Amigas depois da Morte
2 Capítulo 2 - Sala 118 na ala 2 do prédio 54
Notas iniciais
-Meredith! Acorde! Vamos acorde! – ouvi uma voz me chamar me tirando do sono profundo.
- Mãe? Deixa eu dormir! Cinco minutos não matam...
- Srta. Williams, creio que não sou sua mãe então trate de se levantar que tenho outros para atender.
Me levantei depois de muito custo e só depois abri meus olhos. Estava em um quarto branco, sem portas ou janelas, sem móveis a não ser uma cama também branca na qual estava sentada, ainda sem entender nada. Meu Deus, como gostam de me deixar com dúvidas.
-Onde estou?
-Você está na sala 118 na ala 2 do prédio 54... No céu, você está no céu. – Olhando formulários e mexendo nos óculos, o homem me respondeu.
-Então eu não estava mesmo sonhando não é? Eu estou realmente morta.
-Estágio dois completo. Ah, sim querida você está, mas não pense que terá descanso quando ainda há muito para ser feito. Agora levante-se querida – disse sentando em uma cadeira e puxando uma mesinha cheia de utensílios – Vamos, levante-se.
Ao me levantar, senti um vento em meus pés e quando olhei não os achei, estavam cobertos por um tipo de fumaça que depois de um tempo deduzi que eram nuvens.
O homem, apesar de estranho, era simpático e se chamava Arnold, amei esse nome, ele me examinou por inteira e me mostrou a causa de minha morte, um corte que atravessava meu pescoço, me lembrei da faca que o homem segurava. Ele levou um tempo para costurar meu pescoço, mas em compensação a cicatrização foi bem rápida.
-Você sabe quem fez isso?- perguntei depois de fazer os exames.
-Não, eu só cuido dos recém chegados. Mas, presumo que esteja confusa, então não vou mais deixá-la curiosa. Vou ser o mais direto possível. Você foi assassinada ontem no topo do seu prédio, você não sentiu nada pois a morte é indolor então não tinha como você saber que tinha um buraco em sua garganta. Seu corpo e a faca foram encontrados ontem e já foi aberto um caso e o processo de investigação está em andamento, Sabemos que a pessoa que a matou tem desentendimentos com sua família e guardava rancor. Você passará a ver pessoas mortas agora já que virou uma, mas não se preocupe também temos um psicólogo que tirará todas as suas dúvidas e a ajudará se precisar. — falou olhando preocupado para mim, reagi melhor agora que entendi parte do que precisava saber.
-O que eu vou fazer agora?
-Como você está respondendo bem e parece avançar nos estágios eu presumo...
-Que droga de estágios são esses? – O interrompi o que me fez ganhar um olhar bravo.
-São passos pelos quais os recém chegados passam depois de saber que estão mortos. São cinco e você está no segundo o que é um sinal bom de aceitação.
-Todos passam por isso?
-Alguns não progridem e temos de levá-los a um setor especial que os ajudará.
Me ajeitei na cama de novo e fiquei em silêncio tentando assimilar as coisas até que Arnold retomou as explicações.
-Bom, baseado nos resultados dos seus exames, dos estágios e de nossas necessidades, temos um cargo para você. Você é agora um anjo da guarda – falou estalando os dedos e fazendo surgir em mim duas lindas, grandes e brancas asas.
Eu maravilhada com tamanha beleza consegui mexe-las, o que me deixou animada e empolgada. Comecei a batê-las e a fazer vento, levantei centímetros do chão e já ia aumentar a velocidade, mas ai um alarme louco com um som engraçado disparou e alguma coisa me puxou para baixo me fazendo cair no chão. Reclamando baixo e acariciando minha perna pude ver Arnold no canto pressionando um botão e rindo consigo mesmo.
-Todos fazem a mesma coisa que fica até divertido depois de um tempo. – disse ele vindo em minha direção. – Vamos às regras, Você só poderá usar seus poderes para seu protegido, não poderá intervir na vida de seus conhecidos, só poderá voar quando for extremamente necessário... – olhou para mim e percebeu que eu ainda estava no chão – A senhora está prestando atenção?
-Ai! O que?
-Só leia isso. – Pôs um livro gigante ao meu lado. – Bom, acho que a senhorita esta preparada para ir. Aqui está o endereço, Liam irá te ajudar, boa sorte, contate-nos qualquer coisa – Disse me puxando do chão e me guiando até a porta.
-Mas... – disse com dificuldade em meio a tantas palavras, mas não valeu o esforço já que Arnold fechou a porta na minha cara.
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