde o inicio, era de cuidar e proteger Alice Cullen. Mas, a missão dela não era somente salvar a Terra e a humanidade, mas sim lhe ensinar o verdadeiro sentido da palavra amor. – O fitei curiosa.

– Você morreu cedo, não pode desfrutar de nada que essa vida tem a dar. – Gabriel respondeu pelo irmão.

– Mas... Não entendo. – Fiquei confusa.

– Bella. – Gabriel segurou em minha mão. – Você precisa decidir entre duas coisas. – O fitei atenta. – Em ficar e seguir como anja da guarda...

– Ou...?

– Ou voltar para terra, viver como humana e desertar seu cargo de anja. – Meu coração deu uma batida fora do ritmo.

– E o que acontece se eu voltar? – Quis saber.

– Você não mais nos verá. Você será ainda mais mortal, cairá em tentações, mas não perderá nenhuma lembrança.

– Mas...? – Eu sabia que tinha mais.

– Mas sua família não se lembrará de você. Essa dor que estão sentindo será apagada.

– Como terei minha família então? Do que adianta eu voltar sendo que não sentirão nada por mim? Que lógica tem isso? – Quis saber. Estava nervosa.

– Você terá que recomeçar sua vida. Mas poderá viver ao lado de quem você ama.

– O amor que temos... Alice apagará isso para sempre de si? – Rafael suspirou e não quis dizer nada, mas Heniel sorriu para mim.

– Você pode tudo. A faça se apaixonar por você novamente.

– Meus filhos... Tudo que enfrentamos, nada terá sentido! Eu viverei com as lembranças e eles nem meu nome saberão! Jacob, meu irmão! Rosalie, Letícia! – Cai de joelhos e deixei que algumas lágrimas rolassem por minha face. – Que forças terei para enfrentar isso? Como vou viver sem ninguém? Sem minha família, sem vocês? – Heniel se agachou, enxugou minhas lágrimas e beijou minha testa.

– Sempre estarei ao seu lado, mesmo não vendo ou sentindo. Te guiarei!

Olhei em seus olhos, a decisão não era fácil, mas não poderia perder a oportunidade, mas também não poderia ignorar todas as consequências.

– Os poderes de Thony? – Quis saber.

– Ainda os terá, mas... Não saberá usar. Você realmente terá que...

– Reiniciar. – Gabriel assentiu.

– Qual sua escolha? – Olhei para os três. Respirei fundo e juntei todas as lembranças que tinha de minha família. Desde quando pisei na terra, desde quando me casei, quando meu filho nasceu, quando tudo parecia dar errado, das mortes...

– Esme, Carlisle e Edward...?

– Lembraram de suas mortes como um acidente de carro, ou algo parecido. – Gabriel parecia querer uma resposta rápida, mas sentia minha dor.

– Ela estará com alguém? – Indaguei com ciúmes. Riram.

– Em sua vida, ela será casada com você, mas para ela... O pai de seus filhos era um canalha, que a batia e teve o fim que mereceu. – Assenti.

– Poderei contar a verdade? – Negaram.

– Te chamaram de doida. – Riram.

– Thony pode vê-los. – Justifiquei.

– Poderá orientá-lo, mas não dizer a verdade.

– Em que tempo chegarei? – Me olharam sem entender. – Quantos anos? – Assentiram.

– Sophia está com um ano. – Um ano é muito tempo. Lamentei comigo mesmo. – Mas ela é a única que a mente não pode ser apagada. Sua inocência a salva. – Uma chama de esperança se instalou em mim.

– Então...

– Sim, poderá te reconhecer, mas não saberá quem é.

Respirei fundo novamente. Olhei para o lago e senti a dor da minha alma gêmea. Sem nenhuma palavra pronunciar, Rafael me envolveu em uma nuvem branca quando percebeu meu consentimento sentimental.

FBOff

– Sophia! – Alice ria com sua filha no parquinho. Anthony e sua namorada, Nathalia, estavam sentados observando aquela cena com um leve sorriso nos lábios.

– Sabe, desde que Jasper morreu nunca vi minha mãe tão sorridente. Parece que algo bom vai acontecer hoje. – Sua namorada concordou.

Tirou os olhos de sua família e fitou o horizonte, dando de cara comigo. Me encarou confuso, algo nele parecia me conhecer, mas sabia que nunca tinha me visto antes.

– A conhece? – Nathalia perguntou enciumada. Riu levemente e beijou seus lábios.

– Nunca vi.- Foi sincero.

Meu coração estava acelerado, o amor invadiu completamente meu ser. Sorri para a cena que via e queria me aproximar, me apresentar, mas algo me impedia, uma barreira.

– Heniel! – Resmunguei. Não era a hora certa... Mas eu precisava ao menos falar olhando em seus olhos.

Ignorei seus avisos e caminhei em direção à praça. Meus olhos não saiam de Alice, e percebi, levemente, que Thony reparou isso. Ergueu-se com a namorada e se aproximou da mãe. A queria proteger.

– O que foi? – Perguntou sorrindo. O sorriso mais lindo que já vi.

– Aquela mulher não tira os olhos da senhora. – Resmungou possessivo. Ri disso. Não deixei de fitá-la quando se virou levemente, tentando disfarçar, para mim. Corou intensamente ao encontrar meu olhar e tratou de desviar a atenção. – A conhece? – Quis saber.

– É a Sra. Swan. – Falou baixo. Arfei. – Isabella Swan. – Ela sabia meu nome completo... Eu sei, muito idiota.

– E quem é ela? – Voltou a perguntar.

– A chefe do hospital. A melhor cirurgiã. – Ri comigo mesma.

Quando fui mandada, para não ficar completamente desamparada, Heniel armou uma vida para mim. Deu-me tudo, desde dinheiro a sabedoria, o cargo que eu mais queria não era esse, mas era o que me deixaria mais próxima dela. Esperei por dois anos, dois longos anos, para poder enfim fazer o que hoje estava disposta.

– E sendo sua chefe acha que pode te cercar? – Indagou protetor.

– Não... – Ficou envergonhada.

– O que você quer? – Foi direto ao ponto quando me aproximei mais.

– Perdoe-me se fui grossa ou ingerida ao fitá-los. – Me desculpei. – E me aproximar dessa forma sem me pronunciar foi equivocadamente ainda mais incorreto. Peço perdão. – Pedi educadamente.

– Eu que peço desculpas, Dra. Swan. Meu filho às vezes é mal educado! – Olhou repreendendo o rapaz.

– Não se preocupe, é o homem da casa, tem que proteger a família. – Sorri orgulhosa para ele. Fitou-me confuso.

– E por que nos observava? – Quis saber.

– Eu sou sozinha, jovem. Perdi tudo, e pior ainda, perdi a mulher que amava. – Meu coração se apertou ao ver a dor nos olhos de minha pequena.

– Eu não sabia... – Ficou sem graça.

– Eu tinha uma família perfeita. – Sorri ao lembrar aqueles momentos. – Meu filho mais velho era agarrado em mim. Quando sofri um acidente e quase morri, tomou a liderança da casa, assim como você. – Fui relatando e me aproximando. – Quando minha filha mais nova nasceu, completou a minha vida.

– Qual a idade dela? – Alice quis saber.

– Três. – Olhei para Sophia, que me encarava intensamente. – Meu filho teria quase 20 se não fosse... – Suspirei e mordi minha língua.

– Se não fosse...? – Quis saber.

– Os perdi num acidente de carro junto com a mãe deles.

– Sinto pela sua perda. – Percebi que Anthony abaixou a guarda. Sophia me encarava séria. Me agachei e sorri levemente.

– Você é uma linda garotinha, sabia? – Sorriu e se desprendeu da mãe. – Puxou a mãe. – Não desgrudei meus olhos da minha filha. Correu para os meus braços e apertou-me o máximo que pode.

Não pude evitar as lágrimas ao sentir seu corpo quente e pequenino junto ao meu. Nossos corações estavam disparados da mesma maneira. Ela me reconhecia, ao menos a minha voz. Ela me aceitava como mãe mesmo sem entender ao certo o que isso significava.

– Minha menina, como é bom tê-la em meus braços. – Sussurrei para que só ela ouvisse.

– Sophia! – Alice a repreendeu.

– Não... – Pedi educadamente . – Por favor, eu não pude segurar minha filha por muito tempo, se não for pedir muito... – Tinha lágrimas em meus olhos. Comovida, deixou que a segurasse.

– Sophia nunca fica em colos de desconhecidos. – estranhou.

– Imagino que sim. – Voltei a abraça-la delicadamente. Sophia respirava fundo em meu pescoço e eu afagava suas costinhas. Era um momento nosso, de mãe e filha se vendo pela “primeira vez”. Me senti um soldado voltando da guerra. – Sei que precisam ir. – Lamentei comigo mesma ao separa-me de Sophia, que tinha seus olhos vermelhos pelo choro. – Mas posso fazer um pedido? – Perguntei ao afagar o rostinho da pequena.

– Claro que sim... – Alice foi carinhosa.

– Sei que sou chefe no trabalho, mas aqui fora... – A olhei nos olhos. – Me trate como Bella. – Pedi sorrindo de lado. O sorriso que sempre a fez suspirar e... Bom, excitar às vezes.

Percebi que o efeito era quase o mesmo, ficou vermelha me encarando e assentiu muito rápido.

– Muito prazer, Srta. Cullen. – Estiquei uma das mãos, a pegou delicadamente e se arrepiou ao sentir meu calor e textura.

– Prazer, Bella. – Sorri. – Mas, por favor, me chame apenas de Alice. – Assenti olhando em seus olhos ao beijar sua mão delicadamente. – Quanto cavalheirismo. – Voltou a se arrepiar.

– Querem uma carona pra casa? Sei que moram perto do hospital e aqui é um pouco longe. – Sugeri.

– Não precisa se preocupar...

– Está tarde, Alice, tem um filho adolescente que te protege, mas tem uma criança que precisa ainda mais de cuidados. – Olhou para sua filha em meus braços e percebeu como era agarrada a mim.

– Tudo bem.

Andamos em direção ao meu carro, uma Ferrari vermelha. Thony a olhou fascinado e não conseguiu esconder ou disfarçar a expressão. Revirei os olhos e peguei as chaves. Destranquei o carro e abri a porta para que ela entrasse atrás.

– Você não. – Olhei para Thony quando o vi indo para trás.

– Pensei que... – Ficou confuso.

– Você leva. – Joguei a chaves e vi sua reação surpresa ao pegá-las e eu entrar com sua irmã no banco de trás. Entrou rapidamente no lado do motorista e sua namorada do carona.

– Filho, se você bater esse carro... – Alice logo ficou receosa.

– O seguro cobre. Pode ir. – O sosseguei. Alinhei Sophia em meu colo e logo se acomodou ali, dormindo lindamente.

– Obrigada pela carona, mesmo não precisando. – Foi humilde. Não mudou nada...

– Eu estou mais agradecida que você. – Olhei para Sophia. – Sentir uma criança assim, em meus braços, era algo que nunca pensei ser possível. – Acariciei seus cachinhos. – Ela é linda. – Sorriu orgulhosa.

– Minha filha e são tudo que tenho. – Confessou.

– E uma bela casa. – Rimos quando estacionou o carro.

– Herança de meus pais. – Não meu amor, é a nossa casa... A que te dei, não lembra? Lamentei novamente.

– Sinto pela sua perda. – Sorriu de leve. Saiu do carro e logo a segui. – Pode estacionar mais a frente, por favor? – Thony ainda tinha os olhos brilhando.

– Não vai para casa? – Indagou.

– Moro ao seu lado. – Rimos. – Sophia está dormindo profundamente, se importa deu coloca-la em sua cama? Não precisamos acorda-la. – Concordou e andamos até sua casa, abriu a porta e me convidou educadamente para entrar. Subimos as escadas que eu já estava acostumada e adentramos ao local onde planejamos ser o quarto da nossa menina, ou melhor, de sua filha.

– Pode coloca-la ai. – Apontou para sua caminha. Cuidadosamente a deitei ali, mas percebi que se agarrou a minha camiseta. – Ela se apegou rapidamente em você. – Estranhou.

– Não tem problema. – Sorri. – Adoro crianças. – Beijei sua testa e sorriu levemente. Soltou aos poucos minha roupa, mas se remexia inquieta na cama. – Peço perdão pelo que vou fazer. – Ficou sem entender, mas corou violentamente quando retirei minha camiseta e coloquei ao lado de sua filha. Beijei sua bochecha e sussurrei em seu ouvido. – Eu não vou mais sair do seu lado. – Somente assim, como minhas falas e cheiro, voltou a dormir tranquilamente.

– Mas...? – A olhei e percebi que olhava meu corpo atentamente. Corava e ficava constrangida. Sorri de lado e me aproximei dela.

– Teria uma blusa para me dar? Te devolvo depois. – Estava desconcertada, se remexia inquieta e esfregava as pernas levemente. Eu a estava excitando.

– Claro... – Falou quando encontrou a voz e tentou focar em minha face, que sorria maliciosa. Andamos até nosso quarto, seu quarto! Abriu o closet e rapidamente pegou uma camiseta qualquer.

Andei lentamente em sua direção e quase grudei meu corpo ao seu.

– Está bem? – Perguntei com a voz rouca.

– Bella... – Sua voz estava carregada de tesão, isso era óbvio.

– Alice? – Mordeu o lábio inferior, o que me deixou com mais vontade de beija-la.

– Você... Poderia... A blusa. – Não conseguia formular a frase, mas consegui entender o que dizia.

– Sei que não deveria fazer isso, é cedo, mas não consigo... Nossa primeira conversa, mas desde que te vi seguro essa vontade! – Antes que compreendesse minhas palavras, prensei seu corpo contra a parede e encarei seus olhos. Eu via que queria. Sorri de lado e acariciei sua face delicadamente antes de selar nossos lábios.

Meu corpo queria tocar o seu a todo segundo, mas minha consciência sabe que estava indo rápido demais. Seu corpo estava fervendo, eu sentia isso. Ela envolveu meu pescoço com seus braços e relaxou quando acaricie seu quadril. Ela entre abriu os lábios, dando passagem para que minha língua entrasse em sua boca delicadamente, mas me segurei, suguei o máximo que pude de seu sabor pelos lábios e nos separei. Me fitou confusa, mas sorri.

– Quer sair comigo, Mary Alice Cullen?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!