Amargo Lar

23 Capítulo Vinte e Dois — Contente


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Raíssa Goulart e Milla que recomendaram Amargo Lar, muito obrigada por todo o carinho, meninas ♥ Boa leitura! :D

Edward Masen

Ariel estava terminando de tomar sua sopa quando meu celular tocou, eu precisei de muito esforço para desviar minha atenção da televisão onde víamos um desenho animado, para pegar o aparelho em meu bolso e atende-lo. Era Rosalie.

— Edward, você tem alguma noticia de Isabella e Renesmee? Eu estive o dia inteiro sem falar com elas, estou ligando durante horas para Bella, mas o celular dela está desligado. — Rose falou alarmada. — Alexander, nem pense em ligar esse vídeo game, você tem uma porção de dever de casa para fazer! — exclamou para o filho.

— Estou com elas — respondi. — Renesmee está gripada, a levamos para o hospital na madrugada.

— O quê? — Rosalie gritou, fazendo com que eu afastasse um pouco o celular do ouvido. — Como assim ela está gripada e precisou ir ao hospital? Tem algo mais nisso, não é? Edward como ela está agora?

Levantei do sofá, deixando Bella e Ariel ali. Bella me lançou um olhar interrogativo e murmurei para ela que era Rosalie.

— Ela está bem agora. — Fui até a cozinha, sem querer falar sobre o choque na frente de Ariel. — Nós tivemos de levá-la para o hospital por segurança, não sabíamos muito sobre o histórico médico dela. E, fizemos bem em levá-la para lá, ela teve uma reação negativa a um dos remédios e teve um choque anafilático.

Rose arfou do outro lado da linha.

— Edward — murmurou chorosa, eu só a via chorando por poucos motivos, sua história com seus pais, seus filhos e Emmett, então saber que ela se preocupava com Renesmee ao ponto de chorar por ela me dava um sentimento de gratidão. — Ela está realmente bem?

— Sim, tudo foi controlado rapidamente, ela não teve tempo de ter problemas maiores por conta disso.

Bella entrou na cozinha com o prato vazio de Renesmee, indo lavá-lo.

— Eu posso visitá-la, ou ainda é contagioso? Não posso ter Jane doente agora — Rose disse aflita.

— Acho que você não deve visitá-la ainda, seria muito fácil se contaminar agora e passar para Jane. Ela ainda é muito nova para uma gripe forte assim — expliquei.

— Okay, tudo bem. — Rose fungou.

— Você pode dar uma olhada em vovô?

— Claro — ela concordou. — Bella está por perto? Quero falar com ela.

Passei o celular para Bella, então voltei para Ariel na sala. Ela se recostou em meu braço, visivelmente cansada, principalmente por ter tomado mais remédios durante seu jantar.

— Tenho algo para você, Ariel. — Tirei o embrulho do meu bolso, no mesmo momento que Bella voltava para sala, com meu celular em mãos.

— O quê? — Renesmee perguntou curiosa.

Abri a embalagem, retirando lá de dentro a pulseira de borracha vermelha com os indicativos que Renesmee era alérgica. Era divertida, colorida e infantil, com os nomes dos remédios que ela tinha alergia gravados ali com letras coloridas dignas da Disney.

— Pra que isso? — Bella indagou, sentando ao lado da irmã, enquanto eu deslizava a pulseira para o braço esquerdo de Ariel.

— Caso ela precise ir a emergência e não possa dizer que tenha alergia a determinados remédios. Tradução, caso um de nós não esteja com ela.

Bella assentiu, afagando o rosto da irmã.

— Eu vou usar isso pra sempre? — Renesmee perguntou, confirmei com um aceno de cabeça. — Legal! — exclamou animada.

— Hora de ir dormir, garota! — Bella declarou quando Renesmee voltou a tossir. — Será que você pode pedir a Esme que fique com Renesmee amanhã enquanto eu trabalho? — perguntou para mim.

— Eu estarei aqui — afirmei. — Peguei o resto da semana de folga.

Ela me olhou surpresa, então compreensão tomou conta de seus olhos.

— Por isso aquela médica estava falando em cobrir seus plantões? — perguntou séria.

— Sim — respondi com cuidado, eu sabia que Bella tinha percebido Rachel querendo me levar para um encontro, isso não parecia tê-la agradado. — Eu sei que você tinha que trabalhar, então eu tirei a semana de folga para ficar com Ariel.

Bella mordeu o lábio, pensativa, fazendo com que eu desejasse beijá-la ali mesmo. Mas eu não podia, não com Ariel por perto, não antes de termos nossa tão querida conversa.

— Tenho outro presente para você, Ariel! — anunciei tirando minha mente de Bella.

— Você comprou um presente para ela? — Bella perguntou, aparentando não gostar muito daquilo também.

— Não — respondi. — Está no meu carro, você pode subir para seu quarto e preparar-se para ir para a cama, levo o presente lá em cima — falei para Ariel, ela concordou e subiu com Bella, enquanto eu ia até meu carro pegar o presente que tinha deixado no porta luvas aquela manhã quando sai de casa, o carro estava cheirando a Bella e foi impossível não sorrir com isso. Eu definitivamente estava me tornando obcecado por morangos.

Ariel não estava na sua cama quando entrei em seu quarto, o que me deixou confuso, então Bella gritou para mim de algum lugar do segundo andar.

— Estamos aqui!

Segui o som da sua voz, entrando no outro quarto.

Não era muito maior do que o de Renesmee, mas tinha uma cama de casal, a porta para um armário, um espelho e uma pequena cômoda, com criados mudos ladeando a cama.

Ariel estava deitada no meio da cama, enquanto Bella estava em pé, olhando curiosa para minhas mãos atrás do meu corpo.

— Ariel, seu presente! — Sentei ao seu lado, estendendo o livro para ela.

Renesmee sorriu, pegando o exemplar de Pollyanna em suas mãos.

— Nunca vi esse livro — ela comentou, admirando a capa. — Bells?

— Já o li uma vez. — Bella tinha o olhar perdido sobre o livro, provavelmente recordando da história.

— Fala sobre o que? — Renesmee perguntou interessada.

— Bom, Pollyanna tem onze anos de idade e é órfã de pai e mãe. — Observei o rosto de Renesmee, ela estava séria, mas não tinha lágrimas em seus olhos, então segui em frente. — Então, ela vai morar com sua tia. Ela aprendeu com o pai um jogo, o jogo do contente, que consiste em sempre ver o lado bom em algo.

— E há o doutor Chilton — Bella disse em um tom provocativo, fazendo com que eu a olhasse, seus olhos estavam presos em uma atmosfera maligna, certamente lembrando que ocasionalmente Doutor Chilton acabava junto da tia de Pollyanna, mas um sorriso brincava em seus lábios, por mais que ela tentasse escondê-lo.

— Intrigante, não é? — provoquei de volta, ganhando um revirar de olhos dela.

— Esse livro era do seu pai? — Bella perguntou por fim, sentando do outro lado da cama.

— Não — respondi, abrindo o livro nas mãos de Renesmee, mostrando a dedicatória ali dentro. — Era meu — falei. — Papai deu para mim quando minha avó faleceu.

— Você gostava dela? — Ariel indagou curiosa.

— Eu a amava. — Sorri. — Sabe o quanto você ama o macarrão com queijo de Bella? Eu amava na mesma proporção o espaguete de vovó — contei, Ariel sorriu.

— Qual era o nome dela?

— Charlotte — respondi, vendo Bella concentrada na dedicatória ali, então a reli também.

“Querido Edward,

Eu aprendi com Pollyanna que nem tudo precisa ser triste, sempre há esperança e sempre podemos ver o lado bom de tudo. Espero que você aprecie o jogo do contente tanto quanto eu, nós podemos jogá-lo juntos, algo nosso.

Amo você, Edward. E, sempre estarei aqui por você, filho.

Com amor, seu pai.”

Senti meus olhos encherem de lágrimas com aquilo, a falta de papai batendo em mim de forma que eu não podia ignorar. Só tinha seis anos quando ele me deu aquele livro, ele o leu para mim durante um mês todas as noites, foi incrível e, nós sempre acabávamos passando da hora de dormir conversando sobre a história.

E, o jogo do contente durou por pelo menos um ano, até eu gradativamente me esquecer dele. Mas, papai sempre acabava o trazendo de volta em algum momento e, eu sempre jogava com ele, mesmo me tornando um garoto mais velho que segundo a norma padrão deveria detestar aquele tipo de coisa.

Porém, não era como se eu fosse conseguir. Eu adorava o jogo tanto quanto Pollyanna e, como meu pai.

Tentei jogá-lo quando ele morreu, eu não consegui, não conseguia ver algo bom naquilo. Então, aceitei que não era possível e, acabei cedendo a dor. Mas o jogo e todo o propósito dele estavam entranhados em mim, assim como eu sabia que de uma forma ou de outra a promessa de papai no fim da dedicatória, também continuava válida, ele sempre estaria ali por mim, mesmo que não fisicamente.

— Eddye. — Voltei meu olhar para Ariel, que tinha lágrimas em seus olhos também, sorri para ela e a pequena me abraçou.

Ela era especial, por isso eu a amava tanto. Via muito de mim nela, mas a garota tinha uma personalidade incrível e forte, isso me fazia amá-la ainda mais. Não queria me afastar dela, eu sabia que nunca seria visto por Renesmee como seu pai, mas eu queria ser um para ela, queria mostrar que Charlie e todo o descaso dele não era a forma certa de ser pai, queria que quando mais velha ela soubesse distinguir isso e superasse tudo que passou.

Queria que ela fosse feliz, então percebi que assim como no jogo do contente, esse era o maior propósito, da vida. E, devia ser o maior propósito de um pai para seus filhos, querer que eles estejam felizes. Meu pai sempre quis me ver feliz, então eu queria ver Renesmee feliz também e aceitei que eu seria seu pai, mesmo que ela não me visse como um.

— Você pode ler para mim? — ela me perguntou, um tom de voz baixo, até mesmo medroso como se eu fosse repreendê-la por isso.

— Claro que posso. — Beijei o topo de sua cabeça, então desfizemos o abraço.

Bella tinha o rosto manchado por lágrimas, mas o limpou antes que Renesmee pudesse ver. Ela beijou a bochecha da irmã e apenas me olhou por um segundo, murmurando um rápido obrigada para mim.

Renesmee se aconchegou nos braços de Bella, eu me recostei na cama, aceitando o livro que Ariel estendeu para mim. Então, comecei a ler e, ela e Bella me ouviam com atenção, eu diferenciava minha voz para cada personagem, o que as fazia rir quando eu acabava as confundindo.

Interrompi a leitura por volta da página vinte, vendo tanto Bella quanto Ariel dormindo por fim. Bella estava abraçada a irmã, seu rosto perdendo-se nos cabelos de Renesmee, enquanto a pequena segurava em uma das mãos da irmã.

Sorri para elas, enquanto colocava o livro sobre o criado mudo ao meu lado. Eu estava cansado também, então decidi que era hora de ir para casa, por mais que pensar em me afastar delas doesse muito.

Movimentei na cama, querendo sair com cuidado para não acordá-las, mas claramente não consegui uma vez que ouvi a voz de Bella, ainda que baixa, pedir:

— Não vá embora, por favor.

— Você tem certeza? — perguntei baixinho.

Bella apenas assentiu, então deitei na cama junto das duas. Adormeci olhando para elas e, sentindo um sorriso em meus lábios.

***

Nós acordamos no meio da madrugada, com Renesmee com febre e tossindo. Bella, visivelmente mais exausta do que eu, concordou em me deixar pegar água e remédios no andar inferior.

Algum tempo depois Renesmee voltou a dormir, dessa vez em meus braços, enquanto eu cantarolava para ela. Bella nos observava com os olhos semicerrados, morrendo de sono, mas ainda preocupada com a irmã para simplesmente voltar a dormir.

— Quer que eu cante para você dormir também? — perguntei a ela, esperando uma resposta negativa, mas não foi o que recebi.

— Nada da Disney, ou que seja depois dos anos noventa — falou, mexendo nos cachos de Renesmee, mas os olhos perdidos nos meus.

— Exigente — declarei, então comecei a cantar I Want To Hold Your Hand dos Beatles, mas em um ritmo mais calmo do que o original.

Bella fechou os olhos e sorriu, então sua mão segurou a minha. Eu desejei que ela nunca mais soltasse e que tivesse entendido a minha escolha de música.

***

— Edward, você precisa acordar — a voz doce falou, enquanto uma mão quente afagava meu rosto. — Edward.

Despertei um pouco mais, o suficiente para perceber que era Bella falando comigo, eu resmunguei algo e ela riu.

— É sério, Masen. Tenho que sair para o trabalho, Renesmee está lá embaixo tomando café, não é boa na cozinha, então fique de olho nela antes que acabe colocando fogo na casa, está entediada e isso seria divertido para a garota.

Abri um olho, observando Bella em pé ao lado da cama, prendendo o cabelo em um coque.

— Devemos dar a ela um extintor? — indaguei, sentando na cama. Eu mal podia acreditar que tinha dormido ali, na casa de Bella, na cama dela.

— É uma boa ideia. — Sorriu, terminando de prender o cabelo. Ela parecia bem melhor, menos cansada e preocupada, o que era bom.

Eu levantei de sua cama, enfiando meus pés em meus tênis.

— Você é estupidamente alto — ela afirmou indignada, fazendo com que eu risse.

— Ainda posso chegar ai embaixo e te beijar — falei me inclinando em direção a ela.

— Não, eca, Masen! — Afastou-se de mim gargalhando. — Vá escovar seus dentes, homem, tem escovas novas no banheiro, divirta-se escolhendo a cor. E, fique com seu celular grudado ao seu corpo, ligarei de meia e meia hora para saber como Renesmee está. Boas férias! — Saudou, pegando sua bolsa sobre a cômoda e saindo do seu quarto.

Apenas sorri, eu estava ferrado de tão apaixonado por aquela garota.

***

Ariel e eu tentamos ficar o menos entediados possível naquele dia, mesmo com televisão, o livro a ser lido e alguns jogos que ela tinha, era quase uma missão impossível não acabar sem ter o que fazer. E, ela ainda estava fraca o suficiente para ficar animada demais.

Bella cumpriu o prometido e ligou a cada trinta minutos, as vezes vinte minutos. Eu já nem precisava ver o nome em meu celular para saber que era ela, atendendo automaticamente.

Tia Esme apareceu no almoço, com comida para Ariel e eu, ela almoçou com a gente e foi nossa salvação do tédio pelo resto da tarde. Foi embora pouco antes de Bella chegar, pois tinha combinado de jantar com Carlisle, Jasper e Alice em Port Angeles aquela noite.

A rotina se repetiu na quinta e na sexta, com apenas uma mudança. Eu ficava com Renesmee o dia inteiro, Esme aparecia com nosso almoço e de noite, depois de me certificar de que Ariel estava bem, eu a deixava com Bella. O que me manteve longe da cama dela.

Não aconteceu mais beijos, não encontramos tempo e espaço para isso, ou ela estava apenas aproveitando a situação para tomar um tempo para si.

Na sexta, quando estacionei meu carro na frente de casa a noite, o carro de Jazz estava lá. Eu segui para dentro de casa, o encontrando sentado na sala com vovô.

Jasper era fissurado por guerras, por muito tempo ele tinha pintado quadros violentos com retratos pós guerras, o que assustou muito tia Esme na época. Então, era fácil fazer com que vovô e ele tivessem o que conversar.

— Oi Jazz — o cumprimentei, ele se virou para mim sorrindo, de forma meio diabólica.

— Seu avô acabou de me contar quando ele viu um corpo sem cabeça, eu não devia ficar animado com isso, não é?

— Não mesmo. — Ri, me jogando ao lado dele no sofá. — O que está fazendo aqui a propósito? — questionei.

— Fiquei sabendo que você está de férias do hospital, então decidi que nós dois deveríamos sair, não tivemos um tempo juntos desde que cheguei.

— Talvez por você estar sempre entre as pernas de Alice — falei.

— Ou, por você estar sempre fantasiando em querer estar entre as pernas de Bella — Jazz rebateu, ele era um cretino, mas eu não consegui não rir.

— Viu, seu idiota, todos percebem, menos você! — Vovô me acertou com sua bengala.

— Na verdade eu já percebi — resmunguei, afagando o braço que a bengala de vovô tinha acertado.

— Cara, você demorou muito, ou ainda tem chance de conseguir algo com ela? — Jasper perguntou entusiasmado.

— É complicado — falei.

— Tudo sempre é muito complicado para você, Eddye — Jasper diz, revirando os olhos. — É muito simples, vou ensiná-lo, garoto gosta de garota, garota gosta de garoto e eles transam. Você também pode mudar os gêneros caso seja de sua escolha, eu não me importaria se você fosse gay.

— Eu não sou gay e, com Bella não é tão fácil assim.

— Por conta da menina? — vovô perguntou confuso. — Eu já cansei de vê-lo com Renesmee, Edward, acredite, ela ficaria muito feliz se você e a irmã dela ficassem juntos. Você é tapado, mas não é um homem ruim.

— Não, não por Renesmee — murmurei, talvez também fosse, eu não podia afirmar se ela ficaria mesmo feliz se eu me envolvesse com Bella. — Há muita coisa...

Jasper do meu lado bufou e deu um tapa em minha nuca, eu revidei com um soco em seu braço por impulso. Tia Esme não ficaria nada feliz com a cena.

— Porra Jasper! — xinguei.

— Você vai fazer o seguinte, Edward Masen, vai entrar na droga daquele seu carro do ano, dirigir até a casa de Isabella e beijá-la. Então, vocês vão resolver todas as merdas que tem entre vocês que são complicadas demais e, tomar uma decisão verdadeira sobre o que estão sentindo um sobre o outro. Pronto, se ela partir seu coração eu juro que fico o dia inteiro ouvindo seus lamentos.

Suspirei, olhando de Jazz para vovô, então peguei minhas chaves sobre a mesinha e segui para fora de casa.

Estava chovendo, então dirigi com cuidado, repassando em minha mente o que eu devia falar para Bella.

— Eu estou perdidamente apaixonado por você. Eu realmente não consigo parar de pensar em você. Eu adoro o seu cheiro de morangos. Amo o fato de você ter ficado com Renesmee e ser boa para ela. Sei de todo seu passado, então prometo não ser um cretino explorador como seu pai e, eu nunca levantarei a mão para te machucar como James.

A chuva ainda persistia quando sai do meu carro, sem casaco porque eu tinha simplesmente o esquecido em casa. Sem um guarda chuva também, eu tive de enfrentar a chuva até a pequena varanda coberta da casa de Bella.

Bati na porta, esperando que Ariel não acordasse com minha visita noturna. Eu a amava, mas precisava dela dormindo para ter a conversa séria que tanto precisava com sua irmã.

— Edward? — Bella perguntou confusa quando abriu a porta dois minutos depois, o cabelo solto caindo em ondas sobre seus ombros, usando uma calça moletom e uma regata, para meu alivio ela ainda tinha sutiã em seu corpo impedindo com que eu me distraísse. — O que está fazendo aqui? — Ela me puxou para dentro de casa. — Você não tem um casaco, ou um guarda chuva? — indagou. — Está completamente molhado...

— Bella? — A interrompi e seus olhos chocolates se encontraram com os meus, quentes e acolhedores.

— Sim? — ela sussurrou, sendo sugada para o clima que ficou entorno de nós dois. Podia ver sua respiração oscilante e todo seu corpo reagindo aquilo.

Então, pensei em Jasper, mesmo querendo chutá-lo da minha mente naquele momento e, segui seu conselho. Beijo, depois conversa.

Puxei Bella para mim, as mãos dela fincando em meu pescoço, enquanto as minhas ficavam em sua cintura. Ela veio primeiro até mim, beijando-me como se sua respiração fosse normalizar com o ato, eu não pude deixar de dar um sorriso convencido por aquilo, mas logo estava tão entregue quanto ela.

Uma de minhas mãos encontrou-se com o cabelo dela e, a enterrei lá, sentindo os fios em meus dedos e o cheiro de morangos espalhar pelo corredor apertado que estávamos. Coloquei Bella contra a parede, ouvindo a gemer e separar nossas bocas, mas ela não disse nada e enfiou sua boca em meu pescoço, era a primeira vez que ela fazia isso e foi malditamente bom.

Ela devia ter acabado de escovar os dentes, pois seu hálito era gelado contra minha pele e, ela não apenas me beijava como parecia disposta a deixar sua marca em mim. Eu não reclamaria, ela podia me marcar o quanto quisesse.

— Bella — eu gemi, espalmando minha mão na parede atrás dela, mais um pouco e eu não seria capaz de ter aquela conversa com ela e, eu sabia que nós deveríamos a ter quanto antes, quem sabe se eu tivesse sorte poderíamos voltar de onde paramos. Deus, sim, eu queria a boca dela por todo meu corpo.

Ela beijou meu pescoço mais uma vez e, puxei seu rosto para beijar seus lábios, demorando mais do que o esperado até que afastei nossas bocas. Meus olhos voltaram a se encontrar com os dela e, estavam hesitantes, mas brilhantes.

— Nós podemos conversar agora? — indaguei.

— Nós definitivamente temos de conversar agora, Edward!

Notas finais
Tão bonitinhos *_* Letra da música que o Edward canta para a Bella https://www.vagalume.com.br/the-beatles/i-want-to-hold-your-hand-traducao.html Beijos! Lola Royal. 11.06.16