Amarelos ou vermelhos? (WF)
6 ...ve.
Notas iniciais
É inverno.
Todos se encapuzam e se preparam para sair.
Mas estou sobre a janela apenas com roupas leves ainda tentando entender o que tinha feito de errado. Deixava a janela aberta afim de sentir algo. As gotas de água fria me atingiam e ainda não conseguia entender.
Era para ele ir embora apenas no fim do ano, mas depois do que ouve na antiga casa, ele simplesmente arrumou as coisa e partiu na mesma madrugada. Nem sequer se despediu, de ninguém nem mesmo do Fred que julgava ser o seu melhor amigo. E eu sentia que era culpa minha e somente minha.
Engulo seco e me viro, me visto e fecho as janelas, não queria que ninguém notasse o que estava sentindo. ...O que eu mesma não sabia explicar.
La fora o sol não aparecia, estava nublado e chuvoso.
― Realmente. O sol se foi...
― Disse algo Wanda? ― A ruiva passa por mim no corredor sempre lotado agora que o frio não deixava ninguém sair. Ela estava atarefada com algo então faço que não com a cabeça. Afinal tinha sido apenas um murmúrio em vão para o ar.
― Espera. Você tem um minuto? ― A chamo de volta, ainda estava curiosa sobre uma questão. Eu poderia nunca mais o ver, mas... ― O que te assustou tanto na mente do Groxo? ― Queria saber o que ela viu, então não faço rodeios.
― Quando você...? Bem... Foi algo pessoal. ― Ela se espanta olha em volta para ter plena certeza de que ninguém prestava a atenção em nós. ― Estritamente pessoal. Ele só queria desabafar... queria a opinião de alguém que pudesse ser imparcial ou... Ele queria tirar aquilo dele aquele segredo tão horrível. ― Seus olhos lacrimejam enquanto ela fala, provavelmente por que todos os sentimentos voltavam à tona; estava claro que tentava mentir e manter um dialogo, mas não conseguia. Seja lá o que for aquilo foi mais forte do que a sua notável força de vontade. ― Você não quer saber isso. Eu não queria saber isso. ― Ela suspira e enxuga uma lagrima. ― Eu sei que não foi comigo, eu sei que... Eu tenho que acreditar na verdade do professor. Tenho que acreditar que a paz entre os seres humanos e os mutantes é possível.
― Calma. ― Vou ate ela e a ajudo a se sentar em um canto, ela tremia e eu não sabia o que falar. ― Foi por isso que você disse que acólitos sempre serão acólitos?
― Sim. Wanda... não tem argumento contra aquilo. Simplesmente não tem. O professor sempre apela em dizer as pessoas “E se seu filho fosse um mutante?” e todos... Todos sempre reagem e param para pensar. Pensam “ele não será” ou “isso nunca vai ser possível”, mas pensam. Mas aquilo... aquilo contradiz tudo.
Ela continua a falar e eu não conseguia entender. O que teria na mente de um acolito como o Groxo que converteria o pensamento de uma X-men desta maneira?
― Me desculpe eu... Não quero te preocupar. Nunca vou trair os ideais do professor e...
― Por favor me conte. Estou muito preocupada com o Weber. ― O engraçado é que tento de tudo para que ela preste atenção em mim, e isso só acontece depois de eu falar este nome.
― Weber. ― Ela repete o nome como se não acreditasse que mais alguém o soubesse. -― Se você sabe este nome logo deve saber o resto.
― Não. Eu só sei o nome.
― Por que este interesse? ― Ela parece ter voltado a sim e espantando os sentimentos que a invadiam. ― Wanda ele esta bem ok. Não precisa se preocupar ele... só tem que resolver questões do passado, nada que possa fazer algo de mal a ele. E não é nada que alguém possa fazer por ele.
― Eu não sei... só sei que preciso saber, que preciso fazer alguma coisa. ― Saímos andando pelo corredor e imito Tabitha a levando ate uma das salas de aula. ― Eu não sei por que resolvi me importar tanto com ele, foi do nada, mas isso esta me deixando louca.
― Wanda... ― Ela respira fundo e sorri para mim. Não tenho que ter os poderes dela para ler sua mente. ― Se você não quer... Não vou contar a ninguém mas... Você tem que saber. Ele nunca mais vai voltar. O Groxo... ele se foi. E para sempre.
As palavras dela me tonteiam e me sento.
Eu já sabia, na verdade fazia uma idéia suave, mais receber estas palavras desta forma não foi assim, tão... legal.
― Ninguém sabe para onde. ― Ela complementa. ― Achávamos que ele iria no começo do ano que vem. Pelo menos foi o que ele tinha nos dito, e ate imaginamos convencer ele a nos contar e a voltar depois. Só que, ai ele sumiu do dia para a noite e não disse para onde... Não temos contatos e nada do gênero. ― Ela continua a falar e a se explicar porem já não ouvia mais nada; estava tonta como se estivesse passando mal, como se tivesse sido envenenada. ― Wanda você esta bem?
Ela finalmente para de falar e me nota, mas não respondo apenas fecho a porta e saio. Se ela não iria me contar o que queria saber não me era útil.
― Vem cá. ― Ela me puxa de volta e me segura contra a parede. ― Eu não queria fazer isso. Vai ser horrível. Mesmo.
― Tudo bem. Me mostra.
Ordeno; e ela logo põe as mãos sobre minhas temporas me enviando memórias, sensações e sentimentos. Tudo o que tinha recolhido dele.
OoOoOoOoOo
Meu corpo dói de uma maneira que parecia ter sido rasgada.
Mas eu não me importava com nada disso, por que o que mais doía não era o meu corpo...
Eu vi.
Vi o que se passava por traz dos olhos vermelhos.
― Você tem um minuto? ― Estava no meu quarto cansada depois de uma grande sessão de telepatia e vivencia da vida de outra pessoa e não queria papo, me viro para responder atravessado e me vejo sendo encarada por um par de olhos amarelos.
Ela estava sentada sobre outra cama com seu ar de superioridade e as pernas cruzadas. Tento perguntar como ela havia invadido meu quarto em pleno instituto forrado de segurança, mas me toco de como era fácil para alguém como ela.
― E eu tenho escolha?
― Você sempre tem minha cara. ― Ela se levanta e vai ate a janela. ― Seu pai retornou. ― Afirma sem mais delongas. ― Todos estão se reunindo para recebê-lo. Mas me diga. Você quer se unir a nós ou... prefere ficar com os X-mens? ― Ela se vira seria e me encara.
Não era hora para isso.
Eu não estava nada bem.
― Seu pai tem noção de como você o vê e não quer forçar uma reconciliação. Mas o convite estará estendido por tempo indeterminado. O tempo que você precisar. ― Conserta, se prostrando a janela, estava indo embora tinha vindo apenas dar um recado simples.
― O Weber esta lá? ― Parece que este nome tinha um efeito nas pessoas, por que ela para tudo e vem ate mim. Segura meu rosto com ferocidade e me encara duramente.
― Como disse? ― Ela me solta, só que mais parecia um soco da maneira que o faz. ― Não sei como sabe este nome mas...
― Eu sei de tudo... ― Termino e ela se cala.
― Não. ― Ela responde voltando a ficar mais calma, seu rosto parece se preencher de tristeza e prossegue. ― Ele esta resolvendo seus assuntos particulares. Mas logo vai chegar lá. Por que esta preocupação...?
― Quero esclarecer uma coisa que ficou mal entendida. Pode me levar ate ele?
― Venha.
Não conversamos.
Ela apenas dirige o helicóptero ate uma terra fria e muito distante e pousa em meio a um parque coberto por neve.
― Não demore. Se não te largo aqui e você vai ter que se virar sozinha. ― Ela diz ao desligar o helicóptero e se põe a mexer em suas próprias coisas para não ter de se envolver.
Me viro dando de cara com a casa que assombra minhas novas memórias, e um nó apertado sobe e quase me sufoca, engulo seco e entro.
Ignoro a placa de 'aluga-se' a frente da casa, placa que agora lia com facilidade, mesmo em alemão.
Abro a porta destrancada.
Ninguém iria invadir aquela local mal visto.
Esperava o encontrar de qualquer forma, ate mesmo falando com alguém; iria interromper não teria mais medo, não poderia mais fugir.
Mas ele estava dormindo, largado sobre uma cama mal arrumada com um cigarro apagado entre os dedos e os longos cabelos que ainda não sabia dizer serem louros escuros ou castanhos claros sobre o rosto.
Retiro o cigarro de sua mão e seus olhos se abrem como dos faróis.
― O que esta fazendo aqui?
― Não sabia que fumava. ― Desconverso e me sento. ― Acho que o odor da roupa decomposta encobriu este.
― Tem muita coisa que não sabe sobre mim Wanda... ― Ele afirma se recompondo e se ajeitando na cama estreita de solteiro.
― Eu sei... sei o que ouve ali naquela sala. ― Afirmo afim de tomar sua atenção e a consigo, ela era toda minha. ― Mas não é disso que vim falar com você. Isto é assunto seu e não meu. Eu só vim ate aqui resolver outra questão... que ficou muito mal entendida.
― Wanda eu não...
― Eu sei. A culpa é minha de você não entender. Deixei claro que não queria nada com você mas... ― Perco a coragem, mas não iria voltar a traz. ― Eu sou uma idiota e você tem todo o direito de me odiar. Só querer algo depois que perdi... típico...
― Mas eu não sou... o que você pensa. Eu...
― Eu sei. Você não é o Groxo. É o Frog... vi nos registros da mística. Seu nome mutante é Frog e não Toad você apenas tem um poder semelhante como Jean e o professor, roubou o nome dele, você mentiu ate nisto. Tudo foi uma farsa completa, fingiu ate mesmo ser fraco; era você quem ficava de olho na irmandade e não a Mística, ela estar ali só servia para distrair...
― Sinto muito. Era a minha missão.
― Eu sei. Você é um acolito devoto do meu pai... e não vai mudar. ― Me aproximo e ele recua. Por que eu era a ativa nesta cena? Não foi assim que eu li. ― Mas me diga uma coisa? Como queria que eu gostasse de você, se eu não te conhecia. O você real.
― Todos gostam do Groxo. E sei que iriam temer o Frog.
― Eu não temo o Frog, e não gostava do Groxo.
― Eu não entendo.
― Já vai entender. ― Faço de novo e colo meus lábios nos dele, sinto aquele gosto de café.
Ele também imita nosso ultimo encontro e se afasta, mas desta vez eu não deixo. E acabamos nos deitando sobre a cama fina de solteiro.
― Wanda...? ― Ele protesta tremulo e cada vez mais me sinto a predadora malvada.
Sinto seu corpo tremer por baixo do meu.
Ele estava claramente se segurando, respirava fundo e mantinha as mãos firmes sobre a cama, evitava se mover ou ate mesmo pensar. Eu rio.
Mas não posso reclamar.
Fui eu quem o provoquei.
Ele estava ate sendo... cordial e educado de mais.
Sem que eu me desse conta ele me agarra, aperta e gira na pequena cama ficando por cima de mim.
Se aquilo que eu o tinha dado era um beijo, não sei dizer como nomear o modo que ele o retribui.
Me arranca o ar junto com o foco ou toda percepção de tempo ou espaço; só conseguia me focar naquele sabor de café forte com um toque de cigarro.
Era horrível e maravilhoso.
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