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Chuva. Sempre me faz lembrar daquele dia. O dia em que deixei tudo para trás. Caí de joelhos, abandonando minha espada, vergonhosamente derrotado, soltando um grito silencioso. Por que eu fiz isso? Foi um erro fatal, irreversível. Eu deveria ter sabido melhor. Mas o desespero me consumiu. Estava perdido em minha própria angústia, incapaz de compreender as consequências dos meus atos. Enganado profundamente... No desespero, acreditei que estava fazendo o que era correto, que as ilusões eram a verdade.

Lembro-me das atrocidades que cometi, sem hesitar. Vidas que tirei, tudo em nome de salvar aqueles mais próximos de mim. A cada noite escura, minhas mãos se manchavam de sangue vermelho, infiltrando-se em minha própria alma, marcando meu caminho do qual não conseguia mais escapar. Pintando a imagem de um demônio. Meus olhos lançavam medo aos que vislumbravam, vermelhos como sangue, um fantasma sem alma.

E chegou o dia em que fui arrastado para o abismo, um buraco sem fim, um vazio — um odor cadavérico em uma dimensão insana, repleta de corpos. Não havia mais nada para lutar, nada para proteger. Fracassei. O preço que paguei pela minha ignorância e pelo juramento que fiz.

Então tempo passa, cicatrizando feridas antigas, fechando-as e fazendo-as desaparecer lentamente... Mas as feridas da alma permanecem, pois são muito mais difíceis de curar. Elas trazem dor, uma dor profunda e angustiante, que não pode ser aliviada por medicamentos, a não ser por lágrimas que nunca caem, lavadas pela chuva torrencial.

Navegando na vastidão de uma terra desolada, lutando contra minhas próprias sombras, em busca de um raio de luz para iluminar meu caminho sombrio. Olho para o céu cinzento, e a chuva continua a cair, ouvindo aquela música triste, refletindo sobre as escolhas que fiz e os sacrifícios feitos.

Dor daqueles que ficaram, daqueles que se foram e não retornarão mais.

Notas finais
Obg por ter lido. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!