Amargo Lar
18 Capítulo Dezessete — Pagamento
Notas iniciais

Isabella Swan
Eu tinha uma senha, a minha melhor roupa e, um sorriso ansioso no rosto. Precisava que aquilo desse certo, era minha única saída contra a bomba relógio em minha cabeça, eu sabia que não estava em problemas com o conselho tutelar, mas aquilo poderia me colocar e, não queria problemas que podiam me custar à custódia de Renesmee.
— Acalme-se, Bella — Emmett pediu. — Vai dar tudo certo.
Suspirei e, se não desse? Como eu faria para pagar a divida do hospital? Eu tinha só mais três dias para alcançar o prazo dado por eles para o pagamento, depois disso os juros iriam chegar, as intimações e tudo mais.
Era um pesadelo.
Pelo menos Emmett tinha concordado em ir comigo, de graça, até o banco para me auxiliar com a tentativa de empréstimo. Sabia que sozinha ficaria nervosa demais e, não conseguiria lidar com aquilo.
Aquilo tinha de dar certo, pois eu estava perdendo uma manhã de trabalho que Sue deixou bem claro que iria ser descontado do meu salário. E, perder dinheiro quando eu estava procurando por mais não era minha intenção.
O sistema de senhas tocou, fazendo com que meu coração desse um pulo e eu levantasse imediatamente. Emmett segurou em meu braço, lançando-me um olhar que gritava calma, mas eu não conseguia, estava tensa demais.
Nós fomos até o guichê, nos sentando diante o homem careca e expressão entediada que nos atenderia.
— Senhor Jenks, essa é Isabella Swan, sou Emmett McCarty e estamos aqui para analisarmos uma proposta de empréstimo em nome dela.
O homem olhou de Emmett para mim, então pediu meus documentos. Ele digitou em seu computador por alguns momentos, me fez algumas perguntas e por fim falou:
— Lamento, senhorita Swan, o banco não pode lhe fazer empréstimos, você teve seu pedido negado.
Eu coloquei o rosto em minhas mãos, claro que não me dariam, tinha feito tantos empréstimos nos últimos anos a pedido de James. Obviamente o banco não me daria mais nenhum. Emmett ficou conversando com Jenks, explicando a situação e tentando fazê-lo entender que era algo urgente, mas nada foi resolvido.
— Bella, Rose e eu podemos fazer o empréstimo para você...
— Não — interrompi Emmett enquanto íamos em direção aos nossos carros no estacionamento. — Vocês já fizeram demais por mim, por favor, não me coloque em uma situação dessas — pedi. — Eu vou até o hospital falar que irei atrasar o pagamento, quem sabe isso os faça reduzir um pouco os juros.
— Posso ir com você — Emmett falou.
— Não, sério, vá trabalhar. — Sorri para ele, agradecida por tudo que ele já tinha feito por mim aquele dia. — Você perdeu boa parte da manhã aqui, não perca mais tempo de um dia de trabalho.
— Tem certeza?
— Absoluta. — Assenti, Emmett concordou com um aceno de cabeça. — Emmett? — Bella chamou por ele quando o homem estava abrindo a porta de seu carro. — Você e Rosalie não contaram sobre esse assunto para Edward, não é?
— Fique tranquila, não contaremos.
Agradeci, refugiando-me na picape. Eu não poderia lidar com Edward sabendo daquela divida, eu me sentiria um inútil com isso. Ele já era tão bom para Renesmee, se soubesse que eu nem conseguia quitar uma divida só ficaria claro o quão insuficiente eu podia ser e, a última coisa que queria era parecer a mesma pessoa que apanhou do namorado.
A negociação no hospital simplesmente não aconteceu, nada de redução de juros, uma extensão da data de pagamento. Simplesmente nada.
— Sinto muito, senhorita Swan, não podemos fazer nada por você.
Claro que não podiam, ninguém nunca podia fazer nada.
Eu estava do lado de fora do hospital, sentada em um dos bancos que tinha no pátio, encarando o vai e vem das pessoas, querendo não desmoronar, quando ouvi me chamarem. A primeira pessoa que imaginei era Edward, mas a voz não era a dele, então me acalmei rapidamente.
— Oi Bella! — Carlisle entrou em meu campo de visão, vindo do estacionamento, ele provavelmente estava chegando para um plantão. Edward estava em algum lugar da ala pediátrica, em seu plantão mais longo da semana.
— Ei Carlisle! — Levantei para cumprimentá-lo.
— Tudo bem? — ele perguntou avaliando meu rosto.
— Sim — menti.
— Então por que está no hospital? — perguntou confuso. — Aconteceu algo com Ariel? Edward está com ela? — Não pude deixar de sorrir por ele estar chamando Renesmee pelo mesmo apelido que o sobrinho usava.
— Não, eu só vim resolver um problema.
— O pagamento do tratamento de Charlie? — O encarei.
— Como você sabe disso? Quem lhe contou?
— Eu fui o médico que o atendeu, lembra? — Carlisle sorriu gentilmente para mim. — Eu vi na ficha dele que o tratamento não seria pago por um seguro médico, então, se você não está aqui por sua irmã, por você mesma, ou por Edward eu presumo que tenha vindo resolver essa situação. Deu tudo certo? Quer que eu a acompanhe até lá?
— Não, deu tudo certo sim — continuei mentindo. — Já paguei tudo, só parei aqui para aliviar um pouco a mente, mexer com pagamento do tratamento de Charlie me desestabilizou mais do que o esperado. — Apertei a alça da minha bolsa, desviando o olhar para meus pés. — Eu realmente preciso ir trabalhar agora, Carlisle, o vejo outro dia.
— Bella?
Não respondi seu chamado, apenas continuei andando, tentando não desmoronar até chegar a picape.
***
Eu fiquei realmente surpresa quando olhei para a entrada do restaurante, na tarde de sexta-feira e, vi Esme entrando com minha irmã. Edward era a pessoa quem a buscava na escola nas sextas, ontem mesmo quando estive na casa dele para o jantar que eu fazia para o senhor Masen nas quintas e quartas, ele tinha dito que iria buscar Renesmee na escola.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei preocupada quando cheguei até Esme e Renesmee. — Edward está bem?
— Está sim, querida. — Esme sorriu para mim. — Ele apenas teve um problema para resolver e pediu que eu buscasse Renesmee na escola — explicou. — Espero que não se importe com isso.
— Não, você pode buscá-la — falei. — Eu só fiquei assustada pensando que tivesse acontecido alguma coisa grave. Vocês vão querer comer algo? — perguntei, depois de receber um olhar irritado de Sue por não estar trabalhando.
— Eu poderia fazer um lanche e, você Renesmee?
— Eu poderia também — Ela imitou a fala de Esme, fazendo com que nós duas ríssemos.
— Pois então, eu adoraria servi-las. — Entrei na brincadeira, as conduzindo até uma mesa. — O que vão querer, senhoras?
— Batata frita — Renesmee respondeu prontamente.
— Nem pensar, mocinha — Esme disse. — Você é igual Edward querendo se alimentar só de coisas que não prestam, nem parece que ele é médico.
— Ele me contou sobre as asinhas de frango — falei, fazendo Esme rir.
— Ele é louco por elas.
— Isabella! — Sue parou ao meu lado, com uma expressão mais brava do que a de antes. — Até onde eu me lembro, estou lhe pagando para servir mesas, não ficar de papinho furado dando risadas...
— Desculpe, quem é você mesmo? — Esme indagou, interrompendo Sue.
— A dona desse lugar! — Sue esbravejou.
— Ah que bom, então deixe-me lhe dizer que Isabella é uma excelente garçonete, mas que você é uma péssima patroa. Eu não me importo em conversar, ou rir com ela, isso faz do atendimento dela algo muito melhor, mas o seu, minha cara, é horrível! — Eu abri a boca para o discurso de Esme, chocada com as palavras dela.
— E-Eu — Sue gaguejou, perplexa com as palavras de Esme também.
— Você pode voltar ao seu trabalho, enquanto Isabella me atende muito bem como estava fazendo até você nos interromper rudemente — Esme sugeriu, abrindo o cardápio. — E você deveria mudar o design do seu cardápio, as letras são pequenas demais.
Sue esbravejou, afastando-se da mesa pisando firme.
— Obrigada por isso — agradeci a Esme.
— Ela que aprenda a não mexer com um dos meus — Esme disse analisando o cardápio.
— Eu sou um dos seus? — indaguei surpresa.
— Ah querida, você é totalmente uma dos meus — ela respondeu, sorrindo largamente para mim, eu quis abraçá-la ali mesmo, mas Sue não gostaria muito mais disso do que de conversa e risos. — Vou querer um sanduíche natural com chá de hortelã e, você meu bem?
— Suco de uva com um sanduíche igual ao seu — Nessie respondeu.
— Já trago para vocês. — Anotei os pedidos, depositei um beijo na testa da minha irmã e levei a anotação até a cozinha.
Enquanto eu atendia outras mesas, eu fiquei de olho em Esme e minha irmã, ela conversavam e riam. Eu não poderia gostar mais de Esme, era uma das pessoas mais amáveis e simpáticas que já tinha conhecido e, ela adorava minha irmã, o que contava pontos comigo.
Nossa conversa no dia do aniversário dela tinha sido tão intensa, eu sabia que de uma forma ou de outra, eu estava assumindo o papel de mãe de Renesmee. Porém, a ficha só tinha realmente caído quando Esme me disse isso.
— Aqui senhoras. — Levei a comida para elas. — Espero que gostem.
— Sue não tocou na minha comida, né? O mínimo que ela pode ter feito é cuspir — Esme disse.
— Fique tranquila, ela não tocou na sua comida não. Mocinha, coma tudo, viu?
— Pode deixar, Bells! — Nessie começou a comer.
Algum tempo depois Esme me chamou, as duas já tendo terminado seus lanches.
— Eu posso ficar com Renesmee até o fim do seu expediente — ela disse pegando a conta da minha mão.
— Ah não, isso seria muito, você pode deixá-la no estúdio com Rose? — perguntei. — Nós combinamos de ir jantar com ela hoje, ao que parece Renesmee e Alec tem uma competição de vídeo game.
— E eu vou ganhar — Renesmee declarou, fazendo Esme sorrir para ela.
— Tudo bem — Esme concordou. — Querida, você pode me esperar na porta enquanto eu falo com sua irmã? — ela pediu a Renesmee.
— Papo de adulto? — Renesmee questionou.
— Papo de adulto. — Esme assentiu, Nessie levantou, me abraçou rapidamente e foi esperar perto da porta.
— Algum problema? — perguntei a Esme.
— Não. — Negou, entregando-me o dinheiro da conta junto com um cheque. Olhei confusa para aquilo, por que ela estava me dando um cheque com toda aquela grana?
— Esme...
— É sua gorjeta. — Ela deu de ombros.
— Isso é muito mais do que eu deveria ganhar como uma gorjeta. — Tentei devolver o cheque a ela, mas Esme manteve suas mãos longe dele. — O que está acontecendo?
— Eu falei com Carlisle, ele me contou que você estava com problemas envolvendo o hospital.
— O-O quê? — gaguejei. — Como ele sabe? Eu disse que tinha pagado tudo!
— Ele foi o médico responsável por seu pai aquele dia, Bella. Irá receber uma parte desse dinheiro em seu salário, ele sabe quando o pagamento for totalmente custeado ou não.
— Eu não posso aceitar esse dinheiro, Esme. — Coloquei o cheque sobre a mesa, senti-me envergonhada com tudo aquilo.
— Já lhe disse, é sua gorjeta, você fez um trabalho excelente.
— Esme, isso está me humilhando, eu não posso aceitar dinheiro de você — afirmei, sentindo lágrimas em meus olhos. — Você é amável, carinhosa, mas eu não quero que sinta pena de mim, eu vou dar um jeito de conseguir essa grana, não vou aceitar sua piedade.
— Não estou com pena — Esme disse. — Eu estou lhe dando o dinheiro porque quero lhe ajudar, sim, mas não por pena. Você tem uma menina de dez anos dependendo financeiramente de você, uma casa e um trabalho de seis dias na semana com uma chefe babaca, deixe-me ajudar, eu quero.
— Esme, não.
Ela segurou em minha mão, colocando o cheque nela.
— Esse dinheiro não vai me fazer falta, mas vai fazer bem a você e a Nessie, aceite!
— Não vou conseguir mais olhar na sua cara sabendo que você me deu todo esse dinheiro.
— Bella, você não tem uma mãe, não uma de verdade que cuidou de você como deveria. Deixe-me cuidar de você como a filha que eu não tive também, okay?
— Me dando dinheiro? — Suspirei.
Ela levantou, me dando um abraço, que foi impossível não retribuir.
— Família foi feita para ajudar em qualquer situação, Bella, você sabe disso agora com Renesmee. Cuide da sua irmã, eu cuido de você. Não precisa ficar sozinha, querida. — Ela afagou meu rosto sujo de lágrimas. — Aceite o dinheiro.
— Eu vou pagar a você — prometi. — Assim que conseguir uma grana, eu juro que pago.
— Tudo bem, se isso te faz sentir melhor, que seja, mas na tenha pressa. — Beijou minha bochecha. — Não se preocupe, esse assunto ficará apenas entre nós duas.
Eu sabia que com aquilo ela queria dizer que Edward não estaria envolvido.
— Você tem certeza, Esme? — perguntei olhando para o cheque em minha mão.
— Absoluta. Eu posso lhe esperar em casa no domingo para um almoço? Ah não ser que você tenha outros planos, realmente queria passar um tempo a mais com Renesmee.
— Nós vamos, não temos nada programado. — A abracei mais uma vez. — Muito obrigada.
— Agora volte ao trabalho, querida, antes que aquela mulher nojenta olhe mais uma vez para a gente e eu seja obrigada a dar um soco na cara dela — Esme falou, olhando para Sue atrás do balcão. — E guarde isso. — Enfiou o cheque em meu bolso. — Vou deixar Nessie com Rose, vejo você no domingo.
— Até lá. — Deixei ela ir até a porta onde Renesmee esperava por ela, então as duas deixaram o restaurante.
— Fale menos e faça seu trabalho mais, Isabella, você é minha empregada, não daquela granfina idiota. — Sue resmungou. quando fui lhe entregar o dinheiro da conta da mesa de Esme.
Apenas a deixei falando sozinha, ainda emocionada com o ato de Esme. A rata azeda que falasse o que quisesse, eu não me importava.
***
Rosalie e eu estávamos na cozinha, enquanto Emmett estava tomando conta das crianças na sala, mas eu estava mesmo preocupada com Edward. Ele estava desaparecido durante o dia inteiro e, nem mesmo Rose tinha noticiais dele.
Fui até sua casa quando chegamos ali, mas nem o senhor Masen sabia do neto. Ele estava realmente bem? Até Renesmee já tinha percebido a ausência dele, eu tinha ligado umas cem vezes para que ele falasse com ela, mas as ligações iam direto para a caixa postal.
— Merda! — exclamei quando cortei meu dedo com a faca.
— O que está acontecendo com você? — Rose perguntou, me levando até a pia e lavando meu dedo, era um corte pequeno, mas ardia para valer. — Está toda dispersa e suspirando.
— Só estou preocupada com Edward.
Rosalie sorriu maliciosamente enquanto pegava um kit de primeiros socorros sobre a geladeira.
— Preocupada, é? — perguntou arqueando uma sobrancelha para mim, envolvendo meu dedo em um curativo.
— Eu sei onde você quer chegar, Rosalie McCarty, mas não é nada disso que está pensando! — afirmei, afastando-me dela e voltando ao corte dos legumes, tomando cuidado para não arrancar um dedo daquela vez.
— Não quero chegar a lugar algum. — Rose deu de ombros. — Mas você sabe, estou apenas comentando o que vejo.
— E o que você vê? — A encarei.
— Dois adultos vivendo uma rotina de casados, mas sem dormir na mesma cama.
— Você é louca — esbravejei, voltando meus olhos para os legumes. — Edward e eu somos apenas amigos.
— Claro, criando uma criança juntos, dividindo uma rotina, você louca porque ele desapareceu o dia inteiro. Sim, sim, apenas amigos. Emmett e eu também somos apenas amigos, essa aliança no meu dedo foi apenas um presente, onde está a sua?
— Rose!
Ela gargalhou, ao mesmo tempo em que meu celular tocou no bolso da minha calça. Mas a loira foi mais rápida ao tirá-lo de lá e ver quem ligava.
— Olha só, é seu grande amigo, Edward! — Rosalie anunciou voltando a sorrir maliciosamente, jogando o celular para mim. Por pouco ele não foi ao chão, mas consegui apanhá-lo.
— Oi Edward! — Atendi, com Rose mandando beijinhos no ar para me provocar.
— Ei Bella. — A voz dele parecia trêmula. Ele estava chorando? — Acabei de chegar na minha casa e vi a sua picape na frente da de Rosalie, você poderia vir aqui um segundo?
— Tudo bem? — perguntei mais preocupada ainda.
— Sim, só quero conversar um pouco — ele falou baixo.
— Estou indo. — Desliguei. — Você pode ficar de olho em Renesmee? Eu...Edward não parece bem, vou até lá ver o que é — disse para Rose, fazendo o sorriso brincalhão no rosto dela morrer.
— Claro, vai lá. — Rose tirou a faca da minha mão. — Não deixe Nessie te ver saindo ou ela irá querer ir também.
Concordei com um aceno de cabeça.
— Bella?
— Sim?
— Desculpe por minha provocação. — Apenas fiz um gesto qualquer com a mão, fazendo com que ela entendesse que não me importava com aquilo.
Passei pela sala de estar dos McCarty rapidamente, mas Renesmee estava concentrada demais no jogo com Alec para me perceber passando por ali. Logo eu estava na casa ao lado tocando a campainha, Edward abriu a porta e seus olhos avermelhados confirmaram minha suspeita, ele estava chorando antes.
— O que aconteceu? — indaguei nervosa, entrando na casa e fechando a porta.
— Eu perdi um paciente, pensei que ela iria sobreviver, Bella — começou a falar. — Ela só tinha cinco anos de idade. — Ele já tinha ido até a sala, sentando no sofá. — Passei o dia inteiro cuidando dela, ela morreu no fim da tarde, era filha única, os pais estão desolados.
Ajoelhei-me perto dele, segurando em suas mãos, fazendo com que ele me olhasse.
— Eu sinto muito — sussurrei. — Você certamente fez tudo que podia fazer para ajudá-la, Edward.
— Ela era tão pequena. — Lágrimas surgiram em seus olhos. — O que aconteceu com seu dedo? — perguntou vendo o curativo ali.
— Apenas um corte estúpido. — Sentei ao seu lado, mas sem tirar minhas mãos das suas. — Eu realmente sinto muito, Edward, não imagino como isso tudo deve ser horrível para você.
Ele respirou fundo, ainda olhando para nossas mãos.
— Onde está Renesmee?
— Jogando vídeo game com Alec — respondi. — Foi a única coisa que a fez parar de perguntar por você.
Ele sorriu brevemente.
— Ela está bem?
— Sim, muito bem. Esme a buscou na escola hoje a seu pedido, elas tiveram um bom tempo juntas.
Edward assentiu.
— Você limpou esse corte?
— Sim. — Olhei para o curativo fixo ali, Edward afagava minhas mãos, o que me fez pensar em toda a provocação de antes de Rosalie. Mas, ela estava errada, nós dois éramos apenas amigos, só isso. — Posso trazer jantar para você — sugeri. — Samuel já está dormindo?
— Sim — respondeu. — Não precisa trazer o jantar, eu irei apenas tomar um banho e dormir, estou exausto. Pode pedir desculpas a Ariel por mim? Eu deveria ter passado à tarde com ela.
— Renesmee vai entender. — Me levantei, o que fez nossas mãos se soltarem, os olhos dele logo estavam em meu rosto, ainda que ele tivesse que olhar para cima.
— Eu vou ao enterro amanhã, então não poderei ficar com ela, acha que Rose poderá?
— Claro. Você está realmente bem? Não quer mesmo comer nada?
— Não, está tudo bem. — Ele se levantou, ficando diante de mim. — Obrigado, Bella.
Suas mãos seguraram em meu rosto e, ele beijou minha testa por alguns segundos. O suficiente para eu sentir um arrepio em minha espinha, mas não de uma forma ruim.
Apenas me afastei dele, desejando um rápido boa noite e saindo de sua casa. Ao chegar na de Rose fui direto para a cozinha, onde ela me lançou um olhar curioso, mas eu não falei nada, eu não consegui. Minha mente confusa demais para por os pensamentos em ordem, Rosalie pareceu entender, não disse nada também, cortando os legumes com um sorriso vitorioso no rosto.
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