Amor, Amante da Morte
1 Amor, Amante da Morte
A garota apenas encarava seu reflexo, observando-se ficar cada vez mais pálida. Falta de sangue. Talvez seu motivo fosse besta. Era tarde demais para descobrir. Morreria sem saber. Por alguma razão, não lhe importava. “Amor... o que é Amor?” Lembrou-se da pergunta. Na hora, não soube responder. Mas sabia qual seria sua resposta agora. “Amor é algo obscuro e amedrontador”. Isto, pelo menos para ela, era verdade. Nua e crua. Verdade esta que a levara a situação em que se encontrava.
Há apenas algumas horas conhecera um garoto. Lindo, simpático, amigável. Um sentimento estranho, incomodo e até um pouco deslocado apoderara-se dos dois. O garoto sabia de que se tratava. Amor. Uma dúvida instalou-se na cabeça dela. “Amor... o que é Amor?”. Não tivera tempo para pensar. O louro de olhos negros decidira agir. Roubara o primeiro beijo da ruiva de olhos azuis tempestuosos. A garota assustou-se, correndo para seu apartamento. Sabia que o garoto logo a encontraria, mas seria tarde demais. Sorriu, pegando o pequeno punhal escondido sob sua saia preta. “Negra como os olhos dele...”. Cortou-se, sentindo a ardência e dor tão conhecidas no pulso direto, dirigindo-se para o esquerdo em seguida. Soltou o punhal, fraca demais para segura-lo, vendo o cair no rio de sangue que se formava aos seus pés. Em pouco tempo não conseguiria sustentar-se.
Um estrondo alertou-a de que o louro chegara. Os passos indicavam que o garoto fazia seu caminho em direção ao banheiro. A ruiva escutou o grito, a visão embaçada demais e a falta de sangue impedindo-a de virar a cabeça.
A garota tombou, ao passo que o louro adiantou-se para pega-la antes que caísse, conseguindo a poucos centímetros do chão. “Por quê?” ”Pois eu te amo.” ”Matou-se por amar e ser correspondia?” ”Sim.” “Não compreendo.” “Amor mata, e destrói. É algo lindo, porém sempre será egoísta. Cometi suicídio por te amar demais. Fique feliz. É meu primeiro e último amor, assim como o único verdadeiro.” Os olhos negros cheios de lágrimas, os azuis tranquilos. O garoto novamente beijou-a, sendo correspondido em mesma intensidade. O beijo partiu-se, a garota fraca demais.
“Te amo, Rozen” Morrera.
O louro deitou-a suavemente, pegando o punhal embaixo do corpo da ruiva, cortando os pulsos e o pescoço. “Te amo demais para viver sem você, Alice.” Deitou-se ao lado da garota, entrelaçando seus dedos, o sangue de ambos misturando-se. E, assim como os azuis, os negros fecharam-se para sempre.
Amar-se-iam no outro mundo. Para eles, o Amor era o amante da Morte.
Notas finais
Kissus
Yuki
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