Amnésia
8 O Desenrolar: Reunião do Conselho e Lennox
Notas iniciais
A primeira coisa a que devo a vocês, depois de dois meses sem nenhum capítulo, é um pedido de desculpas, GIGANTE PEDIDO DE DESCULPAS, porque não é justo ficar tanto tempo assim sem aparecer com novos capítulos. A única coisa que eu quero que vocês compreendam é que tem muita coisa acontecendo na minha vida, e que, infelizmente, o meu tempo e inspiração para escrever ficaram limitados, quase nulos. Eu tenho um enorme carinho com essa história, NUNCA SEQUER PENSEI EM ABANDONÁ-LA, mas infelizmente alguns problemas roubaram de mim completamente o que eu tinha de inspiração e ideias.
ME DESCULPEM. ISSO NÃO FOI JUSTO COM VOCÊS.
Mas eu estou de volta. E, se de fato alguém ainda ler essa história, estou de volta com novos capítulos. Não sei como a frequencia vai ficar, não sei como as coisas vão se desenrolar, mas EU PROMETO, LEITORAS, QUE NÃO VOU DEIXAR VOCÊS NA MÃO DE NOVO.
E é isso.
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Volteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei o/
Agora que finalmente tenho tempo para me dedicar a essa fic de novo, prometo responder todos os reviews, e agora vamos gogogogogogogogogogogo total, porque eu amo demais essa história para deixar ela na mão. Gente, como eu senti falta disso aqui! E me perdoem o apelo emocional. Eu me sinto culpada por abandonar isso tudo assim.
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E MUITO OBRIGADA PELAS RECOMENDAÇÕES, MENINAS! Foram elas e esses comentários maravilhosos dessas leitoras que eu amo tanto que me fizeram voltar a escrever nessa história que eu tenho tanto carinho. Alguns reviews foram respondidos incompletos, eu não sei porque, mas eu respondi a todos eles, e estou me sentindo pronta para continuar com isso, se alguém ainda ler essa história.
E depois de todo esse drama... ME PERDOEM DE NOVO, MENINAS... O capítulo.
Em Kiarr, aonde temporariamente funcionava a sede das guildas Crime Sorciére e Light Dragon, debaixo de uma noite lindamente estrelada, alguns magos observavam, tensos, a figura de Arashi, líder da equipe de infiltração e espionagem, fechar os olhos e pender para frente, como uma boneca inanimada. Ultear e Meredy, pouco acostumadas ao espetáculo, sufocaram gritinhos, mas o resto, já habituados às transferências de alma freqüentes da líder, apenas se aproximaram dela, esperando.
O Motivo da transferência de maga tinha sido discutido fervorosamente durante toda a hora anterior. Aoki, Akane, Ultear e Meredy, ao constatarem que Layla e Gerard estavam três horas atrasados do horário combinado para voltarem para a guilda, tinham começado uma longa discussão preocupada para que eles fossem resgatados. Com a Fairy Tail próxima, absolutamente tudo podia ter acontecido, e foi com esse argumento que os quatro convenceram Fleur a mandar Arashi para uma missão para esquadrinhar a área. Naquele exato momento, Arashi provavelmente já tinha conseguido ocupar o corpo de algum pássaro noturno, com o qual ela faria a ronda nas extremidades de Jibrille.
Fleur, mais afastada do círculo, observava as travessas de comida dispostas na mesa, desejosa. Toda aquela discussão tinha atrasado o jantar, deixando-a com fome, e, consequentemente, muito mal humorada.
_Isso é uma bobagem._ ela resmungou. _Layla é uma maga treinada para esse tipo de coisa. Alguma coisa aconteceu para justificar esse atraso! Não é necessário tanto alarde._
_Não é com Layla que eu estou preocupada, Fleur._ retrucou Ultear, calma. _É com Gerard. Ele tem uma tendência a ficar fora de si quando há a palavra “Erza” em jogo._
_Sério?_ Fleur se inclinou para frente, subitamente mais interessada; qualquer conhecimento novo conseguia entretê-la. _Disso eu não sabia. Pode me explicar?_
_Como você já sabe, Gerard era Siegrain, e um membro do conselho que me controlava, supostamente inspirado pelo fantasma de Zeref._
_Também sei que ele tentou ativar o Sistema R._ Fleur fez um gesto entediado._Agora me conte o que Erza Scarlet tem haver com isso._
_Bem, quando crianças, os dois foram escravos na Torre do Paraíso, e eram muito amigos. Quando ele tentou ativar o Sistema R, quis usá-la como sacrifício, então ela quase morreu, e ele também quase morreu quando tudo explodiu. Depois, quando o Nirvana foi ativado, o líder encontrou-o e pediu para Wendy Marvell curá-lo. Só que ele não se lembrava de nada dos últimos oito anos, e virou um bobo chorão._ Ultear deu um sorriso malicioso. _Apaixonado pela Erza, o que supostamente é recíproco. Mas depois de tudo, ele foi preso, nós o soltamos, formamos a Crime Sorciére e eles nunca mais se viram. Pois é. E se ele fica bobo só ao ouvir o nome dela, não quero nem ver o que fará se vê-la de perto._
_Mas eu acho que Layla tem uma queda por ele._ intrometeu-se Meredy, alegremente. _Quer dizer, ela é muito boazinha com Gerard. Será que isso vai dar problemas?_
_Não acho. É verdade que Layla parece gostar dele, mas não do jeito que você sugere, Meredy._ replicou a Mestra. _Tem mais haver com a questão da identificação. Ele não tinha memórias, ela não tem as dela. Uma identificação. Só isso._
_É. Só Meredy acha que eles podem ser um casal._ Ultear apoiou a cabeça na mão. _Mas, em relação às memórias, você não pesquisou nada sobre o passado de Layla?_
_Pesquisei. Mas não encontrei muita coisa. Ela obviamente era uma maga, então eu procurei no registro de desaparecidos, mas havia mais de cem pessoas que batiam com a descrição dela, em termos genéricos, então eu desisti, esperando ela se lembrar de mais alguma coisa. Não se lembrou. Ou pelo menos não me disse nada._
_Você não domina a Arquivo? É uma magia de grande ajuda._
_Sem nenhuma serventia para mim. Tenho métodos mais eficazes para saber de tudo o que está acontecendo, em tempo real._ Fleur apontou Arashi e Jun. _Sei de tudo o que está acontecendo no Conselho e em Fiore graças a eles._
_E a estratégia da aliança? Como está progredindo?_
A Mestra deu um sorriso esperto.
_Dentro dos padrões esperados. Luxus Dreyar destruiu a sala de reuniões do Conselho, furioso, e peitou o Presidente. Feito admirável, bem condizente com os padrões da Fairy Tail. Provavelmente, ele já entendeu a posição na qual eles estão: é aceitar ou aceitar. Daqui a pouco, começará a reunião deliberativa, e se os resultados forem favoráveis à uma aliança, vamos nos apresentar ao conselho amanhã de manhã._
_E como você sabe disso tudo? Você mandou Yue, Kenji, Arima e Aoki para a tal reunião... Está se comunicando com eles por telepatia?_
_Alguma coisa assim. Luxus obviamente vai votar a favor da aliança, e levará os magos da Blue Pegasus e Lamia Scale com ele. Considerando que o pequeno ataque do Luxus já vai ser conhecido por todo o Conselho, podemos esperar que mais magos seguirão sua causa. É uma batalha praticamente ganha._ Fleur deu um sorriso. _Gosto do Luxus. Ele se encaixa direitinho nos meus planos._
_Bem... Agora é só esperar Layla e Gerard voltarem para recolhermos as informações sobre as investigações da aliança..._ Ultear olhou nervosamente para Arashi. _Vai demorar muito?_
_Depende do pássaro que ela ocupou. Águias e falcões são mais rápidos e tem melhores visões; ela deve ter ocupado um deles._
_É uma magia singular. Segundo todos os registros, estava extinta... Como você a conseguiu?_
_Muita pesquisa._ Fleur sorriu. _Jose não era muito exigente em relação aos lugares aonde eu ia. Ele só gostava de me manter em segredo, pois antes dos Element Four e Gajeel de Ferro, eu era a sua jóia, e havia o medo geral de que eu o abandonasse. Assim, eu viajei para todo tipo de lugar, e consegui aprender algumas magias. Depois, nos meus tempos de Conselho, eu tive acesso a alguns bancos de dados considerados secretos, e aprendi mais algumas. Eu tinha pretensão de continuar no Conselho mais tempo, mas com a baderna que você e Siegrain fizeram, fui chutada, criei a Light Dragon e com ajuda deles, acabei dominando as restantes._
_Treze magias._ suspirou Meredy, admirada. _Isso a igualaria ao nível de um Mago Santo._
_Grande coisa. Eu ia ganhar um broche nada fashion, e só. Não preciso de um título estúpido para provar meu poder. Além do mais, eu não seria capaz de combater alguns dos magos mais poderosos, como Gildarts Clive, ou Makarov Dreyar._
_Jura Neekis também não é brincadeira. Nossas informações sobre ele são impressionantes._ Ultear sorriu. _Mas não é bom se esquecer que Gerard também já foi considerado um Mago Santo. Depois que suas lembranças voltaram, o pleno controle de seus poderes voltou para ele, o que é bem interessante._
_Bem, eu não conheço Gerard o suficiente para julgá-lo._ os olhos de Fleur se voltaram para Arashi, que, naquele momento, abria os olhos pintados de escarlate e amarelo, piscando-os freneticamente. _Bem vinda de volta, Arashi._ ela exclamou, com naturalidade. _O que tem para nós?_
Ultear e Meredy, além de todos os presentes, se voltaram para a maga, esperando, mas ela não respondeu; continuava piscando freneticamente. Ultear soltou um guincho de impaciência, mas Fleur fez-lhe um gesto para ter paciência.
_Espere. Ela precisa esperar até a alma se fixar completamente ao corpo, e quanto maior o animal que ela ocupa, mais demorado é o processo._
_E quando saberei a hora de começar a perguntar?_
_Na hora em que seus olhos voltarem ao tom normal. Veja só. Já voltaram. Arashi está de volta._ Fleur se afastou de Ultear e se aproximou da grisalha, colocando maternalmente a mão em seu ombro. _Difícil, hein?_
_O corpo de uma águia é complexo... Estou estranhando enxergar tão pouco._ Arashi deu um belo sorriso. _Desculpe-me pela demora, Ultear._
_Que nada. Isso é só preocupação. O que você tem para nós?_
_Layla e Gerard não estão em nenhum lugar do espaço-tempo, o que quer dizer que os dois já entraram no portal de Layla e chegarão aqui em poucos minutos, fique tranqüila. Há uma grande massa de magos se movendo para leste, e a Fairy Tail vai ser atacada em pouco mais de meia hora. Black Rose está movendo sua base para sul, mas eu não consegui enxergar muito bem o alvo... O Conselho já está em deliberação. Luxus Dreyar está à nosso favor, exatamente como o previsto._ ela suspirou. _É... Só isso._
_Só?_ perguntou Meredy, se aproximando, empolgada. _Você teve uma visão de geral de tudo o que mais interessa para nós agora!_
_Eu tento ser útil._
Fleur se levantou.
_Muito bem, muito bem, muito bem. Já temos as informações das quais precisamos, mas vamos deliberar isso quando Layla e Gerard chegarem, pois eles também têm o direito de opinarem. Enquanto isso não acontece, vamos nos sentar e jantar, porque já são mais de nove horas, eu estou com fome e me dói ver toda essa comida abandonada em cima da mesa._
Ultear riu da impaciência da colega, mas acabou se sentando, com Meredy ao seu lado, sendo seguidas pelos outros magos da guilda. Passados alguns minutos, quando todos já estavam comendo, as portas enferrujadas do casarão se abriram, revelando as figuras de Gerard e Layla, cobertos dos pés a cabeça de folhas de carvalho, cheios de arranhões nos rostos e mãos e com expressões definitivamente mal humoradas.
_Bem vindos._ saudou-os Fleur. _Se atrasaram um pouco, não é mesmo?_ ela sorriu, alheia aos olhares mortíferos mandados em sua direção. _Vamos, vamos, sentem-se e comam! O jantar está delicioso e certamente servirá para melhor esse humor mórbido de vocês._
_Nada fácil de ser melhorado, eu garanto._ afirmou Layla, puxando uma cadeira para si. _Essa foi uma das tardes mais chatas, tediosas e pouco produtivas que eu já tive. Preferia caçar falcões armada com uma pistola sem munição do que repetir essa experiência terrível._
Os magos da Light Dragon, já acostumados ao humor da maga, nem sequer reagiram, sabendo do possível ataque que veria a seguir, mas Meredy, que desconhecia da personalidade inconstante da outra, riu, e se inclinou para frente, debochada.
_Poxa, eu achei que vigiar a Fairy Tail ia ser uma coisa muito divertida!_
_Divertida uma ova!_ Layla se exaltou. _Diga, Gerard, o que você achou de divertido nessa tarde?_
_Nada._ ele concordou, enchendo seu prato de comida. _Mas o que deixou Layla de mau humor foi, na verdade, todas as conversas sentimentais que ouvimos durante o dia inteiro. Ao que parece, conversas sobre amizade, laços e amor têm a incrível habilidade de deixá-la irritada._
_Isso é realmente verdade._ ponderou Fleur, sorrindo. _Mas isso é a Fairy Tail, e se nossa aliança com eles for realmente consumada, você vai ter de se acostumar, querida._
_Eu vou evitá-los ao máximo, e nem sequer pretendo mostrar meu rosto. Eu gostaria realmente de lutar com eles. Meu pequeno confronto com Erza Scarlet e Wendy Marvel me deu boas dimensões do quão poderosa a Fairy Tail é._
_Não vamos procurar encrenca. Até agora, a reunião deliberativa do Conselho não terminou, então não é nada garantido._ Ultear disse, séria. _E como foram os magos da Fairy Tail nas investigações?_
_Fracos._ Gerard respondeu. _Ficou claro que essa não é a sua habilidade principal. Tudo o que eles encontraram foram indícios vagos, nada que possa realmente levá-los à nós. Hibiki Laytis e Levy McGarden chegaram perto da verdade, mas não conseguiram nada conclusivo._
_Bem, eu esperava isso._ afirmou Fleur, pensativa. _Os resultados da reunião deliberativa chegarão em poucos minutos. Desde já quero adiantar que vou mandar você, Layla, para o trabalho diplomático._
A cara de indignação dela fez todos segurarem o riso.
_Como é que é!?_
_Sim. Vamos mandar você, Arashi e Kenji._ explicou a Mestra. _Como estamos lidando com uma guilda de magos poderosos, resolvi mandar só os Classe SS para um contato direto, porque há uma grande possibilidade de eles quererem briga, principalmente depois do susto que passamos em Luxus e Mirajane. Eu e Ultear concordamos que é melhor não apresentarmos a Crime Sorciére de imediato; isso pode assustá-los. Não será necessário que você dê um pio, Layla, então, por favor, não procure encrenca, estamos querendo uma aliança, não instigá-los mais a tentarem nos matar._
Layla ponderou a idéia por um segundo, desgostosa.
_Arashi fará a parte chata, em que a pessoa chega e conversa?_
_Não é a parte chata, é a parte difícil._ retrucou a própria Arashi, rindo. _Mas sim, serei eu, se bem que talvez eu devesse mandar você, sua boba, para ver se você aprende..._
_E o que te faz pensar que eu iria?_ perguntou Layla, também rindo. _Tudo bem então, Fleur, eu irei. Mas e se eles procurarem briga conosco?_
_Aí sim, você briga com eles._ Fleur deu um sorriso sarcástico. _Tenha cuidado específico com Natsu Dragneel, Gray Fullbuster e Gajeel Redfox. A reputação que eles têm nas guildas das trevas que destruíram é de que são facilmente irritáveis e impulsivos._
_Bem, isso vai ser divertido._ afirmou Gerard, descontraidamente. _Não posso ir para assistir?_
_Acho melhor não. Erza Scarlet vai estar lá, e, sinceramente, Gerard, eu não quero arriscar o funcionamento da missão por causa da sua queda por ela._
Gerard, despreparado, corou violentamente às palavras de Fleur, virando-se quase imediatamente para encarar Ultear de maneira acusatória. Rindo, a Milkovitch levantou as mãos para o alto, claramente se declarando culpada, e todos os magos presentes a acompanharam, menos Fleur, dando efetivamente um fim à conversa e instalando um clima divertido entre eles, que duraria até o momento em que o saísse o resultado da reunião deliberativa do Conselho.
Eles que se divirtam um pouco, pensou Fleur. Afinal, tempos negros se aproximam, e todos nós precisamos de um pouco de riso.
E com esse pensamento em mente, ela também entrou rindo na conversa, descontraindo-se como há muito não fazia.
_***_
Num hotel barato de Jibrille, aonde tinham alugado todo o segundo andar por uma quantidade simbólica de jóias, quinze magos estavam sentados na sala de intercessão entre os quartos, todos recém-saídos do banho e vestidos com quimonos de verão. Estavam esperando por Levy, que tinha se escondido no banheiro para conversar com Luxus via lacrima mágico sobre o andamento da missão e das coisas do Conselho. Todos eles tinham querido conversar também, mas como magia era completamente proibida em Jibrille, as coisas tinham de ser feitas de modo discreto, porque ninguém queria ser chutado da cidade depois de um dia tão cansativo.
Nada tinha sido encontrado, e o humor de todos não era dos melhores. Alguns dialogavam baixinho entre si, como Gray e Juvia, mas a maioria estava calada, como Gajeel, que se limitava a fuzilar Hibiki com os olhos, rosnando de ódio, enquanto brincava com uma colher de metal em mãos. Alguns minutos antes, ele tinha acabado com metade do faqueiro, mas depois de ser advertido por Erza, limitara-se em apenas deslizá-la entre os dedos calejados.
Todos estavam esperando, contudo. A maioria por uma boa notícia que salvasse aquele dia terrível.
O clima era tão tenso, e todos estavam tão entretidos em suas próprias ocupações, que ninguém viu quando Levy saiu do banheiro, tão pálida quanto uma folha de papel. Depois de alguns momentos, eles a notaram e olharam para ela, esperando que dissesse alguma coisa, mas a garota parecia tão assustada que nenhuma palavra escapava por seus lábios.
_O que houve, Levy?_ perguntou Hibiki, se aproximando e abraçando-a pelos ombros, sem notar o olhar furioso que foi lhe lançado. _Notícias graves?_
_Sim... Light Dragon... Invadiu o Conselho._ ela começou, a voz sumida. _Deixaram... Uma faca de presente... Nas mãos do Tohru. Podiam ter matado... Ele e Mirajane... Luxus está furioso... Light Dragon quer uma aliança._
Todos ficaram em silêncio por um minuto, chocados, absorvendo a informação, que era realmente grave.
_COMO É QUE É?_ gritou Natsu, o primeiro a se recuperar, seu punho rapidamente se enchendo de labaredas que subiam por seus braços, formando uma espécie de luva. _E ELES AINDA QUEREM UMA ALIANÇA?_
_Sim... O Conselho está... Terminando a reunião deliberativa._
_É claro que eles vão rejeitar a idéia._ Gray comentou entre dentes, o rosto tenso. _Eles TÊM de recusar._
_Eles não vão... Os mestres estão bem dispostos à aceitar. Estão pressionados._ ante a surpresa geral, Levy resolveu explicar._Eles dizem saber quem está com os artefatos roubados, e podem se vincular a qualquer um dos lados. Sabendo que eles podem invadir o Conselho quando bem entenderem, quem não se vincularia a eles? Temos que pensar estrategicamente._
_Não é uma idéia agradável, realmente._
Gajeel mastigou a colher que tinha em mãos, mal humorado, e pegou outra, ignorando o olhar recebido por Erza.
_Bem que eu gostaria de dar umas porradas neles, por terem assustado o pirralho._ resmungou, moldando a colher como massinha em suas mãos.Mirajane também não merecia isso._
_Ela está muito assustada._
_Minhas condolências._ ele exibiu uma flor simples de metal, com um sorriso genuíno. _Talvez eu deva entregar à ela quando voltarmos, um sinal à minha solidariedade._
A maioria riu do tom usado por ele (alguma coisa inofensiva entre a ironia e a autenticidade), mas Levy se sentiu enciumada; nunca recebera nenhum presente dele, além dos obrigatórios presentes de aniversário e natal, e lá estava ele, moldando uma flor para uma mulher casada que quase levara uma facada! Será que ela teria de quase levar uma facada para ele mostrar que se importava? Fechando a cara, ela o fuzilou, e se agarrou mais à Hibiki.
Gajeel, que observava atentamente a sua reação, sorriu ainda mais. Levy era como seus livros: intensa, romântica, preciosa e aberta; muito fácil de ler.
_Uma aliança com alguém que tem as informações que queremos não é algo ruim._ Erza ponderou, em voz alta, chamando a atenção de todos para a conversa novamente. _Mas não podemos saber se isso não é uma armadilha._
_Eu também pensei nisso, e perguntei à Luxus._ Levy sorriu, sua pele gradualmente voltando ao tom normal. _Ele disse que a Light Dragon está em uma posição muito confortável. Eles não proporiam uma aliança se não estivessem interessados._
_Bem, isso não deixa de ser verdade._ Sherry afirmou, estridente como sempre. _Mas como vamos encontrá-los? A Light Dragon some e aparece quando bem entende!_
_O mais correto seria dizer que eles vão nos encontrar, não o contrário._ Jura a corrigiu, com um sorriso paternal. _De qualquer forma, nos preocupar com isso agora é bobagem. Vamos dormir._
Todos concordaram, e se levantaram, espreguiçando-se e bocejando, prontos para ir para a cama. A divisão dos quartos tinha sido feita mais cedo, em consenso com todos (nada de sorteio; Gray e Gajeel foram terminantemente contra essa idéia), o que excluía outra divisão chata como a das duplas mais cedo. Com um grande boa-noite coletivo, eles se separaram, e cada grupo foi para o quarto que dividiria. Em poucos minutos, o silêncio reinou no segundo andar daquele hotel decrépito; nenhum ruído era ouvido além das respirações de todos.
Deitada na cama do quarto que dividia com Natsu e Erza, Levy remoia seu ódio por Gajeel. Tinha tanto ciúmes dele que estava quase invadindo o quarto de Hibiki e o agarrando, sabida de que ele estava realmente interessado; as aproximações dele durante todo o dia provavam isso. Alguns minutos antes, ela tentara provocar Gajeel, mas ele sempre parecia tão impenetrável que a irritava não saber o que ele pensava.
Com nostalgia, Levy se lembrou do acontecimento de mais cedo, do abraço e do enfoque especial dele na palavra “minha”, e suspirou. Porque tinha de ser tão difícil? Ela sonhava com o momento em que ele largaria a merda do orgulho para o lado e admitiria que gostava dela, mas começava a desacreditar naquilo tudo.
Talvez fosse melhor desistir.
Mas no momento em que ela fechou os olhos, foi o rosto de Gajeel que veio em sua mente, invadindo cada parte de seus pensamentos, e ela se sentiu estúpida por amá-lo tanto. Ridícula. E com esses pensamentos, dormiu, sonhando com ele novamente, assim como ela odiava.
E, tão cansada e presa no seu sono pesado, não viu a janela se abrindo e um vulto invadindo o quarto, tão silencioso e ágil como um gato. Não viu o vulto se aproximando de sua cama, nem percebeu quando ele se curvou e cobriu os lábios dela com os dele, num gesto demorado, mas ainda sim furtivo, e nem viu quando ele depositou um objeto entre as suas mãos pequenas, antes de sair como se nunca tivesse entrado.
Na manhã seguinte, quando ela acordasse, Levy encontraria em suas mãos uma intrincada e complexa flor de metal, mil vezes mais bonita que a que Gajeel fizera mais cedo, que tinha toda a delicadeza de uma flor verdadeira, moldada nos mínimos detalhes. E, no caule, ela veria escrito, numa caligrafia rústica que ela conheceria à quilômetros de distância, as palavras que a fariam ganhar o dia, e que começariam mais um vão e tolo ciclo de esperança.
“Para uma mulher ciumenta, de um homem que acha isso muito divertido.”
_***_
A reunião deliberativa do Conselho, chamada às pressas ante a o bilhete deixado pela Light Dragon, era, indiretamente, o ponto chave que definiria o destino de toda uma guerra, embora naquele momento, nenhum dos mestres, ou mesmo o Presidente, fizessem idéia do peso que uma simples discussão faria em toda uma sequência de acontecimentos futuros. Os Mestres, irritados pela aparente falta de segurança do Conselho, tinham todos acatado a tímida declaração de Luxus no começo da reunião, que colocava em evidência toda a pressão que eles estavam sofrendo para aceitar a aliança.
Todos concordavam que, pelo bem de Fiore, era aceitar ou aceitar. Menos o Presidente.
E, à medida que os minutos passavam e a reunião continuava, o novamente quieto e sem expressão Luxus observava o duelo que aquilo estava se formando, com todos os mestres irritados, provocando o Presidente, e ele se defendendo, igualmente irritado e com a mesma vontade ferina de provocar os outros.
_É impressão minha ou isso está se tornando um campo de guerra?_ comentou adoravelmente o Mestre Bob, da Blue Pegasus, com Luxus. _Ao que eu me lembro, isso era uma reunião deliberativa._
Luxus deu um meio sorriso, apreciando o resultado do feito de mais cedo. Embora só o Mestre Bob e o mestre da Lamia conversassem com ele mais normalmente (a situação tinha, inegavelmente, os tornado mais amigos), todos tinham o tratado com mais respeito, e até tentado incluí-lo na maioria das argumentações. Esperto como era, porém, Luxus tinha apenas dado algumas opiniões modestas e depois se afastado, deixando a troca de farpas para os outros.
_Não é impressão sua, Bob. Isso é um campo de guerra._ concordou Luxus, divertido. _O Presidente se recusa a aceitar a ajuda de uma guilda independente que, obviamente, fez piada com a sua cara. Está mais preocupado com a própria vaidade do que com o bem-estar dos cidadãos._
_Se ele começou justamente uma guerra por causa da sua vaidade..._ começou o Mestre da Lamia, solene. _Não me surpreende mais nada que ele fizer por isso._
_Realmente. Nada de surpreendente._ Luxus viu dois mestres se levantarem, fuzilando-se com os olhos e preparando-se para uma briga. _Talvez devamos interferir... Não acham?_
Os dois retesaram o corpo, preparando o impulso.
_Que nada. Vamos assistir. Vai ser divertido._ Bob deu um risinho afeminado. _Se a situação ficar preta, a gente interfere. Mas um pouco de entretenimento não mata ninguém._
Luxus concordou, com um sorriso, e observou. Os dois mestres, inflados, ignoraram completamente o comando do presidente, e começaram a brigar ali mesmo, jogando ondas de poder mágico que enfraqueciam as paredes. Eram dois magos de peso, e ninguém se atrevia a interferir na briga; em um canto, Luxus viu o vislumbre de dois mestres mais perversos, que apostavam entre si. Aquela gente realmente não aprendia.
A luta se desenvolvia cada vez mais feroz, e ninguém tinha ânimo para pará-los. Até mesmo o Presidente se calara, e parecia rezar para não haver mais danos; sua expressão era uma mistura cômica de medo e resignação, e Luxus ficou com pena.
_Não acha que já nos divertimos o suficiente?_ ele indagou para Bob. _Quer dizer, eles vão botar essa sala abaixo se continuarem desse jeito._
Mestre Bob concordou, pensativo.
_Tudo bem. Acho que um cômodo destruído por dia basta, não é mesmo?_ ele sorriu cúmplice, e suas mãos brilharam em poder mágico. _Magia de Prisão: Jaulas do Infortúnio!_
Os magos, tão concentrados em sua luta, não viram os selos mágicos se abrindo em cima de deles, e quando notaram a concentração de poder mágico, era tarde demais: se viram presos em jaulas invisíveis e fortificadas, que não lhes davam chance de saída.
_Solte-nos daqui, sua bicha afeminada!_ amaldiçoou um deles, irritado. _Viado de merda!_
Mestre Bob fez que estava ofendido e fez que ia brigar, mas Luxus se levantou e se interpôs entre os enjaulados e o amigo, decidido.
_Olha só, ele pode ser uma bicha afeminada, mas isso não diz respeito a ninguém, acham? Nós estamos aqui porque estamos correndo riscos, porque uma guilda independente de qual nós não temos a menor informação entrou no Conselho e nos propôs uma aliança. Enquanto vocês estão aqui destruindo o Conselho, pessoas inocentes estão morrendo lá fora, e é um saco ficar assistindo a sua briga enquanto eu penso que podíamos estar fazendo alguma coisa. Então, por favor, se vocês quiserem se matar, que façam isso lá fora, depois que terminarmos isso, ok? _
Os magos se calaram, e olharam fixamente para Luxus, depois para o Presidente, e finalmente um para o outro. Foi um olhar que soltou faíscas, mas depois de alguns segundos tensos, o que anteriormente xingara virou-se para o Quarto Mestre, resignado.
_Tudo bem._ ele suspirou. _Pode me soltar daqui. Eu não vou brigar mais por agora._
_Ótimo._ Bob desfez a magia e voltou-se ao seu lugar, mal humorado. _Bicha afeminada... Vê só!_
_Suas desavenças pessoais podem ser resolvidas depois. Além do mais, no momento da raiva, ninguém mede o que diz._ consolou Luxus. Depois voltou-se para o Presidente. _Continue de onde estava, mas seja breve, por favor._
O Presidente ainda estava impressionado e invejoso pelo modo simples e prático como Luxus conduzira a situação (melhor que ele, resumidamente falando; tudo pelo orgulho, repito), mas logo se recompôs e olhou para eles com grande pompa.
_Muito bem! Vamos votar! Quem é a favor de vincularmos a aliança?_
Dos 17 mestres presentes, 12 levantaram a mão, decididos, e o Presidente suspirou.
_Então está decidido. Vamos travar a aliança... Lamia, Fairy e Blue, avisem seus magos da decisão tomada aqui. Agora, só nos resta esperar pelo contato... É de se esperar que eles vão nos encontrar, uma vez que é do interesse deles._
_De fato._ disse a mestra da Merhaid Heel, a única mulher presente. _Posso me retirar? Esse show de infantilidade me deixou cansada._
Ninguém contestou a veracidade de suas palavras.
_Claro. Estão todos dispensados. Obrigado._
Um a um, os magos presentes foram se retirando, até que se sobraram no cômodo o Presidente e os Cavaleiros do Conselho, que tinham toda a reunião anotada em seus blocos.
_Vê o topete daquele Luxus Dreyar?_ comentou um deles, debochado. _Quem olha para ele até acha que merece algum respeito..._
_Não seja tão desprezível. Foi ele que destruiu a sala de reuniões de manhã._
_Esses Luxus Dreyar me irrita._ disse o Presidente, calando os Cavaleiros. _Mas ninguém pode negar que tem estilo. Só espero que ele não seja um problema..._
_Não será, Senhor._ um dos Cavaleiros o tranqüilizou. _Ele pode ser poderoso, mas não se equipara à Vossa Presença._
_Não sei bem... Quando há família em jogo, ele se torna extremamente poderoso, e até um pouco perigoso._ o Presidente olhou para as enfraquecidas paredes e suspirou. _Espero que as coisas dêem uma acalmada, porque, se continuarem nesse ritmo, o Conselho vai ruir em uma semana..._
Os Cavaleiros seguraram o riso, com medo de serem punidos, mas o Presidente já desaparecera numa nuvem de poder mágico.
E assim começava a aliança entre as guildas legais e as independentes.
_***_
Na cidade de Magnólia, onde se situava a guilda mais poderosa sob o controle do Conselho, Fairy Tail, a noite caía, e junto com ela, uma paz harmoniosa se instalava pelos confins da guilda normalmente barulhenta, causada, talvez, pela ausência dos magos mais bagunceiros de sempre. Naquele momento, além dos magos mais jovens, que constituíam a nova geração da Fairy Tail, havia alguns poucos da geração antiga espaçados pela guilda, conversando e rindo.
Gildarts, que levava atualmente o título de mago mais forte da guilda abaixo do mestre, estava sentado no bar, em frente à um copo enorme de sakê. Com 55 anos nas costas, parcialmente bêbado e fatigado depois de uma missão que há cem anos ninguém completava, ele tinha aceitado gentilmente o pedido de Luxus Dreyar de cuidar da guilda na ausência do mestre, uma vez que Makarov tinha tantos problemas de coração que um simples susto podia trazer-lhe conseqüências trágicas. Gildarts sabia que Makarov, a princípio, tinha querido passar para ele o título de mestre, antes de Luxus voltar, mas se sentia muito orgulhoso pelo pirralho loiro. À despeito da fase rebelde e do afastamento de alguns anos da guilda, ele tinha se tornado um adulto inteligente, e um mestre sensato, alegre e atencioso com seus membros. Quando estava na guilda, era muito comum vê-lo conversando e rindo com Levy e Erza, que, por algum motivo estranho, tinham se tornado suas melhores amigas.
Quando olhava para a guilda de 794, o Clive não podia impedir-se de se sentir um velho. Tinha visto Natsu, Cana, Erza, Gray e os outros todos quando criancinhas, quando ainda começavam a se aventurar nos ramos da magia, e agora eram todos adultos, com suas famílias, suas reputações e seus poderes. E aquela nova geração prometia seguir o mesmo rumo, cheia de magos potencialmente poderosos que só confirmavam a durabilidade da Fairy Tail como uma guilda poderosa e numerosa.
Passando os olhos pelos novatos (que o olhavam admirados, como se ele fosse alguma espécie de lenda; odiava isso), ele reconheceu alguns nomes, que já circulavam pela guilda como futuras promessas. Num canto, a nova Shadow Gear, formada por Romeo Conbolt, Arisawa Miako e Tobias, que prometia ser tão ou mais poderosa que a original: com apenas dezesseis anos, eles já conseguiam realizar missões consideradas difíceis para magos não Classe S, com um entrosamento invejável para magos mais velhos. Do outro lado da guilda, estavam os irmãos Farah e Owen, os dois vindos da América com peles amareladas e cabelos pretos, traços tipicamente esquimós. Os dois tinham lacrimas especiais implantados em seus corpos, assim como Luxus e Cobra, e podiam usar dois tipos diferentes de magia Dragon Slayer: madeira e água. Faziam missões sempre juntos e eram conhecidos pelo nome de Dragões Gêmeos, tendo com apenas quatorze anos uma extensa bagagem de missões. Alguns membros apostavam quem seria o primeiro a se tornar Classe S, mas parecia muito difícil adivinhar, baseado em critérios de força e habilidade.
Aqueles eram os principais. Mas Gildarts poderia facilmente reconhecer outros, como Harriet e Jiro, um casal de namorados misteriosos que tinham chegado meses antes, mas que rapidamente tinham ficado muito amigos de todos. Conversando amavelmente com Farah e Owen, os dois riam e se divertiam, provavelmente contagiados pela esfera alegre do lugar. Nenhum mago conseguia manter-se fechado dentro da Fairy Tail por muito tempo. E as criancinhas de nove, dez anos, que nem sabiam direito o que era magia, nem sabiam direito qual mago admirar, seus olhinhos arregalados voando de uma figura importante para outra. Gildarts ouvia os sussurros.
“Olha lá, olha lá, olha lá! É o Gildarts Clive! Ele é um Mago Santo! Eu ainda vou me tornar alguém como ele!”
“Olha só! É o Raijinshuu! Eles ficaram quase um ano inteiro fora! Eu preciso pedir um autógrafo...”
“Eu não acredito que estou vendo a Alma da Besta com meus próprios olhos... Vou desmaiar!”
“Não, não, não, e a Senhora das Cartas também! Cana Alberona em pessoa! Eu me sinto tão feliz de estar aqui...”
_São jovenzinhos entusiasmados, não acha?_ comentou Bickslow, também atento aos sussurros, sentando-se ao seu lado no bar. _É um pouco estranho ser visto com toda essa adoração._
Gildarts tinha a guarda muito boa para ficar assustado com a aparição repentina de Bickslow. No entanto, o mago conseguira distraí-lo dos sussurros das crianças, que, percebendo que estavam sendo ouvidas, saíram correndo, claramente envergonhadas. Rindo baixinho, o Clive virou-se para o outro, cumprimentando-o com a cabeça.
_E não é estranho?_ ele comentou, em resposta à afirmação inicial. _Mas mesmo assim, Bickslow, o Raijinshuu fica tão sumido disso aqui, que definitivamente é de se esperar que as crianças fiquem admiradas._
Bickslow assentiu, rindo. Tinha mudado pouco em dez anos, vestindo-se de modo menos espalhafatoso e mostrando mais o rosto (sem tatuagens estranhas), usando apenas óculos escuros para cobrir os olhos. Desde que Luxus voltara e assumira a posição de Mestre, os Raijinshuu estavam sempre em missões especiais, mandadas especialmente por ele. Ficavam quase tanto tempo fora da guilda quanto Natsu, e tinham virado uma espécie de lenda entre os mais novos.
_Reconhecer a verdade não à torna menos desconfortável._ ele admitiu. _Quer dizer, eu vi uma menina babando olhando para mim outro dia. Eu nem sou assim tão bonito e estou com mais de trinta anos, o que me torna um homem sério adulto. Já passei da idade de ser objeto de fetiche._
A espontaneidade da afirmação fez Gildarts rir.
_Não é bem assim._ ele olhou em volta. _Aliás, onde estão Evergreen e Fried?_
_Evergreen estava dizendo para Elfman que não ama ele. Elfman estava dizendo para Evergreen que não ama ela._ ele narrou, entediado. _Agora os dois estão se pegando atrás da guilda, como sempre fazem depois de uma briga. Eu queria que eles assumissem logo a droga do namoro, quem sabe isso não tornasse a Ever menos mal-humorada? Já Fried está fazendo a primeira ronda noturna com a Cana. Com a guerra declarada, é de se esperar que a nossa guilda seja um alvo visado._ Bickslow olhou em volta. _Kinanna, dá para você me trazer uma cerveja? Estou cansado._
_Aproveita e me traz um copo de sakê!_
_Claro-kina!_ a garçonete concordou, alegre. _Estou indo-kina!_
_Mas, e aí, cansado com o quê?_ perguntou Gildarts, chamando novamente a atenção de Bickslow para a conversa. _Você ainda é uma criança._
_Você deve ter se esquecido de que eu, Evergreen e Fried fizemos uma viagem que normalmente duraria dez dias em dois para virmos prestigiar a sua festa, não sabe?_ Bickslow fez uma careta. _Estou morto. Acho que vou ficar por aqui uns meses e participar do exame Classe S, para variar. Faz dez anos que eu não participo de um._
_Suas chances de passar humilham as de qualquer outro mago._ Gildarts admitiu. _Luxus já considera você, Evergreen e Fried como Classe S. Acho que vocês são os únicos que pegam as missões mais difíceis sem terem realmente passado no teste. Talvez você deva dar uma chance aos novinhos._
As bebidas chegaram e o Bickslow sorveu de um grande gole de cerveja, suspirando como se aquilo fosse algum tipo de néctar especial.
_Talvez eu deva._ ele limpou os cantos da boca com a mão. _Mas não sei se vou. Além do mais..._
Ele não terminou a frase. Naquele momento, Fried Justine entrou na guilda voando, usando de suas asas artificiais, carregando uma Cana semi-consciente nos braços, gritando desesperadamente um alarme.
_ALERTA FAIRY TAIL! ALERTA FAIRY TAIL! TODOS PRESTEM ATENÇÃO EM MIM AGORA!_
Todos se silenciaram e olharam para Fried, que depositava a maga que levava nos braços cuidadosamente deitada num dos bancos do bar, para que se recuperasse. Gildarts, vendo o estado da filha, fez menção de levantar, mas Fried parou-o com um gesto de mão, e depois de perceber que tinha toda a atenção focada em si, começou a falar. Pela sua expressão, todos sabiam que não era nada bom.
_Estamos sob ataque!_ anunciou Fried. _Há quatro quilômetros à leste uma massa de magos está vindo em nossa direção.Todos armados, calculei cerca de cento e vinte homens. Cobrirão a distância em mais ou menos quinze minutos! Cana foi atacada por um deles, mas está bem, Gildarts. O plano de batalha a partir daqui é seu._
Preocupado, mas assumindo postura altiva, Gildarts levantou-se, sua mente rapidamente maquinando uma estratégia. Todos os magos ainda absorviam a informação dada pelo Justine, sussurrando fervorosamente entre si, criando um burburinho que se espalhou como fogo em pólvora. Os Classe S, por outro lado, já estavam mais calmos, habituados àquele tipo de situação.
_Muito bem, muito bem, MUITO BEM..._ ele começou, e todos os magos se calaram, esperando. _Obrigada por nos trazer a informação rapidamente, Fried. Leve Cana para cima, para que ela descanse. E agora, vamos articular juntos nosso plano de batalha. Mas sejam rápidos. Nós só temos quinze minutos..._
_***_
Em algum lugar perto dali, mais perto do que seria seguro, em um decrépito casebre escondido do mundo em uma floresta vazia, uma mulher observava o céu estrelado, nostálgica. Seus olhos tinham uma sabedoria antiga, pouco condizente com seu corpo jovem, e uma tristeza profunda, que contrastava violentamente com suas feições alegres. Seu semblante era velho, cansado, e fazia um bom conjunto com as olheiras profundas e os fracos e quebradiços cabelos.
Fazia já algum tempo que ela morava ali. Esconder-se nunca fora um plano para ela, e depois de viver uma vida confortável e feliz, nunca imaginava que terminaria ali, numa floresta, morando um num casebre prestes à desabar sem saber quando começaria a ser caçada. Ela só queria ter uma boa dianteira antes disso; tinham coisas que importavam mais que a sua vida que ela tinha de zelar, e era por elas que ela estava ali.
_Mamãe..._ gemeu uma voz fininha, do outro cômodo. _Você não vem dormir?_
_Não, amor. Mamãe não está com sono._ ela não se virou para dentro, estendendo os braços. _Porque você não vem observar o céu comigo?_
_Podemos contar estrelas?_
_É claro que podemos contar estrelas. Venha._
A criança veio em sua direção, e na luz suave, era possível vê-la bem. Era um menino de aproximadamente seis ou sete anos, de tamanho diminuído, com membros finos e delicados, olhos como os de uma boneca e cabelos muito negros, compridos demais, que caíam numa desordem adorável por sua pele pálida. No pescoço, ele usava uma espécie rosário negro, que em nada parecia incomodá-lo; na verdade, ele mal o notava.
Mas a mãe o notava. E muito. Quando o menino se aproximou, a mãe tocou o rosário com suas mãos delicadas e seus olhos brilharam por uma forte liberação de poder mágico, que era transferida para as mãos, e, consequentemente, para o acessório. Durante alguns segundos, o rosário brilhou em luz branca, e a mulher se permitiu um pequeno sorriso esperançoso. Envolvendo suas mãos na corrente, ela tentou retirá-la do garoto, mas nada aconteceu.
Seus olhos brilharam, e logo depois se encheram de lágrimas desesperançadas.
_O que está acontecendo, mamãe? Porque nós estamos morando nessa casa tão longe de casa? Eu quero voltar, mamãe!_ ele choramingou.
_Eu quero ver Lis, Kio e Avel de novo!__Desculpe-me, Lennox, mas nós ainda não podemos voltar. Temos ficar aqui até que seja seguro._
O menino empoleirou-se na janela e observou as estrelas por alguns segundos, triste.
_Mamãe... Essa coisa que está no meu pescoço... É um daqueles artilados lá que eu vi no lacrima de TV?_
A mãe sorriu, triste.
_Um artefato, você quer dizer?_ ele balançou a cabeça, enfático, e ela continuou, sem olhar para ele. _Sim. Ele é. Eu não consigo tirá-lo daí, meu bem, então eu preciso esconder você... Por enquanto eles não sabem do oitavo artefato, mas assim que descobrirem..._
_Eles vão me matar?_
_Oh, não. Mas vão fazer doer para tirar esse rosário de você._ mentiu ela, com doçura. _Eu estou aqui para tirar esse rosário sem dor, Lennox. E assim que eu conseguir, nós vamos voltar para casa e para a nossa vida, tudo bem? Eu só preciso de tempo._
Ele fez um biquinho adorável.
_Tudo bem... Mas... Mamãe... Eu fiz você ficar triste, mamãe? Você está chorando, mamãe! Não chora, por favor, o que eu fiz?_
A mulher pegou o filho e o abraçou com força, as lágrimas cristalinas rolando por seu rosto sofrido. Ela tinha que esconder-se. Quando descobrissem o oitavo artefato, viriam atrás do rosário, e, se necessário, matariam seu filho para consegui-lo. Ela não ia permitir. Não podia. Lennox ia viver, mesmo se, para isso, ela tivesse de dar a própria vida. Ela não valia nada mesmo, depois de ter colocado o rosário no próprio filho apenas por cobiça.
O tempo estava acabando...
Não importava. Ela o faria parar e salvaria Lennox. Naquele momento, isso era tudo o que importava para a mulher, enquanto chorava suas lágrimas de remorso.
Notas finais
ALGUÉM LEU?
Se tiverem lido, espero que tem gostado. Esse foi o capítulo mais sofrido de escrever até agora, mas de certa forma, eu me sinto satisfeita por ele.
Espero que tenham gostado, e também espero que não tenham me abandonado, leitoras, assim como eu não abandonei vocês.
Até o próximo!
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