Notas iniciais
NOSSASINHORA, DEMOREI MUITO '-----------'
Desculpa pela demora enorme, sério mesmo. Resumindo tudo: eu escrevi o capítulo, eu DELETEI o capítulo (sem querer) e eu fiquei com preguiça de reescrevê-lo. Peço mil desculpas.
E não me xinguem -q
Give Me Novacaine: http://www.youtube.com/watch?v=6HzbOoNpxgg
Enjoy!

Enquanto os dias passavam, eu me tornava mais e mais popular na Danger Zone (me disseram que esse era o nome), não só por ter acabado com aquele metido, mas simplesmente por ser um rebelde sem limites.

Se Bob e Ray tinham se afastado de mim?

Sim. Mas quer saber? Foda-se, contanto que eles mantenham distância de mim e de meu mais novo status elevado, eu não ligo se eles estão comigo ou afastados.

O problema é que esses dois haviam começado a meio que... Jogar na minha cara o quanto eu estava sendo estúpido e idiota. Quer dizer, é óbvio que eu já sabia que estava agindo como um idiota, mas, oras, era o único jeito de ser aceito naquele lugar. E eu ia fazer de tudo para ser aceito, mesmo que isso significasse agir como um completo imbecil.

Só que...

... Cansa.

E eu estou ficando cansado desse estilo de vida agitado e confuso. Estou chegando ao ponto de querer voltar para Jingletown, e, para eu querer isso, é porque a situação está muito ruim mesmo!

Enfim, resumindo tudo: eu não estava em uma de minhas melhores fases, e acho que Cherry notou, pois, uma tarde, ela veio falar comigo.

–Ei, novato.

–Hmm?

–Que fossa é essa?

–Como assim?

–Por que está tão desanimado? Vamos, pode desabafar com a tia Cherry. – ela riu ironicamente antes de se sentar ao meu lado.

–Eu não sei... Só estou com um peso no coração.

–Hmm... Conte-me mais.

Suspirei.

–Não tem o que contar... Só me sinto deslocado aqui... Eu só queria tirar essa sensação de dentro de mim e fazer essa enxaqueca agridoce passar. É como uma dor de dente latejando na minha mente... E eu não posso mais aguentar esse sentimento.

–Olha, Jimmy, eu não sei o que você tem, mas se eu puder te ajudar de alguma forma...

–Drene a pressão do inchaço. – repliquei – Essa sensação é avassaladora. Preciso de um longo beijo de boa noite e tudo ficará bem. Diga-me que não sentirei nada, então me dê anestesia.

–Isso eu não posso te dar e você sabe disso. – ela pensou por um minuto – Já pensou em procurar alguém pra ficar com você? Sabe... Existem várias pessoas muito legais aqui, quem sabe ache uma namorada?

Preferi não comentar sobre aquilo. Apenas corei. E corei fortemente.

–Mas Cherry, esse não é o problema... Eu me sinto fora do meu corpo e fora da minha mente...

–Uma pessoa especial pode te colocar de volta.

Mordi o lábio inferior. Ela tinha razão.

–Pior que você está certa... Quem sabe, um dia, eu ache alguém para beijar os demônios fora dos meus sonhos. Eu tenho aquele sentimento engraçado, mas está tudo bem... Porque Jimmy diz que é melhor do que ar.

Você é o Jimmy, seu esquizofrênico. – disse Cherry, franzindo a testa.

Assenti vagamente. Eu sentia que Jimmy não fazia parte de mim...

Ah meu deus, como vou explicar isso?

Era como se Jimmy não fosse eu... Mas sim, outra pessoa que havia tomado conta de mim. Como se fosse um... Um...

Ah! Um alter-ego! Sim, era essa a palavra. St. Jimmy era meu alter-ego.

–Enfim... – disse Cherry, com um tom desconfiado – Continuando... Você já pensou em procurar uma namorada?

–Er... Então... Era sobre isso que eu ia falar...

Ela arregalou os olhos.

–E-e-eu tenho namorado! – gaguejou ela. Arregalei os olhos também.

–NÃO! Não... Não é isso... É que... Eu meio que... Er...

–Ah. É gay? Tem um monte igual a você por aqui, não se preocupe. Ninguém vai te julgar por isso. Mesmo assim, já tentou achar um... Namorado?

–Não sou muito sociável. Com certeza não acharia ninguém nem à força. – ri amargamente.

Cherry balançou a cabeça e sorriu levemente.

–Você é igual a ele...

–Ele? Ele quem?

–Um colega meu. – ela deu de ombros – Gerard. Posso te apresentar a ele, se quiser.

Dei de ombros.

–Pode ser.

Ela me guiou por várias ruas tortuosas dentro da Danger Zone, até chegar em uma particularmente suja e escura. Era um beco sem saída, ladeado por grandes latas de lixo. Cherry me puxou até o fim do beco, aonde sorriu para a figura encostada na parede. Era um homem alto, pálido, de olhos verdes e cabelos negros. Vestia uma jaqueta preta, uma camisa vermelha, calça jeans e tênis. Suas feições pareciam ser delicadas, o que destoava completamente com sua fisionomia entediada e irritada. Cherry se aproximou, ainda sorridente.

–Ei, Gee! Tudo bom?

–Tudo. – respondeu uma voz suave e rouca.

–Trouxe alguém para que você conheça.

–Quem?

Ela me puxou para fora do escuro, me pondo em um facho de luz para que o tal Gerard pudesse me ver.

–Gee, esse é o Jimmy. É novo na área. Jimmy, esse é Gerard Way.

Ele arqueou as sobrancelhas e fez um gesto com a cabeça para mim, como se me dissesse “oi”. Assenti para ele e ficamos em um silêncio vergonhoso. Comecei a observá-lo novamente por alguns minutos. Ele era particularmente bonito... Mas será que ele era legal?

–Então... – disse Cherry – Eu vou andando. Tenho umas coisas a fazer na cidade. Vejo vocês dois mais tarde! – dito isso, a menina se afastou rapidamente, deixando eu e Gerard sozinhos no beco escuro. Comecei a encarar o chão e, de repente, sua voz musical encheu a ruela novamente.

–De onde você veio, Jimmy?

Geralmente, eu não responderia a essa pergunta, mas havia algo em Gerard que me fazia querer contar da minha vida inteira para ele.

–Jingletown.

–Chegou quando?

–Uns dias... Por que nunca te vi lá?

–Prefiro ficar recluso aqui. Nunca fui sociável. Só causo problemas e não sou de falar muito nem de chamar atenção.

Assenti e arregalei os olhos discretamente. Ele era igual a mim.

–Acho melhor você ir. Já está ficando tarde e é perigoso andar por essas ruas de noite. – disse ele. Assenti, um pouco magoado por ele estar praticamente me expulsando. Dei meia-volta e me encaminhei para fora do beco, mas Gerard gritou:

–Espera!

–Hmm?

–Er... – ele corou levemente – Sei que pode parecer estranho, mas... Quer voltar aqui amanhã de manhã? Pra gente... Sei lá... Conversar?

Sorri.

–Adoraria.

–Então... Te vejo amanhã. – disse ele.

–Com certeza.

Voltei para a Danger Zone o mais rápido possível, com um sorriso estampado no rosto, mas o sorriso foi embora ao ver a cara de Cherry ao me ver.

–Você está fo-di-do! – disse ela, pausadamente, para dar um ar mais urgente à frase.

–Por quê?

–Whatsername quer ver você.

–Whatsername?! – franzi a testa.

–Whatsername. A “princesinha da Zone”.

Suspirei. Mais uma mimadinha pseudo-punk na minha vida. Era o que eu mais precisava nesse momento.

–Isso lá é nome? Whatsername?!

–Ninguém sabe o nome dela e ela se recusa a falar. – ela deu de ombros. Assenti, sem perguntar mais nada.

Mais uma vez, Cherry me mandou segui-la. A menina me levou até um local que me lembrava vagamente o estacionamento do supermercado de Jingletown, onde uma menina estava sentada em uma cadeira estofada vermelha. Sua posição largada indicava tédio.

Whatsername tinha cabelos loiros e ondulados, usava maquiagem leve e vestia um casaco jeans, camiseta de banda com um colete enfeitado com buttons, calça jeans com furos em certos pontos e all-star vermelho em estado terminal. Sua expressão era emburrada e...

Nunca achei que diria isso sobre uma garota, mas...

Ela era linda.

Notas finais
Transformei uma bicha em um bissexual. Ai que lindo -q
Brincadeira.
Mas ACALMEM-SE. Isso ainda é Frerard u.u
BTW Novacaine é anestesia. Na verdade, é uma marca de anestésico, mas isso é um daqueles produtos que nós chamamos pela marca e não pelo nome certo. Tipo danoninho (petit suisse), isopor (poliestireno expandido), etc..
Anyways... Vou tentar não demorar tanto.
Beijo.