Amigo Secreto
1 Amigo Secreto
Notas iniciais
Aviso ainda que sou portuguesa, não brasileira, por isso não se espante se houver algumas diferenças gramaticais :)
Um Feliz Natal, com tudo de bom! :D E muito obrigada ao destino por me ter dado a possibilidade de escrever esta oneshot para você ^^ Beijos *
(POV Sasuke)
Não sei bem explicar como toda a nossa história começou. Não foi uma paixão suave, entrando ao de leve nas nossas vidas, mas sim uma onda que nos arrebatou por dentro, como uma corrente de ar fresca numa noite escaldante de Verão. Um refúgio, longe das preocupações da vida e do mundo.
Foi assim, de um momento para o outro, desde o primeiro olhar que eu, Sasuke Uchiha, o único sobrevivente do meu clã, o renegado, eterno vingador da minha família, do meu povo, me vi completa e inesperadamente arrebatado pelo deliciosamente insuportável Naruto Uzumaki.
O destino quis que fizéssemos parte do mesmo time, há já anos atrás. Eu, o Naruto e a Sakura Haruno. Um bando de idiotas apegados a conceitos imbecis e aspirações infantis de paixão. Jurei odiá-los, a ambos, mas falhei redondamente na minha missão. A cada queda deve Naruto, eu quis ser os braços para o suster ao chão. A cada momento de tristeza eu quis ser conforto para as suas horas mais sós.
Via-o de mãos dadas com a Sakura quando ambos julgavam não estar ninguém a ver, todo sorrisos com a pateta da Hinata Hyuuga, uma tontinha que se julgava apaixonada por ele. E eu a observar de longe, destroçado, revoltado com o meu coração, que fora justamente fraquejar por alguém como o Naruto. Mas estava na cara. Pensava nele mais vezes do que na minha vingança, ouvia a sua voz na minha cabeça, nos meus sonhos, e todas as manhãs acordava estarrecido, sem conseguir compreender que era amor, e não loucura.
Passaram-se então quase dois anos, dois anos sem ser capaz de falar, dois anos de amargura, em que perdi toda a capacidade de concentração. Nos exames, vigiava o Naruto, lhe passava as respostas corretas. Nas lições, o ajudava a ser bem sucedido, sem me importar com a minha classificação, dizendo a mim próprio que eu era um babaca, jurando apenas me concentrar em mim e na minha vingança, nunca deixando que o Naruto percebesse que era eu, não a sorte, quem o ajudava. E ele nunca percebeu.
Uma noite, o Naruto se voluntariou para uma missão na Vila do Som. Eu tinha sido destacado para uma vigilância de alta segurança com o meu sensei, Kakashi Hatake. Eu tinha acabado de perder meu irmão, e tudo o que menos queria era participar da festa que a galera organizara para mim e os restantes shinobis que iriam ser enviados em missões.
Mas fui. Apenas porque naquela manhã, o Naruto me veio visitar. Recordo perfeitamente, ele a entrar por aquela porta de madeira, me pedindo para ir.
— Sasuke – Me chamou. Não nos víamos há quase uma semana. Eu estava demasiado revoltado, fulo com o mundo. Meu irmão… Que me contara toda a verdade sobre aquela noite horrenda em que matou o nosso clã… E morrido para me salvar – Por favor, vem na festa.
— Não tenho disposição para festas – Assegurei, mas ele pareceu impassível. Trazia uma caixa de ramen, daqueles demasiado apetitosos, e se sentou na minha cama – Por mim.
— Naruto, por favor, vá embora.
— Não.
Aquela resposta me surpreendeu pela firmeza, quase rude.
— Vá embora, ou te jogo fora – Rosnei.
— Sasuke… Eu sei o que você está sentindo. Pode até pensar que não, mas eu sei – O fitei de forma branda, minha raiva quase se dissipando – A raiva, a dor no coração, a tristeza, as noites sem dormir… Você e eu… A gente é igual.
— A gente não tem nada a ver.
— Até pode pensar que sim, mas a gente combina – Fez uma pausa, desviando o olhar do meu para as mãos, pousadas no seu colo – A gente se compreende, de uma forma como mais ninguém é capaz. A gente se entende, mesmo que não queira admitir. Por isso… — Me estendeu a caixa. Ainda estava quente – Vai na festa hoje à noite. Aí a gente diz adeus.
Anuí afirmativamente com a cabeça. Mal ele saiu procurei meu sensei. Lhe expliquei que precisava de partir naquela mesma tarde. Não fui rude, arrogante ou hostil, apesar de por dentro me sentir assim, e ele concordou.
Não fui na festa. Nem voltei a ver o Naruto até um mês depois.
Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
(POV Naruto)
Cheguei a Konoha numa manhã de nevoeiro. O Verão terminara e espreitava o Outono. O Sasuke tinha já retornado à vila, e eu próprio tinha terminado minha missão na Vila do Som. Não fiquei muito tempo magoado com o que acontecera. A decisão fora dele, apesar de me ter ferido. No fundo, não acreditava que o Sasuke fosse incapaz de gostar de alguém, aesar de ele querer que o mundo acreditasse que era assim.
O tornei a ver naquela noite. Não tinha ninguém à minha espera em casa, como sempre, e vagueei por aquela rua tão conhecida, onde morava, me decidindo a entrar num pequeno bar, uma casa de chá modificada, onde muitos shinobis se reuniam ao final dia. Reconheci os senseis de alguns dos outros times: Kurenai e Asuma. Formavam um casal. Me cumprimentaram, e fui breve nas saudações.
Pedi o meu prato habitual de ramen, e reparava para ocupar o meu lugar usual ao balcão quando o vi. Sentado de costas para uma parede, numa mesa ao fundo, mal iluminada, uma caneca de barro na mão, expressão impassível, cerrada.
Sasuke.
Me precipitei na sua direção.
Com dois canos para mim apontados
Ousaria te ver, ousaria te ver
Num insuspeitável bar, pra decência não nos ver
(POV Sasuke)
Assim que o ouvi, barulhento como sempre, minha respiração falhou por um momento, meu coração se esqueceu até de bater.
O Naruto avançou na minha direção. Me abraçou, e me vi incapaz de me mover. Sei perfeitamente que, se tivesse sido qualquer outra pessoa, especialmente a Sakura, que parecia me querer abraçar a cada instante, me teria imediatamente retraído. Mas, por algum motivo, com o Naruto, não me quis retrair.
— Você voltou – Cumprimentei, com um ligeiro sorriso que não fui capaz de conter.
— Você também.
Sorrimos. Não sei como, nem quem tomou primeiramente a iniciativa, mas nossas mãos se tocaram por um momento, meus dedos se enlaçando nos dele, antes dele me abraçar novamente, como uma garota carente, me apertando demasiado contra ele.
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
(POV Naruto)
Terminei meu ramen e Sasuke a sua bebida, e ambos saímos para a rua. Trocámos algumas palavras, sobretudo conversa de circunstância, sobre as missões, a vila, mas nada sobre nós nós. Pelo menos, nada sobre aquilo que eu secretamente sabia que ambos queríamos discutir.
(…)
— Naruto – Chamou ele, em voz baixa, posição defensiva – Me vou embora.
Suas palavras me deram a entender que ele não estaria indo para uma volta, ou uma missão. Entendi de imediato o que ele quis dizer. Estaria indo embora para sempre. Não regressaria à vila da folha, a casa, e me deixaria para trás, como quem abandona uma roupa que já não utiliza.
— Porquê?
— Porque não quero mais ficar aqui.
Meu rosto se contorceu face aquela explicação. Senti uma intensa dor emocional me afogando em memórias e sorrisos que eu achava terem sido reais. Mas talvez essas memórias tenham sido apenas imaginação minha. O Sasuke queria partir e eu queria que ele desejasse ficar.
— Nem se eu lhe pedir?
(….)
— Você é livre de partir. Mesmo que eu queira que você fique. Mas apenas te peço uma coisa, uma coisa apenas, e te deixarei em paz.
Uma discreta levantada de sobrancelha. Minhas palavras o deixaram curioso.
— Uma coisa? — Repetiu ele, e eu anuí com a cabeça.
— Quero a sua confissão.
— Minha confissão? Sobre quê? Você sabe que eu não fiz nada. E, se o tivesse feito, jamais o admitiria, muito menos para você.
— Quero a sua confissão sobre mim. Sobre o que você sente, verdadeiramente, por mim.
O sorrisinho sacana de Sasuke me deu a entender de que aquela talvez tenha sido uma péssima ideia. Mas, bem, eu era Naruto Uzumaki, péssimas ideias poderia até ser meu apelido.
— E porque eu lhe contaria isso? — Quis Sasuke saber. Decidi ser frontal. Inspirei, bem profundamente, deixando sair todas as palavras que acumulara naqueles últimos dois anos.
— Porque eu sei que há mais em você que você não me quer contar.. E pode até parecer que ninguém quer ouvir, ou que você não pode falar, mas eu estou aqui, disposto a escutar tudo aquilo que você tiver para dizer. Você esconde nossa relação com uma máscara de hostilidade e desprezo quando no fundo, bem no fundo, eu sei que você não é essa pedra de gelo que todo o mundo acha. Por isso sim, eu preciso da verdade. Preciso de de saber se tudo isto não passa de uma fantasia romântica adolescente idiota minha, ou se no fundo, bem no fundo, existe em você algo mais do que raiva.
Me sentia ofegante, quase sem ar. Não era capaz de acreditar que alguém como eu tivesse podido dizer aquelas palavras, sem erros, sem enganos, convicto. Tinha entregado todo o meu coração, e agora restava-.me esperar dolorosamente por uma resposta.
No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
— Naruto… — Ele falou por fim, acabando por se remeter novamente ao silêncio.
— E se você quiser mesmo ir, eu não te impeço. Me mata, confesso isso, saber que vou perder alguém como você, alguém que vai partir para outra vila, ganhar outra família, outro time, outros costumes… Outra paixão. Mas, por favor, se em você existe ainda alguma caridade, alguma compaixão, mesmo que mínima, por mim, me conta… O que você sente? Basta responder a esta pergunta, e eu te deixarei ir, mesmo estando aqui a entregar todo o meu coração, sabendo que ele irá ser espezinhado, mas esperando para que não o seja – Fiz uma pausa, contendo algumas lágrimas teimosas – Por favor.
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar
O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
O Sasuke deu algumas voltas em torno do nada, com uma expressão que nunca antes lhe tinha visto. Mal o reconheci, tão diferentes as suas feições se tornaram. Respirou fundo e me fitou, o negro dos seus olhos inalterado, impassível.
— Antes de conhecer você – Principiou ele, meio rouco, de braços cruzados – Eu queria esquecer o passado, me vingar no presente e acreditar num futuro. Tinha planos, ideias, e nenhum deles envolvia você. Você era um babaca, um renegado, tal como eu… Até que ficámos juntos no mesmo time, e eu… Desde a primeira vez em que verdadeiramente conversámos, eu fiquei louca e irremediavelmente perdido. Sim, é verdade, eu me escondo por detrás de uma máscara de hostilidade e desprezo porque me odeio pela verdade – Descruzou os braço, deixando-os cair ao lado do corpo, dando um passo na minha direção, encurtando a distância que nos separava.
— A verdade?
— Que não consigo respirar sem saber se você está bem. Não consigo pensar, e isso me mina, me deixa louco, me faz sentir como se não fosse capaz, como se tivesse perdido parte de mim mesmo… Mas se você me deixar, sinceramente, partir, ser viver, ser infelizmente feliz numa nova vila, então eu serei completamente honesto – Novo passo em frente – Em relação ao que eu quero.
Ergueu uma mão, e por segundos, receei que me pudesse bater. Mas longe disso. O Sasuke Uchiha, um companheiro de equipe mais de dois anos, que estudou toda a minha vida na mesma escola, na mesma turma desde sempre, fez algo que eu nunca julgaria ser possível. Se aproximando, me beijou, daquela forma rápida, fugaz e intensa como duas pessoas demasiado apaixonadas se beijam, me puxando para ele, me roubando todo o ar. E assim eu soube que não havia sido o único a se ter apaixonado.
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