Among Other Kingdoms - Terceira Temporada
1 Capítulo I
Estela observou Saphiral sumir no horizonte com um sorriso no rosto, tinha certeza que voltaria a ver Perseu, o tocaria novamente e aguardaria ansiosa até lá. Olhou para o mar, pela primeira vez as águas a tinham trazido coisas boas e a levado para bons lugares, sorriu uma última vez antes de se recolher para os aposentos, os bebês já não dividiram mais o quarto com eles e quando chegasse ao castelo nem dividiriam entre si.
Foi um viagem calma, sem tempestades, sem monstros marinhos e nem nada demais, Estevão aproveitou o tempo para organizar a venda dos objetos junto com Mandrik, William, como conselheiro da cidade, precisava participar também, o que ele não achava de todo ruim, conseguia se distrair e não pensar tanto em Orion; Navi tentava assimilar as ordens de Perseu, precisaria manter a linhagem de cabelos brancos para evitar o infanticídio que o próprio pai tramava, ele faria de tudo para manter Estela e Evie seguras, se era isso que deixaria Perseu feliz.
A realeza foi recepcionada com festa pelos habitantes, todos se espantaram ao ver a rainha sem a barriga de grávida e o rei carregando um bebê nos braços, tal como William, que trazia Evie, soldados passavam avisando que em breve haveria a apresentação formal dos bebês, o que era prontamente aceito. Estela ficou levemente triste quando entrou em seu quarto, estar em casa significava que estava longe de Perseu, ela não queria lembrar que estava longe dele.
—Você quer ver os quartos deles? – Estevão apareceu na porta, Eilon em seu colo, ela assentiu largando a bolsinha, onde estava os brincos e o colar que ganhou das mulheres de Saphiral, na penteadeira e saiu do quarto ao lado do marido – Esse é de Eilon – abriu a porta do quarto ao lado do quarto deles, era ligeiramente menor, a sacada tinha uma bela vista para o mar, tal como a deles, havia uma cama por perto para a ama e um berço de madeira trabalhada, na cabeceira deste tinha um dragão de asas abertas numa eterna vigilância – Olhe, meu filho, esse é seu quarto – ele mostrava os detalhes para o bebê — Está vendo esse dragão? Sua mãe tem uns de verdade, você também terá – sorriu e beijou o bebê.
—Onde está Evie? – Estela perguntou.
—Com Cliope – Pleione respondeu.
—Ela está no quarto dela – Estevão respondeu sem realmente se importar, usando toda sua atenção para colocar o filho no berço – Vamos deixar vocês descansar – ele sorriu para a ama, que só acenou positivamente. Ele guiou a esposa até outro quarto, há duas portas de distância, não era um quarto tão grande quanto o do menino, nem tinha tantos quadros ou vasos, não estava nem aos pés do quarto que Perseu fez em Saphiral, mas o berço tinha o mesmo trabalho do outro. Cliope e Evie dormiam profundamente – Melhor deixá-las – Estevão a puxou para fora, mesmo com ela fazendo força para entrar – Eu disse para deixá-las! – a mão subiu para o braço e apertou.
—Eu queria ficar com Evie – ela sussurrou – Só um pouco. Por favor.
—Não – Estevão disse firme.
—Por favor – ela segurou a mão dele.
—Eu disse não – Estevão levou a mão aos cabelos dela e os puxou forte, mas de forma sutil – Você não se comportou como deveria, tentou amamentar ela quando eu disse que não era para fazer. Eu não quero você sozinha com ela, não agora.
—E se eu amamentasse Eilon? – um tapa estalou no rosto dela, lágrimas se formaram em seus olhos.
—Pare com isso de querer ser uma boa mãe – fez encará-lo – Eu só preciso que você gere e os coloque para fora, não preciso que os alimente – ele falava dela como se fosse um animal, uma vaca premiada que gerava bons bezerros – E sem choro – engoliu as lágrimas assim que ele a soltou.
Enquanto o rei se trancava com seus conselheiros na sala do pequeno conselho para organizar o torneio pelo nascimento do seu herdeiro, Estela resolveu que iria ao covil, saindo silenciosamente do castelo, tentando recuperar o equilíbrio que o navio tirava; subiu as escadas rapidamente, encontrando Sinler e Jaspe brincando com três filhotes, seus dragões a olharam, levando os focinhos para serem acariciados.
—São lindos, Sinler – Estela se agachou e os filhotes se juntaram ao redor dela para brincar, o maior era vermelho e tinha chifres pretos, os outros dois regulavam de tamanho, um era azul, azul como os olhos de Perseu, o outro era cinza escuro, como nuvens de chuva, qual será que Artemisa montaria? E qual seria o de Eilon?
O dia do torneio chegou, o castelo inteiro estava em festa, a arena estava sendo preparada meticulosamente, os melhores soldados foram escalados para participar. Os primeiros que chegaram no castelo foram Joice e Connor, os pais de Estevão e William, o rei e o conselheiro já os aguardava, cada um com um bebê nos braços, Estela estava ao lado do marido, sorrindo para os sogros.
—Oh, pelos Deuses, como são lindos – Connor encheu os olhos de lágrimas ao ver os netos – Onde está a mãe do seu bebê? – se aproximou de William.
—Meu filho ficou no país da mãe – ele sorriu fracamente – Essa é Evie. – Joice ouviu com desdém essa frase, queria o filho de seu filho favorito, não do outro.
—Eveline – Estevão corrigiu, William torceu o nariz.
—Por que deixou meu neto lá? Por que não me trouxe para conhecer? – Joice parecia irritada com o filho, e estava.
—Não era seguro – o homem olhou para o anel, sabia por ele que seu filho estava bem – Mas olhe como Evie é linda – virou a bebê para a mãe, que franziu o nariz.
—Os filhotes dessa cadela não me interessam – falou em tom de desdém subindo as escadas em direção ao quarto de sempre, Estela olhou para o marido com os olhos cheios de lágrimas, ele acariciou o rosto dela, mas não repreendeu a mãe.
—Me deixe pegar minha neta – Connor tirou Evie dos braços de William – Vocês vieram de dois e complicaram esse pobre vovô que não conseguirá segurar vocês juntos – o conde sorria para a menina enquanto a beijava na testa – É tão linda. Eles são iguais você, Estela – ele tentava reparar os atos da esposa, porque era esse o papel dele.
O torneio começou logo depois do almoço, o povo se apinhou nas arquibancadas, os nobres se juntavam nos camarotes e os mais importantes nos mezaninos, no maior e mais decorados desses estava a realeza, incluindo Connor, Joice, Mandrik, Navi, Leodak, William e mais outros, Estevão entrou com Eilon no colo, o bebê estava coberto por uma manta verde com um dragão branco bordado em uma das pontas, Evie, que era carregada por Estela, também usava uma igual.
—Há luas atrás, em um torneio como esse, eu anunciei que no prazo de nove luas o reino teria um herdeiro, porém o Pai foi generoso e enviou nosso futuro rei antes, hoje, é com muita alegria que apresentou para vocês Eilon, o príncipe de Drakoj, herdeiro do trono de Calasir – a plateia estourou em palmas e quando se acalmou Estevão ainda sorria orgulhoso – mas eu disse o Pai foi generoso! Ele mandou mais um bebê, uma menina, uma princesa, Eveline – a plateia também aplaudiu a garotinha, Estevão ainda não comentaria do futuro casamento deles – Que sejam abertas as festividades!
As amas estavam a postos para pegar os bebês, Estela murchou ao entregar Evie para a tia de Navi, mas o fez, mesmo com Linor dizendo que o leite dela havia secado, Estevão ainda evitava que ela ficasse muito tempo com as crianças, não queria se estressar mais uma vez com esse assunto. Carlo se aproximou.
—E o filho de William? – perguntou.
—Ficou com a mãe – William o respondeu secamente, será que as pessoas podiam parar de perguntar onde estava seu filho? Orion estava seguro e era tudo que importava!
—Belos brincos – Estevão elogiou a esposa aos sussurros sorrindo, ela havia colocado os brincos que ganhara da mulher de Saphiral.
Depois que o primeiro dia de festejo foi encerrado e a noite foi repleta de risadas e boa comida, Estela estava deitada em seu leito, estava de olhos fechados aproveitando cada toque do marido, Estevão beijava cada parte do seu corpo suavemente, aquela seria a primeira vez deles depois do nascimento dos filhos, a rainha pensou em outro rei, em um que a tocava com muito mais amor, mesmo que Estevão estivesse dando o melhor dele. Ela se entregou ao marido, como se ele fosse suprir a falta de Perseu.
Por cinco dias de torneio, o rei e a rainha comemoraram o nascimento dos gêmeos junto com a população e tudo estava perfeito, o povo estava feliz, o comércio estava próspero, os dias eram ensolarados e os filhotes de dragão começaram a crescer junto com os bebês; aquela manhã, três luas depois do retorno à Calasir, Estela acordou vomitando, estava extremamente enjoada, quase conseguia se enxergar verde. Linor prontamente apareceu para verificar, havia aprofundado seus estudos a fim de melhorar, ainda mais depois de Perseu dizer que ele era o pior curandeiro, ele a examinou por cima, acreditou que era algo que a rainha tivesse consumido.
—Talvez vossa majestade comeu algo que não fez bem – Linor falou olhando para ela.
—Não, é diferente...é como quando engravidei de Eilon e Evie -, ela levou a mão ao estômago, como se fosse diminuir a queimação.
Estevão olhou para o curandeiro, que parecia confuso, mas resolveu agir, Linor pediu licença ao rei antes de abrir as pernas da rainha e enfiar o dedo nela, fazendo uma cara de completo espanto quando bateu em algo duro e completamente fechado.
—Vossa majestade está grávida – um sorriso enorme brotou nos lábios de Estevão, tão grande que parecia chegar de orelha a orelha, Estela controlou a cara de pânico.
Linor se retirou logo depois, a rainha começou a pensar que poderia ser de Perseu, tanto quanto podia ser de Estevão, será que mais uma vez ela passaria por todas aquelas dores? Será que iria parir mais um filho de Saphiral? E se esse nascesse com olhos diferentes? Era uma sentença de morte para o bebê.
—Vamos ter mais bebês, querida – Estevão se ajoelhou ao lado da cama e beijou a mão dela, Estela segurou as lágrimas, não gostaria de pensar em tudo que poderia acontecer – torcerei para que seja uma menina...
—Já temos uma menina – Estela corrigiu delicadamente.
—Eu sei – Estevão sorriu – Se for menina será Elisa – beijou o ventre da mulher – Se for menino será Evan.
—Todos com a mesma inicial? – Estela olhou confusa.
—Claro, amor – beijou a testa da esposa calmamente.
Estela estava em pânico com a nova gestação, pensava que seria de Perseu, até pediu o sinal que recebera a outra vez, mas não o obteve, o que deveria ser um alivio, não foi, ela pensou que talvez fosse um bebê diferente de Evie, ninguém via o medo da rainha, ela tentava não demonstrar, engolindo cada vez que o nome do rei das safiras vinha em sua boca.
William estava percebendo algo diferente na cunhada, e não era sua barriga saliente.
—O que você tem? – perguntou para a cunhada, eles estavam sozinhos em uma das salas de estar, ela olhava para além da janela, sem realmente ver alguma coisa.
—Estou com medo – confessou.
—Não é sua primeira gravidez – William de ombros – Há bem pouco tempo você teve gêmeos – riu.
—E se for igual aos gêmeos? E se for pior? – os olhos arregalados olharam para William.
—Não é isso que te assusta – diagnosticou – Qual o verdadeiro motivo?
—Bom...talvez seja como Evie – colocou a mão no ventre, sentindo um suave movimento, que não a machucou como os gêmeos machucaram – Talvez seja de Saphiral – sussurrou baixo o suficiente para apenas William ouvir.
—De novo? – riu – Não perdeu tempo, cunhadinha – ele se aproximou dela – Não se preocupe, tudo ficará bem – beijou a cabeça dela – Mas agora deu, está certo? Você é esposa do meu irmão, não esqueça disso – William jamais contaria para Estevão das escapadas de Estela, porque gostava da cunhada e porque sabia o quanto seu irmão era um péssimo marido as vezes, no entanto, não gostava de pensar que ele mataria os filhos que nascessem diferentes, e sabia que Estevão era capaz.
A reforma em Saphiral havia começado, Perseu queria que o castelo ganhasse forma, cor, luxo, queria que ficasse perfeito para quando Artemisa voltasse, ele faria o que estivesse ao seu alcance e além.
Calasir estava se tornando uma referência em comércio, navios vinham dos mais diversos países para comprarem o tecido do outro lado, o ouro entrava em baldes nos cofres da coroa, separavam parte do que entrava para enviar para Perseu quando o portal abrisse, eles estavam ansiosos para retornar lá e buscar mais objetos para vender, o reino seria tão próspero quanto fosse possível.
—Incrível como essa garota ficou fértil de uma hora para outra – Joice sibilou quando retornaram para o castelo para os festejos da primeira estação dos gêmeos, a gestação já estava na reta final, Estela já não conseguia voar, preferia não o fazer, a barriga estava grande, mas menor que a gestação anterior.
—Isso é bom, Estevão está nos dando netos e herdeiros para o trono – Connor sorriu enquanto se aproximavam do grupo que os recepcionava.
—Seus netos, nenhum que venha dessa rata é meu neto – torceu o nariz, mas desfez essa cara quando se aproximou de William, o beijando com ternura e não fazendo o mesmo no primogênito.
Evie estava no colo dele, os cabelos brancos eram curtos e levemente encaracolados nas pontas, seus olhos haviam clareado até chegarem em verde, não claros como o da mãe, eram mais vivos que o de Eilon, um verde pouco mais claro que o das esmeraldas, afinal nenhum era parecido com Estela, apenas tinham seus olhos e cabelos, mas as feições eram do pai de cada um, Eilon era uma versão em miniatura de cabelos brancos e olhos verdes de Estevão, não havia o que tirar nem botar, o mesmo se aplicava em Evie, era igual a Perseu, apenas trocando a cor dos olhos, o que o rei não parecia notar. A primeira estação deles estava sendo planejado há luas, tudo deveria ocorrer perfeitamente, Mandrik havia se esforçado para isso, Navi havia o ajudado, o ex-conselheiro do reino de Saphiral estava ficando estressado, agora que os gêmeos não mamavam tanto, as amas, suas tias, queriam passear, iam em festas, voltavam tarde, as vezes alcoolizadas, o que ocasionava incômodos, pois elas precisavam ficar sóbrias para amamentar.
Estela apenas recepcionou os sogros, mas não ficou para as conversas, pedindo para Liandra preparar um banho quente, precisava disso, precisava relaxar, coisa que não se fazia perto de Joice. Ela entrou na água, sentindo cada centímetro da pele ser abraçada pelo calor, o bebê se mexeu, a rainha sorriu tocando a barriga, era bom sentir os movimentos sem parecer que estava sendo esfaqueada, mesmo que estivesse ficando desconfortável.
—Está sendo diferente, não acha, rainha? – Liandra sorriu para a mulher arrumando as toalhas.
—Sim – sorriu, Estevão surgiu na porta, parecia preocupado.
—Está bem? – perguntou se aproximando, a criada saiu da sala de banho deixando eles sozinhos.
—Estou – segurou a mão dele e levou até a barriga, o bebê mexeu ao toque, ela sorriu, era um sinal de que era filho de Estevão, Evie jamais reagiu aos toques dele.
—Será uma princesa? – Estevão sorriu e a beijou.
—Evie já é nossa princesa – Estela não sorriu para ele.
—Podemos ter mais uma, eu adoraria uma menina que não chorasse desesperada quando eu a segurasse – ele riu para a esposa, Evie não aceitava colo do “pai”, chorava e esperneava até que fosse largada, o que não demorava muito, Estevão não tinha paciência para o choro em seu ouvido, quando a pegava era para agradar Estela.
—Você que não tem paciência com ela – alisou a barriga enquanto o bebê dentro ainda mexia.
—Ela que não gosta de mim – se encararam, ele tinha um sorriso no rosto – Mas a amo, é minha filha – beijou ela – Deixarei você descansando, preciso acertar uns últimos detalhes com Mandrik. – Estevão se despediu delicadamente dela, torcendo para que houvesse uma menina no ventre da esposa, uma menina que amasse estar em seus braços, uma que ele pudesse beijar e cheirar como William fazia com Evie.
Mandrik estava na sala do conselho, havia uma taça de vinho e papéis na sua frente, o torneio começaria no outro dia e nada poderia dar errado.
—Problemas com a rata? – Mandrik arqueou a sobrancelha.
—Não, ela está ótima nessa gestação – Estevão sentou na outra cadeira – Estava pensando que anunciarei o casamento deles antes da maioridade de Eilon, lá pelas catorze estações.
—Mas o casamento não deveria ocorrer quando ela sangrasse? – Mandrik o olhou.
—Sim, mas Eilon terá a mesma idade que ela, não é idade de homens casar – Estevão deu de ombros.
—Que seja – titubeou — precisamos nos preparar para a primeira abertura do portal, será logo depois dos festejos dos gêmeos – Estevão agarrou a lista de pedidos, era maior que a anterior, mas o controle financeiro exibia um número exorbitante de ouro a ser entregue.
—Isso aqui é o total? – encarou o outro com olhos arregalados.
—Não, essa é a parte deles – Mandrik sorriu – O total é mais que o dobro disso, uma parte igual fica nos nossos cofres e outra é investida nos navios e trabalhadores – explicou – As amas irão nessa viagem.
—E mandarão outra? – o conselheiro assentiu.
—Irá na viagem? – Estevão negou.
—Não, o bebê nascerá em breve, quero estar perto – Mandrik analisou o rei, parecia feliz. – Quero uma menina dessa vez.
—E Eveline?
—Uma menina que não chore comigo – Mandrik gargalhou.
—A pequena é esperta – Estevão riu menos que o amigo.
Os festejos começaram logo pela manhã, os torneios se estenderiam por toda tarde, Estevão estava alegre, seu filho era forte e saudável, era lindo, Eveline também era forte, linda e saudável, mas Eilon era o herdeiro que ele tanto desejou, tanto esperou e que iria preparar com todo amor para ser o melhor rei de Calasir. O pequeno riu no colo do pai quando os dragões de sua mãe participaram da abertura da festa noturna, Jaspe e Sinler pousaram no pátio dos fundos do castelo, seus filhotes no lado, eles não se desenvolviam tão rápido quanto os pais haviam feito, Estela explicou para Estevão que dragões se desenvolviam rápido quando pressentiam perigo, o que esses não sentiam. Evie estava agarrada em William, ficando levemente assustada com a presença das feras, ao contrário se seu irmão, que desceu do colo do pai e deu seus primeiros passos em direção ao filhote maior, o dragãozinho vermelho foi de encontro com a criança, tocando o focinho delicadamente no peito, Estevão vibrou, Estela se abaixou ao lado do filho, o bebê sorriu para ela.
—Gostou dele, filho? – a criança gargalhou, o dragão fez um barulhinho para chamar atenção do príncipe – Ele também gostou de você – acariciou os cabelos brancos do filho.
—Ronar – o bebê enrolou para falar, foi o suficiente para Estevão se derreter por completo e descer na altura deles.
—Você quer que ele se chame Ronar? – Estevão acariciou os cabelos do menino, que riu para a besta, outro filhote se aproximou, o azul – William, traga Eveline – a menina se agarrou no tio, não olhando para nenhum dos dragões, Estela tentou segurá-la para descer junto com o irmão, mas não obteve sucesso, nem William conseguiu tirar ela do colo quando se abaixou junto com Estevão e Eilon.
—Deixe ela – Estela colocou a mão nas costas da filha – Quando ela crescer poderá escolher seu dragão – ela sorriu para Estevão, que olhava meio irritado para a pequena, era sua filha e não poderia ter medo dos dragões!
Os festejos continuaram, plebeus se juntaram com os nobres, Carlo apresentou seu filho para a sociedade, Jonan seria o futuro herdeiro do condado de Melon, era pouco mais velho que os gêmeos, ruivo como a mãe, gordinho como o pai; houve muita festa, muitos presentes, os quais Eilon recebeu sentado no colo do pai no trono, tal como Evie no colo da mãe, uma quadro seria pintado quando o caçula nascesse.
O portal foi aberto naquela manhã, Perseu fez a abertura com o coração cheio de esperança de Estela estar em um dos navios, mas quando desembarcaram só veio Navi.
—Estela não veio? – Perseu perguntou.
—Não, Estela está quase parindo – respondeu secamente, um nó se formou na garganta de Perseu.
—Outro bebê? – sussurrou.
—Claro, é o que costumam parir – Navi deu de ombros antes de começar a listar o novo pedido, era maior que o último.
Foram dois dias para reunir e mais um inteiro embarcar tudo, Navi entregou os baús com o ouro.
—Tudo isso? – o rei de olhos azuis perguntou maravilhado com a quantidade de moedas de ouro.
—Sim, essa é a parte de Saphiral – o ex-conselheiro olhava para as moedas reluzindo, sabia que muitas mais ficaram em Calasir, uma quantidade que parecia interminável.
Em Calasir, Mandrik já sentia saudades de Navi, assim como Leodak sentia, eles eram completos quando eram os três, não que não amava o escudeiro, claro que sim, mas os três eram perfeitos.
Estela acordou naquela manhã com um incômodo nas costas, e no baixo ventre, não era nem perto da dor que sentiu quando os gêmeos quiseram nascer, tanto que ela só foi se queixar de dor já passava do meio dia, quando Linor a examinou.
—Já está perto de nascer, majestade – o curandeiro avisou, Estevão olhou surpreso para a esposa, não acreditava que a garota havia aguentado quieta até aquele momento – Seria bom um banho quente, ajudaria a descer – Liandra ouviu isso e assentiu, colocando a água para aquecer no mesmo momento.
Estevão ficou no leito, ao lado da esposa, acariciando seus cabelos e massageando suas costas, ela o mordeu quando a contração apertou seu corpo como se fosse a esmagar, nesse momento os gritos começaram, a dor estava queimando, como uma avalanche de fofo, Estela apertou a mão do marido enquanto gritava; Liandra avisou que o banho estava pronto, Estevão ajudou a mulher ficar de pé, lágrimas se formaram nos olhos dela, gritando e escondendo o rosto no peito dele, ele a colocou na água, a fazendo suspirar, sentiu algo se encaixar, ela conhecia aquela pressão.
—Linor! – gritou, o curandeiro surgiu na porta do quarto de banho – Vai nascer! – o peito dela subia e descia rapidamente.
—Ainda não, majestade – o garoto se ajoelhou ao lado da banheira e deslizou os dedos para dentro da mulher – Vai sim, vamos para a cama? – Estela negou com um aceno antes da contração a arrebatar, a fazendo se inclinar para frente, ela fez força mesmo com medo, entretanto não foi tão ruim quanto os gêmeos, não era como espinhos, mesmo que fosse bem doloroso; Linor levantou a criança assim que nasceu, a enrolando numa manta – É uma menina – anunciou, foi o suficiente para o sorriso de Estevão se alargar, pegando a bebê, analisou cada pedacinho, incluindo os curtos cabelos brancos levemente sujos de sangue.
—É linda – ele se abaixou para mostrar para a esposa, Estela agradeceu ao seu deus pelos cabelos brancos da menina – Elisa? – Estela assentiu sorrindo, suspirando de alívio.
Eles apresentariam a mais nova princesa num torneio dentro de três dias, a conexão de Eilon com Elisa foi instantânea, um bebê abraçou o outro. O oráculo estava certo, Eilon teria um ótimo relacionamento com os irmãos, mas e Evie? Teria um ótimo relacionamento com os irmãos?
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