American Dream
11 Let's go be psychos together.
O Impala preto parava em frente ao casarão onde Vicky morava. Era provavelmente a maior casa entre os alunos da high school de Forest Lake. O casarão ficava bem no fim da cidade, onde atrás dele havia um rio e chegava os limites da cidade.
Vicky saiu do carro sem dizer muita coisa, mas esperava por Luke, o rapaz demorou alguns segundos até desligar o motor de seu carro e sair. Lentamente ele dava a volta e ficava ao lado da loira, que o encarava.
— Você não é de falar muito, ou é tímido? — Levemente levantava uma de suas sobrancelhas.
— Eu gosto de conversar, mas, entre nós existe um mundo enorme, e você sabe disso. — Luke retirava seu rayban. No meio da tarde fazia sol, algo raro no outono.
— Você é um idiota. Eu estou te dando a chance de... — ela fez uma pausa — andar comigo e se tornar super popular.. — O rapaz abria um riso bem de leve, e a abelha rainha continuava. — Você sabe qual efeito de eu só usar sua jaqueta causou hoje? Todo mundo ficou se perguntando o motivo de eu não "tá" usando a jaqueta do Stevie, e sim uma preta, logo, descobriram que era sua. Todos já conhecem você. Graças a mim! — ela parecia irritada.
—Eu não ligo. — Dizia Luke enquanto colocava novamente seu óculos após limpa-lo em sua camiseta branca. — A propósito, eu quero minha jaqueta de volta.
— Como é que é?? — Vicky mudou sua feição completamente.
— Eu quero de volta. Eu não te dei na festa, eu emprestei pois estava frio. — Ele sorria, e Vicky olhava para a boca do rapaz, ficou paralisada por um segundo. — Tenho certeza que em seu closet deve ter uma parte só de jaquetas e casacos.
Obviamente a garota não gostou nada do que ouviu, mas ele tinha razão. Ela realmente tinha um closet voltado aos dias mais frios e chuvosos. Então ela retirou a jaqueta bem devagar, e realmente parecia ter caído bem na garota. Pois mais delicada que Vicky fosse, esse estilo mais "agressivo" tinha ficado muito bem nela, alias, o que não ficava bem em Vicky?
≈
A semana foi passando, e Katherine ficava pensando em como falaria com Stevie novamente, a garota não tinha muita coragem de chegar ao rapaz. Achou que ele estando solteiro seria mais fácil, mas piorou tudo. Antes era só Vicky ao lado do rapaz o tempo inteiro. Hoje, são várias garotas que procuram e fazem fila durante os treinos de basquete.
Sentada na quadra, olhando o time de basquete treinar, era bem difícil se concentrar, pois havia uma gritaria bem alta por parte de um grupo de meninas que acompanhava o treino. Katherine estava com sua mochila em seu colo, escorada num livro que estava lendo, algum romance provavelmente.
— Você ainda é afim dele, né? — Uma voz feminina falava com Katherine.
— Que?? — A garota se assustava e olhava para o lado, era Chloe.
— Você, desde que conheço você, você é apaixonada pelo Stevie, desde sei lá, segunda série?
— Terceira! — A garota corrigia
— Uau... — Chloe parecia surpresa mas nem tanto.
— Desculpa... mas é algo platônico, eu sei, por isso que eu gosto dele, por saber que é impossível.
— Impossível? Nada é impossível, Kat. — Chloe estava com um olhar triste mas mesmo assim apoiava, ou ao menos dava forças.
— Sim, é! Como alguém como ele ia se interessar por mim, e mesmo se esse milagre acontecesse, nunca daríamos certo, olha como ele é, ele é um cafajeste... — Ela ria do próprio modo que falava dele.
— Nisso você tem razão, mas, quem sabe você não consegue muda-lo. O amor tudo muda.
— Que? — Katherine parecia perdida.
— Apenas leia... — Chloe dava uns "tapinhas" com o seu indicador no livro de Katherine e então se retirava sem dizer nada.
O livro que Katherine estava lendo era um romance desconhecido, na história, o principal era um tremendo babaca, que fazia coisas para apenas se amostrar aos amigos. Zoava os mais fracos, quebrava coisas, até se apaixonar por uma garota que era da igreja, totalmente seu oposto, ele teve que se aproximar dela pois ela foi a única que se propôs à ajuda-lo a estudar para as provas finais.
No fim, ele se apaixonou perdidamente pela garota e simplesmente mudou. Não chegou a se tornar um mega religioso, mas com ajuda da sua paixão e os ensinamentos da igreja, ele se tornou um novo homem. Ficção ou não, Katherine nunca iria desistir de Stevie.
≈
No intervalo daquela quinta-feira. Taylor andava pelo corredor após lanchar sozinha. A garota era bem tímida e era difícil para ela fazer amizade. Até esbarrar em alguém enquanto caminhava olhando para baixo.
— Desculpa! — Ela dizia sem pensar duas vezes.
— Eii Tay, tá tudo bem. — Era Jessie rindo, sempre com um sorrisão no rosto, a texana de madeixas longas sorria para sua colega de classe da aula de literatura.
— Tay? — A menina corava, parecia gostar.
— Tava indo aonde? Eu estou indo para a biblioteca, Luke está me esperando lá, quer ir? — Taylor não tinha nenhum lugar para ir, mas a primeira coisa que passou pela sua cabeça foi negar.
— Ér... eu... — Ela não sabia o que dizer, mas Jessie segurou em sua mão.
— Vem, vamos! Nesse horário podemos ficar lá de boa e conversar, a tia da biblioteca está almoçando nessa hora.
A biblioteca era um refúgio para muitos alunos, o lugar na hora do almoço ficava aberto, mas ninguém ia lá, até descobrirem isso. Longe dos valentões ou apenas da multidão, o lugar acabou se tornando um esconderijo para o pessoal ficar conversando e ficarem "salvos" de brincadeiras idiotas.
Sentado numa mesa e encostado na parede, Luke estava de olhos fechados. Sempre com sua jaqueta aberta e de óculos escuros, sua franja batia um pouco em seus olhos. Quando Jessie e Taylor entraram na biblioteca, tinham cerca de 20 pessoas espalhadas pela sala inteira, espaço suficiente para todo mundo poder conversar a vontade.
Quando as duas avistaram Luke sozinho, esperando Jessie. Ambas tiveram a mesma reação, ambas suspiraram de leve, talvez por motivos diferentes, ou não.
Luke não era nenhum galã, mas tinha algo nele que o tornava diferente e especial de alguma maneira. Jessie e Taylor se aproximaram, o rapaz que parecia cochilar naquele instante, abaixava a cabeça e olhava para as duas. Ele então desceu da mesa. Jessie foi a primeira a se aproximar e abraça-lo forte, ainda não tinha visto seu amigo naquele dia.
Com um abraço apertado, a garota recebeu um beijo na testa, e ela adorava aquilo por sinal. Quando ela saiu da frente, Taylor estava perto, e ela ficou corada quando Luke deu um passo para frente e beijou a bochecha da garota.
— Bem-vinda ao clube dos descolados. — Luke sorria e sentava na mesa novamente. Jessie ria (alto por sinal) e sentava numa cadeira próxima ao amigo.
— Que? — Taylor parecia não entender.
— Você agora oficialmente faz parte do nosso clube, é o terceiro membro do clube. — Jessie falava e continuava rindo, arrancando alguns olhares de outras pessoas.
— Clube? — Taylor estava parada olhando para os dois.
— É, foi ideia do Lucky. — Jessie falava enquanto olhava rapidamente para o amigo. — Somos os decolados da escola, se não notou, e você agora andará conosco.
— No fim do dia irá conosco tomar milkshake. — Luke sorria e falava.
— Mas... eu vou perder o ônibus.
— Relaxa, Luke te leva em casa, o menino agora "tá" motorizado. — Jessie ria e Luke fazia sinal de positivo com a mão.
— Vamos ser psicopatas juntos! — Luke olhava para Taylor e depois para Jessie.
A conversa entre os três foi interessante, Taylor fez algo que achava que não iria acontecer. Pelo menos não tão fácil como foi. Ela se abriu para os três, contou a sua breve história, falou sobre sua vida, sobre ter quatro irmãos, de ser a segunda mais velha entre os cinco. Falou de seu QI elevado e por isso conseguiu pular um ano inteiro e falou o motivo de ter entrado só agora no ensino médio, pois teve que fazer algumas provas até a escola decidir qual seria a turma que ela iria pertencer.
Jessie também contou que tinha mais dois irmãos, falou de seu desejo de sair da cidade, que a mãe de Luke era professora deles, de literatura. Até então Rose Carter era a professora preferida de Taylor e ela adorou saber que ela era mãe de Luke, apesar do rapaz desaprovar isso.
No fim, Luke não contou muito sobre, apenas falou que seus pais eram separados, que escolheu sua mãe. Falou que sua avó vendeu o antigo carro de seu falecido avô e comprou o Impala para o rapaz. Luke revelou que adora dirigir, que se encrencou algumas vezes em Los Angeles por dirigir, principalmente por não ter carteira, mas agora tem.
Taylor achava fofo o jeito que Jessie e Luke se tratavam, principalmente pela Texana. Ela sempre ria olhando para Luke, botava a mão em seu ombro, muitas vezes colocava o braço envolta do rapaz e em raras ocasiões o abraçava. Ambos pareciam tão unidos que pareciam um casal.
Já na lanchonete ao fim da aula, Taylor tinha usado o telefone da lanchonete para avisar sua mãe que demoraria um pouco pois tinha sido convidada pelo seus novos amigos, sua mãe adorou, é claro.
Luke se propôs a pagar o lanche das duas, afinal, ele era o único que tinha dinheiro sobrando. Pelo fato de seus pais serem divorciados, seu pai fazia questão de mandar dinheiro para ele, obviamente após a mancada de ter traído a sua mãe, queria agradar seu único filho.
O rapaz sentava no canto, Jessie ao seu lado e Taylor na frente dos dois. Ambos tomavam milkshake. Jessie pediu para seu amigo comprar batatinhas, ela amava. Taylor não estava com fome, só o milkshake já estava a satisfazendo.
— Vocês estão juntos a quanto tempo? — Taylor perguntava, após uma conversa de Jessie perguntando a Luke se eles iriam sair no fim de semana.
— O quê? — Luke falava rindo.
— É... vocês tão namorando desde que você se mudou pra cá? — Taylor perguntava enquanto tomava um gole de canudinho de seu milkshake de morango.
— Hahahahahahahahaha — Jessie ria bem alto, então ela colocava um braço envolta do pescoço de Luke e outra mão apertava as bochechas do garoto, fazia um biquinho. — Esse rostinho lindo aqui é só meu amiguinho. — Jessie fazia voz bem fofo e um pouco irritante e depois soltava o rapaz e eles ficavam rindo.
De certa forma aquilo aliviou Taylor, ela não queria ser a amiga solteira no meio do casal, e de certa forma ela tinha medo de caso fossem um casal, seus únicos amigos acabariam fazendo coisas sem ela. Sair, festejar e essas coisas. Então tudo aquilo aliviou a menina.
— E você, não tem namorado? — perguntava Luke enquanto terminava seu milkshake.
— Eu?? — Ela corava novamente. — Não, não tenho.
— Você e Luke formariam um casal tão fofinhos, mas... — Jessie ria de si e continuava — Mas eu não iria permitir essa união, eu ficaria sozinha.
— Então vou ter que esperar o semestre acabar, você se forma no fim dele, e eu e Taylor ainda teremos mais um ano, sem você. — Luke falava rindo, roubando uma batatinha de Jessie.
Taylor ficava mega sem graça, e Jessie ria, mas algo mexia com a cabeça dela. No fim daquele dia, após deixarem Taylor em casa, Luke levava Jessie em casa, antes de sair do carro o rapaz deu mais um beijo na testa da amiga, mas pela primeira vez, Jessie queria que o beijo fosse em outro lugar.
Fale com o autor