Amarga Distração

3 Sua boca, Maura...


Notas iniciais
Sorry pela demora!!!

Já era mais de meio-dia quando Jane foi se encontrar com Maura para almoçar. As duas se sentaram na última mesa que havia disponível no Café do Departamento e demorou alguns minutos para serem atendidas. Angela chegou arfando com uma bandeja na mão e o cardápio em outra e começou a tagarelar.

- Meninas, vocês podem me dar uma ajudinha? Logo hoje que estou sozinha o Café resolve lotar de gente! Esse lugar parece que fica menor a cada dia, preciso falar com o Stanley para fazermos uma reforma, aumentar aqui. Tommy e Giovanni podem dar uma mão e podíamos contratar uma ajudante também. Anotem o pedido de vocês aqui e levem pra mim no balcão por favor?

- Claro mãe, pode ir atender os outros, a gente se vira. – Jane pega o cardápio da mão de Angela e escolhe o que irá comer, passando-o para Maura enquanto anota seu pedido. Maura escolhe um prato leve, apenas salada, um filé de frango grelhado e um suco, pois não estava com muita fome. Já Jane pede um cheeseburguer duplo com bastante bacon e um refrigerante, já que não podia beber cerveja durante o horário de serviço. Enquanto esperam a comida a detetive percebe que Maura está novamente com o olhar vago e lhe dá um cutucão.

- Hey loirinha, de novo pensando na morte da cabrita? Nós ainda não terminarmos aquela conversa, você não me disse o que está te afetando tanto a ponto de interferir no seu trabalho. Às vezes acho que você está ficando meio piradona. Quando você disser que está vendo os corpos se mexerem, aí sim a coisa vai ficar séria. Acho que você devia...

- É da bezerra, Jane! – Maura sai de seu devaneio por alguns segundos.

- O que é da bezerra? – a morena faz cara de confusão

- A morte...

- O quê? Morte da bezerra? Não me diga que esse Serial Killer está matando animais também?

Maura revira os olhos como se estivesse explicando a mesma coisa pela milésima vez a uma criança.

- Não Jane! Você disse que eu estava pensando na morte da cabrita. Não é cabrita, é bezerra. Pensar na morte da bezerra significa estar com o pensamento longe. É uma expressão proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Conta-se que certa vez um rei resolveu sacrificar uma bezerra e que seu filho menor... *

- Ah sim, claro! – Jane interrompe Maura. — Falei tanto que nem me lembro mais o que foi. Ao contrário de você, que só abriu a boca até agora pra me corrigir. Tem que ter o “Momento Wikipédia”, senão não é a Dra. Maura Isles! – Jane não perdia a oportunidade de zombar da legista, que nem sempre gostava das piadinhas. Principalmente a da Wikipédia, já que não considerava o site confiável, ao contrário do seu conhecimento.

- Salada de couve chinesa com tomate seco e champignon, frango grelhado e suco de laranja sem açúcar com duas pedras de gelo.

- É meu! – Diz Maura pegando uma bandeja enquanto Angela colocava a outra na frente de Jane.

- E esse com certeza é o seu né? Desde pequena come muito. Não sei como não engorda! Deve ser a genética. – Angela dá uma piscadinha para as duas e sai para atender outra mesa.

Enquanto comiam as duas não conversaram muito. Jane até tentou puxar papo, mas Maura a interrompia dizendo que era falta de educação falar de boca cheia. Após alguns minutos em silêncio Jane percebeu que o canto da boca de Maura estava sujo de molho de salada. Ficou ali, apenas olhando para a mancha e esqueceu-se de avisar a loira.

- O que foi Jane?

- Ah... é que... sua boca, Maura... está suja de molho.

Maura pega o guardanapo e limpa o canto esquerdo da boca, errando o lugar.

- Não, é do outro lado. Deixa que eu limpo. – Jane pega o guardanapo da mão de Maura e segura seu queixo, pressionando levemente o papel na boca da loira, retirando o molho. – Pronto, bem melhor!

Maura sorri em agradecimento e a morena sente seu coração dar um pequeno salto com tal sorriso, mas então o celular da legista apita, quebrando o “clima” daquele momento. Jane continua fitando a amiga enquanto esta responde a mensagem e acaba se perdendo em seus pensamentos também. “Sua boca é pequena e tão bem desenhada, fico imaginando como seria bei... Mas o que é isso Jane Rizzoli, você ficou maluca??? Não é normal ficar imaginando coisas sobre a boca de sua melhor amiga! Além do mais, você precisa pensar em Casey! Você precisa tirar essa idéia de cirurgia da cabeça dele!”. A detetive volta rapidamente a atenção para seu lanche, acabando de comê-lo.

- Jane, era o Dr. Lance. Parece que um corpo chegou agora e apresenta as mesmas características dos outros. O Serial Killer atacou novamente. Vamos?

- Claro! – Jane levanta-se enquanto Maura já está andando. A morena num impulso segura o braço da legista, forçando-a a se virar de frente pra ela. – Mas Maura, mais uma vez, essa conversa ainda não acabou. Eu preciso saber o que está acontecendo com você. Você é minha LLBFF, lembra? – Jane dá um sorrisinho lembrando-se da mentirinha que contaram a Giovanni há algum tempo atrás. — Não quero que nada nem ninguém te machuque. Confie em mim. Eu te amo.

Jane diz a última frase olhando diretamente nos olhos de Maura, que apenas abaixa o olhar e sorri, colocando sua mão sobre a de Jane, que ainda estava em seu braço.

- Claro que eu confio em você Jane, e quero te contar tudo. Mas não aqui, não agora. Temos trabalho para fazer, e não quero mais que essa história interfira no meu desempenho profissional. E eu também te amo!

Ambas seguem em direção à sala de autópsias. Nos corredores, Jane relembrava a cena que presenciou mais cedo na sala dos detetives, passando-a em detalhes por sua mente. Detetive Miranda chegando, cumprimentando a todos, indo em direção à sua mesa, cumprimentando Jane, depois Maura, Maura seguindo-a com olhar, enrubescendo...

De repente uma luz se acende na mente de Jane, e a deixa meio atordoada. Não, não podia ser. Ela tinha que estar errada. Mas tudo fazia sentido agora. As distrações, os suspiros, o sorriso bobo no rosto. E a distração se tornava maior quando Maura estava na sala dos detetives. Sentiu novamente aquela “coceirinha” que sentira na varanda com Maura, aquela pontada de ciúmes. Sabia que ela podia estar apaixonada, mas nunca imaginou que seria pela nova detetive. Ela havia até cogitado ser Frost ou algum dos outros detetives esquisitões, o que lhe rendeu várias piadinhas que poderia fazer à amiga para provocá-la. Mas justo ela! Aquela que Jane só aturava por educação. Aquela que podia roubar seu lugar na Homicídios. É, mas pelo jeito a Detetive Charlie Miranda havia roubado algo muito mais importante que seu lugar. Havia roubado o coração de sua melhor amiga.

Notas finais
Esse foi mais leve pra vocês se recuperarem do susto do 2º capítulo, mas se preparem pro 4º! hahaha brinks
* Se quiserem saber a continuação da história sobre a origem da expressão "Pensar na morte da bezerra" é só entrar aqui: http://www.soportugues.com.br/secoes/proverbios/proverbios2.php