O médico da ambulância se apresenta e começa a me passar o caso. Na verdade não escutei com clareza as palavras que saiam da boca dele pois me ative na imagem daquele rosto meu lindo amor que saudades eu tava de você ele estava com semblante de anjo, como se estivesse em um sono profundo. Mesmo naquela condição ele brilhava e continuava lindo...Olhei para todas as partes do corpo dele. Desde os cabelos ate os dedos dos pés. Aparentemente eram só arranhões e uma fratura no braço direito. Aquela situação me chocou ao extremo. Coisa que não acontecia comigo desde a época do meu estagio da faculdade. Tentava escutar o que a médica dizia para me inteirar do estado real dele, mas so conseguia ouvir uma voz baixinha e distante que dizia: “Não quero ir, Não me deixa ir, por favor”.
Coloquei o ouvido perto da boca dele pois pensei que tivesse dito algo, mas ele não teria como pois estava inconsciente e entubado e então pela primeira vez naqueles quase 5 minutos que já haviam se passado, olhei para a médica que me passava o caso e perguntei:
Marielle: Qual as fraturas que ele tem?
Médica: Paciente em politrauma Dra.. Uma caixinha de surpresas. O carro capotou muitas vezes. Tem suspeita de trauma craniano. Caso gravíssimo. A namorada que estava com ele no banco de trás e sem cinto como ele, não resistiu os ferimentos e morreu no local. Ela tinha 19 anos, uma moça linda. Que tragédia.
Deixei a maca passar para sala de raio x com a sensação estranha de terem me desligado da tomada. Entrei na sala e fui auxiliar a remoção da maca rígida para a cama do exame e quando me dei por conta ele estava em parada cardíaca. Gritei para Evelyn: Carro de parada agora!!!
Me aproximei e comecei a massagear o peito dele, enquanto a Evelyn aspirava as medicações para serem aplicadas. Quando toquei no peito dele, senti um choque como se tivesse colocado os dedos em uma tomada de 220v. Olhei para as minhas mãos espalmadas e a Evelyn me perguntou:
Evelyn: Você esta bem Mari?
Fiz sinal positivo com a cabeça e continuei com a massagem. Foi quando que por um milagre, ele abriu os olhos e me olhou. Olhou de uma forma que nem eu entendo até hoje. Foi quando disse pra mim mesma: “Você só vai sair daqui depois que estiver inteirinho Cris!” E gritei:
Mari: Evelyn, cirurgião agora!! Ele esta entrando em choque! Deve ter trauma abdominal!
A Evelyn saiu virada em pernas até o corredor e quando voltou, já trouxe o Dr. Oly, diretor Médico do hospital que ao término do exame físico me olhou e disse baixinho:
Dr. Oly: Sala cirúrgica agora. Do contrario ele não resiste.
Pedi ajuda para quem estava na sala para transporta-lo para maca e sai correndo sozinha com ele pelos corredores. A Evelyn me olhava como se não estivesse entendendo nada e só fazia o que eu mandava.
Preparamos a sala para a Laparotomia exploratória que detectaria se ele teria alguma hemorragia interna. A enfermeira do bloco cirúrgico me olhou e disse: “Mari pode ir olha os seus outros pacientes. Pode deixar que daqui eu assumo”. Fiz sinal de positivo novamente com a cabeça pois tinha a sensação que se abrisse a boca não sairia voz, do estado estranho no qual eu me encontrava.
Não tirei os olhos dele. Fiquei parada na porta, a Evelyn me abraçou por trás e me disse:
Evelyn: Vamos para sua sala Mari?
Mari: Vou esperar mais um pouco aqui, quero noticias dele.
Evelyn: Mas que trem é esse agora Mari? Ele não sai dessa sala antes de três horas de cirurgia! Vai ficar plantada ai vai? Vai criar raiz.
Olhei para a Evelyn como se a fuzilasse mas respondi com a maior calma do mundo.
Mari: Vai la, já estou indo atrás...
Espiava na janela de vidro que tinha na porta da sala cirúrgica e via as luvas do Dr. Oly banhadas de sangue. A expressão dele era de preocupação e a equipe se movimentava muito dentro da sala. Olhei mais uma vez para ele e pensei: “Senhor Jesus, tenha misericórdia do meu anjo não deixe nada de ruim acontecer com ele sem ele conhecer a sua filha. Peço proteção e que ele consiga sair dessa muito bem.”
Virei minhas costas e voltei para a minha sala pensando em tudo que aconteceu desde a entrada dele no hospital.
Quando cheguei ao setor da enfermagem já estavam removendo para a uti o motorista e o empresário do Cristiano que estavam dentro do carro no acidente. Pensei que os dois estivessem atrás e quem dirigia era o próprio Cristiano, mas a Evelyn me inteirou dos fatos assim que cheguei do lado dela.
Evelyn: Eles estavam no banco de trás, ele e a namorada, provavelmente sem cinto de segurança. Ela tinha 19 anos. Eles estavam apaixonados demais. Ela era linda, uma boneca. Pobre família Mari.Ela não teve chance.
Respondi olhando para o horizonte, de forma seca, cheia de certezas.
Mari: Mas ele terá. E isso é o que importa agora.
A Evelyn sacudiu a cabeça e murmurou: Loca que só ela...Essa gaúcha me racha a cara.
O plantão fluiu de forma normal para uma emergência tumultuada naquela manhã mas meus olhos não saiam do corredor da sala de cirurgia.
Eram 13:15 quando finalmente vejo o Dr. Oly saindo da sala. Com o semblante pesado, retirando a touca cirúrgica e passando a mão na testa que vertia suor.
Estava atendendo uma paciente. Larguei a prancheta e falei para a Evelyn: “Assume aqui pra mim?”
Como era de costume a Evelyn assumiu a paciente e não questionou. Eu agradeço baixinho e fui em direção ao Dr. Oly.
Mari: Dr. Oly, graças a Deus, estou preocupada!
Dr. Oly: Mari, fizemos tudo que podíamos. Ele teve o fígado colabado, tivemos que retirar o baço e....Dra Mari?
Mari: Oi Dr.Oly?
Dr.Oly: A situação não tava nada boa agora vamos ter que espera a pressão arterial normaliza para a senhorita pode assumi o caso daqui .
Aquilo para mim foi um baque como eu vou cuida dele sendo que eu amo ele se a Luana vim visita ele ela vai me reconhecer tenho certeza que o careca e o virtin também ai tudo que eu escondi durante anos vai vin átona e vai ser o fim do meu momento feliz.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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