American Idiot
10 Letterbomb
Notas iniciais
Tudo bom com vocêis?
Então, recebi a feliz notícia de que passei em tudo.
*comemora*
Não é surpresa, considerando que eu sou meio paranóica com as minhas notas e tals... Enfim, como eu já relaxei um pouco com essa notícia, resolvi postar logo.
Letterbomb: http://www.youtube.com/watch?v=sX3ve_1vRA8
Ah, o POV voltou a ser o do Frank.
Enjoy!
Os dias se passaram e eu e Whatsername continuamos brigando pelos motivos mais bobos do mundo. Seja por uma simples olhadela em outra pessoa atraente, seja por uma fala não pensada. Qualquer coisinha virava uma discussão.
A parte boa de toda essa briga é que eu acabei me aproximando mais de Gerard. Ele mostrou ser um amigo extremamente carinhoso e divertido. Ele se preocupava comigo mais do que qualquer um já se preocupou, além de ser particularmente bonito, é claro.
Porém, nem tudo é um mar de rosas. Eu, Ray e Bob continuamos sem nem olhar para a cara um do outro. Pra falar a verdade, nem sei se eles continuam na Danger Zone. Provavelmente sim, estão esperando eu cair na real.
Pena que eu não vou cair na real, porque eu não vou mudar mais.
Argh! Falando no St. Jimmy, estou em um dilema com ele (ou comigo?) também. Já não sei mais quem eu sou. Não sei se sou Frank ou se sou Jimmy.
São muitos problemas para uma pessoa só, e é por esse exato motivo que me afastei um pouco de todos e... Bom... Comecei a me drogar de novo. Vinte minutos depois, lá estava eu, ligeiramente dopado.
Mentira. Eu estava super dopado.
Virei-me para começar a juntar minhas coisas e ir embora, até que dei de cara com uma figura extremamente... Estranha.
Era um garoto igual a mim. Se vestia igual a mim, mas tinha um ar ligeiramente mais rebelde e, de certa forma, “maneiro”.
–Você é o St. Jimmy! Para sempre! – disse ele, com uma voz irritante, parecida com a minha, mas era mais irritante.
–Não, espera, eu sou o Frank. O Jesus dos subúrbios. É, é isso que eu sou.
–TÁ BRINCANDO? Você é o St. Jimmy, o santo da negação, com um rosto angelical e um gostinho pelo suicida.
–Não, não, não! Está tudo errado! Meu nome é Frank Iero, eu venho de Jingletown e sou introvertido!
–Idiota. – rosnou o outro – Vai negar tudo o que você é agora pra voltar a ser o que era antes? O que vale ser aquele perdedor que você era?
–Eu... Eu... Argh! Eu não sei, falou?! Estou confuso!
–Então escolhe logo. – ele abriu um sorrisinho irônico. Dei um grito de agonia e raiva, até que senti alguém atrás de mim.
–Jimmy? Tá tudo bem?
Virei-me novamente e vi que era Cherry, com uma sobrancelha arqueada e um envelope nas mãos.
–Não... Quer dizer, sim! Eu... Ah, esquece. O que quer? – tentei manter minha voz controlada, mas não sei se isso foi possível.
–Eu vim te entregar isso... – ela me estendeu o envelope amarelado. Carta? Pra mim?
Reconheci imediatamente a caligrafia fina e levemente borrada de Whatsername. Na parte de trás do envelope, estava escrito:
De: Whatsername
Para: Jimmy
Na parte da frente, ela havia escrito outro recadinho para mim, além do conteúdo dentro do envelope:
Nobody likes you...
Everyone left you...
They’re all out without you…
Havin’ fun!
Franzi a testa e bufei, tirando o papel de dentro do envelope.
Querido Jimmy/Jesus of Suburbia.
Sim, descobri quem você é de verdade. Você é Frank Iero, morava em Jingletown com a mãe, junto com aqueles dois esquisitos Bob e Ray. Mas foram esses dois esquisitos que me contaram o que você realmente é.
Quando ler essa carta, provavelmente já vou estar bem, bem longe daqui, portanto, prometo tentar ser o mais breve possível.
Onde foram parar todos os bastardos? Hein? Ah é, você arrancou as tripas fora deles. Com essa sua atitude durona, todos começaram a se afastar de você. Ou melhor, todas as pessoas decentes. E só sobraram os babacas. Ou vai dizer que os seus amiguinhos Derek e Stangerson são super simpáticos?
Você fracassou, Frank. O boneco falhou no teste de batida, coletando cheques de desempregados. Se você for esperto o suficiente, vai entender o que eu quis dizer. Se bem que, pela sua inteligência, não duvido nada que não entenda o que eu quis dizer.
Onde foram parar todas as revoltas? Enquanto o lema da cidade é pulverizado. Pelo amor de deus, “Casa é onde o seu coração está”? Esse lema morreu desde o dia em que você pisou na Danger Zone, Frank. Você afirma que essa é a sua casa agora, mas não é. Eu e você sabemos que sua casa é em Jingletown. Seu coração pode estar aqui, mas sua casa é lá. O que estava apaixonado agora está em dívida em sua certidão de nascimento, então acenda a merda do fósforo para iluminar esse fusível que você chama de “rebeldia”.
Quer um conselho? Fique parado enquanto é “faça ou morra”, ou você pode acabar se decepcionando. Eu mesma fiz isso e olha pra mim: uma idiota presa em uma cidade movimentada. Tive que correr pela minha maldita vida.
Sabe toda essa história de St. Jimmy? Não acabou até estar debaixo da terra. Mas você ainda tem chance de sair dessa, Frank. Não acabou até ser tarde demais.Saia da cidade o mais rápido que puder, leve Bob e Ray junto e nunca mais apareça aí. Mesmo que você seja cego demais para ver, a cidade está queimando e isso não é minha culpa, não há mais nada para analisar.
Para onde os mártires vão quando o vírus mata a si mesmo? E para onde nós iremos quando for tarde demais?
Espero que entenda o sentido de minhas palavras.
Voltando ao assunto, abra os olhos, Frank: você não é o Jesus of Suburbia. O St. Jimmy é uma ilusão do ódio do seu pai e o amor da sua mãe.
Fizeram-me uma americana idiota.
Eu não posso ficar nesse lugar, estou deixando isso para trás.
Sinto muito.
Deixo você hoje à noite.
–Whatsername
Li e reli a carta milhões de vezes.
Droga, Whatsername podia parar de falar através de enigmas.
–Obrigada. – rosnei – Pode ir embora, Cherry.
Cherry pareceu ligeiramente magoada, mas obedeceu e se afastou. Continuei lendo mil vezes a mesma carta, com uma expressão de verdadeiro descaso.
Mas era mentira.
Eu não queria que Whatsername fosse.
Mesmo que nós estivéssemos brigando, eu não queria que ela se fosse.
Argh! Eu odeio isso! Eu quero manter coisas que não são minhas... Eu tenho que aprender que eu não posso fazer isso!
–Sou um idiota... – resmunguei.
–Discordo.
Virei-me e vi ele novamente.
St. Jimmy.
–O que você quer? – rosnei.
–Eu? Nada! – ele abriu um sorriso sarcástico – Só vim dizer que nem eu nem você precisamos dela. – ele fez um gesto em direção à carta – Pense bem: com a sua reputação, nós podemos conseguir quantas garotas quisermos!
–Do que você tá falando, cara?! Eu não quero mais namorar ninguém!
–Eu sei que não. Nem eu. Estou falando de... Lances de uma noite só.
Arregalei os olhos.
–FICOU LOUCO?! Eu não sou esse tipo de pessoa!
–É claro que é. – ele abriu mais uma vez aquele sorrisinho nojento – Eu sou esse tipo de pessoa, portanto, por tabela, você também é.
–V-v-você não sou eu...
–Verdade. Você que sou eu.
–Não! Nós não temos nada a ver um com o outro! Você é só um monstro que está me destruindo e me transformando em outra pessoa!
–Será, Frank? Ou será que eu estou simplesmente reforçando o que você é por dentro? – ele arqueou as sobrancelhas.
Não respondi.
Ele estava certo.
St. Jimmy era puramente eu.
Um eu muito mais sombrio que dormia no fundo do meu coração.
E que teve sua chance de acordar e tomar conta do meu próprio ser.
Comecei a chorar livremente e St. Jimmy apenas ficou plantado ali, sorrindo. Quando terminei, cerrei os punhos e rosnei:
–Eu... E-eu te odeio...
–Pode continuar odiando. – seu tom era irônico – Não vai me fazer desaparecer, sabe? Nada vai me fazer desaparecer.
Funguei. Ele tinha razão.
–V-vai embora...
Com essa frase, ele sumiu. Mas só de minha visão. Não de minha alma.
Suspirei profundamente. Eu não quero viver mais com esse... Esse monstro dentro de mim. Ele está afastando todos de mim... Whatsername... Bob... Ray...
... Acredito que seu próximo alvo será Gerard. A única coisa boa que sobrou da minha vida.
Gerard...
... Onde será que ele está? Será que ele está bem? Será que ele está muito ocupado para vir me visitar? Ou também resolveu se afastar de mim?
Provavelmente a última opção.
–Não acredito que fiz isso...
–Fez o que?
Por um minuto, achei que Jimmy havia voltado. Virei-me e me deparei com o próprio Gerard.
–Gee?!
–Por que o espanto?
Saí correndo e abracei-o. Ele retribuiu, com alguma incerteza.
–Er... O que houve?
–Achei que tinha se afastado de mim... – murmurei roucamente.
–Não. Por que eu faria isso, Jimmy?
–Não me chama assim. – retruquei, com raiva na voz. Ele arqueou as sobrancelhas.
–Como não? É o seu nome, seu idiota!
–N-não... Não é.
Ele franziu a testa.
–Como assim?
–Promete que não vai ficar chateado?
–Prometo.
–M-meu nome... É Frank Iero.
–Por que mentiu sobre seu nome? – murmurou ele, após um longo silêncio.
–Eu queria me encaixar aqui. Esquecer quem eu era de verdade... – suspirei – Vejo que isso não é possível... E vejo também que é horrível fingir ser alguém que você não é.
Gerard se aproximou de mim.
–Quer dizer que você mentiu sobre quem você é... Só para se encaixar?
–Sim. – admiti – E me arrependo imensamente disso.
–E quem é você de verdade... Frank?
–Eu? Eu sou um adolescente de Jingletown que odeia a América. Que se droga todo dia, que adora festinhas... Mas que nunca foi popular. Moro... Ou morava... Com a minha mãe. Meu pai se separou dela muitos anos antes. E... – suspirei mais uma vez – Acho que é isso.
Mais uma vez, mergulhamos em um silêncio profundo.
–Acho que devo contar-lhe algumas coisas também...
–Como assim?
–Você foi decente o suficiente para me contar mais sobre o seu passado. Sinto que devo retribuir. – ele se sentou no chão – É melhor se sentar, porque é uma história um pouquinho longa...
Sentei-me no chão e comecei a ouvir sua história.
Notas finais
Ah, só pra deixar claro, eu sei que eu falei que o pai do Frank se separou da mãe dele e também sei que Wake me up é sobre o pai do Billie que morreu. Eu vou usar essa mesma ideia, acalmem-se, tudo vai dar certo -q
Mas nem conto como vou usar essa ideia, só aguardem o próximo, é.
Beijo -q
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