Notas iniciais
Leiam com a musica America - XYL. Vou deixar o link da musica no captulo.
Narrado pela America.
Boa Leitura!

XYLØ — America

Eu bebi. Eu acho que eu bebi. Eu não sei. Não sei de nada. De mais nada. Eu me sinto tão vazia. Como se faltasse alguma coisa. Faltava. Faltava ele. Mas eu não podia mais telo para mim.

Acabou. Passou. Já foi. Isso é oque qualquer um diria, oque eu diria. Mas não é verdade. Não passou e nunca passara. Minha dor é grande. Enorme. Uma dor que eu não podia suportar para sempre. E eu sabia.

Por que tinha que ser tão difícil amar? Desde pequena ouço história sobre as princesas dos contos de fadas, e elas conseguem seus príncipes num piscar de olhos. Deveria ser o mesmo comigo, talvez, afinal eu também sou princesa. Mas eu nunca quis isso. E acho até melhor ser assim mesmo. E não como a minha prima.

Marissa. Minha nada querida prima. O tipo de pessoa que eu nunca queria ter conhecido. Só que isso é quase impossível. Foi por culpa dela. Se não tivesse sido ela. Se ela não o tivesse roubado de mim. Por culpa dessa vaca eu estou caminhando sem rumo, descalça e com o resto que sobrou do meu vestido. Por culpa dela, eu não estou nos braços dele. Por culpa dela estou chorando.

Eu nunca quis essa vida. Isso é tão engraçado. Enquanto algumas garotas imploram e rezam para ter a vida que tenho, eu rezo e imploro para que eu acorde desse pesadelo que é minha vida.

Ninguém nunca disse que ia ser fácil ser princesa. Não vem com manual de instruções. Você é e ponto, e tem que aprender tudo que lhe mandarem fazer. Isso é cansativo, exaustivo, enjoativo e perturbador. O pior é que eu já tinha um destino traçado e saber oque é. É assustador.

Eu não deveria ter me apaixonado por ele, eu o odiava. O odiava por ele também ser da realeza e por ser mais um idiota iguais aos outros. Mas com ele foi diferente.

De acordo com o nosso sistema, eu a futura rainha para governar preciso me casar com alguém da realeza. Se eu completar a idade correta da coroação e não estiver noiva o meu cargo como rainha passara para outra pessoa. Nesse caso Marissa, pois eu não tenho irmãos. Já tive, mas ele morreu. E o Príncipe Eric e ele estavam competindo pela minha mão. Meus pais me obrigaram a isso, eles me queriam no trono e não Marissa e sua ganancia.Talvez agora eu saiba porque tudo isso, Marissa mais do que ninguém queria ser rainha, assim como a mãe. O jeito era me tirar da lista. E ela conseguiu.

Mas eu não ligo. Eu não me importo mais. Eu não ligo mais. Eu quero que tudo se exploda. Se ele, Thomas não tivesse feito isso comigo. Ele aceitou a proposta de Eric — Um convencido que me queria de qualquer maneira. Ele aceitou me deixar. Mas pelo que em troca? O pior é que quando pergunto, não á respostas. E nas vésperas do meu aniversário da minha coroação. Eu encontro ele e a Marissa se agarrando no jardim. Aquilo me destruiu o coração.

Assim que me lembro da cena lágrimas vem ao meus olhos e as deixo cair. Começo a correr. Eu queria sumir. Queria deixar de existir. Eu daria tudo para ter meu irmãozinho aqui e agora. Mas ele já havia ido embora desse mundo a muito tempo. Me lembro de quando eu tinha apenas quinze anos e o estava ensinando violoncelo, e ele já era muito melhor que eu. Ele sempre foi. Ele me ensinou várias coisas. Adam tinha apenas 12 anos quando o câncer o levou. Eu tinha dezesseis anos apenas. Já se faz quase quatro anos. Mas eu nunca vou superar a morte de Adam.

_ NUNCA! — Gritei querendo que o universo escutasse.

Eu odiava o universo. Ele me levou tudo oque eu tinha de mais precioso. Brincou comigo sem parar, e não teve a menor desconsideração e me deixar aqui despedaçada.

Passei por galhos, pedras, e por uma ponte extremamente perigosa e não liguei. Eu não sentia nada. Era como se eu não sentisse dor externa. E eu era capaz disso. Eu era diferente. Sempre fui.

Na minha família algumas pessoas nasciam com algo especial — como dizia minha mãe. Minha vó teve isso, minha mãe, e agora eu. Eu tenho poder sobre as flores, o vento, a água, os insetos, os animais. Todas as coisas não criadas pelo homem. Coisas lindas aos meus olhos. Aos olhos da minha mãe e de minha vó, mais aos outros é como se eu pudesse controla-los. Mata-los a qualquer momento, mais não é isso. Nunca foi, e mesmo podendo eu não machucaria uma flor se quisesse.

O único que sabia disso era o Thomas. E quando eu falei, quando eu mostrei, ele simplesmente adorou. Ele achou magnifico. Eu me lembro daquele dia, daquela noite, daquelas estrelas, de tudo. Nós eramos amigos na época, paramos com o morde e assopra. Sem mais nem menos eu resolvi contar a ele oque eu conseguia fazer. Estava de noite e todos já deveriam estar dormindo, mas havia um baile no dia então todos estavam na farra.

Fomos até o jardim. A lua brilhava mais do que nunca as estrelas pareciam fazer as constelações perfeitamente, e a brisa fresca naquele dia quente, era deliciosa. Eu o havia levado até a arvore "mãe" do jardim. Ela era enorme com galhos cheios de folhas verdinhas. Minha vó adorava aquele lugar então os galhos da superfície da arvore sempre haviam pisca-piscas. Ela dizia que era magia feita pelo homem.

Embaixo daquela arvore, eu fiz as estrelas dançarem. Criei luz, fiz as pétalas das flores dançarem em nossa volta. Dei vida ao jardim. E no meio daquela brincadeira toda nem percebemos quando estávamos no chão rindo, e olhando para o céu estrelado. Foi então que começou os elogios e a troca de olhares. Então do nada Thomas havia atacado os meus lábios. Era o meu primeiro beijo, e o melhor com toda certeza.

No outro dia eu acordei no jardim ao lado de Thomas. Havíamos dormido ali mesmo, um protegendo o outro do frio. Na verdade Thomas tinha feito questão de me cobrir com seu paletó. E isso foi tudo para me conquistar.

Me lembrar era tão aconchegante e ao mesmo tempo doloroso. Sinto gotas caírem na minha pele quente. Olho para o céu agora com nuvens carregadas. Então uma chuva começa a despencar. Não me importo e continuo o meu caminho. Sinto a água da chuva me limpar por inteira. Limpando minhas mágoas, minhas dores, meus pecados. Tudo. Meus cabelos logo ficam encharcados, minha roupa agora está encharcada também.

Passo por um pequeno córrego e me sento na terra já molhada. Sinto a lama e a folhas se misturarem. Me deito, sujando minhas roupas e meus cabelos. Soco o chão com raiva. Raiva de Thomas, de Marissa, de Eric, dos meus pais, de todos e todas. Mas principalmente de mim.

Me levanto rapidamente e saio correndo novamente. Passo por galhos que arranham minha pele. A chuva que está cada vez mais forte. E posso ver meus poderes se manifestando. Vejo que as arvores abriram caminho para mim.

De repente paro. Estou a bera de um precipício. Olho mais ao longe e só vejo o nublado. Chego perto da borda e vejo um rio. Por conta da chuva ele não para de mexer e se remexer. Não sinto mais o gosto das minhas lágrimas e percebo que elas acabaram.

Eu sei oque tenho de fazer. Eu tenho que enfrenta-lo. Cara a cara. Tenho que enfrentar o universo.

Vou até a flor mais próxima. É uma simples dama da noite. Eu toco nela e ela vira uma borboleta laranja. Ela está parada na minha frente. Ela vai conseguir fazer a viagem a chuva não está mais tão violenta. Eu vou abrir caminho para ela.

_ Avise-as que eu estou bem, avise que eu as amo muito. Que isso tudo é para o bem delas. Quero que você diga outra coisa só que para ele. Que eu o amava muito, e vou o amar do mesmo jeito quando eu partir. Mai uma coisa. "America agora está livre" Agora vá. Que nenhum mal te aconteça. — A borboleta voou para longe de mim e depois desapareceu se transformando em pequenos rastros de luz, parecidos com estrelas.

Olhei para o céu escuro e eu não podia partir assim. Eu não queria algo dramático. Eu queria cor. Eu queria a lua. O sol. A natureza. Tudo que eu mais amava. Eu iria partir. Sim. Mas com honra. Do meu jeito.

Levei meus braços a frente do meu corpo em direção ao horizonte. Eu tinha que tentar.

_ Você não vai me controlar — Digo ao universo — Eu terei uma partida digna. E não vai ser você que vai atrapalhar.

Duas faíscas de luzes coloridas saem da minha mão e vão direto ao horizonte com força total. Então acontece. A explosão. Desde aonde elas atingiram as cores começaram a aparecerem. As nuvens antes cinzas e negras, agora ganhavam o laranja, o rosa, o amarelo, o verde, o laranja etc...

Eu nunca havia visto algo daquele jeito. Era muito mais que mágico. Algo que eu havia feito. As cores foram se espalhando como se fossem um arco-iris rápido. Explosões aqui e ali de cores. Eu sabia até aonde elas estavam indo. Ele ia vê-las.

Já era hora de eu partir. Me viro de costas. Vi as nuvens brancas se misturando as coloridas. Fechei os olhos e corri. Minhas costas foram indo para trás devagar até que eu senti que não havia mais nada que o vento. Olho para cima querendo marcar as cores para sempre. As três faíscas de luz voltam até mim e começam a dançar a minha volta.

Elas são lindas e deixa tudo mais lindo ainda. Era o melhor fim que alguém podia ter. Senti minhas costas baterem na água gelada e depois não senti mais nada. Mas vi as luzes.

Elas me lembram bem, algo que eu escutei quando era pequena.

"A America é livre"
Isso nunca foi verdade. Eu nunca tive liberdade para escolha. Isso era a única coia que eu queria. Mas agora eles podem mudar essa frase.

"Dizem que a America é livre, mas isso não é verdade. America se foi"

Eu sei quem eu era e sei quem eu sou. Eu era um pássaro preso, mas agora sou um pássaro livre. Fui liberta por mim mesma. Agora meus sonhos não terão limite. Eu não terei mais limites. Eu sou livre.

Eu sou America.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Como já disse é algo que veio na minha cabeça. Então pode ser idiota para você, mas para mim é muito especial.
Epilogo só amanhã.
Comentem, favoritem, e se gostarem mesmo recomendem.
Kisses.
XOXO