Ambrya

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Boa leitura! E desculpem pela formatação do capítulo, estou brigando com o site há um tempo e essa foi a melhor que consegui...

Julian olhava pela estreita janela do quarto onde fora deixado. Era um lugar obviamente luxuoso, com uma cama fofa onde caberiam confortavelmente cinco ou seis pessoas e móveis com detalhes delicados e aparência cara. Mas ainda era uma cela. Como delatavam a pequena janela de vidro reforçado e a porta trancada por fora.

Julian acompanhara todo o caminho que fizeram da unidade leste àquela ilha, mas continuava sentindo-se perdido. Perdido pois quando olhava para Kamil via apenas resquícios da pessoa que conhecera, como uma sombra do Kamil que havia amado.

Não conversaram muito durante a viagem, o de cabelos negros ocupava-se de delegar funções e instruir os homens que pilotavam a nave, com a mesma paciência e confiança com que trabalhava com Julian nos laboratórios. Mas todas as vezes que o maior tentara se aproximar para falar com ele, tentar entender o que se passava em sua mente e encontrar uma forma de pará-lo, Kamil retrucara com uma resposta curta e carente. Dizia que queria apenas “aproveitar um pouco a companhia do outro antes de falar de coisas sérias”. E agora ele estava trancado naquele quarto, esperando.

A porta foi aberta e Julian se virou imediatamente, encontrando o velho amigo sozinho no batente. Kamil entrou no quarto com um sorriso e fechou a porta atrás de si. Vestia-se muito bem, um terno elegante e contrastava com o tom pálido de sua pele, todo em tons de branco e preto, exceto pela gravata verde escuro.

– Olá, Julian. Gostou do quarto?

O moreno suspirou. Queria que tudo aquilo não passasse de um pesadelo.

– Kamil, vamos conversar.

– Nós estamos conversando.- Riu.

– Sabe o que quero dizer.

O outro esboçou uma expressão desanimada, mas assentiu.

– Sim, eu sei. Eu sempre sei o que quer dizer, conheço você melhor que ninguém, assim como você me conhece.

– Por que está fazendo essas coisas, fugir de Ambryader, trair nossa irmã... O que pretende com tudo isso?

– Nós já falamos sobre isso, da última vez que nos vimos. Antes de você esconder nosso trabalho e me deixar.

– Eu não tive escolha. Isso não faz sentido. Sabe que não vai dar certo, não pode controlar todas as fontes de Ambrya no mundo.

– Não todas, só as principais. Impedir que a ganância das pessoas destrua aquilo que pode salvar a humanidade. E não diga que algo é impossível antes de tentar, quantas vezes vou ter que falar isso para você.- Sorriu, tão doce e inocente quanto uma criança.

Aquilo trouxe um aperto ao coração de Julian. Aquela determinação pura e sincera, misturada ao brilhantismo de um gênio, fizera com que se apaixonasse por Kamil no passado. Desejara segui-lo, ajuda-lo no que fosse possível e viver à luz de sua estrela. Mas as mesmas qualidades que o fizeram brilhar agora pareciam leva-lo a uma obsessão doentia e perigosa. Talvez ainda não fosse tarde demais para voltar.

– Você me disse que queria impedir uma guerra pelas pedras, que do jeito que as coisas iam isso seria inevitável. Mas se realmente continuar com essas ideias, você mesmo vai causar uma guerra.

Agora os olhos de Kamil endureceram, frios como gelo. Aquelas íris negras tão semelhantes e ao mesmo tempo tão diferentes das que Julian admirara nos últimos dias, no rosto de Elliot.

– Você sempre foi bondoso demais, Julie, e eu o amo por isso. Mas precisa entender que não é possível salvar o futuro sem sofrer perdas. A velha história de matar cem para salvar mil. As pessoas comuns, elas não podem ver, vão me acusar de atrocidades e querer me impedir. Mas sei que você me compreende, só precisa de um tempo para seu coração gentil aceitar que esse é o único jeito.

– Kamil...- Sua voz soou baixa, cheia de dor. A forma como ele falava, soava como Kamil em cada palavra, mas o significado do que estava dizendo...

– Vai entender Julian, sei que vai.- Ele fechou os olhos escuros e suspirou. Parecia triste e cansado.- Preciso resolver algumas coisas agora, vou dar um tempo a você.- Então abriu novamente os olhos e eles brilhavam com desejo e esperança, acima da tristeza.- Confio em você, Julie, como nunca confiei em ninguém, mesmo depois que me traiu. Podemos esquecer isso. Eu ainda te amo, sempre amei, e preciso de você. Sei que estou sendo egoísta, mas para ser forte o suficiente para levar isso adiante, eu preciso de você.

E saiu do quarto.

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Elliot e Cordélio subiam a colina em direção à fortaleza metálica da ilha, evitando os pontos onde sabiam que haveria mais guardas. Poderiam derrota-los, se fosse necessário, mas sempre era melhor evitar o combate. Enfim avistaram o contorno amplo da construção e os guardas patrulhando ao redor e esconderam-se ainda distantes, atrás das árvores.

Cordélio lembrou-se das palavras que os dois haviam trocado anteriormente, após obterem as informações que precisavam de um dos homens de Kamil, e do plano potencialmente suicida do loiro. Bem, era tarde demais para voltar questiona-lo agora, já havia concordado. E de qualquer forma não achava que poderia convencer Dante a desistir.

Observando as paredes lisas da fortaleza encontrou uma saliência fina que levava até o topo. Uma espécie de escada, talvez para emergências que exigissem evacuação rápida, e pouquíssimo recomendada para pessoas com medo de altura. Sorte que esse estava longe de ser seu caso.

Apontou a escada silenciosamente para Dante que assentiu, satisfeito. Então os olhos negros do menor passaram aos guardas que cruzavam as grandes portas da construção. Duas duplas eram visíveis nas proximidades e provavelmente haveria mais não muito distantes. Em cada dupla havia um homem armado com pistolas de modelo antigo.

Elliot retirou a própria arma do cinto e entregou a Cordélio.

– Tem certeza?- O moreno perguntou baixinho, guardando a arma do companheiro no cinto ao lado da própria.

Dante assentiu novamente.

– É melhor assim, se não estaríamos apenas dando mais armas a Gernot.- Respirou fundo.- Eu vou na frente e chamarei a atenção deles. Só saia quando tiver certeza que não será visto.

– Tudo bem. E Elliot...

– Sim?- Dante virou-se para ele e Cordélio não pode deixar de pensar como ele parecia muito novo e muito velho ao mesmo tempo, os traços suaves do rosto endurecidos pela responsabilidade e dever. Lembrou-se de seus irmãos mais novos, na casa de sua mãe em Breazinder, e desejou poder poupar Elliot daquilo, mesmo sabendo como o outro era forte.

– Só tenha cuidado.

Dante sorriu, um sorriso pequeno e sincero, que era raro em seu rosto. Então voltou-se para a frente e saiu de entre as árvores.

Mesmo a dupla de seguranças mais próxima levou algum tempo para avista-lo, com seus passos silenciosos, ainda que o loiro não fizesse questão de não ser visto. Imediatamente uma arma foi apontada em sua direção.

– Quem é você?- O homem perguntou, no mesmo idioma diferente que seu colega havia usado no interrogatório.

Dante se aproximou lentamente, com as mãos visíveis.

– Quero falar com Kamil Gernot. Ele está aqui?

Os guardas se entreolharam, confusos.

– Kamil não nos disse nada sobre visitas.- Disse por fim o que não carregava a pistola.- Como chegou na ilha?

– Avisem a Kamil que Dante Ventura está aqui.- Elliot respondeu, ignorando a pergunta.- Ele vai querer me ver.

– Não o tire de vista, ou da mira.- O homem falou, desconfiado, mas se afastou alguns passos e retirou um rádio do cinto. Pareceu trocar algumas palavras e então retornou até o companheiro. A essa altura os outros dois seguranças também haviam se aproximado e informado sobre o que acontecia.- Vamos leva-lo para dentro, Kamil quer falar com ele.

Internamente Dante sorriu, embora seu rosto permanecesse sério. Por enquanto o plano estava seguindo bem.

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Os homens levaram Elliot para dentro do forte por uma porta menor, escondida na lateral da construção. Tiveram o cuidado de retirar as armas que o garoto levava — uma adaga no pé direito do coturno, e outra no bolso da jaqueta — e prender seus pulsos com algemas. Então o guiaram por corredores estreitos de paredes lisas de metal, um deles apoiando o cano da arma entre seus ombros enquanto o outro caminhava a frente. O local era escuro e profundo o suficiente para que Dante desistisse de decorar o caminho, mas percebeu que estavam subindo. Isso era bom, mais próximo de Cordélio e da nave que os tiraria de lá.

Passaram por algumas portas nos corredores antes de pararem em frente a uma e o guarda da frente bater. Uma voz — a voz suave e melódica que Dante sabia pertencer ao responsável por toda aquela loucura — mandou que entrassem. A porta estava destrancada e foi aberta lentamente.

Lá estava ele, de costas para a entrada com um terno escuro impecável, as mãos cruzadas atrás das costas. Olhava para uma janela cujo vidro cobria toda a parede e permitia uma bela visão da ilha, embora pelo reflexo escuro fosse provável que quem olhasse pelo outro lado do vidro não pudesse enxergar a sala elegante em que estavam.

Kamil virou-se e encarou Dante com um sorriso contido, demorando-se nos pulsos algemados e na arma apontada para o rapaz.

– Bom trabalho.- Virou-se para os guardas ainda sorrindo e falando fluentemente no idioma deles.- Não tinha certeza se ele realmente viria até aqui. Não deve ter sido nada fácil de capturar, imagino.

Elliot segurou-se para não mudar a expressão. Seria mesmo melhor que Kamil pensasse que ele havia sido preso e não se entregado espontaneamente. A arrogância daqueles homens de quererem se gabar para o chefe dizendo que capturaram um invasor poderia ser usada a seu favor.

Aquele que estava armado tentou esconder a satisfação, visível em se rosto.

– Para onde devemos leva-lo, agora?

Kamil segurou o queixo com uma das mãos, por um instante pensativo.

– Venham comigo.- Disse por fim, e guiou o grupo para fora da sala.

Dessa vez percorreram um único longo corredor, ao final do qual havia uma pesada porta. Kamil deu espaço para que o guarda da frente abrisse-a com uma chave e a empurrasse, um som arranhado e as marcas no chão denunciavam que isso não era uma tarefa fácil.

O ambiente em que adentraram era mais escuro que a sala anterior, porém menos que os corredores. Tinha um ar rústico e antigo que não combinava com a aparência exterior da fortaleza e Elliot se perguntou há quantos anos existia. As paredes eram de pedra áspera e o piso de pedra lisa. Era um lugar amplo, mas pouco mobiliado: bancos próximos a entrada, coisas que pareciam gaiolas de vários tamanhos encostadas a uma das paredes e um armário de madeira escura e sólida ao lado. Da parede em frente a porta, no canto oposto do aposento, pendiam correntes com algemas na ponta, no tom entre dourado e laranja das pedras Ambrya. Foram para lá que se dirigiram.

Um dos homens manteve Elliot constantemente na mira da arma enquanto o outro soltava seus pulsos e os prendia nas novas algemas, os braços erguidos acima do corpo. Foi um momento de tensão, e Dante manteve a expressão séria, sem desviar os olhos de Kamil, que também observava-o com um sorriso. Por fim os guardas relaxaram quando tiveram certeza que o garoto estava bem preso. Elliot só conseguia pensar em como eles eram tolos, mas talvez não fosse culpa deles. Não deveriam ter tido um treinamento adequado.

Gernot dispensou seus seguranças, com palavras gentis, mas firmes e irredutíveis, quando eles não pareceram muito a vontade em deixa-lo a sós com uma possível ameaça. Mesmo que essa possível ameaça fosse um garoto baixo e aparentemente comum, algo em seus olhos o fazia parecer perigoso.

Por mais que desgostasse do fato, Elliot precisava admitir: Kamil Gernot sabia como conseguir a lealdade e inspirar as pessoas. Isso ficara claro quando interrogara aquele homem na praia, pelo modo como seus guardas se portavam e pelo tom de voz e expressão no rosto de Julian quando se referia ao antigo parceiro.

Por fim as ordens de Kamil foram obedecidas e ele e Dante estavam sozinhos no aposento. Um silêncio pesado, de expectativa e incerteza, pareceu tomar forma entre eles.

– Elliot Dante Ventura.- Kamil disse, cortando o silêncio, novamente no idioma nativo.- Filho do general Alphonso Dante Ventura, comandante do exército de Breazinder, uma das maiores forças militares do mundo, e tradicional parceiro politico de Ambryader na defesa e comércio das pedras Ambrya.- Sua voz soava entretida e curiosa, como se houvesse cruzado com o garoto em um corredor e sentisse vontade de conhecer alguém de quem só ouvira histórias.- Imaginava que teria de lidar com sua família em algum momento, mas não pensei que seria tão cedo.

Dante não respondeu, continuou olhando aquelas iris tão escuras quanto as suas, sem ver nenhum resquício de temor ou apreensão, apenas a curiosidade pura. Era o olhar de um cientista, um pesquisador dedicado.

– O Julian fez uma boa jogada, indo atrás de você. Me pergunto se ele realmente previu tudo isso ou apenas teve sorte. Esse plano tem mais a ver com a Lysbete do que com ele, na verdade. Talvez tenha sido ideia dela.

– Do que está falando?- Elliot sussurrou. Precisava de tempo, tempo para Cordélio conseguir a nave. E precisava de um modo de encontrar Julian.

– Hum.- Kamil segurou o queixo, um dedo sobre a bochecha, em uma expressão pensativa.- Vejo que o Julie não te contou muita coisa. Isso sim, é bem típico dele. Apesar de ser uma pessoa maravilhosa ele pode ser bem superficial às vezes.

Não entre no jogo dele.- Dante lembrou a si mesmo, mas não antes que a pergunta escapasse por seus lábios, levada pela tensão do momento.

– O que ele não me contou? Me diga, se o conhece tão bem.

Os olhos de Kamil brilharam. De alguma forma mostrar o quanto sabia sobre o antigo parceiro parecia agrada-lo muito.

– Quer saber como eu e Julian nos conhecemos, Elliot Ventura? Ele não lhe falou sobre isso, falou?

– Sei que trabalhavam juntos.- Falou, estreitando os olhos.- E é tudo que preciso saber.

– Ah, você não faz ideia de como esta enganado, filho de Breazinder. Está ignorando a essência da questão, com seus olhos cegos que só enxergam inimigos e batalhas, incapazes de ver a real aparência do mundo.- Falou com satisfação e um olhar de complacência que irritou o outro.- Eu e Julie nos conhecemos no palácio, quando ainda éramos apenas crianças. Nós crescemos juntos, trabalhamos juntos e passamos por mais experiências do que um dia você poderia sonhar em viver. Dividimos perdas, dores, conquistas, os sonhos. E também os primeiros beijos, as primeiras noites na mesma cama. No começo só nós dois, e depois dividimos também outras pessoas.

– Você é doente.- Dante falou, pois era a única coisa que conseguia pensar em dizer ao ver a chama lunática e descontrolada que era o homem a sua frente. A voz, os movimentos, os olhos, tudo nele parecia intenso demais, instável demais.

– Não que você saiba o que é isso.- Kamil continuou, como se não o tivesse escutado.- Posso imaginar como foi sua vida até hoje. Filho de um pai famoso, importante, mas distante. Decidido a supera-lo. Começou a treinar antes que todos os outros, fez questão de ser melhor que todos os outros. Você é uma maquina, Elliot Ventura, não um ser humano. Existe com o único propósito de lutar em guerras e derrotar seus inimigos e não sabe nada além disso.

Kamil sorriu e caminhou até um dos armários nas paredes, voltando de lá com uma espada na mão. Era uma arma fina e elegante, típica da nobreza.

– Eu poderia mata-lo agora. E então, de que teria servido todo esse treinamento? Talvez você não seja tão bom quanto pensava ou quanto fez os outros acreditarem que era.

Ele parou novamente na frente de Dante, a espada em sua mão apontada para o chão. O garoto estava tenso. Aquele homem era imprevisível. Ele precisaria agir no momento preciso, antes que Gernot perdesse o controle, ou seria tarde demais.

– Ou então, eu poderia deixa-lo incapaz de lutar.- Kamil continuou.- Tirar de você sua única finalidade, e o que você faria então? Seria apenas uma máquina quebrada!

Por um momento a voz dele mudou. Até então mantinha o tom calmo e sonhador, por mais perturbadas que suas palavras fossem. Mas naquele momento ele não pareceu sentir nada alem de ódio do garoto a sua frente, e aquilo se refletiu em seu rosto.

– Você não é o homem que o Julian pensou que fosse.- Dante disse no silêncio que seguiu o eco das palavras do outro.

O choque cruzou a expressão de Kamil e por um instante Elliot imaginou que ele fosse ataca-lo. Mas o moreno apenas ficou parado, encarando profundamente.

– E agora que ele sabe disso, não quer mais estar ao seu lado.- Prosseguiu, com a voz calma e baixa, observando atentamente o homem a sua frente.- Mas você não consegue aceitar.

– Você pensa que sabe alguma coisa sobre ele.- Kamil retrucou, a voz mais tranquila do que Dante esperava, e muito fria.- Pensa que sabe alguma coisa sobre Julian, apenas porque ele se interessou por você, como fez por tantos outros. Ele é assim, meu Julie, parte o coração das pessoas que se apaixonam por ele, com aquela mania dele de consertar coisas e pessoas quebradas. Ele não consegue evitar, não percebe que às vezes faz mais mal do que bem, precisa de mim para guia-lo como sempre fiz.

– Por que não deixa ele decidir do que precisa, e o que quer fazer?

– Cansei de você, e da sua arrogância.- Kamil cortou-o subitamente, começando a se virar para ir embora.

– Está dizendo isso porque sabe que estou certo!- Dante disparou antes que o outro se afastasse, erguendo a voz pela primeira vez.- O prende a você porque sabe que ele não ficaria por vontade própria.

– Acha que ele iria embora com você, se tivesse escolha?- Virou-se novamente.- Que escolheria você ao invés de mim?

O tom de Kamil soou verdadeiramente incrédulo. Era evidente que ele realmente acreditava naquilo, nas desculpas e ilusões que criara para justificar seus desejos. Finalmente o loiro compreendeu o olhar que vira no rosto de Julian, quando ele lhe falara de Kamil pela primeira vez. Não adiantaria conversar com alguém assim, seria impossível convence-lo. E mesmo assim Suez estava disposto a tentar.

– Por que não pergunta a ele?- Dante perguntou, e o cansaço e tristeza em sua voz foram inesperados até para ele próprio.- Dê a ele a chance de escolher, se tem tanta certeza.

Silêncio. Então, muito lentamente, Kamil levou a mão livre ao cinto e tirou seu comunicador. Por um momento, Elliot prendeu a respiração. Faltava pouco, e o resultado de tudo poderia depender dos segundos a seguir. Talvez já fosse tarde demais.

Kamil apertou um botão no aparelho, que após um momento emitiu um sinal indicando uma conexão bem efetuada. O loiro sentiu o coração voltar a bater.

– Tragam o doutor Suez aqui.

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Notas finais
Espero que tenham gostado! E como sempre, comentários, elogios, críticas, dúvidas e sugestões serão muito bem-vindos!