Among Other Kingdoms - Terceira Temporada
16 Cor Errada, Decisão Questionável
Notas iniciais
Orion estava mexendo na caixa que havia trazido, tinham coisas incríveis lá dentro, como seu tio Perseu pode trancar aquela caixa magnifica em um uma sala no porão? Era fascinante, ele estava com a roupa de Evie de um lado e o tecido roxo do outro, estava procurando agulha e linha. Quando os encontrou deu um suspiro aliviado mesmo que não tivesse um aparelho de costura conseguiria fazer aquilo rapidamente, antes do voo matinal; era o que ele esperava. O garoto precisava tirar as medidas da prima, ele podia fazer isso de olho, mas, o perigo de fazer a costura de olho era que poderia ficar muito apertada. Assim que ele saiu do quarto foi surpreendido por Jonan que estava basicamente na frente do seu quarto. O garoto o encarava, estava com uma expressão irritada, ele tinha Elisa sobre controle, mas, infelizmente se casaria com Eveline, e entre todos naquele lugar, isso incluía os irmãos, apenas o garoto de cabelos estranhos conseguia entender a garota, se ele se esforçasse um pouco, talvez ele cederia e convenceria a sua futura noiva a ser mais obediente, eles eram homens, claro, que ele poderia compreender o quão importante é uma noiva obedecer e servir o marido, não o tratar com desprezo. Orion soltou um suspiro aliviado, deu até uma risada.
—Bom dia. Está perdido?
—Não, estava atrás de você. – Orion ergueu uma sobrancelha.
—De mim? Para que?
—Você me parece um garoto bem ingênuo e espirituoso. – Orion torceu o nariz ergueu uma sobrancelha.
—Sou é? – Perguntou sem muita emoção.
—Aparentemente você se dá bem com quase todo mundo daqui. – De vista sabia que ele e Eilon se aturavam. – Principalmente com a minha noiva. – Ele ficou em silêncio. – Porque você não me diz do que ela gosta? – Sua voz saiu como segundas intenções. – Não negue, vocês passam muito tempo juntos. Não me surpreenderia.
—Eu juro que se eu soubesse, nunca te contaria. – Ele deu um sorriso. – Com licença. – Ele disse fechando a porta e a trancando. Pode ouvir uma batida ou outra, porém, se lembrou que tinha um atalho muito mais rápido para fazer, foi quando tocou no espelho por uns segundos e então passou por ele, assustando Evie que tinha acabado de acordar.
—Para de fazer isso, você vai me matar!
—Ainda bem que acordou. Preciso tirar suas medidas. – Ela o encarou, seu coração ainda estava acelerado. – Desculpa, eu aviso da próxima vez.
—Tem como avisar? – Ela perguntou enquanto Orion tirava as medidas com uma linha, o garoto pensou uns segundos.
—Não. – Ela arfou e ele riu. – Mas, eu nunca viria aqui se não soubesse que estaria acordada. Podia errar? Podia, mas, não errei. – Ele a mediu mais rápido do que qualquer costureira ou alfaiate que ela já viu, ainda mais fazendo isso com linha. – Eu te entrego antes do desjejum, pois, era sempre em seguida que eles voavam nos dragões. Antes de sair do quarto dela pelo espelho novamente ele se virou para Evie. – Ah! Encosta a língua aqui
Evie olhou, era um frasco pequeno, semelhante a um frasco de veneno, ela deu um passo para trás.
—Pra que?
—Apenas coloca.
—O que é isso? Veneno? – Orion olhou o frasco por uns segundos.
—Pra que eu ia te dar veneno?
—E eu sei lá?! – Ele sorriu.
—Não é veneno. É pra que aquele cara estranho filho do Conde não consiga falar dos absurdos que ele pensa pra você.
—E como isso funciona?
—EU. – Orion ressaltou quem iria administrar o liquido daquela vez. – Vou colocar umas gotas na bebida dele. Ele pode estar morrendo de vontade de te falar uma coisa inconveniente, mas, não vai sair.
—E porque precisa da minha língua?
—Sua saliva na verdade. – Ele fez uma pausa. – Porque ele falar isso pra você é nojento, se ele for falar pros outros, aí não vai chegar aos seus ouvidos, porque é direcionado a você.
—O que?
—Ele vai falar as coisas nojentas que ele pensa de você pros outros, não pra você. Entendeu?
—Seria desastroso... – Ela deu um sorriso e encostou a língua na borda do frasco, não tinha gosto nenhum, o frasco foi fechado e ele sorriu.
—Que maravilha! – Ele exclamou pulando no espelho. Evie correu para ver como ele fazia aquilo, para o espelho estava liso e sólido. Á poucos segundos dava a ilusão de um pano, e agora era o exemplo refletindo ela. Mas, por via das dúvidas, ela virou o espelho próximo da parede, ele quem iria levar um susto da próxima vez.
E de fato algum tempo depois, quando ele usou o espelho para atravessar para o quarto dela deu de cara com a parede, criando um pequeno corte na testa; Evie ficou paralisada por uns instantes, queria ver e ter certeza de que o primo estava em antes de rir da cara dele.
—Por que você fez isso? – Orion perguntou. – Doeu!
—É bom levar um susto não é? – Ele fez um bico. – Desculpa, mas, não gosto de tomar susto. Era a sua vez.
—Não foi um susto, foi uma surpresa. Igual a sua roupa. – Ele entrou na mão dela.
—Está pronto? Mas, já?
—Claro, se eu não conseguisse reformar uma nova roupa, em pouco tempo, que tipo de futuro príncipe de Ruphira eu seria? – Evie desdobrou a roupa com cuidado e ficou surpresa com o trabalho impecável.
—Meu pai vai odiar isso. – Ele virou a roupa de costas.
—Mas, tem isso. – Ela piscou por uns instantes. – Não tem do que ele reclamar tanto... – Aquilo era um ato de carinho, feito especialmente para ela, algo especialmente feito para ela, e á muito tempo ela não tinha algo especialmente direcionado especialmente a ela.
Leodak e Navi mal conseguiram dormir, a verdade doía, entretanto, não dava para acreditar. Perto de Mandrik, Leodak era um pouco menor, ao lado de Navi eles tinham um tamanho parecido e lado a lado Navi e Mandrik tinham um tamanho semelhante. Navi ficou abraçado com ele durante grande parte da noite, pois meia parte da noite o loiro chorou, ele desabou, era a segunda vez que aquilo acontecia com ele, e sabe-se lá quantas vezes foi trocado, menos desejado, o moreno precisava ser forte pra ele, seu coração estava quebrado, mas, com certeza não mais do que o de Leodak.
—Eu quero te pedir desculpas... – Navi falou quando o outro se acalmou mais, quando o coração se acalmou e os soluços eram menores. Ele olhou para o outro assustado. – Quando eu conheci o Mandrik eu não sabia que ele era compromissado com você. – Leodak prestou atenção nele. – Eu não perguntei, ele não me impediu, não disse nada.
—Eu sei. – Ele se aconchegou mais no peito do outro. – Eu vi.
—Vi. – Navi o olhou surpreso. – Fui eu quem contou para o Rei Perseu, desculpa mas... – Ele beijou a testa do loiro.
—Fez o certo, e ele era seu primeiro...
—E depois se tornou nosso. – A voz saiu triste. – Navi respirou fundo. – Agora eu não sei o que pensar... – Leodak se sentou, acompanhado do outro que o encaixou em um abraço perfeito.
—Me desculpe por ter feito ele trair você comigo. – Houve um silêncio. – Me perdoe.
—Antes de você ele já tinha me trocado por outras. – Navi começou a fazer carinho nos cabelos de Leodak com calma, carinho e cuidado. – Mas, essa não foi uma traição aceitável. Nem de perto perdoável.
—As pessoas esquecem como uma traição pode ferir muito fundo. E é difícil de esquecer. Ele deu nós dois como garantidos que não iriamos abandonar ele. – Navi afagava as costas do outro. – Eu perdi a conta das vezes que você mencionava que seria agradável termos nossos próprios filhos, tantos bebês e crianças a própria sorte e ele dizia que nós éramos o suficiente. – O outro mordeu os lábios.
—Ele sucumbiu a uma qualquer, e durante todo esse tempo, sabia do filho, ele teve anos para nos contar, nós poderíamos ter sido uma ótima família pra ele. – Leodak estava tentando controlar, mais, as lágrimas que escorriam de seus olhos. – Foi errado ele ter escondido da gente.
Houve um silêncio esmagador.
—Estou refletindo... Se esse garoto não tivesse descoberto quem era o pai; você acha que ele contaria? – Leodak o encarou por alguns segundos. Revendo bem, Mandrik apenas falou porque o garoto logo chegaria, ele seria descoberto e apenas falou para se sentir menos culpado, o que apenas aumentava a culpa...
—Ele não contaria... – Ele sussurrou no peito do outro. – Não era a intenção dele...
Navi o abraçou forte, ambos começaram a pensar se Mandrik via esse garoto, com que frequência, e o quão ridículo foi a desculpa “Eu tive medo de perder vocês. ” Não era a melhor frase para se dizer, porque simplesmente significava que o desejo dele poderia se tornar realidade.
Leodak ficou abalado inicialmente quando Navi se juntou a ele e Mandrik, principalmente porque novamente, o outro fez aquilo pelas costas dele, e apenas cedeu quando foi “descoberto”. Quantas vezes mais ele precisaria cometer erros, ser descoberto para pedir desculpas antes de dizer realmente o que estava acontecendo? Era muita coisa pra ele pensar. Depois de muito silêncio, chateação e indignação, Navi fez um movimento não muito rápido selando os lábios nos dele, suas línguas se tocavam com calma, o outro estava fraco, nervoso, mas, o carinho lhe acalmava. Os dedos de Navi entraram em seus cabelos, e Leodak arfou, se afastou controlando sua respiração enquanto o outro acariciava suas bochechas.
—Eu acho que o Mandrik tem medo de ficar sozinho. – Leodak pousou a cabeça nas mãos dele. – E nisso ele faz escolhas sem pensar.
—Isso é errado. Esconder de nós por catorze anos? Quem consegue esconder um filho perdido por todo esse tempo? – Ele respirou fundo. – Desculpa, mas, eu não sei se eu consigo perdoar ele. Ás vezes eu sinto que estamos em segundo plano, sei que o trabalho dele é difícil, e exige muito, mas, ele ficou tão distante, eu não percebi!
—A culpa não é sua...
—Eu conheço ele á muito tempo, eu não prestei atenção nas mudanças de comportamento dele, e.
—O que você iria fazer? Confrontar ele? – Leodak fez um bico. – Sejamos sinceros, ele tem mais credibilidade e validade aqui na fortaleza do que nós... Somos só, acompanhantes dele. – Peito do outro apertou. – Eu tenho certeza de uma coisa, ele contou primeiro para Estevão.
—(...) Você acha? – Ele perguntou com uma voz agoniada.
—Acho, não tenho certeza, mas, acho, e sendo assim...
—Ele só falou por culpa. – Leodak completou com um suspiro. – O que nós vamos fazer agora? Eu não me sinto bem para perdoar ele, foi muito tempo. Não sei se fico indignado porque ele nos traiu com uma mulher ou se ficaria mais ainda se fosse com um homem.
—Nenhuma das duas opções são boas.
—E quais seriam nossas opções agora?
Navi olhou para janela por um momento. Pensou em dizer para eles se mudarem, apenas os dois, já que estavam sendo mais fieis um ao outro, mesmo que Mandrik fosse o pilar deles, fosse muita coisa para eles agora ele era um traidor. E ali, Navi não tinha nada, não era ninguém, não saberia viver bem, e o mais importante nunca conseguiria dar um bom lugar para Leodak, ele não poderia se dar ao luxo de voltar para Saphiral de tudo que fez com sua família, e não saberia se o outro iria com ele, mas, independentemente de tudo ele tinha algo em mente.
—Ficarmos bem. Juntos e firmes... – Navi falou, qualquer coisa que acontecesse agora, eles aguentariam juntos. – O que quer fazer hoje?
—Por mim? Passar o dia fora desse lugar. – O outro acenou dando lhe um beijo na bochecha, qualquer decisão que eles fossem tomar, deveriam estar cientes de todas as coisas que eles perderiam, mas, catorze estações, era muito tempo. E com uma mulherzinha qualquer, era inaceitável.
*
Eveline chegou basicamente primeiro à mesa para o desjejum, chegou tão cedo quanto seus pais que se surpreenderam em vê-la ali tão cedo, Orion chegou em seguida junto com os irmãos dela, e os demais, Mandrik estava sentado na mesa com dois lugares ausentes, sua expressão era visivelmente miserável, mas, ele precisava se manter inabalável, aliás, nem era culpa do garoto todo aquele clima, ele precisava se manter são e equilibrado para não ser destruído com pequenos comentários, independente de quem fosse, principalmente de William, que com certeza diria alguma coisa, ele era um chato e principalmente um fofoqueiro irritante, qualquer coisa poderia chegar aos ouvidos de Leodak e Navi e qualquer coisa que ele dissesse depois seria crucial. Principalmente porque Max chegaria na hora do almoço. Elisa estava encolhida do lado de Eilon que segurava sua mão com firmeza, ela não queria descer para o desjejum, mas, ele achou um ultrajem, ela era a futura Rainha de Calasir, ela tinha que comparecer, estar do lado do marido, e quando ele viu que Evie chegou antes deles, ficou furioso com ela, tanto a gêmea, quando a esposa. Uma pela roupa que usava e a outra pela demora e recusa de sair.
A roupa de montaria que Orion fez em um tempo mais curto do que o comum, era extremamente bem feita. A calça não era tão apertada, mas, também não era tão justa, da cor roxa escura com uma listra na lateral da cor verde escura, a camiseta era branca mas, havia um dragão roxo costurado nela, não era como Jaspe, era como Ruphi, haviam os botões dourados, e mesmo que houvesse o tom verde escuro nas botas e na jaqueta, o roxo da calça e da camiseta praticamente roubaram esse brilho. Estevão a encarou furioso, aquela não era a cor do seu reino, não era pra ela estar exibindo o tom de roxo com todo orgulho, ele respirou fundo, mas, estava pronto para repreendê-la;
—Foi você quem fez Orion? – William perguntou quando percebeu que o irmão iria fazer um comentário desnecessário naquela manhã. O garoto se virou para o pai e deu um sorriso.
—Sim! Eu fiz hoje de manhã. Você gostou?
—Como assim você fez hoje de manhã? – Jonan perguntou em tom de deboche já estava bebendo vinho tão cedo, Orion ficou sério. – Ontem você disse que ainda iria fazer! Onde já se viu um homem costurando? – Ele riu. William se virou para o garoto com uma expressão de repulsa.
—A pergunta certa é, onde já se viu um homem costurar em tão pouco tempo? – Estela deu um sorriso para William, ver ele defendendo o filho era uma coisa bonita, era dedicação. – Não conseguiria uma peça dessas em um prazo tão curto. – Jonan se aquietou imediatamente, e Carlo fez um sinal para que ele não levasse para o lado pessoal, logo seriam família. Sunny observou o quão bonito estava a roupa, não estava chamativa, destacando e pomposa, apenas estava diferente do habitual, o garoto era ousado, o garoto era talento, claro, se realmente tiver sido ele a fazer aquilo.
—Como você fez isso tão rápido? – Ela perguntou com empolgação.
—Ele faz mágica. – Elora respondeu com um sorriso. – Só ele sabe fazer. – Estevão limpou a garganta.
—Meus parabéns Orion. – O garotou olhou surpreso. – Fez um bom trabalho.
—Obrigado tio.
—Entretanto, a cor está errada. – Ele engoliu em seco e Eilon soltou uma risada abafada.
—Não. Tem verde também. – Houve uma pausa. – Mas, é um presente de Ruphira, não quero arruinar a coloração dos tons de esmeraldas. – Estevão respirou fundo, Estela segurou na mão do marido para acalma-lo, haviam visitas, e Orion estava apenas sendo gentil, fazendo algo que estava orgulhoso.
—Claro, o presente parece que foi... – Ele encarou a garota com fúria. – Apreciado.
—Ora papai, não é educado recusar presentes, especialmente os que são vindos do outro lado, não é? – Ele engoliu em seco. Guardou sua raiva para mais tarde, até porque, por um lado, ela estava certa, o outro lado estava ajudando eles a lucrarem bastante, de várias maneiras. E ele viu o que aquele garoto fez com William, agora mesmo que ele evitaria incomoda-lo, mesmo que Ethan e William tivessem avisado que aquilo aconteceu apenas porque ele tirou seu colar do pescoço, depois disso, ele ficava observando se havia algo no pescoço do garoto, era apenas precaução, não queria irritar ninguém do outro lado. Porém, Eveline era daquele lado, e ela estava irritando ele.
Assim que terminaram a refeição, e se levantaram, Estela anunciou que eles iriam aos dragões, Jonan novamente pediu para acompanhar a visita aos dragões, queria ver eles mais de perto, mesmo que sua noiva difícil fosse andar no cavalo com asas, não iria perder a oportunidade de ver os dragões. Na hora que todos foram se trocar Orion se aproximou de Michael.
—Está bem? – Orion perguntou fazendo o garoto parar de andar e dar atenção ao outro, não tinha interagido com ele, depois do dia anterior.
—Estou sim. – Michael respondeu com um sorriso, os seus cabelos eram castanhos avermelhados, tinha a mesma altura do irmão, entretanto mesmo sendo mais novo era também mais magro. Ouvia mais e era mais paciente. – No que posso ajudar hoje?
—Eu não te agradeci por ter ido atrás da minha prima. – Orion juntou as mãos. – Eu não gosto de julgar as pessoas por suas palavras, mas... – Michael fechou os olhos e prensou os lábios, aquilo era ridículo, seu irmão era o mais velho e dava mais trabalho que qualquer um.
—É a Princesa de Calasir, e mesmo que ela seja... – Ele olhou em volta, não queria parecer grosso. – Um pouco...
—Ah! Brutal.
—Não era essa palavra, mas, vale também. – Um sino tocou na cabeça do outro.
—Da última vez você não foi ver os dragões, sabe, seu irmão vai, porque você não vai também?
—Eu não sei se eu seria bem-vindo. Meu irmão que é deselegante.
—Deve ser chato ser irmão mais velho de alguém tão...
—Sou mais novo. – Orion o olhou surpreso.
—Oh! Que estranho. – Quem diria que responsabilidade não tem nada a ver com idade. – Acho que valeria a pena você ir, se o seu irmão fica perto de outras mulheres ele parece um animal. – Parecia que Michael estava sendo torturado ouvindo aquilo, porque seu irmão tinha que ser tão desagradável na frente dos outros?
Elisa estava colocando a roupa de montaria com calma, Eilon estava irritado. Orion estava disposto mesmo a manchar a imagem da família Balaur por uma simples costura que estava incrivelmente esquisita, mas, fazer o que, sua irmã era esquisita mesmo.
—Gostei da roupa que Orion refez para Eveline. – Eilon a encarou.
—Era da cor errada! – Ele exclamou. – Não era para ter roxo. – Elisa abaixou a cabeça.
—Estou falando que.
—Que o que? – Ele se aproximou dela. – Era a droga da cor errada, e ela sabia, está sendo ridícula de usar aquela roupa roxa, não estamos no Reino daquele garoto, estamos em Calasir, e a cor certa é verde! – Elisa respirou fundo.
—Você tem razão meu amor. Ela está usando a cor errada.
—Eu espero que Jonan coloque ela no devido lugar dela. – A menção do nome dele a fez tremer, se lembrou da ameaça que ele lhe fez, sentiu um pouco de pena da irmã, mas, se fosse o contrário, Eveline estaria rindo dela, então naquele momento, ela só precisava ser uma boa esposa. – Você anda muito quieta, á alguma coisa errada?
—Não. – Elisa lhe deu um sorriso. – Estou feliz por estarmos juntos finalmente e as coisas estarem dando certo. – Eilon a beijou em seguida enquanto trocava de roupa, foi quando ele deu uma risada. – O que houve?
—É que é engraçado Orion dizer que eu gosto de homens quando ele faz costura.
—Sim... – Mas, sinceramente, a roupa ficou linda. Independente da cor.
Estela observava Evie com a roupa, era bonita, não tinha como negar, mesmo que não era verde, mas, por um lado, Orion estava certo, tinha verde e se fosse para ser justa, o dragão que ela reivindicou era roxo, se o de Estela era verde e ela usava verde, porque ela não podia usar roxo, se a sua era dessa cor? O problema na verdade era que se os outros seguissem exemplos eles seriam literalmente uma cópia do arco-íris de cabelos brancos, seria engraçado, mas, Estevão não estava rindo, para ele, aquilo era inadmissível, o sobrinho era irritante como o pai, o chato do seu irmão. Sem regras e mesmo que ficasse de castigo de um certo modo, não era punido o suficientemente para entender o seu lugar.
Quando todos começaram a caminhar, Eilon observava que a irmã estava indo em direção ao covil e não ao estábulo, o que era no mínimo estranho, Jonan dessa vez se animou, enfim, veria o quão magnifico deveria ser o dragão da sua futura noiva, ela sendo uma grossa ou não, difícil ou não, forte e selvagem. Com um pouco de esforço daria certo.
—Não acredito que você está indo ver finalmente seu dragão, não naquele pombo com cascos! – Eilon disse com um tom de soberba. Seu Pégasus não era um pombo com cascos, era um presente de um Rei para ela, se ele não ganhou um aí era problema dela. Evie revirou os olhos enquanto caminhava em direção ao Ruphi que parecia muito feliz em rever ela, pedia carinho e ela se sentiu um pouco culpada, Orion tinha razão, ela ficava sozinha quando todos saiam para passear, Ruphi era muito parecida com ela, sempre sozinha e afastada dos outros. – Quase que não reconhece você.
—Sabe o que sua esposa também não reconhece? – Evie soltou enquanto subia no seu dragão. Eilon fechou a cara, principalmente quando viu a irmã sorrindo. – Eu sabia. Não acredito que você realmente é um frouxo.
—Você não pode falar assim comigo! – Eilon segurou no pulso de Evie porém, naquele momento Ruphi fez um movimento o fazendo se afastar. Elisa segurou em seu braço, ele estava tenso, estava irritado, ela não tinha o direito de dizer aquilo, ninguém tinha o direito de dizer o que ele deveria ou não fazer, ele era o futuro Rei daquele reino, e quando fizesse isso, se Eveline estivesse no seu caminho iria jogar ela nas masmorras e torturar ela a fim dela ter uma morte muito dolorosa. Junto com seu amigo de cabelo colorido.
—Eu espero que ela esteja feliz com um casamento onde ela ainda não tem tudo o que quis. – Antes dele retrucar ela saiu colocou o dragão pra fora do covil, Jonan ficou decepcionado quando viu que o dragão era muito menor que os outros, era na sua opinião, ridículo.
Os dragões estavam selados, todos estavam em uma formação perfeita, menos Ruphi, ela estava um pouco fora da formação, Orion torcia para que ela mantivesse a formação e ficar perfeita como os outros, mas, por algum motivo ela parecia nervosa, ou seja, Evie estava nervosa.
—Hãn, achei que ela seria boa nisso. – Jonan resmungou. Olhava para Elisa, ela sim tinha uma perfeição, não era desengonçada e mantinha uma postura impecável, a domesticada Elisa era tão maleável que o excitava.
Ruphi era mais pesada que Gameon, ela tinha que se acostumar, mesmo que não gostasse e voar com a penca dos seus irmãos, não queria que seu dragão ficasse isolada e solitária, foi quando ela respirou fundo e conseguiu manter-se junto com os outros. Nesse momento alguém tocou no ombro de Orion, o garoto se virou com tudo, era Mandrik.
—Pois não?
—Você que é filho do fofoqueiro. – Orion começou a rir.
—Do que? – Mandrik revirou os olhos.
—Você viu Leodak ou Navi? – Do seu lado tinha um garoto de cabelos loiros escuros e olhos castanhos, o garoto ficou observando os dois.
—Eles saíram cedo. – Orion respondeu se afastando dos irmãos Johan e Michael. – Estavam descontraídos. Assustou eles foi?
—Sabe pra onde eles foram?
—Acho que não... – Ele olhou para o garoto. – É seu filho?
—(...) – Seu rosto ficou vermelho. – Esse é o Maximilliam. Futuro Conselheiro do Futuro Rei de Calasir. Esse é Orion, Príncipe de Ruphira. – Orion não o corrigiu, os dois trocaram breves saudações.
—Não sei pra onde os dois foram, mas, ao meu ver, eles pareciam bem determinados. – O coração de Mandrik se apertou.
—Obrigado.
Orion observou o garoto por uns segundos, e depois colocou dois dedos sobre os lábios. “Pobre Elisa”, ele pensou, o futuro namorado do seu marido havia chegado no Reino, e agora, não teria como ele se segurar com essa informação.
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