Notas iniciais
Ai. Minha falta de controle. Era para isso ser uma tentativa de one romântica; mas acabei extrapolando o volume de ocorridos ate os 2 ficarem juntos de fato. Bem já estou feliz só de ter conseguido escrever algo romântico *-*

Desde que sai de meu cárcere infernal aqueles olhos me seguiam.

Estando eu irritada ou afável ele vinha atrás de mim e em todas estas vezes eu o repudiava. Odiava seu cheiro fétido, sua voz rasgada e sua aparência medonha.

Ele era feio. Uma afronta à natureza...

A onde estão aqueles olhos amarelos agora?

No fim de tudo meu pai desapareceu.

Conseguimos vencer todos os inimigos que tinham surgido e parecia que tudo estaria em paz; ate mesmo com os humanos.

Por conta disso o instituto Chalés Xavier para jovens super dotados, voltou a se reerguer e eu, assim como o restante de meus companheiros, nos juntamos a eles.

Apesar de Mística sempre dizer que éramos mutantes de ponta e poderosos, não controlávamos tão bem assim as nossas habilidades e tínhamos de ter aulas. Por sorte fomos muito bem acolhidos por todos.
Pelo menos eu fui.

A onde estão aqueles olhos amarelos agora?

Eram como dois sóis...

Amarelos como margaridas em flor...

... como ouro.

Cresci trancafiada em um hospício por culpa dos temores do mundo sobre minha habilidade, que ainda é difícil de se explicar. E por conta disso conheci o amor apenas por livros, e julgava que sabia bem como os homens agiam.

E ele não foi diferente.

Logo no começo já veio ate mim cheio de convenças... e nunca desistiu. Era tão insistente quanto irritante. Mas os homens não são assim mesmo? Ouvem um “não” e já acham que estamos nos fazendo de difícil.

OoOoOoOoOo

― Wanda... ― Ela invade meu quarto sem prévio aviso atrapalhando meu ritual de cremes e maquiagem. Os cabelos castanhos avermelhados em um tom natural e aquelas mechas brancas que a caracterizavam tanto. ― Não consegui as entradas para Rammstein... E agora? ― Ela se joga em sua própria cama derrotada e desamparada; parecia que seu mundo tinha acabado por conta disso.

Éramos jovens com problemas de jovens.

― E agora? Agora já era ué. ― Afirmo no mesmo tom de desanimo e continuo a terminar minha maquiagem. Era sempre trabalhosa, minha pequena obra de arte.

― Aaaarrrg! Eu me odeio! ― Ela se debate sobre a cama e logo a loura entra vendo seu escarcéu. ― Eu devia ter te escutado e comprado a meses...

― Me deixa adivinhar? Nós não vamos... ― A loura afirma desgostosa e se senta. Ela não tinha nada de marcante em sua aparência, mas sua personalidade era outro caso.

― Não Tabitha. ― Termino minha maquiagem e me levanto, pronta para mais um dia de aula. ― Fazer o que? É a vida... ― Suspiro desanimada, enquanto seguimos juntas pelo corredor vazio.

Claro que eu estava tão desolada quanto elas. Era uma chance única poder ver a banda, já que eles raramente viriam fazer um novo show por aqui. Mas eu tinha de me manter controlada, meus poderes eram... digamos; difíceis de se deter.

Descemos a debater sobre o caso, e a nos culpar; e ele estava na sala olhando pela janela completamente distraído. Sem me dar conta começo a perceber que fazia semanas que ele não me perseguia ou tentava me xavecar. Respiro aliviada: “Ele desistiu.”

― Tolansky? ― A loura grita chamando pelo seu sobrenome do modo menos intimo que poderia, mas ele estava tão introspectivo que nem a ouve.

Fitava com vigor as nuvens do seu, parecia morto pois não movia um músculo sequer do corpo. Só percebíamos que estava respirando pelo movimento fraco de seu tórax.

Ele tinha esta habilidade.

Poderia ficar parado, completamente imóvel por horas. Estranho...

― Acho que morreu. ― A própria loura brinca e seguimos em direção da aula.

Hank McCoy era o professor do dia, e suas aulas extensas e cansativas só eram aturadas por todos por conta de sua mania de “escalar” por toda sala de aula. Era estanho como ele mesclava completamente seu comportamento animalesco ao se empolgar falando de assuntos completamente racionais e filosóficos.

― Nem pense nisso! ― A montanha de músculos azuis muda sua forma didática de falar indo a um grito. Ele se vira olhando para a porta a onde um atrasado aluno tentava invadir. ― Me espere do lado de fora. Quero saber seus motivos Tolansky.

Ele faz uma cara de “me ferrei” e todos nós rimos em coro e logo a aula toma o rumo de onde havia parado. Eu não notei na hora, mas seus olhos estavam fundos de quem não havia dormido nada e a um bom tempo.

― Se deu mal em! Fica dormindo ate tarde pra ver no que da... ― Um dos nossos colegas se vira se pronunciando assim que saímos da sala de aula.

Ele estava sentado no chão esperando a aula terminar assim como o professor o havia ordenado, e não liga para o comentário.

― Você é mesmo muito burro em. ― Ele volta a indagar, mas o pequeno não se importa, o ignora e entra na sala de aula vazia. Não sei como alguém com um poder tão inútil quanto virar um míssil poderia ser tão prepotente. ― Que folgado! ― Exclama ele revoltado pela falta de resposta do colega.

― Por que? Porque não reagiu a você? Acho que ele tem problemas bem maiores Samuel. ― A ruiva se impõe e todos voltam a rir, desta vez do pequeno troll.

― Boa Jean. [Banf] ― E assim o azulado comenta entre risos e logo desaparece em pleno ar.

As coisas eram muito gostosas no instituto Charles Xavier, eu me sentia aceita e igual a todos e ainda por cima as aulas me ajudavam muito a controlar os meus poderes. Porem não o vi mais nestas aulas... De fato cheguei a ouvir Tabitha questioná-lo sobre o fato.

― Não vai mais pras aulas porque? Posso saber? ― Ela se distancia de mim e Marie, indo ate ele que estava em uma saleta pouco utilizada a escrever em um caderno. Ele costumava fazer isso usando os pés, enquanto as mãos ficavam livres. Era estranho de mais. ― Ei me responda traste! ― Esbraveja desferindo um tapa leve em sua cabeça afim de o despertar de seus pensamentos. Já sabia que era o único jeito de arrancar dele uma resposta. Ficamos olhando aquela sena; ela o tratava com um ar beeeem maternal; de fato parecei se preocupar e se importar muito com todos aqueles garotos incluindo o babaca do meu irmão.

― Não. ― Ele se vira, a olha, responde seco e volta a escrever. ― Ei!

― Por que você não vai? ― Ela volta a questionar, agora com uma postura de irmã mais velha enquanto folheava o caderno roubado.

― Foi o que fiz aquele dia. Falei com o professor... com todos eles. Peguei dispensa de algumas matérias que eu não preciso. ― Ele se senta mais normal pondo os pés no chão e a encara; depois olha para os próprios pés e fica a devanear. Ultimamente o mais enérgico dos acólitos estava muito estranho e quieto.

― Ai que cara de enterro! ― A voz dela também soa amigável, e logo Marie passa por mim indo ate o pequeno o devolvendo o caderno que a loira olhava com muito afinco sem entender. ― O que ouve?

― Nada.

― Fala.

― Esta tudo na mesma só isso. ― Diz mantendo aquele mesmo tom, se levanta e parte passando por mim. Não queria papo.

Eu estranho, ele nem sequer olha para mim.

― Mas o que será que rolou? ― A loira se auto questiona preocupada e curiosa.

Mas eu realmente não estava me importando com isso; achava curioso mas estava mais pra aliviada do que preocupada. Afinal... ele tinha todo o direito de ter os problemas dele.

― Ei meninas. ― Mas ele nos chama ainda parando no corredor vazio. ― Vocês querem? ― Questiona tirando algo do bolso, pareciam pequenos pedaços de papel. ― Eu não vou ir mais, então...

― Aaaaaaah! Seu lindo! ― A loira agarra os papeis de sua mão e o abraça. ― Os ingressos! Mas são uma fortuna como você...? Espera!!! Porque você tem quatro? E por que você não vai? ― Ela abandona o sorriso e a alegria que sentia por conseguir os tão esperados ingressos e se vira preocupada com seu “irmãozinho”. ― Esquece! Você vai com agente. Nós somos três e tem quatro! ― Ela se vira indo em nossa direção, sem o dar chances de negar.

Estava na cara.

Ele sabia que eu amava esta banda e estava armando um encontro. Sabia que não tinha desistido, esta seninha toda era para pegar no meu lado maternal.
Boa jogada Groxo, mas só vou curtir o show.

OoOoOoOoOo

Dia, meses e semanas se passam e finalmente o dia do tão esperado show chega. Nos arrumamos toda, Tabitha e Marie ate compram uma roupa nova para irem e eu como sempre não tinha dinheiro nem para a passagem.

Por sorte Lance era um bom amigo e nos levaria ate lá.

[Trililin]

― Wanda seu celular. ― A loira alerta ao calçar os sapatos e passar maquiagem. Ela era muito estranha para se trocar.

― É só uma mensagem. ― Respondo a ainda me olhar no espelho. Eu só tinha roupas velhas e não importava o quanto elas dissessem que eram lindas eu me achava horrorosa e repetida. Queria algo novo, ainda era uma garota.

― Eu vou ver. ― Marie pega meu celular sobre a mesinha. As roupas dela eram simples, mas belas e sexy apesar de bem tampada; afinal ela nunca podia deixar um pedaço de pele a mostra, se não... ― Groxo?!! ― Ela exclama e se vira olhando surpresa por eu ter o numero dele gravado. ― Como ele tem o seu numero? ― Ela me pergunta já julgando que eu tinha gravado para poder não o atender.

― Tá ai uma ótima pergunta. ― Respondo já querendo pegar o telefone e apagar o recado, mas Tabitha o tira de mim e encara a tela com um olhar maroto.

― Qual será a mensagem? ― Ela pergunta a si mesma com malicia, já esperava ler algo pervertido ou uma cantada escrota.

― Como você é estranha. Porque quer ler isso? Você sabe que ela não da à mínima para ele... Da ate dó. ― Marie afiram indo chegar seu telefone e alertar Lance que já estávamos descendo.

O bom de todos morarem no mesmo prédio é que ele não teria que ficar nos esperando. Podia ficar fazendo o que quisesse e nós só o chamávamos quando estivéssemos prontas.

― “Já fui na frente. Tinha coisas para resolver por lá. Nos encontramos no portão 6. Por gentileza vise a Tabitha por mim esqueci de pegar o celular dela.” ― Ela lê em voz alta desanimada e já ponho o telefone dentro da bolsa. ― Nossa cadê o amor? ― Ela questiona me olhando e eu ignoro. Não éramos namorados. ― Pensei que ele fosse... sei lá! Mais meigo com você. Isso foi frio. Ate comigo ele é mais gracioso. Brigaram? ― Ela volta a pegar meu celular e digita algo enviando. Não me importo.

― Não somos namorados para ele me tratar como se fosse.

― Mas não por falta de tentativa da parte dele né. ― Marie afirma pegando meu telefone das mãos de Tabitha e pondo na minha bolsa.

― Jura...? Se acha que estou esnobando ou desperdiçando pega ele você.

― Ai! Credo não!

― Imaginei. ― Dou risada triunfante e saio pela porta.

Lá fora Lance nos esperava, estava a conversar com Fred e sua namorada a patricinha da Katherine. Mas assim que nos vê chegando Fred se afasta e se despede passando por nós e nos cumprimentando de leve. Não tinha a menor intimidade.

Já ela vem e nos toma um pouco de tempo, pergunta se iríamos querer carona de volta pois estava pensando em sair com o namorado também. Deseja que nos divertimos e sai para ir se arrumar.

O caminho é tranquilo, Lance era quieto e Tabitha o perturbava sobre a onde iria com a namorada. Marie e eu apenas riamos de suas caretas conforme as insinuações da loira iam o incomodando.
Tadinho. Se arrependeu tanto de ter dado aquela carona. Ele era bonzinho de mais.

Chegando ao local e ele praticamente nos joga do carro afim de se livrar do interrogatório da loura; e nós rimos vendo o carro sumir.

― Você pegou pesado! ― Marie e eu rimos e falamos em um uníssono.

― Que foi? ― ela tenta fazer cara de seria mas depois de desmonta em risos. ― Vocês viram a cara dele?

Ignoro a brincadeira das duas e vejo o telefone para checar em que portão encontrar nosso anfitrião, e acabo lendo as mensagens de Tabitha trocou com ele.

"Aqui sou eu Tata! Diga coisa fofa da mãe! Kkk Que frieza toda é esta? Brigaram foi? Conta pra mim. /-/ Como se briga com alguém que não se conversa? /-/ Nossa que mal humor. T_T Me trata assim não! /-/ Desculpa. Me passa o teu telefone? /-/ Tudo bem o problema é com ela né. Saquei tudo. Pega ai. 12-345-6778. Beijos."

Não sei por que, mas a conversa deles me prendeu a curiosidade. Ele a tratava como uma amiga, uma irmã.

― Gata! ― Mas a própria loura me chama e eu me viro vendo que elas partiam para longe. ― O portão 6 é logo ali. Ele esta nos esperando na entrada.

― Tudo bem.

As sigo e volto a olhar meu aparelho.

Por que ele não mandou no meu celular a onde estava? Bem... fazia tempo que ele não me mandava uma mensagem tirando a de mais cedo. E eu não tinha me tocado de tal fato ate então.

Entro em seu contato para checar e noto que estava sem foto. Ele tinha me bloqueado?

― Demoraram em. ― A voz rouca e ranheta em forma de deboche nos chama para um canto. ― Mulher demora para se trocar que é o cão. Imagina três? Ainda bem que vim antes. ― Ele se ergue das escadas que estava sentado e me surpreende.

Não estava nem perto de estar com suas roupas costumeiras.

Usava uma bela calça preta com vários adornos e fivelas, ate mesmo uma corrente; a camisa sóbria com manchas propositais e uma jaqueta que quase pedi para me dar. Bolsos pingentes e adornos, tudo magnífico.

Mas ele passa por mim como se não me visse e as cumprimenta.

― Nossa Groxo...! ― A loura exclama sem esconder sua surpresa.

― O que foi?

― Muito legal a sua roupa. ― Marie afirma o checando se cima a baixo e ele cora levemente. ― Isso tudo é caro imagino. Caprichou em. ― Verdade. Volto a me tocar de que era um plano dele, claro que ele viria bem vestido. Mas não esperava por “aquilo”.

― É são caras... Por isso só as uso em ocasiões... ― Ele afirma sem graça. Ocasiões? Sei... malandro. Sei bem o que esta planejando.

― Tem grana para um lucky destes, para os ingressos... Acho que vou me candidatar! ― A loura brinca o abraçando enquanto todos nós entramos no show. Ele apenas sorri sem graça, aquele mesmo sorriso bobo que fazia de orelha a orelha; que só ele conseguia dar.

Entramos e curtimos o show.

Eu vibro e agito a cada musica que é cantada, Marie ate tenta cantar um pouco enquanto Tabitha agitava o corpo todo como se estivesse em uma balada. (ai que vergonha alheia). Foi um sonho, ou como eu imaginava que eram os sonhos.

Hora ou outra um ou dois caras se aproximava dando "ideias", mas sempre os dispensávamos. Estava muito divertido, ate que um grupinho vem implicar, nos fechando em um circulo e...

― Estão estorvando. ― Ele afirma ao se aproximar. A vos ranheta e pouco intimidadora soa como uma piada, e os caras riem.

― Sai fora criatura. ― Um dos caras o empurra, mas ele segura a mão do cara o forçando a encará-lo. (Acho que seus olhos estavam vermelhos.) depois aponta para um canto.
Um segurança.

Os caras se vão.

― Groxo nosso herói! ― A loura volta a abraçá-lo. (estava começando a me incomodar com aquilo) ― A onde você tinha ido? Seu feio.

― Banheiro? ― Ele afirma vendo o modo meigo da amiga o tratar, voltando a olhar para o palco.

Tentava disfarçar minha curiosidade e o observava. Os olhos estavam amarelos, amarelos como sempre foram.

O show rola tranquilo e ninguém mais meche conosco e podemos aproveitar. Na hora de ir embora Marie resolve tirar umas fotos com outras pessoas que tínhamos feito amizade. Por sorte eles nos deixam na porta de casa e não tivemos de importunar Lance em seu encontro.

― Tchau! ― Marie se despede de nossos novos amigos, enquanto estes pediam o numero de contado de Groxo. Não sei como, mas ele tinha ganhado a noite, sabia todas as letras de cor e parecia ate falar um pouco de alemão. ― Isso foi incrível! ― Ela exclama animada. Nunca tinha a visto tão feliz. ― Groxo você é de mais. Prometo nunca mais te tratar mal!

― Interesseira. ― Ele responde com um tom de riso, punha as mãos nos bolsos frequentemente, parecia querer tirar algo de lá, mas evitava por nossa culpa.

― Olha isso. Ele esta todo saidinho. ― E novamente a loura volta a abraçar ele. Que agarração toda era aquela? ― Mas me diz ai passou toda aquela zanga? Ta melhorzinho? ― E esta ai o tom de mãe novamente.

― Foi uma noite bem legal... ― Ele responde sem olhar para ela, já sabia que não adiantava mentir, porem também não iria dizer o que estava se passando em sua cabeça. ― Foi engraçado os caras me encarando incrédulos só por que estava com vocês... ― Afirma como se um de seus pensamentos escapassem sem prévio aviso.

― Aaah! Então você ficou se achando? Só porque estava acompanhado de três gatas! ― A loura não tinha o menor pingo de vergonha.
Ele sorri tímido e acena que sim com a cabeça.

Volto a pensar sozinha.

Se era um plano... por que ele não tentou nada comigo durante toda a noite? Na verdade ele deu varias sumidas durante o Show e ate foi ele quem nos apresentou ao grupo que nos deu a carona.

Estava o esperando vir me cantar, já estava com uma resposta atravessada engatilhada; ele não demoraria vir atrás de mim agora que estava feliz e satisfeita, (por culpa dele). Mas nada. Ele só se despede e vai ate seu próprio quarto.

Nunca descobri para quem deveriam ser os convites que usamos.

Notas finais
Sei que o cod nome dele é Toad mas confunde muito com Todd. Ai deixei Groxo mesmo... Como falei é um pedaço de uma trama maior. Tudo tem seu motivos mas vou focar no romance ok? Se quiser saber os porques que não entender pode me mandar um recado que respondo sem problemas! Afinal ainda vou escrever a trama maior.