Amelia
4 c a p í t u l o 3
Notas:
Então, antes de começar esse capítulo, queria pedir mil desculpas por ter demorado tanto pra escrever e dar continuação a fanfic. Eu estava em semana de provas, meio brigada com meus pais e logo minha cabeça não estava lá muito boa para ter criatividade e escrever. Mas prometo que vou dar continuidade para essa fanfic e não vou desistir dela de modo algum. Não prometo publicar mais de dois capítulos por semana mas vou sempre que der, tentar postar um. Queria agradecer também a quem divulgou e a quem comentou e acompanhou até agora.... AMO VOCÊS!!!!
Beijinhos no coração de vocês e espero que gostem desse capítulo S2
***
"Escrever é a unica maneira de viver, não a minha vida, esta vida que me escapa por entre os dedos a cada gole da minha sede. Escrever é escreviver outras vidas, em outras dimensões, tempos paralelos.
Escrever é a única louca esperança dentro de um manicômio... E fora dele também.
Escrever é deixar no papel a impressão digital do ser que somos. [...]
Escrever é incurável [...]
Escrever é ato de amor, intimidade exposta, introspecção devassada, solidão solidária.
Escrever é falar com quem não vemos, ouvir quem nada nos diz, conversar com quem nos despreza, aprender com quem nada ensina, ensinar coisas a quem não quer aprender nada [...]
Escrever é recordar o que não aconteceu, prever a nostalgia, admirar-se com o banal [...]"
Gabriel Perissé, escrever é escrever
O problema dos sonhos é que eles geralmente nunca vão acontecer. Não que se tenha uma pesquisa exata que nos fale isso, que "sonhos geralmente são apenas sonhos" mas todos nós sabemos que após aquela beleza de sonho enquanto estamos dormindo, tudo voltara a merda de sempre.
Mas não. Ele era um sonho real. Bem real. Perto de mim. Eu devo ter piscado e esfregado os olhos múltiplas vezes durante o tempo livre da aula enquanto observava Cole naquele refeitório imenso. Ele era o tipo de coisa que eu estava doida para chegar em casa e escrever naquele maldito diário sobre o quão é lindo e quem sabe até tirar uma foto escondida, sem ele ver e colar no diário.
"Sortuda" alguém diz ao meu lado me fazendo dar um pulo de susto e assim que olho para o lado, uma menina baixinha está se ajeitando ao meu lado no banco. Ela da um sorriso largo e dou um de volta, um tanto forçado mas era o que tinha para aquele momento de surpresa.
"Você está na mesma turma que eu, certo?" pergunto e ela ri.
"Sim, e você é uma sortuda. Fala sério, eu estava quase expulsando o garoto magrelo do meu lado para que o Cole sentasse ao meu lado"
"Ele já estuda aqui a muito tempo?" pergunto e fico atenta a menina. Se tinha uma coisa que eu queria, era descobrir mais sobre ele.
"Ah, sim. Bem, estudo aqui a quatro anos e desde então eles estudam aqui. Eles se afastaram da escola um tempo, não sei o porque mas boatos rolam por ai que a mãe abandonou eles e que por não gostarem do pai, pediram emancipação e moram sozinhos em um apartamento"
"Eles são lindos" digo olhando para Cole sentado junto de um grande grupo. Todos estavam animados e conversando mas Cole estava apenas quieto, aparentemente incomodado com o braço de uma menina em torno dele.
"São. Uma pena que Cole namore a merda da Kate" ela diz apontando para a garota ao lado de Cole.
"Ah, pelo menos tem o outro irmão né?" digo rindo.
"Dylan? Ah, desse quero distancia! De igual eles só tem a aparência mesmo. Dylan é um babaca! Grosso, metido, paga de pegador e fala mal de todas que come. Se ele passa do meu lado eu vomito. Já o Cole, ah, ele é maravilhoso! Estudioso, inteligente, gentil e lindo" ela diz e começo a rir de sua cara de apaixonada.
"A proposito, qual o seu nome"
"Bethan. E o seu?"
"Amelia"
"Bom, Amelia, desculpe lhe informar mas agora nós somos amigas e você vai ter que me aguentar tagarelando 24h no seu ouvido"
***
Ler escutando Easy — Commodores.
https://www.youtube.com/watch?v=elemMdV3CnM
As aulas passaram se arrastando e eu só ouvia todos falando de uma tal festa de inicio de aulas que seria hoje a noite na casa dos gêmeos. Cole sentou ao meu lado em todas as aulas mas trocamos poucas palavras. A unica vez que nos falamos foi quando ele disse oi e me entregou um folheto com as informações sobre a festa. Incrivelmente, seria uma rua depois da minha, as 22h.
Bethan estava super animada, é claro e estava me perturbando para que fossemos mas festa não era lá muito a minha praia.
Saio da escola e só então vejo em meu celular uma mensagem de minha mãe dizendo que trabalharia até tarde e que eu teria que me virar para ir pra casa e para almoçar.
Ir andando ou de ônibus? Andando!
Caminho lentamente até em casa. O caminho era até bem bonito e legal, apesar do frio. Já fazia tanto tempo que eu não vinha ao Canada que já estava esquecendo o como aqui era lindo.
Pego a polaroid e começo a tirar foto das arvores, das crianças correndo pela rua, de tudo. Mas paro assim que viro a esquina e percebo que estou na rua da minha avó.
De carro eu passava rápido então não reparava mas andando era impossível não olhar para a pequena casa de madeira. Uma placa de venda-se estava fincada na grama do quintal. A grama antes verde e baixa agora estava alta e verde-acinzentado e as flores do canteiro agora mortas.
Caminho pelas pedras que levam até a porta de entrada e sinto uma lágrima escorrer. Merda.
Eu odeio chorar, odeio sentir. O meu problema é ser sentimental demais. Se eu me permitir começar a chorar, só termino uma semana depois, quando já tiver inundado a cidade inteira.
Me sento na grama e deixo as lágrimas descerem como um rio. Nem penso quando tiro o fone de dentro da mochila e coloco Easy do Commodores para tocar no volume máximo.
A musica favorita de minha avó era essa e me lembro de rodar a cozinha com ela ouvindo-a cantar. Costumávamos fazer bolos, de todos os tipos que você possa imaginar. E ela fazia pães maravilhosos também. Eu no caso, só servia para fazer bagunça, principalmente quando se tratava de espalhar farinha pelo chão todo. Saíamos brancas como nuvens no final.
Ela era linda. Tão linda. Me ensinou tanto, e até agora não tinha me permitido sentir a falta dela, e agora que deixei-me sentir, só sentia um grande vazio dentro de mim.
Paro a musica quando alguém me toca nos ombros e jogo o celular para o lado me levantando rápido e com medo. Claro, super certo ficar deitada na grama de olhos fechados e esperar deitada alguém chegar e me assaltar.
Vejo que quem me cutucou é Cole e não sei se aquilo me acalmou um pouco por não ser um assaltante ou me deixou mais nervosa ainda por ser ele.
Ele sorri de lado me olhando estranho e só então lembro que estava chorando e meu rosto deveria estar inchado e meus olhos vermelhos.
"O que aconteceu?" ele pergunta me olhando sério. Me aperto com meus próprios braços em torno de meu corpo e seco as lágrimas com a mão.
"Não foi nada. Eu...não é nada mesmo" digo e ele se aproxima mais ainda e limpa uma lágrima com seu dedo esguio e gelado.
"Se precisar conversar, pode me contar. Sei que não nos conhecemos muito bem mas se tem uma coisa que eu gosto é ouvir as pessoas. Minha mãe era psicologa e quero fazer psicologia também, então nem preciso dizer que adoro ouvir problemas e resolve-los"
"Meu problema não pode ser resolvido, Cole"
"Me conte" ele diz se sentando na grama e apontando para que eu sente. Me sento ao seu lado calmamente e tusso algumas vezes de nervoso.
"Bem, minha vó morreu a pouco tempo e essa casa era dela"
"Então passou por ela e só então se permitiu perceber o quanto sente a falta dela" ele diz basicamente adivinhando tudo.
"Sim" digo sorrindo de lado.
"Bem, o fato de sua vó ter morrido não pode ser resolvido realmente. Sabe, as pessoas morrem a todo momento. A vida é um ciclo e querendo ou não uma hora ou outra perdemos alguém que amamos" ele respira funda antes de continuar " Não sei se sabe mas comentam por ai que minha mãe abandonou eu e meu irmão mas isso é mentira. Minha mãe viajou com meu padrasto e...o avião caiu. Todos morreram. Sabe, a verdade é que nós sofremos sim mas não podemos passar a vida toda assim. Então o certo para meio que resolver isso é transferir sua dor para algo bom, algo que sua vó gostaria que você fizesse. Eu por exemplo, gosto de ajudar a todos, assim como minha mãe fazia e sei que ela estaria bem feliz me vendo fazer isso, por isso vou fazer psicologia. Bem, claro que nem todos pensam assim. Meu irmão por exemplo, só quis se revoltar — ele diz e me olha sorrindo " E então Amelia, o que sua avó gostaria que você fizesse? "
A verdade é que minha avó sempre foi preocupada comigo nessa questão de socializar. Eu sempre fui muito na minha, sem amigos, e talvez fosse a primeira vez na minha vida que eu tivesse falado com mais de uma pessoa em um dia, com alguém que não fosse da minha família.
"A minha avó só queria que eu me divertisse e fosse feliz, socializasse mais...mas não é lá uma tarefa muito fácil quando se trata de mim " digo e ele ri.
"Bem, tem uma maneira boa de se começar. Você vai na minha festa hoje, certo? " ele pergunta me olhando sério, dentro de meus olhos. Ah, maldito olhos bonitos...
"Parece que vou..."
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