Amargo Prazer

18 Cap. 18 - Não Seria Apenas Um Encontro


Carly passou novamente correndo por mim, mas desta vez eu consegui agarrar seu braço. Ela, me encarou, fazendo beicinho e parecendo decepcionada, mas permaneceu ao meu lado, o que não me deixou nenhum pouco segura para deixá-la correr por aí. Quando soube que ela não teria aula e que eu deveria trazê-la comigo, nunca pensei que me daria tanto trabalho

- É apenas uma suíte, mas como pode ver, a senhorita pode aumentar posteriormente o outro quarto – o corretor falou guiando-nos — Tem uma área de serviço grande e que-

- Carly! – eu gritei quando ela soltou da minha mão e voltou a correr pelo apartamento. Crianças são desobedientes. Tenho que anotar isso para nunca ter filhos. Eu olhei para o corretor, envergonhada – Desculpe-me, ela não é assim sempre – eu sorri, esperando que a cara de anjinho da Carly o convencesse de que ela realmente não era assim. Foi por água a baixo quando, minutos depois, ela perguntou se ele usava peruca porque "O vovô Abe disse que todos os homens velhos usam peruca". Honestamente, eu queria muito conhecer o pai de Carly, porque aquilo ela com certeza não havia puxado de Megan.

- Obrigada senhor Forbes, — falei quando terminamos de olhar o apartamento – Realmente gostei dele, mas eu acho melhor olhar outras opções antes de fecharmos o contrato.

Um sorriso em sua face não se abalou, e eu realmente não esperei que fosse. Corretores eram como cobras, sabiam exatamente o que faziam e não se deixavam abalar facilmente.

- Claro, claro – ele falou, abrindo um sorriso cheio de dentes para mim – Mas creio que a senhorita esteja ciente de que eu vou mostrar a casa para outras pessoas.

Estreitei meus olhos para ele, entendendo bem a mini ameaça que ele queria me fazer.

- E mesmo assim eu vou visitar outros apartamentos – falei determinada – Vamos Carly, já vimos tudo por aqui.

Eu dei adeus ao corretor e saí dali com Carly. Humpf! Como se eu já não tivesse conhecido pessoas como aquelas.

Sydney já estava nos esperando do lado de fora do prédio, encostada contra o muro e parecendo pronta para desmaiar de sono a qualquer momento mesmo já sendo quase cinco da tarde.

- Esse lugar aqui é um tédio. Não tem nada legal por perto e as pessoas parecem nem saber que esse bairro existe – falou mal-humorada e eu ri do seu exagero – Como vai princesa? – ela perguntou dando um beijo no rosto de Carly.

- Bem, mas não vamos ter uma piscina aqui – ela respondeu, me fazendo revirar os olhos.

- Eu sei, Rose me falou sobre isso também – ela sorriu para Carly antes de me encarar. Syd não era muito de sorrir de manhã e parecer feliz, então quando seu sorriso ficou ainda maior e ela parecia ligeiramente animada, eu já sabia o que ela diria – E então, nossa solteirona tem um encontro?

- Não um encontro como você pensa, Syd – o tom cansado em minha voz era uma dica para que ela não insistisse muito – Não vai ter nada de romântico, vamos apenas conversar e-

- Se conhecerem melhor, eu sei, eu sei. Mas você me entende quando eu penso que isso vai te fazer bem. Quer dizer, aquele cara ignorou Damon e eu nunca tinha visto ninguém fazer isso. Ele deve valer a pena, uh?

- Se eu não achasse isso, acredite, ele estaria bem longe – afirmei quando entramos numa lanchonete que havia na esquina, antes que eu ouvisse Carly reclamar por estar com fome. Mesmo que ela não tivesse mesmo meu sangue, nisso éramos bem parecidas.

- Acho que todos sabem como funciona o método cai-fora de Rosemarie Mazur. – ela brincou quando escolhemos uma mesa – Eu vou querer um suco de laranja natural, e você?

- Hambúrguer, fritas e coca-cola! – Carly gritou animada.

- Isso aí, para mim também. – eu disse, fechando o cardápio e falando nosso pedido para a garçonete que nos atendeu.

- Você não devia deixar a garota comer essas porcarias, Rose. Faz ideia de quanta fritura e corante tem nisso?! São as maiores drogas inventadas pela culinária, se você quer saber.

-Não seja chata Sydney. – eu disse e ela torceu o nariz – Como vão as coisas na boate?

- Uh, na mesma. Na verdade, eu não sei se ela vai continuar por muito tempo. Semana passada Damon estava tendo uma conversa com todos os funcionários. Atrasou a maioria dos pagamentos. Acho que não estamos mais tão bem – falou pensativa e eu me ajeitei na cadeira, olhando de lado para Carly que estava entretida tentando achar a saída para o labirinto que estava desenhando em uma folha de papel.

- E por que isso agora? – perguntei.

Ela deu de ombros.

- Não sei ao certo, mas estão dizendo que Damon deve muito dinheiro para algumas pessoas. Pessoas sujas, Rose. E é por isso que eu estou caindo fora de lá. Acho que já tenho o suficiente para poder começar de novo, longe de tudo isso. Eu só preciso de mais alguns dias – ela deu um fantasma de um sorriso e eu segurei sua mão por cima da mesa.

- Se você quiser, pode ficar comigo e com Carly por um tempo – eu ofereci e ela apertou minha mão.

- Obrigada.

Nossos pedidos chegaram e voltamos ao tópico sobre meu encontro com Dimitri quando chegamos à minha casa e ela se sentou na cama para me ajudar com a roupa.

- O que acha desse? – perguntei segurando um vestido vermelho em frente ao corpo.

Sydney tombou sua cabeça para o lado, analisando minuciosamente o vestido.

- Muito para um primeiro encontro – ela disse – Qual o problema do prata?

- Quando eu me movo pareço uma estrela – falei olhando desgostosa para o vestido que estava sobre a cama, jogado desajeitadamente – Ok, que tal calça uma jeans, salto alto e-

- É um encontro Rose, você tem que parecer casual, mas não como se dissesse que não está nem aí.

Eu joguei o vestido vermelho nela que o segurou rindo.

- Eu já tive outros encontros, Sydney, não se esqueça. – puxei um preto que estava dentro do guarda-roupa e o mostrei a ela. Ele ia até um pouco abaixo das coxas com mangas até os cotovelos e com uma leve abertura nas costas.

- Perfeito! – ela disse batendo palmas e eu me virei para o espelho.

- Certo, será esse – eu disse e me virei para trás quando Sydney pulou da minha cama.

- Droga! – ela disse parecendo irritada – Estou atrasada! – ela calçou sua sandália rapidamente e pegou sua jaqueta marrom – Eu ainda tenho que trabalhar para juntar um pouco mais de dinheiro – falou com uma careta – Dê um beijo em Carly por mim! – ela gritou, já saindo do quarto. A próxima coisa que eu ouvi foi a porta lá em baixo ser fechada.

- Agora é só você, Rose – eu disse para mim mesma.

Deixei o vestido em cima da cama e fui até o quarto de Carly, vendo que ela continuava em sua cama e desenhando, parecendo compenetrada no que fazia. Quando me notou, ela levantou a cabeça e sorriu, erguendo em seguida a folha do seu desenho para mim. Eu caminhei até ela e a peguei.

- Sou eu, você e a mamãe. – ela disse.

A que supostamente era ela era a mais baixinha do desenho, ao seu lado parecia ser Meg e a terceira, segurando o que parecia ser a mão de Meg, estava eu. Eu sorri, notando uma forma estranha no canto.

- E o que é isso?

- Papai, eu acho – ela deu de ombros e pegou outra folha, começando a desenhar em seguida. A ponta de sua língua para fora enquanto ela fazia mais rabiscos.

- E porque você o riscou todo? – eu perguntei.

- Eu não sei – levantou a cabeça. O cabelo claro caindo em seu rosto – A senhorita Caroline disse para desenhar a família, mas eu não sabia como desenhar ele, aí risquei. Você vê os raios ao seu redor? – ela perguntou, seu pequeno dedo trançando alguns rabiscos azuis – É a chuva. O que você achou?

Eu sorri, tentando não parecer infeliz por ela.

- Está lindo princesa.

Ela sorriu de volta.

- Esse é seu. Eu vou fazer outro para mim.

- Certo. – eu disse, caminhando para a porta – Eu vou tomar um banho agora. Qualquer coisa me chame tudo bem?

Ela assentiu e eu saí do seu quarto. Deixei o desenho em cima do criado-mudo e fui tomar meu banho. Quando terminei comecei a me arrumar. O vestido preto ficou melhor do que eu esperava quando eu coloquei meus saltos. Sequei meu cabelo rapidamente e o escovei, deixando ondas se formarem ao longo de seu comprimento. Eu passei uma maquiagem leve, apenas rímel, base, sombra e gloss, nada que ficasse exagerado demais. Afinal, o que Dimitri pensaria se eu me arrumasse muito? Para falar a verdade, era eu quem estava ansiosa para esse encontro, não ele.

Uma batida soou na porta e eu disse para entrar. Liesel colocou sua cabeça para dentro do quarto.

- O homem daquele dia está aí fora, digo para ele entrar?

- Ah, não precisa, eu já estou indo – procurei pela minha bolsa-carteira, colocando meu celular, documentos e um pouco de dinheiro dentro. Desliguei a luz do meu quarto e desci as escadas com Liesel ao meu lado. – Você sabe, me ligue-

- ...Se algo acontecer. Carly não pode dormir tarde e nem comer chocolate se não comer todos os legumes. Tem comida na geladeira então eu não preciso ligar para nenhuma pizzaria. Eu sei disso tudo.

Eu a olhei agradecida. Carly estava parada no final das escadas com os braços abertos e sorrindo. Eu a peguei rapidamente, dando um beijo em sua bochecha.

- Comporte-se, tudo bem? – ela balançou a cabeça e eu a coloquei no chão – Eu prometo que não volto muito tarde.

Despedi-me delas e assim que abri a porta dei de cara com Dimitri.

Era aquele o momento em que eu me sentia medíocre com aquele vestido? Ou talvez, o momento em que eu pensava em correr para dentro e colocar algo que chamasse mais atenção? Se antes, poucos momentos antes, eu havia pensando que aquilo não seria nada demais para Dimitri, eu agora estava totalmente desacreditada quanto a minha estúpida teoria. Honestamente, se ele havia se arrumado para aquele encontro, pensando em me fazer perder o fôlego, deu completamente certo!