Amarga Distração

6 Um Macchiato, por favor.


Notas iniciais
Santa Sasha me iluminou e finalmente saiu!!

Não ficou como eu queria, mas espero que gostem! :D

– I wanna fuck you! – sussurrava em seu ouvido enquanto mordiscava sua orelha, descendo em direção ao pescoço, deixando ali uma mancha avermelhada e chegando a um de seus seios. — I just wanna fuck you, Jane!

E num piscar de olhos sua mão direita já se movimentava, ágil, fazendo a morena embaixo dela se contorcer, soltando um gemido rouco.

– Isso, geme pra mim, Detetive! – provocou, tirando os dedos e arranhando a parte interna de sua coxa.

A morena se arrepiava a cada toque daquela mulher, e senti-la dentro de si era inexplicável. Queria cada vez mais, mas de repente a mão que estava quase a levando ao êxtase passou a explorar outro lugar, que não era de importância nenhuma no momento. Levou a mão à que estava em sua coxa e a puxou para cima, lambendo aqueles dedos com uma cara sacana, enquanto seu olhar implorava para que continuassem o “serviço” anterior.

– Aqui! – disse, tirando a mão da outra de sua boca e colocando no meio de suas pernas. – Continue aqui...

– Não. — sorriu ao ver a cara de decepção da detetive. – Não com os dedos...

E desceu, sentindo o corpo da morena arquear quando sua boca finalmente chegou a determinado ponto. Ficou ali até que sua língua fez a outra tremer e puxar seu cabelo, cerrando os olhos. Subiu, olhando-a carinhosamente, e a beijou.

– Eu te amo, Jane!

– Eu também te amo, Maura! – E então abriu os olhos, ainda sentindo a boca da loira na sua.

– Jo Friday!!! – pulou da cama ao perceber que era a cachorra quem lambia sua boca, e tudo aquilo havia sido apenas um sonho.

Brava, expulsou a pobre cachorra do quarto e rolou na cama. Estava molhada, e não era apenas de suor. Fechou novamente os olhos. “Ah Maura, só você pra me deixar assim, tão... submissa”, pensou ao lembrar de si mesma implorando por prazer, nada condizente com a Jane durona que sempre está no comando de tudo. Levou uma das mãos aos seus seios enquanto lembrava do sonho, e a outra começou a descer por sua barriga. Ainda meio receosa, colocou a mão dentro do short do pijama, mordendo os lábios. Pela primeira vez Jane Rizzoli se deixou levar, e se tocou...

O barulho do despertador quase fez com que aquele momento fosse interrompido, mas após sorrir outra vez, Jane desligou-o e levantou. Foi até ao banheiro, jogou água fria no rosto e se encarou no espelho. “É Jane, não tem mais volta. Você está apaixonada por sua melhor amiga. Maura está em seus sonhos mais íntimos, mas quem a tem na realidade é aquela detetivezinha petulante.” E agora estava ali, com uma questão clichê na cabeça: “vai lutar por ela, ou deixá-la ser feliz com quem ama?”.

A legista acordou com o sol em seu rosto Depois da conversa que teve com Jane na noite anterior, um peso parecia ter saído de suas costas, e deixar a amiga a par do que sentia por Miranda havia sido uma boa decisão. Só não foi melhor do que a reação da Detetive. Maura achou que Jane fosse surtar, dizer que Miranda não servia pra ela, que preferia que ela ficasse com Tommy ou qualquer coisa do gênero, mas não. Quer dizer, ela até se exaltou um pouco, inclusive chamando Charlie de “Carmem Miranda”, mas o que chamou a atenção de Maura foi o abraço. Um único abraço, coisa que ela aprendeu a não esperar de Jane, acabou sendo o que a loira precisava para ter a certeza de que a amiga a apoiava. Por estar feliz por tudo o que estava acontecendo, engoliu a explicação da morena sobre a lágrima, e nem sequer lembrava mais disso. Se tivesse prestado mais atenção e olhado nos olhos de Jane, talvez tivesse entendido o que aquela lágrima realmente significava. Talvez...

O burburinho aumentava a cada passo que Jane dava em direção à sala dos Detetives. Estranhou a movimentação, pois era bem cedo, e geralmente a essa hora estavam todos chegando ou arrumando a papelada de seus casos para começarem a trabalhar. Havia chegado um pouco antes com Maura e a deixado subir na frente, pois tinha que parar no café do departamento com sua mãe para ajudá-la a descarregar umas sacolas. Agora ao subir para a sala, perguntou-se se Angela não a teria segurado por lá por mais tempo do que pensou, falando de como Alice, a nova ajudante, era uma garota exemplar, sempre pontual e que naquele dia havia até chegado mais cedo e feito faxina.

Abriu a porta e falou um “bom dia” geral, mas ninguém respondeu. Frost a puxou pelo braço em direção ao grupinho de detetives, que discutiam enquanto Korsak segurava uma folha de papel, que parecia conter algum tipo de recado. Olhou para os lados esperando que alguém explicasse o que estava acontecendo e avistou Maura no outro canto da sala, andando de um lado para o outro, com uma expressão preocupada. Estava se virando para ir em direção à loira quando Korsak resolveu falar:

– Jane, este recado foi encontrado em cima de uma das mesas de autópsia pela Dra. Isles. – Korsak não a chamava de Maura quando estava junto com os outros detetives. – Ela o trouxe imediatamente para nós, e temos praticamente certeza de que foi escrito pelo nosso misterioso Serial Killer. Dê uma olhada!

Passou a folha para Jane, que quase arregalou os olhos quando leu. Letras coloridas de diversos tamanhos, recortadas de revistas, formavam um estranho mas claro texto.


MUITO TRABALHO ULTIMAMENTE, DRA. ISLES?


ESPERO QUE ESTEJA SE DIVERTINDO!


ESSES OLHOS AZUIS SÃO PARA VOCÊ. POR VOCÊ...



Aquilo soava quase como uma ameaça. Coisa de psicopata, gente doente, obcecada. Obcecada, pelo jeito por Maura. A sua Maura.

– E então, Jane, o que acha? – perguntou Frost.



– Eu acho que vou matar o maldito que está fazendo isso! – disse a morena num sussurro, quase amassando o papel de raiva.



– Você vai o quê? – indagou Frankie, que estava ao seu lado.

– Eu disse que vou levar este papel para tentar obter impressões digitais. Quase certeza que o maluco usou luvas, mas... nunca se sabe!



Virou-se, ainda olhando para o papel em sua mão, para ir falar com Maura, mas parou ao dar alguns passos e olhar para frente. Deparou-se com Miranda ao seu lado, passando discretamente a mão pelo ombro da loira, como se estivesse confortando-a. Maura sorriu, e colocou uma das mãos na mão de Miranda que estava em seu ombro. Jane apenas observava enquanto uma onda de ciúmes subia pelo seu corpo, deixando-a vermelha. Retomou os passos e parou na frente de Maura, ignorando a outra detetive.



– Maura, acabei de saber o que aconteceu! Você está bem?



– Sim, Jane, estou bem! Apenas não consigo entender o que esses assassinatos tem a ver comigo! Eu... eu não fiz nada a ninguém.


– Quem será esse louco, e o que ele quer com você? – Jane passou a mão pelo rosto de Maura, com a desculpa de tirar uma mecha de cabelo da frente.

– Deve ser algum ex-namorado que não aceitou ter o coração partido por esta bela legista! – riu Miranda, tentando fazer uma piadinha para aliviar a tensão. O que não deu muito certo, pois Maura deu um meio sorriso e Jane pela primeira vez se virou para ela, mas foi pra lhe fuzilar com o olhar. – Mas nós vamos descobrir quem é ele, Maura. Fique tranquila! – Voltou ao seu tom sério, e tentou tirar o papel das mãos de Jane, que recuou.

– Pode deixar que eu mesma levo, Miranda – a morena deu ênfase ao pronunciar o nome da outra. – Apenas cuide da Maura!

E foi saindo da sala, não antes de escutar a resposta de Miranda, num tom levemente debochado:

– Pode deixar, Rizzoli! Maura está em ótimas mãos!

Se Jane pudesse matar por telepatia ou pelo olhar, o próximo corpo na mesa de autópsias de Maura seria o de Charlie Miranda.

Como já esperava, o exame das impressões digitais não encontrou nada, o que dava agora a certeza de que quem enviou a mensagem havia usado luvas. O que mais intrigava Jane era a última parte do texto: “Esse olhos azuis são para você. Por você...”. O que aquilo queria dizer? Por que aquele maluco estava “dedicando” seus crimes à Maura?

Sentada em sua mesa, lendo a mesma frase pela enésima vez, Jane de repente teve uma idéia e começou a digitar freneticamente no computador à sua frente. Imprimiu algumas folhas e as guardou numa pasta, escondendo-a embaixo de alguns papéis na última gaveta. Era um tiro no escuro, mas foi a única coisa que veio em sua mente naquele momento, e investigaria qualquer pista, qualquer teoria, por mais absurda que fosse para pegar aquele louco antes que ele aterrorizasse Maura. Resolveu não mostrar para Frost e Korsak, pois queria analisar sozinha aquelas informações e tentar achar algo concreto antes de fazê-los perder tempo com uma pista que não levaria a lugar algum.

Já era quase 11 da manhã, mas Jane resolveu descer para tomar um café. Nada melhor que uma dose de cafeína para que pudesse raciocinar direito e voltar ao caso do Serial Killer. Ao entrar no elevador deu de cara com Maura, que também estava indo ao Café.

– Você não costuma tomar café a essa hora. Não me diga que resolveu fugir um pouquinho do trabalho e matar o tempo fofocando com minha mãe sobre minhas travessuras infantis?! – A morena fingiu uma cara de indignada ao falar, o que fez com que a legista desse uma risadinha.

– Não Jane, já sei de todas as suas travessuras. Você sabia que o café ativa um mecanismo no cérebro liberando um fator de crescimento chamado “fator neurotrófico cerebral” que ativa células-tronco para se converterem em novos neurônios?

– Wikipédia ataca novamente! Tico e Teco aqui estão mesmo precisando de companhia! – debochou a detetive apontando para a própria cabeça, e percebeu que Maura não protestou ao ouvir seu “apelido” como sempre fazia. – O que a animou assim depois do que aconteceu mais cedo?

– Foi Charlie quem me chamou. Disse que queria me ver, e me pediu pra descer.

– Ah tá. – virou a cabeça para a porta do elevador novamente séria. — Chegamos.

Jane não gostou nada daquilo e imediatamente fechou a cara. Encontrou Miranda sentada junto ao balcão, rindo. Seu humor piorou quando viu que Angela estava conversando com ela, mostrando o que a morena tinha certeza ser um álbum de fotos. Rezou para que não fosse o álbum que estava pensando e se aproximou com a loira.

– Meninas! Estava aqui conversando com a Detetive Miranda, ela me contou o que aconteceu mais cedo. Você está bem Maura?

Angela tentou disfarçar enquanto fechava o álbum e colocava atrás do balcão, mas Jane conseguiu ver a capa cor-de-rosa com um ursinho desenhado que tanto odiava e olhou para sua mãe com aquela cara de “eu não acredito que você fez isso!”. Eram as fotos de quando Jane tinha seus 3, 4 anos e que Angela adorava mostrar pra todo mundo e depois dizer “Olha só como cresceu! Era tão arteira nessa idade!”.

– Estou sim Angela. Preocupada, claro, mas bem.

– Estava só te esperando. O que vai querer Dra. Isles? – Miranda perguntou virando-se para a legista.

– Um Macchiato, por favor.

– Dois! Pode entregar naquela mesa ali? – a detetive apontou para uma mesa mais afastada, fez sinal para que Maura a seguisse e virou-se para Jane. – A propósito, Rizzoli, você era uma fofa quando criança.

Pela segunda vez naquela manhã a morena sentiu seu sangue ferver. Era impressão sua ou Miranda estava tentando provocá-la? Sentou-se emburrada e pediu seu café desejando que o macchiato de Charlie estivesse muito quente e fosse parar acidentalmente em seu colo quando fosse entregue.

– Você não gosta dela, não é mesmo?

Alice estava ao seu lado no balcão enxugando alguns copos enquanto Angela preparava os cafés.

– Oi?

– Detetive Miranda. Você não gosta dela né?

– Está tão óbvio assim?

– Percebi porque costumo observar bastante as pessoas. Me desculpe se pareci indelicada.

– Não tem problema. Pois é, Miranda me tira um pouco do sério às vezes.

– É por causa da Dra. Isles, não é? Vi a maneira como você a olha.

– O quê?? Não não, é por causa do trabalho mesmo. Costumam nos comparar e eu não gosto disso.

– Tudo bem!

Alice achou melhor não insistir, até porque não acreditaria em nenhuma desculpa que a Detetive Rizzoli desse. Tampouco precisava de uma confissão, dava pra ver em seus olhos o ciúme e a paixão. Angela saiu da cozinha carregando duas xícaras e entregou à Alice para que as levasse até a mesa de Maura e Charlie. A garota passou pela portinhola do balcão e segundos depois Jane se virou ao ouvir o barulho de algo quebrando. Qual não foi sua surpresa ao ver Miranda em pé com a calça e metade da blusa manchadas de café e a xícara ao seu lado no chão. Maura tentava amenizar o estrago com alguns guardanapos enquanto Alice se apressava em recolher os pedaços da xícara pedindo mil desculpas à detetive. Miranda fez cara de poucos amigos, mas se sentou novamente para que Maura tomasse seu macchiato, se trocaria depois.

Ao voltar para o balcão, Alice passou bem perto de Jane e sussurrou:

– Também não vou com a cara dela. Muito arrogante pro meu gosto.

A morena não pôde deixar de rir, a garota aparentava ser tão certinha e havia acabado de aprontar com Miranda. Parecia até ter lido seus pensamentos. Pegou seu café e levantou, lançando um último olhar à mesa. Pelos carinhos que Charlie fazia discretamente numa das mãos de Maura, a detetive ficou em dúvida se a ela realmente gostava da legista ou se queria apenas se divertir. Viu que a outra olhou em sua direção e levantou seu copo em cumprimento, dando um sorriso meio irônico. Teria uma conversinha com Miranda em breve.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.