Ambição

4 Capítulo 004 (O Bote da Serpente)


Depois de provocar o acidente que matou a esposa de Guilherme, Vera se arrumou e foi à festa de inauguração da ONG 1 hora depois, enquanto Guilherme estava na empresa desesperado ligando para Vanessa, não obtendo resposta. Depois que chegou ao evento, Vera esperou um instante para ir falar com Guilherme e, vendo o desespero do sobrinho que já não tinha outra opção a não ser deixar a empresa e ir procurar pela esposa, decidiu se aproximar e cumprimentá-lo, estando ciente de que Guilherme, certamente, a perguntaria sobre a esposa:

Cena 01/ Vera chega na festa na festa e conversa com Guilherme/ 23h00min.

Vera – Guilherme, meu sobrinho? Você está bem? A preocupação em seu rosto é visível!
Guilherme (nervoso) – A Vanessa, Tia! Já liguei mil vezes pra ela e nada! Estou preocupado com o bebê! Vocês não vinham juntas pra cá? Cadê ela que não chegou ainda?
Vera – Guilherme, meu sobrinho, calma! Sim, nós vínhamos juntas pra cá, só que como eu não tinha conseguido nenhum táxi pra gente e eu ainda não estava pronta a sua esposa achou melhor vir na frente no carro dela! Na certa ela deve ter parado pra abastecer ou algum outro imprevisto deve ter acontecido, mas não há nada com o que se preocupar!
Guilherme (ainda nervoso) – Ela não devia ter vindo pra cá sozinha, ainda mais de carro! Ela está grávida! Precisa de segurança!
Vera – Ai, ó! Esse seu cuidado exagerado! A Vanessa é uma mulher adulta, não é nenhuma criança! E ela não iria cometer nenhuma imprudência no trânsito, não é? Ainda mais estando grávida! E você sabe que ela dirige muito bem!
Guilherme – Sim, tia. Mas o bebê... O nosso primeiro filho de sangue...
Vera – Está tudo bem com a sua esposa e com o meu sobrinho-neto! Faça o seguinte, meu sobrinho, vá receber os convidados que estão chegando e eu tento contato com a Vanessa, tudo bem? Ela vai chegar! Fica calmo!
Guilherme – Eu não sei se eu vou ter cabeça pra continuar com esse evento enquanto a minha mulher e o meu filho não estiverem aqui!
Vera – Guilherme, calma! Vai ter cabeça sim! Faça isso pela sua mãe! Eu vou achar a sua esposa! Fique tranquilo!
Guilherme – Tá, tia! Eu vou tentar, obrigado. Qualquer notícia da Vanessa me avisa!
Vera – Tá, meu sobrinho! Eu vou lá pra fora pra tentar ligar pra ela e enquanto isso você recebe os convidados e continua com o evento, tá bom? Fica tranquilo! Esta tudo bem com a Vanessa e com o bebê.
Guilherme – Tá, tia, obrigado! Eu vou lá receber os convidados.

Cena 02/ Vera sai pra fora e retorna depois da notícia/ 23h30min.

Vera sai e Guilherme vai receber os convidados. Chegando lá fora Vera observa os carros passando e tira o celular da bolsa. Ao discar o número de Vanessa a ligação cai na caixa postal e Vera deduz o óbvio: que seus planos se concretizaram. Um tempo depois vieram as notícias na internet. Foi inevitável que todos os convidados que estavam na festa àquela noite consultassem a internet e ficassem chocados com a notícia que pulou aos seus olhos. Um acidente de carro que matou a esposa de um grande empresário. De repente somente Guilherme não sabia o que estava acontecendo. Todos os convidados o olhavam com uma expressão inexplicável no rosto. Guilherme percebeu algo de errado no ambiente e ficou ainda mais preocupado. Vera, que estava lá fora, também já estava ciente da notícia que havia saído na internet e não tinha outra alternativa a não ser entrar e encarar Guilherme. Ao entrar Vera chamou o sobrinho para conversar num lugar mais reservado e revelou a Guilherme o motivo da expressão que surgiu no rosto dos convidados. De uma forma fria e sem redeios, Vera revelou ao sobrinho que a esposa havia morrido em um acidente de carro enquanto vinha pra festa. Guilherme ficou sem chão. Todos os planos que havia feito com a esposa tomaram sua mente e Guilherme gritou:

Cena 03/ Guilherme recebe a notícia da morte da esposa e fica transtornado/ 23h40min.

Guilherme (transtornado) – Nãããão! Não pode ser! Diz que é mentira! Diz que a minha esposa não morreu! (gritando) Diiiiiiiiz!!!
Vera (fingindo choro e preocupação) – Eu gostaria muito de dizer que é mentira, mas eu também vi a notícia quando fui lá fora! Uma tragédia!
Guilherme – Não! Não! Não pode ser! Não era a Vanessa nesse acidente! Ela tá vindo pra cá! Ela tá vindo com o meu filho. Nosso primeiro filho. Logo o Cadú vai voltar e a gente vai ser uma família feliz! Não pode ser! (chorando) Não pode ser!
Vera abraça Guilherme.
Vera – Eu estou aqui, meu sobrinho. Eu vou te ajudar. Eu vou te ajudar a passar por mais essa provação. Eu vou te ajudar...
Guilherme aumenta o choro e continua abraçado à Vera.
Resta à Vera a tarefa de cancelar o evento e explicar aos convidados que Guilherme não voltará mais àquela noite. Os convidados logo deduzem o motivo do cancelamento e vão embora.
Depois da morte da esposa, Guilherme não suporta a tragédia e adquire um trauma. Manipulado por Vera o pai de Cadú é internado numa clínica de reabilitação e Vera, finalmente, concretiza seus planos. Vera e seu marido Martinez assumem o comando da empresa e anunciam mudanças no regimento da Malvo. Enquanto Martinez assume a presidência da empresa, Vera fica na diretoria, não respeitando o cargo e passando a tirar proveito dos lucros da empresa. Depois de um tempo, Martinez, já há algum tempo no comando da empresa, decide marcar uma reunião com os acionistas para discutir a situação da ONG:

Cena 04/ O destino da ONG/ 15h30min.

Martinez – Bom eu imagino que todos aqui presentes já estejam cientes do motivo dessa reunião. Estamos como uma pendência que precisa ser resolvida. A situação da ONG, que estava prestes a ser inaugurada.
Vera está sentada perto do marido e toma a palavra.
Vera – Pra mim não há nada o que discutir. Se nem o meu sobrinho Guilherme e nem a minha irmã Laura estão mais aqui para cuidarem desse projeto eles mesmos, eu sugiro que a Malvo não deva mais assumir os custos da ONG. Sugiro a desativação imediata.
Os outros acionistas permanecem em silêncio por um instante e Fernando, um amigo de Guilherme que apoiava o projeto rebate as palavras de Vera:
Fernando – Bom, eu acho essa proposta da Vera um absurdo. Esse projeto sempre veio em primeiro lugar na empresa e agora, simplesmente, vocês sugerem que ele seja deixado de lado?
Vera – A Malvo não tem condição nenhuma de continuar bancando um projeto dessa dimensão, que não dará nenhum lucro à empresa!
Fernando – Mas o objetivo nunca foi esse: lucro. Esse é um projeto social que a Malvo tem, sim, condições de bancar e que poderia trazer uma visibilidade ótima para a empresa, não só pelo prestígio, mas pra mostrar também que a Malvo não está interessada apenas em ganhar dinheiro, mas também em apoiar projetos sociais.
Vera – Projetos sociais não trarão lucro à empresa!
Fernando – E você, Martinez? Só a sua esposa toma a palavra? Parece até que ela é a presidente empresa!
Martinez – Bom eu sugiro uma votação para a resolução dessa questão.
Martinez, então, pergunta aos acionistas quem é contra e quem é a favor da desativação da ONG. Apenas o voto de Fernando e de um outro acionista se mostram contra a desativação. Vera, imediatamente, se mostra a favor e conta com o apoio de outro acionista. É criado, então, um empate. Martinez hesita em dar o seu voto mas, pressionado pela esposa, decide pela desativação da ONG. Vera comemora o resultado e Fernando se mostra inconformado com a decisão. O rapaz logo dispara:
Fernando – Se o Guilherme estivesse aqui, está reunião nem estaria acontecendo! Com pensamentos ambiciosos, vocês levarão essa empresa pro buraco!
Vera – Se não está satisfeito com o regimento da empresa, sugiro que venda as suas ações. Se quiser pode vendê-las a mim.
Fernando – Eu poderia muito bem vender, sim, as minhas ações e pular fora! Mas o Guilherme não está aqui para ver essa manipulação na Malvo! Eu vou fazer o meu melhor para evitar que a Malvo perca a sua identidade!
Martinez – Bom, vamos parar com a discussão! A decisão já está tomada e eu declaro por encerrada essa reunião!
Vera sorri ironicamente para Fernando que responde com um olhar de desconfiança. Quando todos se retiram apenas Vera e Fernando permanecem na sala de reuniões:

Cena 05/ Fernando confronta Vera/ 16h00min.

Vera (em tom de ironia) – Satisfeito com o resultado?
Fernando – Eu saquei qual o seu jogo.
Vera – Ah, é? Então qual é?
Fernando – Você está manipulando o seu marido aqui dentro dessa empresa. É como se você fosse a presidente!
Vera – Só que eu sou apenas uma diretora nessa empresa!
Fernando – Para com cinismo! O Martinez te deu esse cargo apenas como fachada! Eu sei que as suas ambições são outras!
Vera – Que pena que você é um acionista e eu não possa te botar pra fora dessa empresa, por que eu teria o maior prazer em fazer isso!
Fernando – Ah, claro! Só dois toques no seu marido e ele obedeceria sem piscar as suas ordens, não é?
Vera – Você vai se arrepender de estar me confrontando desse jeito!
Fernando – É o que vamos ver!
Vera se retira e deixa Fernando sozinho, que bate na mesa inconformado com o resultado da reunião. Em seguida Vera se dirige para a sala do marido:

Cena 06/ Vera repreende Martinez/ 16h20min.

Vera – Que cena foi aquela na reunião? Por um acaso você pensou em votar a favor daquela ongzinha e levar esse absurdo adiante?
Martinez – Não, Vera! Eu apenas pensei que...
Vera – Pensou nada! Quem decide sobre o futuro do patrimônio da família sou eu! E você sabe muito bem que eu posso te retirar da presidência quando quiser, não sabe?
Martinez – Sim, eu sei... Mas tudo saiu como você queria, não foi? A ONG não é mais problema para você.
Vera – Melhor assim! E eu espero que você não cometa mais nenhum erro em relação à empresa. Fui clara?
Martinez – Foi.
Vera sai e deixa o marido pensativo. Em seguida ela vai pra casa. Chegando lá ela tem uma surpresa. Ao abrir porta de casa entrar Vera encontra a empregada com o telefone na mão e uma expressão de preocupação em seu rosto:

Cena 07/ Cadú entra em contato para saber da família/ 17h00min.

Lenice – É o Carlos Eduardo, dona Vera, filho do Dr. Guilherme.
Vera fica sem ação e recebe o telefone. Em seguida ela ouve a voz de Cadú e fica imóvel:
Cadú – Alô? Pai? Mãe? Alguém? Tem alguém aí?
Vera permanece imóvel e não responde.

Fim do capítulo

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.