American Dream

24 Every breath you take.


O toca fita do carro estava tocando, Luke em silêncio, a noite havia caído e a chuva diminuindo, Taylor estava sorrindo, gostava da música que estava ouvindo, gostava mais ainda de ficar a sós com seu namorado. Não demorou muito para o carro seguir para um caminho nos limites da cidade, pouco longe da cidade, o carro foi entrando num lugar que não era asfaltado.

Com o farol aceso, Luke diminuiu a velocidade por causa dos buracos e logo, começou a subir uma ladeira, fazendo algumas curvas em zigzag. Logo o carro parou. Taylor estava um pouco preocupada, tinha algumas arvores, muito mato para todo lado e não tinha estrada, então conhecia o lugar. Nem sabia se ainda estavam em Forest Lake.

— Amor, que lugar é esse? — Dizia a menina enquanto ajeitava os óculos.
— Olhe para frente, babe. — Luke desligava o parabrisa, a chuva fina caía no vidro mas não atrapalhava a visão.

Taylor olhava atentamente para frente e via a coisa mais linda de sua vida. Era a cidade inteira por um ângulo incrível. Eles estavam bem no alto e de lá podiam observar toda a cidade, milhares de luzes acesas ela sorriu quando pôde achar a escola e logo em seguida o hospital da cidade, ficou procurando sua casa mas não achou, pois um enorme galpão tampava, mas achou a rua onde morava.

Achou a casa de Luke, dava para ver o teto e a lateral de sua casa, ela riu, ficou olhando cada ponto da cidade. A escola, e no fundo, bem ao extremo da cidade, o casarão onde Vicky morava, mais ao leste, a saída da cidade, onde a famosa curva do diabo.

— Nossa, é muito lindo. Como achou isso?
— Quando era criança e vinha passar as férias aqui, os irmãos de Chloe, trouxeram nos dois aqui uma vez, tinha um lado lá trás. — Fez uma pausa — Quando voltei a morar aqui, imaginei como seria esse lugar a noite. Então, venho aqui as vezes, para pensar, refletir.
— Nossa, amor, obrigado por dividir isso comigo. — Ela pegava na mão do namorado que em seguida lhe dava um beijo.

Eles ficaram ali por menos de uma hora, admiraram a paisagem e namoraram um pouco. Quando Luke disse precisava ir num lugar antes deles irem jantar.

Voltando pelo caminho que usaram para chegar no refúgio de Luke, logo estavam na cidade. Taylor não gostava de fazer muitas perguntas ao namorado, esperava que ele as compartilhassem com ela, assim como fez ao apresentar seu refúgio à ela.

Mas dessa vez, ela perguntou, enquanto desligava o toca fitas.

— Amor, aonde iremos?
— Vou em um amigo, preciso pagar ele.
— Que amigo? — Taylor tentou pensar se era alguém da escola, mas sempre ficava com ela e Jessie na escola.
— Miguel Díaz, ele é meu mecânico. — Ele sorria.
— O carrinho ficou ruim? — Ela ficou preocupada, ficou olhando ao seu redor um possível defeito consertado.
— Troquei os pneus recentemente.

Logo chegaram, era a parte mais baixa renda da cidade, com casas simples de apenas um andar, entre três a quatro cômodos. A rua tinha baixa iluminação, e apesar da forte chuva, tinha bastante movimentação. Estava rolando uma festa no fim da rua, tocando muito hip-hop, a maioria das pessoas dali eram negros e latinos, eles não gostavam de se misturar com o resto da cidade, raramente pessoal desse bairro iam nas festas.

Apesar de todos estudarem na mesma escola na High School, os grupos eram bem separados. Taylor não ficou com medo, achou bem interessante, ela nunca tinha ido naquele lugar, lembrou que se sua mãe descobrisse, ela tomaria muito esporro, então, não iria contar.

O carro parou em frente à uma casa com garagem, a porta estava aberta, um carro estava estacionado dentro, as luzes da garagem estavam acesas. Logo Taylor viu que tinha um cara embaixo do carro, provavelmente consertando.

— Babe, só uma coisa, não leve muito a sério as coisas que Miguel diz, ele é... um pouco diferente. Ele abria o porta-luvas, pegava um envelope e então deixava o carro, a garota o seguia.

Deram passos apressados por causa da chuva, logo dentro da garagem eles estavam ouvindo uma musica.

Música

Luke dava dois tapas no capô do carro, fazendo barulho para assustar Miguel, que logo rolou para fora do carro, ele estava em cima de uma tábua com rodinhas, para facilitar a locomoção enquanto ficava embaixo do carro.

— Heeey Littlebrow (irmãozinho) — Dizia Miguel enquanto se levantava, pegava um pano para limpar as mãos.

Miguel era latino, nascido em Porto Rico, veio para os Estados Unidos com sua família ainda bem novo, tendo o sonho americano, de hoje ter uma vida melhor, ele trabalhava consertando e personalizando carros, mas sua grande paixão era a música.

— E aí, senhor Díaz. — Luke dava um abraço em Miguel, que logo olhou para Taylor.
— Nosssssa, é a primeira dama? — O porto-riquenho abria um sorriso enorme, mostrando seus dentes brancos.
— Ér... oi? — Taylor ficava vermelha, não tinha entendido. Estendia a mão.
— Que prazer! — Miguel puxava a mão da moça e abraçava, era assim que ele cumprimentava seus amigos.
— ok ok — Dizia Luke rindo, dando tapinha nas costas de Miguel que soltava Taylor e se afastava.
— Diz meu camarada, o que posso fazer por você? Algum problema com os novos pneus? — Miguel olhava por cima dos ombros de Luke para ver os pneus de seu carro.
— Nenhum problema. Vir para lhe pagar. — Ele entregava o envelope, estava cheio por sinal.

Sem nem contar ou abrir, Miguel continua com seu enorme e simpático sorriso. Abria a porta de seu carro e abaixava um pouco o volume, guardava o envelope no porta-luvas.

— Gostou desse som? É meu nome som. — Taylor prestava atenção na letra, tinha gostado do ritmo, mas o refrão falava sobre fumar maconha com ele, ela fez uma cara de espanto.
— Ficou legal, melhor que o último. — Dizia Luke.
— Aliás, quando virá pra gente gravar o teu som? — Aquela pergunta deixou Luke sem graça, ele olhou para Taylor que parecia mais surpresa ainda.
— É... a gente marca.
— Estarei livre quarta a tarde, se quiser, apareça.
— Pode deixar.

Luke segurava a mão da namorada e logo ia puxando ela para irem embora. Miguel estendeu a mão e segurou a mão da garota, beijo a ponta dos dedos da menina.

— Volte mais vezes, senhorita. — Sorrindo ele dizia.
— Foi um prazer, Miguel. — Dizia Taylor sem graça.

≈

Na lanchonete, comendo hamburguer e tomando milkshake, o casal conversavam sobre diversas coisas, Taylor tinha revelado novas coisas para Luke.

Começando que agora sua mãe lhe dava mesada para ela poder gastar com Luke.


— Agora mamãe tá me dando dinheiro para poder dividir e comprar coisas para você. — Dizia orgulhosa.
— Sabe que não precisa né? Só são lanches e cinema. — Luke tomava milkshake no canudinho.
— É, eu sei, mas somos um casal agora, então também tenho direito e dever de pagar as coisas, e como você disse, só são cinema e lanches. — Dizia ela com expressão de brava mas logo ria.
— Okay, babe, se te deixa feliz, não tem problema.
— Que bom amor.

Após terminarem de comer e dividirem a conta pela primeira vez, eles foram para o carro, eram quase nove dez da noite quando Luke levava a namorada em casa, ele não gostava de atrasar, ainda mais após sua sogra impor regras e horários.

Parava o carro em frente a casa da namorada e em seguida saíram, de mãos dadas andavam devagar pelo jardim até chegaram na pequena varanda. Luke encostou na parede ao lado da porta e puxou Taylor, se abraçaram e logo começaram a se beijar.

Um beijo que durou quinze minutos, até pararem, retomaram o fôlego e ficaram trocando carinho e beijos. Se abraçaram forte e então Taylor se lembrou de algo.

— Amooor, tinha esquecido. A mãe falou que se você quiser, pode ir passar natal conosco lá na minha avó. E que no ano novo ela me libera pra você e eu passarmos juntos em qualquer lugar. — Dizia Empolgada.
— Isso é ótimo! — Luke dava selinho na namorada e completava. — Mas não sei se será possível. Não passo natal com minha vó há anos, e agora morando aqui, eu sei que é importante para ela, ainda mais que só tem minha mãe e eu.
— Ah... verdade amor, tudo bem. — Um pouco desapontada mas entendia.
— Mas ano novo a gente passa juntos! Só você e eu! — Dizia ele sorrindo.
— Ótimo! — Em seguida se lembrou de outra coisa. — Tem mais novidade, como você sempre está respeitando os horários que ela colocou e ela está vendo que tô muito feliz, falou que no ano que vem, se continuar assim, vai deixar tu dormir aqui aos sábados. — Ela ria. — Mas claro, você na sala.
— Melhor do que nada né? — Ele ria e enchia ela de beijos.
— Éééééééé! — Ela ria — Assim vou por filmes de terror pra assistirmos antes de dormirmos.
— Por mim... pois se aparecer fantasma ou monstro, eu sei que corro mais rápido que você mesma! — Os dois riram e Taylor deu soco no ombro dele.
— Idiota!!!

Quando o relógio deu dez horas, eles se despediram e Taylor entrou. Deitou-se em sua casa com sorriso enorme, estava muito feliz. Mas logo, começou a pensar em mil coisas: Quem era Miguel Díaz? Luke gravar música? Como conseguiu tanto dinheiro naquele envelope? Como os Pneus ficaram ruins se no último mês eles estavam juntos todos os dias?

Taylor também não sabia, mas Luke não passaria o natal com a vovó Mary, o destino a tiraria dele para sempre, aquela, seria uma dor irreparável na vida do rapaz.