Amnesia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Em segundo lugar, eu quero agradecer a Midichan por ter betado a história. Agradeço a ajuda, as dicas e o trabalho em si. Muito obrigada.
Por fim, espero que gostem da história e, se puderem - e quiserem - deixem um comentário =D
Era no mínimo estranho imaginar como um cara alto como Murasakibara Atsushi conseguiu romper um ligamento cruzado no joelho, visto que quase nunca chamavam-no para situações que requeriam saltos seguidos de um movimento brusco como se virar rapidamente. Mas aconteceu, e ele precisou ser submetido à uma cirurgia.
Como a recuperação de uma lesão de um ligamento cruzado do joelho leva um tempo, optaram por realizar a operação de forma mais imediata o possível. A cirurgia ocorreu um dia após a lesão e, coincidentemente, no mesmo dia dos últimos jogos da fase preliminar da Winter Cup.
A Rakuzan jogaria neste dia.
Mas por sorte, era um adversário fraco e o jogo já estava praticamente ganho. Akashi Seijuro não precisou se esforçar tanto e nem dar muito de si, o que foi bom, pois sua cabeça estava longe das quadras.
E assim que terminou a partida, ele correu para fora do estádio. Passou no vestiário apenas para vestir uma jaqueta e pegar sua bolsa.
— O único problema que tivemos na cirurgia foi para fazer a anestesia funcionar. – O médico analisava uma prancheta, enquanto respondia a pergunta de Akashi sem muitas emoções.
“Sério? Mas ele é tão, tão preguiçoso!” pensou.
— De resto, tudo ocorreu bem. Se ele seguir corretamente o procedimento, voltará a jogar no ano que vem. Você é amigo dele?
“Não! Sou mais do que isso...”
— Amigo? – ele perguntou dando uma risadinha. – Sim, eu sou amigo do Atsushi-kun.
— Ele vai acordar logo. E vai ser bom ter um amigo com ele. Devido à anestesia aplicada ter sido forte, para enfim fazer efeito, ele poderá sofrer alguns efeitos colaterais: confusão mental, esquecimento de palavras simples, tontura, ânsia e até mesmo amnésia temporária. Ele ficará bem.
— Obrigado! – Akashi o reverenciou.
Seguiu para o quarto de Murasakibara logo em seguida. Agradeceu pelos companheiros de Atsushi na Yosen não estarem por ali. Eram só eles dois.
Murasakibara dormia. Possuía uma agulha enfiada na sua mão esquerda, que estava enfaixada. A agulha seguia até o saco de soro. O único som dali era o do monitor cardíaco.
Akashi sentou-se numa cadeira que estava ao lado da cama onde repousava o “amigo”. De sua bolsa, ele retirou um saco de papel, repleto de doces e besteiras que comprara para como um mimo para Atsushi. Pegou um pacotinho de maiubo e o abriu.
Sentiu e ouviu uma agitação vindo da cama e tirou a atenção da comida por um instante. O garoto se mexia e parecia estar acordando.
Akashi se levantou e se aproximou da cama, deixando o saco de doces nela. O rapaz que estava deitado coçava um dos olhos com a mão livre do soro, enquanto emitia pequenos sons agudos, típicos de quando acordamos. Ele levou o maiubo para perto do rosto dele. Como se estivesse hipnotizado, os olhos de Murasakibara seguiam o salgado. Era possível perceber as pupilas dilatadas dele.
— Pegue! – Akashi falou. E assim o rapaz fez. – Coma-o!
O garoto tentou se sentar para comer melhor, mas não conseguiu se erguer muito. Começou a gemer e reclamar de dor.
— Fique deitado! – Ele empurrou o garoto de volta para a cama. – Coma!
— Eu estou com dor! – O grandalhão queixou-se, dando uma baita mordida no maiubo.
— É normal. – falou – Sofreu uma lesão terrível. Se lembra de seu nome?
— Hum... – Murasakibara ficou um pouco pensativo, enquanto encarava a comida em sua mão. – Maiubo! – respondeu.
Akashi não conseguiu segurar uma pequena risada e nem evitar pensar o quão fofo e adorável aquilo foi.
— Coma-o! – Ele forçou o maiubo na boca do rapaz, que não hesitou em dar mais uma mordida.
Murasakibara olhou para o lado pela primeira vez, encarando nos olhos o Akashi. E naquele momento, ele parou de mastigar. Seijuro não entendeu aquilo.
— Você é meu médico?
— Não! Eu só... Só vou ficar aqui com você.
O coração de Akashi disparava. O médico o alertou da amnésia, mas ainda assim ele se surpreendera com aquilo.
— Você é a pessoa mais bonita que eu já vi na minha vida.
Akashi sentiu seu rosto fervilhar no momento exato. Provavelmente teria arregalado os olhos e estaria completamente vermelho. Trêmulo, ele não sabia o que responder.
— Coma! – Ele ordenou, empurrando o braço do outro mais uma vez.
— Sério! Quem é você? – Murasakibara insistiu.
O garoto suspirou derrotado. Ainda bem que a sala estava vazia, pois ainda se acanhava em situações parecidas.
— Akashi Seijuro! – Respondeu. – Eu sou seu... namorado.
Agora foi a vez de Atsushi arregalar os olhos. Sua boca se abriu completamente. Sua surpresa era completamente visível ali.
— Meu namorado? – Ele deu mais uma mordia no maiubo e se ajeitou na cama. – Uau! Há quanto tempo?
— Só... Só coma, Atsushi! – O garoto gaguejou, completamente vermelho.
— Minha perna está boa? – Akashi arqueou a sobrancelha com a mudança repentina no assunto.
— Ah... Sim!
— É natural que alguém receba uma boa notícia após acordar de uma cirurgia. Mas no meu caso, eu recebi duas.
“Droga, Atsushi! Pare de ser são amável”. O ruivo se encolheu, acanhado mais uma vez.
— Sinto como se tivesse ganho na loteria. Isso é sério? – perguntou, mas seu ouvinte estava envergonhado demais para conseguir emitir uma resposta.
Murasakibara se ajeitou na cama, terminando de comer seu maiubo e já procurando outro doce no saco que Akashi havia colocado ao seu lado.
O capitão da Rakuzan fixou seu olhar na janela que havia um pouco acima da cama e deixou seus pensamentos o levarem para uma outra dimensão. O que ele realmente queria agora era poder laçar suas mãos nas de Atsushi, ou percorrer seus dedos pelos traços leves do rosto do rapaz. Colar seus lábios nos dele, dar um abraço... Mas a verdade era que Akashi nunca foi de demonstrar seus sentimentos. Adorava esses gestos, mas raramente era ele que tomava as iniciativas. Era sempre ele. Ele que o abraçava, ele que o beijava, ele que segurava sua mão. Quem via o relacionamento deles – pouquíssimas pessoas sabiam disso – por fora, nunca imaginaria que Akashi era o “frio” e Murasakibara o “sentimental”. O relacionamento deles era baseado nos gestos e não nas palavras. E por este motivo, Seijuro ficou acanhado, trêmulo e sem saber o que fazer.
Dois dedos gélidos em seu queixo o fizeram voltar a si e deixar escapar seus pensamentos. Seu rosto foi levemente forçado a se virar e seu olhar bateu com o do rapaz que estava sentado na cama.
Era possível ver que naquela posição algo no corpo dele doía, pois ele se contorcia, mesmo que de modo sutil, o seu rosto.
— Eu quero ver o seu rosto – ele falou suave, e Akashi não conseguiu fazer nada. O rapaz deu um pequeno sorriso. – É uma pena que nenhum de nós seja garota. A combinação dos nossos genes certamente daria uma linda criança.
Seus olhos se arregalaram o máximo possível. Ele engoliu seco e se viu mais trêmulo do que já estava. Certamente o seu rosto já estaria num tom igual ou mais escuro que seu cabelo.
Os dedos do rapaz deixaram o seu queixo e começaram a se aventurar por outros pontos de sua face. A ponta do indicador contornou seus lábios, em seguida correram para a maçã do rosto, fazendo um caminho suave até o pescoço. De lá, Murasakibara o puxou para si lentamente.
Seu coração bateu como nunca havia batido em sua vida. Ele perdeu o senso de realidade quando sentiu a respiração de Atsushi em seu rosto. Tinha um leve cheiro de cereja, talvez uma das balas que havia comprado, e era refrescante ao mesmo tempo.
Então a distância entre eles foi excluída e ele descobriu que Murasakibara também tinha gosto de cereja. E nunca se deu tanto por satisfeito como naquele momento. O rapaz havia feito exatamente o que ele queria fazer.
Sobrepôs sua mão na mão dele, que segurava seu pescoço, e a apertou levemente. Não fazia questão de separá-lo, mesmo sabendo que qualquer um poderia entrar no quarto a qualquer momento.
Akashi Seijuro nunca esteve tão feliz em sua vida. Nunca. Conhecia histórias de amor e secretamente desejava ter um. Mas nunca conseguiu emitir as famigeradas três palavras e nunca ousou perguntar ao namorado se ele sentia aquilo.
Eis então que surge um Murasakibara Atsushi com amnésia. Um Murasakibara Atsushi que sequer lembrava de seu nome. Um Murasakibara Atsushi com amnésia e que sequer lembrava de seu nome, mas que se apaixonou por ele mais uma vez.
O que então seria aquilo, se não for amor?
Fale com o autor