Notas iniciais
Olá. Eu nem sei o que dizer e não estou encontrando palavras para dizer que EU NÃO POSTO DESDE O ANO PASSADO! ME DESCULPA!!! Eu sei que tinha dito que seria atualizado com frequência, mas acabou que não foi. Fiquei um tempo fora do computador (onde tudo estava salvo), outros hobby surgiram, outras ideias para novas histórias. Mas, aqui estou com mais um capítulo. Não faço a menor ideia se alguém ainda acompanha, mas peço mil desculpas. Aproveitem o capítulo.

F

Ethan Feduncio.

29/8/2023

Das 14:00 até 14:30.

Precisava admitir, tinha algo bem esquisito rolando por aqui.

No meu primeiro dia do meu próprio trabalho na Flor De Lins, o meu saco de areia foi furado, e mais da metade dele se perdeu. Você sabe como é abrir um armário e ver que ele está cheio de areia? E o pior: você não sabe quem fez isso.

No mesmo dia, eu e meu parceiro de sala, Mike, fomos comprar outro. Eu o abri e coloquei um pouco de seu conteúdo em vários vasos para novos experimentos. Porém, quando eu voltei para a A-012 no dia 17, o saco estava aberto novamente.

Eu achei aquilo muito esquisito, e Mike também.

Mesmo assim, decidimos comprar um saco novo novamente, que na manhã seguinte descobrimos que alguém tinha o estraçalhado. Era esquisito, todas as vezes que colocávamos um novo, alguém acabava com ele.

E a gente sempre checava para ver se não estávamos comprando nada furado.

Resolvemos perguntar para a Pietra se ela tinha visto alguém entrar no Laboratório, pedir a chave da nossa sala ou algo do tipo, porém, a mulher sempre negava indiferente. Honestamente? Eu duvidava que Pietra se importava com quem entrava ou saía das salas.

Até tentei (implorei) para Tarcísio colocar uma câmera de segurança na A-012, porém, ele fingia não dar ouvidos. Aquele homem me odiava.

A parte boa desse lance sinistro é que eu virei inspiração para o novo trabalho de Mike. Não eu exatamente, mas toda essa história de areia.

Meu parceiro Mike realmente estava um tanto paranoico com isso, eu também estava preocupado, mas nem tanto quanto ele. O garoto jurou sem cruzar os dedos que viu areia saindo do dedo do diretor e volta e meia vem com umas histórias de que viu algumas pessoas na rua com areias saindo pela sola do pé machucada, pelo braço cortado ou sei lá. E essas pessoas pareciam não perceber isso, pois os machucados eram pequenos ou elas estavam muito apressadas para notar, ou algo do tipo.

Primeiro comecei a pensar se algo estava acontecendo com Mike, talvez os miolos dele estavam se auto-fritando ou algo assim. Porém, eu não era o mais indicado para falar disso, pois eu era capaz de perder areia diariamente.

Não importava o que a gente fizesse ou quantas vezes trancássemos a porta, na manhã seguinte sabíamos que a areia ia sumir.

Eu e Mike ficamos muito intrigados, e ele decidiu que iria resolver esse grande mistério.

Por ideia do meu parceiro de sala decidimos trocar o saco de areia por um saco de terra, que passou semanas intacto. O que tornou tudo ainda mais confuso.

Seja lá o que estava acontecendo, estava disposto a acabar com a areia e deixar o nosso armário marrom todo sujo (como se ele já não fosse horrível por si só). E seja lá o que estava causando aquilo, parecia ter uma grande obsessão por areia.

Porém, de umas semanas para cá tudo foi ficando ainda mais esquisito. Antes a areia apenas sumia do saco (que ficava com um buraco mal feito), agora a areia começou a brotar na A-012.

Acredite se quiser, todos os dias meus instrumentos, plantas, mochila e sapatos ficavam cobertos de areia. E isso surgia do nada, sem nenhuma explicação lógica.

A areia simplesmente surgia.

Conforme as semanas foram passando eu comecei a observar as pessoas e os cantos da cidade. Pude notar orelhões com areia no telefone, caixas de banco com areia, até bancos de praça (e olha que não moramos em uma cidade litorânea). Eu ouvia algumas pessoas murmurando assustadas sobre terem visto outras soltando areias pelos machucados na pele ou algo do tipo. O que fez com que eu acreditasse naquele lance da areia no dedo do diretor.

Eu e Mike compartilhávamos as nossas descobertas e chegamos a duas conclusões: ou o mundo está vivendo um apocalipse de areia ou estávamos ficando malucos.

Hoje de manhã entrei na A-012 e percebi que a mesa estava cheia de areia, o que me fez tremer de medo. Alguma coisa impossível de ser vista pelas câmeras e obcecada por sujar objetos estava na nossa sala.

Eu poderia estar vendo muitos filmes, mas algo me dizia que era um tipo de sinal, algo que acontecia desde o dia depois da apresentação do Iom Ne Onif Saclas .

Encarava a mesa que precisava ser limpa todos os dias por causa da areia que aparecia lá. Aquilo não era normal, e eu não sabia uma resposta plausível para tudo aquilo.

“Então, Ethan descobriu algo?” Mike me perguntou enquanto entrava na sala. Os cabelos cacheados do garoto estavam bagunçados e sua expressão era de preocupação.

Eu neguei.

“Nada ainda, parceiro. Eu já ‘tava’ preocupado mas agora eu to mais.” Eu admiti.

“Somos dois.” Ele forçou um sorriso tentando me tranquilizar.

“Sabe? Eu acho que deve ser uma espécie de maldição porque a gente deixou de ser parceiros de trabalho, ou algo do tipo.” Eu dei de ombros sorrindo, Mike retribuiu o sorriso e negou com a cabeça.

“Eu duvido que seja isso, Ethan.”

“OU A AREIA QUER VINGANÇA CONTRA TODOS OS HUMANOS QUE SEMPRE PISARAM NELA NA PRAIA, OU, OU...” Eu estava desesperado.

“Ethan, não deve ser isso.” Ele disse em um tom calmo. “Relaxa, tenho certeza que isso nunca aconteceria.” Ele passou a mão direita nos cabelos cacheados.

“Mas, é sério tá muito sinistro.” Eu disse levando minhas mãos a cabeça. “Não tem nenhuma explicação lógica. NENHUMA! AAAAAAHHHHHHHH!”

“ETHAN, CALMA!” Ele olhou para mim. “Vamos pensar em um motivo sensato para isso estar acontecendo.” Mike tentou sorrir, mas olhou para a mesa coberta com areia e ficou preocupado.

“Eu não sei como fazer parar, a areia está em todo o canto que eu olho!” Eu falei desesperado. “Isso é muito sinistro!”

Mike assentiu, ficamos encarando aquela mesa suja pensando se algo sobrenatural poderia existir. Os cientistas costumam achar uma resposta lógica para tudo, mas essa coisa de areia tinha surgido há semanas e não tínhamos achado nenhum resultado.

“Hoje de manhã eu ouvi alguns cientistas conversando sobre pessoas vindo até aqui desesperadas, contando que elas machucaram a mão e viram areia saindo delas.” Mike me olhava com uma cara apavorada. “Agora eu estou ficando cada vez mais preocupado.”

“Eu também, parceiro.” Eu respondi.

Depois disso ficamos nos encarando por longos minutos, pensando em qual dos dois estava mais pirado.

“Eu vou ver com Pietra se mais alguém chegou falando sobre areia.” Mike disse quebrando o silencio. Meu parceiro sempre soube como não pirar tanto em situações complicadas, pois sabia controlar as emoções melhor do que eu.

Se não fosse pelo Mike, eu provavelmente já teria desistido do Laboratório Flor de Lins. Meu parceiro era alguém seguro de si mesmo, e eu era o total oposto.

Mike saiu da A-012 e quando o mesmo abriu a porta um vento entrou na sala, espalhando a areia que estava em cima do objeto cinza.

Dei uma olhada na mesa e senti meu coração bater acelerado.

Eu cocei meus olhos torcendo para estar vendo coisas, mas infelizmente, era algo real.

Os grãos de areia que antes estavam espalhados acabaram se juntando com o vento e formando uma frase.

Com letras grandes, de forma e legíveis estava escrito a seguinte ameaça:

“VOCÊ VAI MORRER, ETHAN FEDUNCIO.

—M.”

Eu engoli a seco, sabia que estava perdendo a cor do rosto, logo depois tremi.

“Agora a cobra vai fumar.” Eu pensei com desgosto.

Eu encarei aquilo e percebi que aqueles grãos tinham formado meu sobrenome, e rapidamente a coisa piorou e o meu medo aumentou. Poderiam existir muitos “Ethans” no mundo, mas apenas um foi suficientemente azarado para ter o sobrenome de “Feduncio”. Uma pena que as areias malignas não sabiam que eu odiava o sobrenome.

“Ou talvez elas saibam e estão tocando na ferida.” Eu pensei, aqueles grãos eram audaciosos.

Algo incrivelmente sério estava acontecendo e eu parecia ser a vítima.

“Eu nunca mais vou fazer castelos de areia na praia.” Eu murmurei. Talvez aquilo machucasse as coitadas que pareciam ter vida própria. Mas, de tantas pessoas que faziam castelos e deixavam suas pegadas (alguns até cuspiam) diariamente na areia, por que aqueles grãos decidiriam se vingar especificamente de mim?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.