Notas iniciais
Boa leitura

Dizem que uma historia de amor verdadeiro só acaba em finais felizes, ou quando um dos amantes morre.

Mentira.

Roberta e Everton. Duas crianças quando se conheceram, com apenas 5 anos. Amigos desde esta época. Sempre juntos, se defendiam de quem se opusesse ao outro. A conexão entre os dois era inigualavel. Seus pais brincavam que um dia ainda veriam a união dos pequenos ser consumada em um lindo casamento.

No primeiro ano do ensino fundamental Roberta e Everton foram separados por seus amigos, afinal, meninos e meninas não andam juntos. Eles conheceram o pouco do mundo real que se conhece nessa idade, e descobriram a saudade. Combinaram de se encontrar após as aulas, na casa de um num dia, e na casa do outro no outro. Mas sem que nenhum amiguinho soubesse.

Quando chegaram ao final do setimo ano descobriram algo bom. Em uma das aulas de educação fisica da turma de ambos, ela se machucou e foi para a arquibancada ficar sentada para que seu pé parasse de doer. Ele, preocupado, correu para cantina da escola e pediu um saquinho de gelo para colocar no tornozelo machucado da amiga. Quando voltou, sentou-se com ela e conversaram. Foi então que ele a beijou. Ela ficou sem reação mas logo entraram num ritmo, singelo e meio torto, mas foi um ritmo que os agradou. Foi o primeiro beijo de ambos.

No ano seguinte o coração de Roberta foi rasgado. Everton foi embora da cidade. Mas antes que se fosse, ele fez uma grande despedida e prometeu que um dia voltaria. Eles mantiveram contato por mais alguns anos.

Ele foi para a cidade da sua madrasta, junto com o pai e a madrasta. Lá ele conheceu varias outras garotas. Mas sempre comparava os beijos delas com o beijo de Roberta. Conversava com a garota toda semana, quando podia. A vida dos dois estava corrida, ela, com 16 estava se formando num curso de aprendizagem e iniciando terceiro ano do Ensino Médio. Ele estava ocupado trabalhando com o pai em uma mecanica, e iniciando o terceiro ano do Ensino Medio também. Foi quando ela conheceu Wagner que eles perderam o contato. Ela estava namorando, e ele se sentia pesaroso, pensando tê-la perdido. No fim do Ensino Medio, Everton conheceu Alessandra. Ela parecia ter sido feita para ele. Ensinou-o tanto sobre a vida e sobre o amor, que Everton foi capaz de superar o que sentia por Roberta.

Roberta chorou durante um mês depois da partida de Everton. Ela pensou que havia perdido o amigo, e seu amor. Mas quando era possivel ele ligava para ela, sempre na mesma hora, 23:45h. Então todas as semanas ela anotava num bloquinho de papel tudo que tinha para falar para o amigo. A ligação normalmente demorava 1 hora. Mas tanto ele quanto ela desligavam o telefone querendo continuar a conversar por mais tempo. Tinha algumas semanas que ele não conseguia ligar, e ela não tinha o seu numero, então mais e mais coisas se acumulavam em seu bloquinho. Quando ela beijou pela primeira vez outro garoto ela anotou em seu bloquinho, mas logo riscou, pensando no que seu amigo iria pensar. Foi então que entrou na escola nova, onde tinha apenas adolescentes e ela descobriu um novo mundo. Começou um curso, e chegava tarde em casa, logo não podia falar com o amigo durante várias semanas e seu bloquinho foi entrando em desuso. No final do curso conheceu Wagner, um estagiario na sua escola, ele tinha 20 anos quando se conheceram. Na semana em que ela aceitou o pedido de namoro de Wagner, Everton ligou. Ela despachou todos os acontecimentos do ultimo mes, e ele também. Ele parecia empolgado, e ancioso. No fim dessa ligação, que durou quase 3 horas, ela resolveu que precisava contar que estava namorando. Ele se calou. Depois de ela chamar muito, a voz do garoto reapareceu meio morta, e então veio o fim da conversa com um "boa noite, e até a proxima". Ele ligou mais umas 5 vezes, e depois nada mais.

Ela, agora com 20 anos estava noiva, e prestes a se formar em jornalismo. Já não mantinha contato com o seu amigo de infancia. Ele, com 21, nunca deixou de pensar na amiga, mas também estava em um relacionamento. A familia dele ainda morava na cidade aonde nasceram e se conheceram, ela também. E foi quando o avô dele morreu que ele voltou correndo para sua cidade natal, com sua nova namorada no encalço. Não achou que encontraria a velha amiga. Ela, sempre tão sonhadora, dizia que sairia da cidade pequena quando terminasse o Ensino Medio. Mas, no velorio do avô de Everton a garota estava lá, do outro lado do caixão. Parecia um anjo aos seus olhos lacrimejantes, mas um homem grande e intimidador estava abraçando-a de modo que apenas amantes se abraçam. Everton sentia a mão de Pamella em seu ombro, como um apoio, mas não sentia nada. No fim do enterro pediu para que o pai levasse a namorada para casa, e disse que ficaria mais um tempo no cemiterio. Uma pequena mentira para poder ir atrás de Roberta sem que ninguém soubesse. Conseguiu alcaçar a garota antes que ela entresse no carro. "Por favor" ele pediu. Ela não o reconheceu de primeira. Na verdade, ela não queria reconhecê-lo. "Preciso de um ombro amigo", ele insistiu para que ela viesse junto. Roberta disse para seu acompanhante que voltaria sozinha para casa, e então acompanhou Everton. Conversaram sobre como estava suas vidas, e ele descobriu que o cara grande e intimidador era Wagner, o ex-estagiario. Ele pediu uma Vodka e ela o acompanhou. Ambos estavam tontos quando sairam do bar e tomaram um taxi, e ele a perguntou se poderiam ir para um lugar diferente, sem questionar ela concordou. Ele sussurrou para o motorista algum lugar e pagou a viagem sem saber o preço que daria. Quando o carro parou na frente de um grande motel fora da cidade, ela desceu primeiro. Não tinha nada a perder.

Ele pagou o quarto para que pudessem passar a noite lá, e pegaram as chaves. Antes de entrar Roberta hesitou, "estou noiva" ela declarou "e isso é errado". Everton e prensou contra a parede e beijou-a até que ela mesma pediu pelo quarto. Ali, descobriram o quão eram certos um para o outro. Tudo se encaixava, e mesmo bebados nada estava errado. Ambos sentiam as mesmas sensaçoes do primeiro beijo, ela apreciava o como seu amigo de infancia havia se tornado um homem lindo a seus olhos, e ele apreciava as curvas de moça dela. Depois de todas as caricias e prazeres, eles dormiram. Dormiram como um casal, e acordaram ainda abraçados. Ela acordou primeiro, e pediu um café-da-manhã para melhorar a ressaca. Quando ele abriu os olhos, ela deu-lhe um beijo na testa e anunciou "Estou indo morar em outra cidade, espero que você fique bem com Pamella, ou qualquer outra mulher que tenha você em mãos". Ele se levantou num pulo e a agarrou "Por favor, não me deixe. Eu não seria nada sem você" Everton beijou-a até convencê-la a reviver a noite anterior. "Isso não vai me fazer ficar" ela falou quando já haviam terminado "Mas espero que saiba que por mais que eu esteja com Wagner, nunca deixei de pensar em você. Sempre será meu grande amor. Meu único amor. Tudo que senti com ele, não chega nem perto do que senti com você nessas últimas horas". Everton suspirou e sentou-se ao lado da amada, "Eu jamais lhe esqueci também, nunca deveria ter deixado de te dizer meus sentimentos quando você me contou sobre ele. Sempre te amei. E sempre amarei. Mas espero que seja feliz com o homem que escolheu. E caso um dia me queira, estarei aqui para você, sempre. Minha amada. Minha amiga de infancia"

Roberta viajou na noite seguinte, e Wagner a acompanhou. Lá mesmo se casaram. Everton continuou a procurar pela mulher que poderia cobrir um pouco do que Roberta levou com ela.

Bem, nem todas as historias de amor verdadeiro terminam em um final feliz. Ou em um final fatal. Algumas simplesmente ficam em aberto.

Notas finais
O que acharam? Espero que entendam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!