Amargo Lar
36 Capítulo Trinta e Cinco — Bailarina
Notas iniciais

Isabella Swan
Edward não estaria na apresentação de Renesmee e, eu não sabia como ela iria reagir aquilo. Desde a noite anterior, quando Rose falou sobre a turma de Ness sendo uma das escolhidas entre várias outras de Washington para participar do festival de Natal de Seattle, a garota não parava de falar em outra coisa.
— E algum voo que parta na madrugada de sábado? — Edward estava de um lado para o outro no seu quarto tentando adiantar suas passagens.
O tempo de voo entre Seattle e San Diego era de três horas, mais uma de trânsito, se o trafego não estivesse tão intenso, do aeroporto até o cemitério onde seus pais estavam enterrados. E, as passagens que ele tinha compradas a meses eram em horários que iriam colidir diretamente com a apresentação de Renesmee. O voo dele de Seattle sairia ao meio dia, ele não teria tempo de ir ao cemitério e conseguir um voo de volta que chegasse as seis, o horário do espetáculo de balé.
— Sim, é muito importante! — Edward passou a mão pelos cabelos. — Escute Hector, minha filha vai se apresentar para um teatro inteiro na noite do dia dezessete, eu preciso estar lá. Mas, também preciso estar em San Diego no mesmo dia, você me entende? Por favor, arranje um voo para mim pela manhã, então uma passagem de volta antes das três da tarde, é só o que peço.
Os olhos de Edward se encontraram com os meus e vi decepção ali.
— Hector, sim, eu sei que é às vésperas do natal, que o maldito país inteiro está viajando, mas é só um acento. Eu posso ir de pé, isso será revolucionário, não me importo. — Edward suspirou, voltando a passar as mãos pelos cabelos. — Tudo bem, eu espero você me dar mais informações amanhã. — Desligou. — Nada, é a quarta companhia que ligo e todos os voos estão lotados, eles estão com capacidade cheia desde Ação de Graças. E, San Diego é turística demais, todos estão indo para lá.
— Edward, se acalme, ainda temos tempo até a apresentação, você pode conseguir mudar os horários da sua passagem. E, caso não consiga Renesmee irá compreender que você fez de tudo para estar lá com ela.
— Eu posso deixar para ir depois das férias de inverno...
— Não, você não pode. Edward, Renesmee e eu sabemos o quanto você ama seus pais, essa é uma data triste para você, mas ainda assim é um dia importante. Eu não vou deixar você adiar isso.
— Eu vou continuar tentando a troca das passagens.
Assenti.
— Mas, acho que será melhor preparar o terreno com Ariel, caso não dê — falou.
— Sim, falaremos com ela amanhã, agora durma um pouco, Edward — pedi séria. — Vai ficar tudo bem, okay?
— Eu sei, só queria estar lá com ela — sussurrou. — Vai ser a primeira grande apresentação dela, eu não queria perder isso.
— Você vai estar em todas as outras e, eu prometo gravar cada momento da apresentação dela e, nós duas iremos te encher com todos os detalhes, eu falarei até sobre a temperatura do teatro, então você vai se sentir como se estivesse lá — prometi, Edward deu um sorriso pequeno, vindo me beijar em seguida.
***
Não ter que acordar cedo para ir trabalhar estava me tornando mais preguiçosa do que eu já era de costume e, isso só deixava meu humor matinal mais sensível ainda. Acordei depois de Edward no sábado, do lado de fora parecia que o mundo estava desabando com tanta chuva, eu fiz uma careta olhando pela janela do quarto dele, enquanto me enfiava em uma de suas camisas e shorts, eu estava abdicando das minhas roupas para roubar todas as dele, mas era sua namorada, isso não era um crime.
— Você parece péssima — Edward comentou brincando quando entrei na cozinha, ele fazia café.
— Eu estou péssima — afirmei. — É a chuva e o sono. — O abracei por trás, encostando meu rosto em suas costas.
— Não, isso é você sendo você de manhã, a coisa mais normal do mundo, Bella. — Ele riu, se virando para beijar minha bochecha. — Por que não vai acordar Ariel? Quero pode contar a ela sobre a minha ida a San Diego depois do café.
— Okay — concordei.
Fui até o quarto que Renesmee ocupava ali, a encontrando tão cheia de sono quanto eu, a Terra poderia ser invadida alienígenas que eu duvidava que ela fosse acordar. Sentei ao seu lado na cama, passando a mão por seus cabelos gentilmente, querendo despertá-la, mas ao mesmo tempo querendo deixá-la dormir, pois ela parecia um anjo enrolada nos lençóis brancos de Edward.
— Pequena, eu vou fazer panquecas, você deseja comer algumas? — perguntei quando ela começou a se remexer.
— Com calda? — ela perguntou de olhos ainda fechados.
— Eu queria testar uma de chocolate para vender na confeitaria, o que acha de ser minha experimentadora oficial?
— Eu vou adorar. — Assentiu, agarrando-se em um dos travesseiros na grande cama de casal do quarto de hospedes.
— Bom, para comer você tem de sair da cama — falei, ainda acariciando seus cabelos. — Ir escovar os dentes, colocar roupas quentes e ir dar um jeito na bagunça que seus cachos estão.
— Okay. — Ness estava quase voltando a dormir.
— Renesmee? — insisti.
— Dormindo. — Eu ri, dando um beijo em sua bochecha.
— Você tem dez minutos para estar lá embaixo, ou eu vou mandar o Edward te acordar com cócegas.
— Aham — ela resmungou, agarrando-se mais ao travesseiro.
Eu estava fazendo as panquecas, enquanto ria com Edward de senhor Masen reclamando da sua fisioterapia, quando Renesmee entrou saltitante na cozinha.
— Bom dia vovô Sam! — Ela beijou a bochecha dele. — Bom dia, Eddye! — Ela pulou no colo dele, ganhando um forte abraço do pediatra. — Faltam duas semanas para o recital! — cantarolou, Edward ficou visivelmente triste, mas Ness não percebeu indo sentar em seu lugar.
— Panquecas de chocolate, senhor Masen, não ouse encostar nenhuma delas, suas torradas são tudo que vai ter — falei quando ele tentou pegar uma do prato que coloquei na mesa.
Edward riu, puxando-me para seu colo. Confortavelmente sentei ali, enquanto tomávamos nosso café da manhã preguiçosamente naquela manhã chuvosa, meu humor matinal terrível sendo substituído por um muito mais agradável por estar com aquelas pessoas tão especiais para mim.
— Eu vou pra sala ler, minha meta é terminar Guerra e Paz antes do ano novo — Senhor Masen anunciou depois do café, enquanto Edward cuidava da louça suja com Renesmee.
— Podemos ter aquela conversa agora — falei quando eles terminaram.
— Papo de adulto? Vou...
— Não. — Edward riu interrompendo Renesmee que estava quase saindo da cozinha. — Esse é um assunto com você, querida, sente-se, por favor.
— Eu fiz alguma coisa? — perguntou assustada quando sentou novamente a mesa, Edward e eu ocupamos nossos lugares junto dela.
— Você fez algo? — perguntei de volta.
— Não! — Ness respondeu prontamente.
— Então não há porque ter medo — garanti. — Edward quer te contar algo importante.
— Ariel. — Ele segurou nas mãos dela, o rosto novamente preso em uma expressão triste. — Eu terei de ir a San Diego no dia da sua apresentação.
Renesmee arregalou os olhos.
— É na mesma data que meus pais faleceram, você compreende isso? — Ela concordou com um aceno de cabeça, desviando seu olhar para a superfície da mesa, chateada e entristecida com a informação. — Estou tentando adiantar meu voo de ida e volta, mas está realmente difícil e, não acho que vá conseguir estar em Seattle a tempo.
— Tudo bem — ela sussurrou.
— Eu vou gravar, Edward vai ver cada minuto da sua apresentação quando voltar — afirmei, fazendo com que Renesmee me olhasse esperançosa. — E você poderá contar a ele como foi cada minuto do espetáculo, não é?
— Sim, sim! — Ela olhou para ele. — Eu vou te contar tudo, Eddye — prometeu a ele.
— Vou esperar por isso, Ariel. — Afagou o rosto dela.
Ela se colocou de pé, indo abraçá-lo com força.
***
Esme inspecionava cada canto do local como se estivesse procurando por cada pó de poeira, Jasper estava entediado sentado ao meu lado, enquanto a mãe continuava checando tudo. A corretora imobiliária já tinha até nos deixado lá dentro para ir do lado de fora fazer algumas ligações e, provavelmente fugir de todas as questões de Esme.
— O que acharam? — Esme nos perguntou.
— Mãe, eu já lhe respondi isso um milhão de vezes e, Bella já está encantada pelo lugar desde a semana passada. Feche de uma vez o contrato — Jasper pediu irritadiço.
— Seu humor é tão ruim quanto o meu — declarei.
— Tente dormir com Alice reclamando a cada instante de qualquer coisa, os hormônios dela estão insuportáveis.
— Ei, vocês dois! — Esme nos chamou a atenção. — Parem de fofocar.
— Mãe, o local é bom, bem localizado e nem tão caro assim. Bella já disse que a cozinha é perfeita. Vamos acabar com isso de uma vez, okay?
— Bella?
— Eu concordo com Jasper e, você quer inaugurar depois das férias de inverno. Acho que precisamos correr com isso, né? Não falta tanto assim.
— Tudo bem, Jazz vá conversar com a corretora! — Esme ordenou.
Ele se levantou do banco da antiga lanchonete que funcionava ali, indo para o lado de fora.
— Esme, eu tenho de te entregar algo — falei remexendo em minha bolsa, estendendo o cheque com parte do dinheiro da indenização, que cobriria o que ela tinha me dado para o pagamento da divida do hospital.
— Isso...
— É um pouco do que ganhei com a indenização de Rachel — expliquei. — Não se preocupe, eu ainda tenho o suficiente em caixa para manter tudo em ordem por um bom tempo — garanti.
— Eu não vou aceitar esse dinheiro, Isabella — ela afirmou.
— Esme...
— Mas eu aceito que o use para ser sócia da confeitaria comigo. Jasper realmente só quer o emprego, ele não vai durar muito trabalhando aqui, dou alguns poucos meses depois do nascimento do bebê para que ele e Alice caiam fora para uma cidade grande, é algo que faz mais o estilo de ambos. Então, o negócio é algo de nós duas, filha. Eu vou pegar esse cheque da sua mão, só se você concordar com meus termos.
— Tudo bem, eu aceito, mãe — falei sorrindo.
— Oh querida, não mexa com meu emocional — ela pediu chorosa, vindo me abraçar. — Você disse que teria de ir embora cedo, né?
— Sim, eu tenho de resolver um assunto.
Esme me avaliou, mas não perguntou o que era.
— Tudo bem, vou conversar com a corretora, assinamos o contrato até o fim da semana. Amanhã podemos nos encontrar para decidirmos algumas coisas da reforma?
— Claro, até amanhã. — Beijei sua bochecha, indo embora.
Estacionei a picape no estacionamento do hospital nervosa, sem acreditar que ia realmente fazer aquilo. Sabendo que Alice ia buscar Renesmee na escola e, que depois minha irmã ficaria sob as vistas de Rose no balé, eu desliguei meu celular e sai do carro.
Antes de seguir ao meu destino, segui para a lanchonete do local para beber algo quente para acalmar meu peito nervoso. Estanquei na entrada quando vi Edward perto do balcão, pegando um copo de café, enquanto ria junto de outro médico e mantinha seu celular pressionado na orelha.
Eu não tive tempo de dar meia volta para que ele não me visse, não demorou muito para seu olhar verde estar pairando sobre mim. Ele desligou o celular, falou algo com o médico, então confuso foi até mim ainda na porta.
— Ei, eu estava te ligando, queria saber como tinha sido na visita ao possível local da confeitaria — falou, seu jaleco me distraindo por um instante. — Algum problema? O que está fazendo aqui? Bella?
— Está tudo bem — falei, antes que ele se desesperasse.
— Tem certeza? Você está uma pilha de nervos.
— Eu vim para uma consulta — coloquei para fora, um sorriso malicioso rasgou seu rosto.
— Oh, isso quer dizer que nós nos livraremos de camisinha em breve?
— Não esse tipo de consulta, eu ainda tenho de cuidar disso, na verdade. — Senti minhas bochechas corando.
— Eu não entendo, que consulta veio ter aqui? Bella, você está doente? — ele estava preocupado novamente.
— Uma psicóloga — sussurrei. — Vim me consultar com uma psicóloga — contei.
Edward não disse nada e, eu não pude decifrar sua expressão.
— Rose esteve com ela algumas vezes e, me indicou. Ela faz esses atendimentos públicos as segundas, eu estarei a visitando por algum tempo, pelo menos espero que consiga me manter nisso.
— Sim, eu entendo — ele disse confuso. — Eu não sei quem é a psicóloga, mas espero que ela seja boa. Pode me esperar para irmos embora juntos?
— Eu estou de carro.
— Por favor — ele pediu. — Só quero ter certeza de que você vai estar bem, provavelmente vai querer dormir em sua casa hoje, não?
— Sim. — Eu sabia que depois daquela consulta eu não estaria em um bom animo para ficar na casa de Edward.
— Tudo bem, me mande uma mensagem caso você não possa esperar. — Ele beijou minha testa, demorando-se no gesto.
— Preciso ir — anunciei, afastando-me dele.
Eu fiquei alguns minutos na sala de espera da psicóloga, quando por fim a secretária dela me chamou. Respirando fundo eu caminhei até lá, encontrando a mulher de meia idade e aparência amistosa esperando por mim.
— Isabella Swan?
— Sim — confirmei, apertando sua mão.
— Sou Amanda Menezes — falou com um sorriso gentil no rosto. — Pronta para conversar um pouco?
— Sim — respondi olhando em seus olhos castanhos escuros. — Eu realmente quero conversar.
***
Eu estava comendo um bolinho na lanchonete quando vi Edward entrar, tirando seu jaleco e andando apressadamente até mim em uma das mesas do fundo do local. Ele depositou um beijo na minha cabeça antes de sentar na minha frente, dispensando a garçonete que estava indo até ele apenas com um gesto de mão.
— Como foi? — perguntou nervoso, seus olhos analisando meu rosto.
— Foi bem. — Limpei minhas mãos. — Incrivelmente pesado uma porção de vezes, mas foi bom ainda assim.
Edward sorriu aliviado.
— Eu me sinto cansada, no entanto.
— Eu me sentia assim depois da terapia, a carga emocional sempre é mais forte do que a física. — Edward se remexeu inquieto na cadeira. — A psicóloga não te encaminhou para um psiquiatra, ou...
— Não, não — o interrompi. — Sem medicação alguma — afirmei. — Pelo menos por enquanto ela não vê necessidade que eu tenha esse tipo de tratamento. E, não é algo que eu realmente queira, isso iria afetar todo o resto do meu tempo com os efeitos colaterais.
Limpei meu rosto, tirando algumas lágrimas perdidas do caminho.
— Fico feliz que esteja investindo no tratamento, Bella.
— Eu também. — Foi minha vez de analisar o rosto dele, cansado depois de um dia inteiro de plantão, mas ainda assim lindo como sempre. — Sei que esse é só o primeiro dia e que eu ainda vou ter um longo caminho pela frente, mas estou confiante que vai ser algo realmente positivo no saldo total.
— Como foi pela busca para o local da confeitaria? — ele perguntou mudando de assunto e, eu sabia que Edward não perguntaria mais sobre a consulta, era algo que pertencia apenas a mim e ele entendia.
— Vamos fechar o contrato daquele lugar que já tínhamos visto na semana passada, eu vou usar parte da indenização para entrar como sócia no negócio.
— Isso é maravilhoso! — Edward disse roubando o resto do meu bolinho, fazendo uma careta. — Você me estragou, Bella, isso tem um gosto terrível perto dos seus.
Eu sorri, inclinando-me sobre a mesa para beijá-lo, sentindo gosto de chocolate em sua boca como foi em nosso primeiro beijo. Então, o estalo aconteceu na minha cabeça.
— Edward, Edward. — Praticamente cantei, interrompendo o beijo.
— O quê? — perguntou rindo.
— Estamos fazendo um mês de namoro hoje, é dia cinco!
— Oh merda, Bella escute, há algo que você precisa saber, eu sou uma negação com datas, senão for uma mundialmente conhecida, eu precisarei tê-la anotada em algum lugar para não esquecer. Não te comprei nenhum presente, mas...
— Eu também não te comprei nenhum presente. — Afaguei seu rosto. — E acabei de me lembrar disso também, então estamos empatados. — O beijei por mais alguns segundos. — Mas, o que acha de comemorarmos fazendo algo que sabemos fazer muito bem?
— Você fazendo doces e eu prescrevendo receitas?
— Espero que você esteja brincando.
— Claro que estou. — Ele riu, segurando em meu rosto com ambas as mãos. — Mas pensei que você fosse querer ir para a sua casa.
— Eu prefiro a sua — confessei e, pensar em ir para casa depois de ter falado muito sobre Renée indo embora dela não era algo que parecia muito bacana. — Além do mais Ness está na de Rose, vamos aceitar que isso é o destino me mandando dormir com você.
— Obrigado por me dar um pouco de sexo, destino! — Edward sussurrou para que só eu ouvisse, fazendo com que eu sorrisse.
O celular dele tocou e, enquanto eu ia pagar a conta do bolinho ruim e do café que tomei, Edward atendia a ligação, parecendo muito atento a cada palavra da pessoa do outro lado da linha. Ele já tinha desligado quando voltei a mesa para pegar minha bolsa.
— Por que esse sorriso triunfante em seu rosto, Masen? Controle-se, okay? É só sexo, homem — brinquei.
— Ah sim, eu ainda terei sexo, o dia está cada vez melhor. Acabei de receber uma ligação da companhia aérea, eu vou conseguir estar em Seattle para a apresentação de Renesmee.
***
Edward saiu de madrugada para Seattle no dia da apresentação de Renesmee, ele tinha mandado uma mensagem avisando e ligou quando eu não respondi. Pedindo que eu não esquecesse de guardar seu lugar e, que me avisasse caso algum problema ocorresse.
O voo dele sairia de Seattle às oito da manhã, mas ele ainda tinha as três horas de carro até lá, então tinha de sair muito cedo de Forks. O tempo dele para fazer tudo que precisava estava incrivelmente apertado, mas Edward estava confiante de que conseguiria chegar ao teatro a tempo para o recital.
Meu dia também começou incrivelmente cedo, com Renesmee entrando no meu quarto a todo vapor, dizendo que ela tinha de fazer uma refeição leve no café da manhã, mas ainda assim reforçada, coisa que eu sabia vir de Rosalie. Nós passamos o resto da manhã em casa, ela revendo o DVD do quebra nozes que tinha ganhado de Edward no inicio daquela semana, enquanto eu arrumava tudo para nossa ida a Seattle.
Com o patrocínio da prefeitura de Seattle, um ônibus escolar levaria toda a turma de Renesmee do balé, assim como Rose e Alice para a cidade. Eu ia com Esme e Carlisle, Emmett e Alec também iam, os pais de Emm tinham vindo de Port Angeles no dia anterior para ficarem com Jane e, Jasper a pedido de Edward ficaria com Senhor Masen.
Edward tinha insistido em reservar um quarto em um hotel para a gente, na verdade uma suíte já que Renesmee teria o seu próprio. Eu nem discuti, sabendo que ia perder a batalha para os dois.
— Você pegou tudo, Bells? — Renesmee perguntou nervosa enquanto eu fechava a porta de casa para eu ir a deixar no estúdio de Rosalie no começo da tarde.
— Ness, respire fundo, okay? Eu não esqueci de nada, prometo.
— Tudo bem, você falou com Edward?
— Edward vai estar lá, Ness — garanti, abrindo a porta da picape para ela. Ele tinha mandado uma mensagem avisando que tinha chegado bem em San Diego, mas eu não insisti em ficar conversando sabendo que ele precisava de um tempo só.
Deixei Renesmee no estúdio com Alice e Rose, que estavam cheias de outras mães ansiosas com a apresentação. Uma hora mais tarde eu já estava no banco de trás do carro de Carlisle, indo para Seattle com ele e Esme.
Eu tinha conseguido um vestido com Alice, ia até meus joelhos e era bege, clássico. Uma boa aposta para estar em um dos teatros mais importantes de Seattle, vendo minha irmã mais nova dançando no papel principal de um balé mundialmente conhecido.
Estava ansiosa pela apresentação de Renesmee, mas também por estar indo para Seattle. A cidade trazia muitas recordações para mim, mas eu não deixaria isso me abater.
— O tempo está terrível, espero que isso não influencie no pouso do voo de Edward — Esme falou do banco da frente, enquanto eu observava as ruas familiares de Seattle passando por mim com a chuva forte embaçando tudo.
— Não, nem vamos pensar nisso — Carlisle disse para a esposa.
— Sei que ele vai chegar a tempo — falei confiante, enquanto o carro parava no sinal vermelho, me dando tempo suficiente para ver um casal saindo de uma lanchonete, enquanto riam e se beijavam sobre a chuva do fim da tarde.
Eu reconheceria aquela mulher em qualquer circunstância, o rosto dela estava impregnado em minha mente. Observei, paralisada, ela e o homem seguindo em direção oposta ao sentido do carro de Carlisle e, mais uma vez, vi Renée ir para longe.
***
Ela era a bailarina mais linda de todas, eu sabia que as outras meninas ali também tinham suas qualidades, mas no momento que entrei naquele camarim foi apenas ela que enxerguei. Estava usando um vestido azul comprido, com várias camadas, suas sapatilhas brancas nos pés, os cabelos estavam parcialmente soltos, os cachos bem definidos caindo com elegância por seus ombros e costas, enquanto um broche de cabelo da cor do vestido prendia parte do cabelo no alto.
Alice estava a maquiando, conversando e sorrindo para Renesmee, quando minha irmã me viu pelo espelho que ela estava diante. O sorriso no rosto dela se expandiu e, aquilo fez com que eu continuasse meu trajeto até ela.
Pensando em como Renée um dia pode deixar Renesmee para trás, em como eu pude. Ela era adorável, amável, eu estava em êxtase em ter a oportunidade de conviver com aquela menina.
— Pronta para interpretar a Clara, Renesmee? — perguntei quando cheguei até ela.
— Estou feliz que está aqui, Bella! — Ela me deu um abraço apertado.
— Eu disse que estaria, não é? Vou estar na primeira fila, morrendo de orgulho. Eu te amo, pequena.
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