Amargo Lar

29 Capítulo Vinte e Oito — Confusa


Notas iniciais
Capítulo dedicado para a Mariana que recomendou, muito obrigada por todo o carinho, flor! Boa leitura! :D

Edward Masen

Renesmee parecia tão feliz aquele dia, que mesmo exausto do trabalho, de ter dirigido por uma hora até Port Angeles e de estar com dor de cabeça, eu não conseguia me sentir triste. A felicidade dela era a minha também.

Nós tínhamos partido para Port Angeles logo depois que suas aulas acabaram aquele dia, com Emmett e Alec. Eu prontamente topei a ideia do meu amigo de sair um pouco com as crianças, estava estressado depois de um dia horrível no hospital preso nos consultórios, tendo que atender meus pacientes e de outro médico que teve de se ausentar, então um pouco de diversão seria muito bem vindo.

— Quem te ensinou a patinar? — Ariel perguntou enquanto eu a ajudava com os patins, nós dispensamos o cinema quando passamos na frente da pista de gelo e, Alec clamou por aquilo. Ele e o pai já estavam na pista, deslizando facilmente pelo gelo como se tivessem nascido sobre patins.

— Carlisle — contei, firmando os patins nos pés dela, com medo que eles se soltassem no meio da patinação. — Eu tinha uns quatorze anos, acho — murmurei tentando me lembrar com exatidão. — Nós estávamos de férias no Alasca.

— O Alasca é bacana? — Renesmee indagou curiosa, enquanto arrumava o gorro sobre sua cabeça. O inverno definitivamente estava próximo naquele onze de novembro.

— Frio demais. — Dei de ombros, sorrindo para ela. — Eu ainda prefiro a Califórnia. — Pisquei para ela.

— É muito difícil? — Ela estava hesitante, olhando para os patins em seus pés.

— Um pouco, no começo, mas você logo irá se acostumar — falei, olhando para trás na direção da pista, onde Alec e Emm continuavam indo muito bem. — Você não quer ir? Alec ia ficar se gabando por isso. — Ela e Alec aparentemente estavam disputando por tudo, mas de maneira saudável, Rosalie era claramente a grande influenciadora disso, eles acabariam tendo as maiores notas da classe graças a vontade de alcançarem o primeiro lugar.

— Não, eu quero ir sim! — Ariel exclamou determinada. — Você não vai me deixar cair, né? — Seus olhos castanhos se encontraram com os meus.

— Eu prometo nunca lhe deixar cair, pequena! — Beijei suas mãos. — Pronta para um pouco de diversão?

— Sim, vamos lá! — Ariel tentou se colocar de pé, o que não deu certo com os patins que usava.

— Calminha ai, bailarina — falei sério, a segurando quando seu corpo bambeou. — Não queremos que você estrague seus belos dentes brancos indo de cara ao chão. — Ela riu, eu me coloquei de pé, então a levei até a pista com cuidado, tirando as proteções das lâminas dos nossos patins. — Segure firme em minhas mãos, okay?

— Não vá cair, meu homem, eu odiaria ver sua bunda ralada! — Emm gritou para mim quando passou como uma bala por nós. Duas senhoras que estavam próximas a barra de proteção me olharam chocadas com a falta de senso de Emmett, apenas sorri para elas, voltando-me para Ariel.

Ela não caiu, eu estava lá a todo momento para segurá-la antes que algo desse errado, mas ela estava claramente nervosa e, não conseguiu ir muito longe aquele dia. Mas, foi um bom momento, até mesmo Alec tentou ensiná-la com o que sabia e, Emm tirou várias fotos ao meu pedido.

— Na primeira vez cai de boca — Alec contou para Ariel quando fomos comer em uma pizzaria ali perto. — Não foi, pai? — perguntou para Emmett.

— Rose quis me matar quando viu o dente dele quebrado, sorte que era de leite — Emm disse de boca cheia, Ariel fez uma careta com aquilo.

— Foi tããão engraçado! — Alec exclamou, também de boca cheia, ele e Emmett batendo mãos e gargalhando.

Eles eram pai e filho, eu nunca suspeitaria que não eram caso não soubesse sobre Royce. Mesmo não sendo parecidos fisicamente, eu via Emm refletido em Alec. Como eu vi muito de vovô Sam em papai e, de papai em mim. Estava lá, talvez imperceptível para a maior parte das pessoas que visse de longe, mas claro para as que viam de perto, a marca que um pai deixava em um filho.

Observei Ariel, que comia rindo com Alec, ela parecia feliz, eu estava feliz com ela. Mas, não sabia até onde eu conseguira influenciar em sua vida. Um pouco, muito, queria que fosse apenas o suficiente para que a figura de Charlie não fosse sua única influência paternal, não quando essa foi tão negativa.

— Você se divertiu? — perguntei a ela quando abri a porta do banco de trás do meu carro para que pudéssemos deixar Port Angeles, Emm já estava deixando o estacionamento com Alec em seu carro.

— Muito — Renesmee cantarolou, entrando no carro e prontamente colocando o cinto como eu sempre exigia dela.

Contornei o carro até o banco do motorista.

— Eu só queria que Bella estivesse aqui, será que a gente pode vir com ela outro dia?

— Claro — concordei, eu também sentia falta de Bella e, sabia que ela devia estar irada por ter ficado presa na reunião escolar em plena noite de sexta-feira. — Nós a traremos aqui assim que tivermos um tempo — prometi, começando a dirigir.

Vi Ariel sorrindo pelo retrovisor.

— Você é muito mais legal do que James! — ela anunciou inocentemente, fazendo com que eu engolisse em seco.

— Chegou a conhecê-lo, antes daquele dia?

— Não — Renesmee murmurou. — Mas, papai sempre dizia nomes feios sobre ele — falou mais baixo ainda.

Eu fiquei preso em um engarrafamento em uma das vias principais de Port Angeles, então me voltei para Ariel no banco de trás.

— Você sente falta do seu pai, Ariel?

Ela pressionou os lábios, os olhos caindo para suas mãos em seu colo.

— Sim — respondeu por fim.

Claro que ela sentia, era o pai dela mesmo depois de tudo, eu não podia culpá-la por algo daquele tipo.

— Bells não sente — disse, olhando para mim rapidamente, antes de voltar a encarar suas mãos. — Eu não devia sentir também, né?

— Não, não Ariel — neguei. — Bella tem os motivos dela para não pensar em Charlie, mas isso não significa que você não possa pensar nele.

O trânsito continuava parado e, eu me sentia um pouco sufocado com aquela conversa. Charlie tinha tido duas filhas incríveis, mas ele não deu nem um terço do amor e carinho que ambas mereciam.

— Ele não era legal — Ariel confessou. — Tio Emm é legal com Alec, papai não era assim comigo. — Vi uma lágrima escorrer por seu rosto e, prontamente me estiquei para limpá-la.

Alguém bateu em minha janela, me dando um susto, mas logo vi que era um guarda de trânsito e abaixei o vidro.

— Olá senhor! — O homem me saudou. — Aconteceu um acidente lá na frente, se estiver querendo sair da cidade infelizmente terá de esperar mais um pouco, mas caso esteja indo para algum lugar aqui mesmo em Port Angeles pode fazer o retorno.

— Nós estamos saindo da cidade — expliquei. — Eu sou médico, vocês precisam de alguma ajuda?

— A equipe médica já chegou, mas obrigado pela oferta. Talvez o trânsito fique parado por mais alguns minutos até que o trecho seja completamente liberado.

Assenti, então ele se afastou para o carro atrás do meu. Localizei o de Emm próximo, o que imediatamente me manteve calmo, Alec e ele estavam bem.

— Eddye?

Voltei minha atenção para Renesmee.

— Sim, querida?

— Você não vai mesmo embora, né?

— Nunca — afirmei.

— Okay. — Concordou com um aceno de cabeça, seus olhos finalmente se encontrando com os meus. — Eu não quero que você vá — anunciou. — E, Bella chorou muito antes, ela ia chorar de novo.

Bella chorou quando James foi, pelo modo como ele tinha ido e, pela confirmação de que ele não era o cara perfeito que tinha idealizado em sua mente.

— Você a ama muito, não é Ariel?

Renesmee assentiu, sorrindo.

— Eu senti muito a falta dela, quando ela esteve em...

— Seattle? — sugeri.

— Isso, em Seattle. Eu pensava que ela ia voltar a qualquer momento e me dar mais um pouco de macarrão com queijo, mas ela nunca voltava. — Tinha choro em sua voz, mas ela não o chorou. — Papai dizia que eu estava sendo burra, que ela nunca ia voltar, assim como mamãe nunca voltou.

Eu quis conhecer Charlie ali, só para dar um soco na cara dele por ter dito que Ariel era burra.

— Eddye, a Bells voltou, a mamãe vai voltar também?

Prendi a respiração, não era um bom momento para aquela conversa. Tinha pensado em Renesmee perguntando sobre Renée no dia do meu encontro com Bella e, sabia que aquilo ia acontecer algum dia, mas não esperava que fosse tão rápido.

— Não sei, Renesmee. — Fui sincero. — Eu, ou sua irmã, nós não podemos lhe responder isso.

— E-Eu queria ter conhecido ela — sussurrou. — Por que ela foi embora, Eddye?

— Renesmee, às vezes adultos cometem erros, às vezes eles estão tão confusos que não sabem o que estão fazendo. Então, eles erram e, isso pode atingir as pessoas ao redor deles — expliquei, ela prestava atenção em cada palavra que eu falava. — Quando sua mãe foi embora, ela machucou a Bella e você, mas nenhuma de vocês duas tem culpa por isso, entendeu? — Ariel confirmou com um aceno positivo de cabeça. — Eu não posso lhe dizer o motivo que sua mãe partiu, mas posso prometer que Bella e eu sempre estaremos aqui para tentar lhe ajudar a superar o fato de Renée ter ido embora.

— Por que Bells foi embora antes?

— Ela estava confusa também. — Afaguei o rosto de Ariel. — Muito confusa, querida, mas ela está de volta agora e nunca mais irá ir.

— Você já ficou confuso?

— Um milhão de vezes, Ariel — confidenciei. — E, eu já errei muito também. Mas, estou procurando acertar agora.

— Por quê?

— Por Bella — falei. — E, por você.

Ariel voltou a sorrir.

— Eu te amo, Eddye! — ela falou, me pegando de surpresa, meu peito se tornando um lugar pequeno demais para meu coração. — Bells disse que eu devia deixar você saber disso.

Tirei o cinto, esticando-me até o banco de trás para beijar sua testa, as lágrimas tomando conta dos meus olhos.

— Eu amo você também, Ariel — declarei, vendo o rosto dela tão cheio de lágrimas quanto o meu.

— Ninguém disse que me amava antes da Bells, você e ela são os primeiros — Renesmee sussurrou.

— Nós dois te amamos, Ariel. — Limpei seu rosto. — Nós te amamos muito, vamos acertar com você, eu prometo isso.

***

O grande sorriso em meu rosto não se desmanchou por um segundo durante o caminho de Port Angeles até Forks, ele foi até mais resistente do que Ariel, que dormiu na metade do caminho. Ela me amava, isso era algo grande, eu claramente podia passar o resto da minha vida a amando sem que o sentimento fosse recíproco, mas ele ser tornava tudo mais especial.

Quando ela disse as três palavras, foi quando Bella disse que estava apaixonada. Um mundo novo se estendendo diante de mim e, foi naquela noite de volta para Forks, que entendi quando tia Esme me mandou viver algumas semanas antes, uma grande parte de mim tinha morrido com meus pais e, eu estava me arrastando sobre a Terra depois do meu próprio acidente quando pensei que finalmente ia seguir o mesmo caminho deles, então, eu tinha um mundo novo a perseguir.

— Ei, ela parece desmaiada — Bella falou quando abriu a porta de sua casa.

— Oi! — Me inclinei até ela para beijar sua cabeça, tomando cuidado para não acordar Ariel em meu colo. — Senti sua falta.

— Eu também — ela disse, pegando a mochila de Renesmee das minhas mãos, deixando com que eu fosse na frente até o quarto da pequena. — Vocês se divertiram? — perguntou, enquanto colocávamos Ariel em sua cama, tirando suas roupas com cautela a colocando em um pijama.

— Ela disse que me amava. — Eu não pude esconder o orgulho em minha voz ao dizer aquilo.

Bella tirou os olhos de Renesmee, se voltando para mim, sorrindo.

— Claro que ela disse, você está nos céus, não é?

— Além disso. — Suspirei, afagando os cachos de Ariel. — Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo, o próprio dono do mundo.

Bella e eu terminamos de arrumar Ariel, então saímos do quarto da garotinha adormecida.

— Como ela disse? — perguntou ainda sorrindo quando chegamos à sala.

— Nós tivemos essa intensa conversa no carro, enquanto estávamos presos no engarrafamento. Ela falou sobre você, Charlie e Renée...

— Falou sobre Renée? — O sorriso no rosto de Bella morreu.

— Ela queria saber o que a levou a ir embora, se ela voltaria, coisas do tipo.

— O que você disse? — perguntou preocupada.

— A verdade, que nos não podíamos dizer o que realmente levou Renée para longe, muito menos se ela um dia voltaria.

— Ela não vai voltar, Edward — Bella afirmou. — Renée esteve por fora durante dez anos, ela não teve interesse algum sobre Renesmee ou eu nesse meio tempo.

— Bella, ela pode aparecer. — Sentei no sofá, a puxando para baixo junto comigo. — Sim, as probabilidades são mínimas, mas existem. Olhe, os pais de Rose foram completos idiotas com ela, não é? Mas, eles voltaram, ou tentam voltar a vida dela mesmo depois de tudo aquilo. Eu não estou dizendo que você deve permitir Renée em sua vida novamente, mas não podemos descartar a hipótese de que um dia ela pode aparecer.

— E na de Renesmee, Edward? — Bella me encarou brava. — Eu posso permitir que Renée volte a vida da filha que ela deixou para trás? Ness tinha só três meses, era um bebezinho que não conhecia o mundo quando Renée foi embora, eu posso permitir que essa mulher volte a vida da minha irmã?

— Você sabe que não posso decidir isso, Bella.

— Você permitiria se estivesse no meu lugar, é bom demais para tanto ressentimento assim. — Bufou, afastando-se de mim com brutalidade, tirando meu braço de cima de si.

— Ei, calma ai, não é de mim que está com raiva, Bella. — Virei seu rosto para o meu. — Não desconte na pessoa errada.

Ela assentiu, seus olhos se enchendo de lágrimas.

— Desculpe por isso — pediu. — Eu só não quero Renée na mente de Renesmee, isso é fodidamente errado, ela nos abandonou, não é justo que ela esteja presente mesmo depois de ter ido.

— Renesmee pensa que se você voltou, Renée também pode — falei, Bella prendeu a respiração.

— Claro, isso sempre volta ao dia que eu deixei a droga dessa casa. — Passou as mãos por seu rosto. — Eu nunca vou me perdoar por ter ido embora, foi a maior estupidez da minha vida.

— Bella, você não pode viver presa a isso.

— Você procuraria por Renée, não é? Se ela fosse sua mãe que tivesse te abandonado — indagou.

— Eu realmente não sei, Bella. Estaria mentindo se falasse que entendo como você e Renesmee se sentem por terem sido abandonadas por ela, posso me colocar no lugar de vocês duas, posso me visualizar ter passado por tudo que passaram, mas no final não vou sentir nem a metade do que sentiram. Estaria sendo apenas um cara idiota dando sugestões sobre algo que não sei como realmente é. Nunca vou falar se você deve ou não procurar por Renée, Ariel não pediu que eu fosse atrás dela. Isso é algo entre vocês duas, no entanto, eu estarei por perto para qualquer escolha que tomem sobre Renée, você sabe disso.

Bella assentiu, limpando o rosto.

— Eu sei, sei que estará aqui por nós duas. — Segurou em minha mão. — Sério, me desculpe ter sido grossa, você estava tão feliz por Renesmee ter dito que te amava, eu estou estragando tudo, tire Renée de nossas mentes e fale como nossa garota confessou seu amor — pediu voltando a sorrir, ainda que as lágrimas estivessem em seus olhos.

Não pude deixar de me sentir mais feliz com o modo como ela se referiu a Ariel como nossa, pois aquilo era a grande verdade. Renesmee era nossa, mesmo que só Bella ali fosse a ligada por sangue com a garota, todos os sentimentos que tínhamos por ela eram maiores do que isso.

— Estávamos tendo toda essa conversa sobre erros, acertos, então ela disse, depois que eu falei sobre querer acertar por ela e, por você. — Afaguei o rosto de Bella, que sorriu um pouquinho mais. — Na verdade, muito obrigado por ter dito que ela contasse isso a mim, eu realmente não acho que era algo que ela fosse falar livremente sem um empurrão.

— Não, ela estava absurdamente nervosa quando disse a mim. — Bella tocou em minha mão sobre seu rosto. — Estou feliz por isso, vocês merecem um ao outro mais do que eu.

— Bella...

— Você sabe que é verdade, Edward — teimou. — Renesmee e você são feitos do mesmo material puro e doce, eu sou a parte amarga.

— Sério? Por que você sempre tem que ficar se colocando para baixo? — resmunguei, puxando suas pernas para cima de mim, ela passou um braço por meus ombros, ficando mais perto ainda. — Eu odeio isso, então, vamos declarar essa nossa primeira briga de casal. Porque, eu estava muito contente, até você ficar se chamando de amarga, você não é nada disso, Isabella e, eu juro que estou irritado por ficar se tratando desse jeito.

— Você fica fofo irritado — foi tudo que ela disse. — Muito, eu podia continuar aqui te irritando só para ver a expressão zangada em sua cara, mas tenho algo para contar e, não posso mais manter em segredo.

— O quê? — perguntei confuso. — Oh, não me diga que você já se cansou de mim?

Ela riu, encostando seu nariz em minha bochecha.

— Não, eu vou ser sincera e dizer que estava morrendo de saudades de você hoje, posso ter pensado em quebrar os óculos de Ângela uma dezena de vezes. E, em minha mente com teorias de conspiração diz que ela marcou a porcaria daquela reunião que não teve nada realmente importante, só para me manter longe de você.

— Ah sim, eu acho que entendo seu ponto. — Percorri minha mão por toda sua perna e coxa, com o rosto ainda encostado no meu, ouvi a respiração dela mudar com aquilo. — Ângela provavelmente já sabe que estamos namorando, então marcou a reunião para sabotar que estivéssemos juntos, é um bom enredo, em qual filme viu?

— Edward, se concentre — ela pediu, afastando o rosto do meu. — Eu tenho algo para contar, lembra?

— Claro, o que é? — perguntei, continuando a percorrer minha mão por sua coxa e perna, querendo muito abrir a calça dela e fazer algo mais divertido, ou talvez pedir que ela abrisse a minha.

Merda, foco, Edward!

— Eu vou fazer o bolo de aniversário de Lucy, a amiga da Ness, que vai ter aniversário no domingo lembra? Kate, a mãe dela, provou meu bolo hoje na droga daquela reunião e, estará pagando para que eu faça o bolo para o domingo. O que acha?

— Acho isso maravilhoso! — exclamei, finalmente parando de movimentar minha mão por sua perna, Bella olhou para lá, então voltei o movimento. — Sério, isso é realmente bom. Você pode conseguir mais pedidos futuramente e, quem sabe largar o restaurante de Sue.

— Não vamos tão longe, pelo menos não ainda — pediu. — Foi apenas um pedido, eu nem fiz o bolo ainda para saber se as pessoas vão gostar e, ia precisar de muitos pedidos para que pudesse igualar o lucro com o que ganho no restaurante para simplesmente largar o trabalho lá.

— Okay, sem precipitações — prometi. — Você pode usar a cozinha lá de casa para fazer — sugeri. — Eu irei adorar poder roubar um pouco de chocolate. — E, você e Ariel podem passar a noite lá — acrescentei.

— Isso não seria ruim? Seu avô pode não gostar.

Ri.

— Ficou maluca? Vovô está totalmente na sua e de Ariel, ele vai adorar ter vocês lá. Mas é sério, o que acha? Eu não vou poder dormir aqui hoje, ainda tenho que ir para casa e, no domingo por mais que eu quisesse ficar na sua cama, vou precisar descansar a noite para o plantão de segunda-feira.

— Tudo bem, Ness e eu vamos — ela concordou. — Tomara que ela não ache isso tão estranho, ela pode usar um dos quartos de hospedes?

— Pode, os dois estão prontos para visitas. Tia Esme insistiu em decorá-los quando me mudei para cá.

— Por que você tem uma casa de quatro quartos se é apenas você e seu avô? — Bella perguntou enquanto seus dedos se perdiam em meus cabelos.

— Esme, é claro. — Sorri. — Ela escolheu o lugar, eu estava ocupado demais cuidando da minha saída de San Diego, convencendo vovô a deixar Chicago para vir comigo, ela disse que eu precisava de um lugar grande e, eu não estava realmente prestando atenção, apenas concordei querendo ter um teto para ficar aqui quando chegasse.

— Estou feliz em ter voltado para Forks, mais feliz ainda por você estar aqui na mesma época do que eu — Bella sussurrou, seus olhos se encontrando com os meus na sala escura no meio da noite.

— Eu também, Bella. — Tirei minha mão de sua perna para levar até seu rosto. — Muito feliz.

— Edward?

— Sim?

— Eu quero estar com você.

— Nós já estamos juntos — falei.

— Não. — Bella balançou a cabeça. — Eu quero estar com você para sempre, mesmo com todas minhas barreiras, ficar com você e Renesmee é tudo que sei que realmente quero. Então, por favor, não desista de mim. Mesmo se eu pedir para você ir, porque sei que em algum momento farei esse pedido idiota, porque sempre encontro um meio de estragar tudo.

— Não vou, eu nunca vou ir. — Puxei seu rosto para mais perto. — Não vou desistir de você, Isabella. — Ela sorriu, aproximando sua boca da minha, mas sem me beijar. — Você também não vai desistir de mim, não é?

— Nunca. — Bella tocou em meu rosto também. — Não desista de mim, eu não desisto de você e, não desistimos de nós mesmos. Isso parece bom para você, Masen?

— Maravilhoso. — Eu finalmente a beijei, selando nossas promessas no silêncio da noite, nossas confusões se unindo com a intenção de deixarmos elas e nossos erros para trás.

***

Bella chegou no começo da noite, apressada dando um beijo na bochecha de Renesmee, um abraço em vovô e me beijando por meio segundo antes de correr até minha cozinha para preparar o bolo para o dia seguinte. Eu me mantive longe do caminho dela, sabendo que ela precisava de paz para fazer aquilo sem alguém por perto a atormentando, então vovô, Ariel e eu continuamos na sala jogando War, vovô estava ganhando, empolgado demais com o joguinho de guerra.

— Você está roubando, vovô Sam! — Ariel acusou quando vovô ganhou a segunda partida.

Eu sorri para eles, os vendo discutir quem tinha ganhado ou realmente perdido. Tia Esme estava em Seattle com Carlisle para um encontro com o irmão dele que estava de passagem, então Ariel e eu nos mantivemos em minha casa durante o dia todo, jogamos um pouco de basquete com Alec e Emmett, mas logo o garotinho foi confiscado para dentro de casa por estar com notas baixas em algumas matérias, o que o levou a um dia intenso de estudos com o pai.

— Eu lutei uma guerra de verdade, acha mesmo que eu perderia o joguinho? Admita, você e o garoto ai perderam. — Vovô rearrumou o jogo para uma nova partida.

— Eu não perdi, vovô Sam, roubar é feio! — Ariel exclamou indignada para ele. — Vamos de novo, eu vou ganhar dessa vez.

Ela perdeu e, vovô gargalhou. Ela ficou irritada e, vovô a abraçou e prometeu que um dia ela ganharia dele.

Eu adorava ver os dois juntos, Ariel não trazia mais diversão apenas para mim, sempre que ela estava por perto de vovô, ele também parecia muito mais animado. E, era tão difícil vê-lo sorrindo de modo natural, sem sua clássica dose de sarcasmo, que eu a amava mais por fazê-lo tão bem.

— Vou buscar algo para comermos — anunciei me levantando, enquanto vovô dava algumas dicas do jogo para Ariel.

Bella estava se movimentando graciosamente pela cozinha, tendo todo o domínio de espaço ali. Eu ainda nem podia acreditar que ela ficaria com Ariel ali aquela noite, eu parecia uma criança na manhã de natal com aquele fato.

— Como está indo? — perguntei enquanto ela provava a massa do bolo lambendo diretamente da palma da sua mão, extremamente sexy para minha sanidade.

— Bem, até agora está tudo sobre controle. — Olhou para mim, os olhos ansiosos. — Vocês devem estar morrendo de fome, né? Eu trouxe comida do restaurante, só precisa esquentar.

— Deus, você podia ser mais incrível do que isso? Muito obrigado — agradeci indo até a cozinha para pegar as embalagens. — Isso vai nos livrar de comer minha comida com gosto de papel.

— É, eu estava pensando nisso. — Ela riu, batendo mais a massa com a espátula em sua mão, ignorando a batedeira que tia Esme enfiou em minha cozinha no dia da minha mudança, como se eu soubesse fazer bolo para usá-la. — Reserve a sopa para seu avô, okay? Você e Ness podem se empanturrar de bife e batata frita, mas o faça continuar na dieta, não queremos que ele tenha problemas com colesterol alto.

Sim, ela era perfeita, ela não enxergava isso, mas era. Ela cuidava da irmã, trabalhava, mantinha uma casa, era uma namorada maravilhosa e, ainda se importava com meu avô. Em algum lugar no céu meus pais deviam estar agradecidos por eu ter encontrado alguém tão perfeita quanto Bella, eu também estava.

— Pode deixar. — Foi tudo que disse, servindo as comidas nos pratos para esquentar no microondas. — Precisa de alguma ajuda? — perguntei quando mais uma vez ela experimentou a massa da palma da sua mão.

— Não mesmo, você deixaria meu bolo com gosto de papel — ela provocou. — Mas eu realmente aceito uma massagem mais tarde, minhas costas estão me matando.

— Você terá sua massagem, bela dama — falei.

— Arg, não, você parece Jasper falando e eu o vi praticamente engolindo a cabeça de Alice hoje, não preciso compará-los. — Gargalhei, mas a imagem me atingiu e, no lugar de Alice imaginei Bella sendo beijada por meu primo.

— Okay, entendendo seu ponto de vista — falei, guardando meus ciúmes idiotas só para mim.

Depois do jantar vovô foi dormir, com Bella ainda ocupada na cozinha, fui cuidar de Ariel. Claramente ela estava empolgada demais com a festa no dia seguinte para sossegar, então eu precisei de muito esforço para conseguir fazê-la parar de falar naquilo e levá-la até um dos quartos de hospedes.

Eu estava pensando em pedir que Esme o transformasse para Ariel, mudasse as paredes brancas e cama de casal, colocasse uma de solteiro e papel de parede de balé, quem sabe uma parede com vidro e barra. Mas, eu sabia que Bella ia pirar se eu transformasse um dos quartos da minha casa em um para Renesmee, mesmo que aquele fosse tecnicamente a segunda casa dela.

— Você está muito agitada, Ariel — falei, passando o pijama por sua cabeça, a ajudando a colocar os braços nos lugares certos.

— Estou muito animada, Lucy disse que terá um trampolim e uma piscina de bolinhas imensa! — O rosto dela ficou preso na blusa do pijama e a ajudei a se livrar daquilo.

— Oh sim, isso parece algo grande, mas você precisa dormir um pouco, querida, ou amanhã não vai conseguir acordar no horário para a festa. — Afastei as cobertas, fazendo com que ela fosse para debaixo delas, o aquecedor já estava ligado, mas eu sempre ficava com medo dela estar sentindo frio. — Quente o suficiente? — perguntei arrumando as cobertas ao redor dela.

— Sim — Ariel confirmou.

Eu sentei ao seu lado, nós tínhamos esquecido Pollyanna na casa de Bella aquela manhã quando arrumamos suas coisas, então precisaria de outro modo para fazê-la dormir. Ariel se recostou em mim, então a abracei, começando a cantar trechos de músicas dos Beatles, meus pais eram fascinados pela banda, uma das poucas coisas que realmente tinham em comum, eles sempre tinham algum álbum tocando em casa, mesmo enquanto papai estava escrevendo, ou mamãe estudando algum livro de medicina.

— Gosto dessa música — Ariel murmurou sonolenta enquanto eu cantava Here Comes The Sun, então foquei naquela, até que no meio do refrão ela já estava dormindo.

Cuidadosamente a coloquei deitada contra o travesseiro, mais uma vez checando suas cobertas, então saindo do quarto. Eu ainda podia ouvir Bella lá embaixo, então tomei um banho rápido e fui para meu quarto, mergulhando em minha cama com o notebook em mãos para matar o tempo até ela subir, em algum momento peguei no sono, pois quando acordei foi com Bella tentando não fazer barulho enquanto se movimentava pelo quarto.

— Ei, eu acordei você — ela murmurou com culpa em sua voz, enquanto fechava a porta do banheiro da suíte, enrolada em uma das minhas toalhas, o cabelo molhado grudando em seus ombros. — Desculpe por isso. — Bella disse pegando suas roupas em uma mochila.

— O bolo está pronto? — perguntei, desligando o notebook e o colocando sobre a mesinha de cabeceira do meu lado, passando a mão pelos cabelos.

— Sim — respondeu. — Ficou bonito, eu realmente espero que gostem.

— Vão amar. — Pulei da cama, colocando suas roupas de volta na mochila. — Você disse que queria uma massagem — a lembrei. — Vem. — A puxei para minha cama, ela tirou a toalha, para meu desapontamento já usava uma calcinha.

Peguei o creme de massagem que eu tinha reservado ali antes de apagar, coloquei um pouco em minhas mãos, enquanto me posicionava atrás de Bella, espalhando o conteúdo em minhas mãos sobre suas costas e ombros. Ela suspirou, claramente exausta, enquanto eu pressionava sua pele e músculos tensos, tinha sido um dia longo para ela no trabalho, então fazendo o bolo sem descansar um minuto.

Empurrei seus cabelos para frente de seus ombros, ajoelhado atrás de Bella me inclinei para beijar sua nuca, enquanto minhas mãos continuavam trabalhando em sua lombar. Ela emitiu um chiado, xingando baixinho algo que não entendi.

— Isso é tão bom — falou com clareza daquela vez. — Edward — gemeu meu nome quando minhas mãos se encontraram com seus seios. — Deus, nós podemos esquecer aquela coisa todo de ser especial, eu preciso de você agora — choramingou enquanto meus dentes mordiscavam sua pele.

— Não estrague meus planos, Bella — pedi, voltando minhas mãos para suas costas.

— Você planejou algo? — perguntou, gemendo quando pressionei toda a extensão de sua coluna.

— Mais ou menos, precisava falar com você antes. — Concentrei a massagem em seus ombros. — Há esse complexo de chalés a uma hora de distância de Port Angeles, duas daqui — falei massageando seu pescoço. — Carlisle e tia Esme foram para lá no quatro de julho quando quiseram fugir da agitação da cidade, era um lugar bem tranquilo segundo eles. Eu pensei que poderíamos escapar até lá no próximo fim de semana, você pode conseguir o sábado de folga, então iríamos na sexta-feira de noite e voltaríamos domingo. Rosalie, ou minha tia, poderiam ficar com Renesmee. O que acha?

— Eu acho melhor você tirar suas mãos de mim, ou eu não vou suportar uma semana até estarmos trancados nesse chalé — afirmou, fazendo com que eu risse e tirasse minhas mãos dela.

— Apenas uma semana — disse em tom de convencimento, mais para mim do que para ela. — Só mais uma semana, Bella.

Notas finais
Vejo vocês nos comentários, beijos! Lola Royal. 21.08.16