Amar é uma arte que se aprende
5 Capítulo 5 - Tormenta
Notas iniciais
Capítulo dedicado especialmente para as queridas que recomendaram a fic:
♥ Michelle Charret
♥ giza ivanilde
♥ Ingrid Martiins
Como toda boa história... um pouquinho de drama é sempre bom!
5º Capítulo – Tormenta
Calebe chegou na academia para pegar a Kiara, era pra ela estar esperando na entrada, mas nem sinal da sua linda esposa, estacionou o carro e foi até a recepção.
– Moça, boa noite, sabe me informar onde está a Kiara?
– Boa Noite. A professora de dança do ventre?
– Ela mesma.
– Já saiu tem uns vinte minutos.
– Ela já saiu?
– Sim.
– Ela não está lá fora, eu sempre venho buscá-la. Sabe se ela foi embora com alguma das alunas?
– Não sei não senhor, desculpe.
– Não, tudo bem. Vou ligar pra ver onde essa danadinha se meteu.
Calebe tentou o celular dela mas só dava na caixa de mensagem, ligou pra Carlisle já preocupado.
– Carlisle, é o Calebe, sabe me dizer se a Kiara foi embora com a Esme depois da aula de dança?
– Oi Calebe, não, Esme chegou faz uns quinze minutos e veio sozinha, por quê?
– A Kiara não está na academia, ela saiu depois da aula, eu sempre venho buscá-la, não sei onde ela está, já estou ficando preocupado.
– Você ainda está na academia?
– Sim, estou aqui, na recepção.
– Então fica aí, estamos indo pra aí agora mesmo.
– Tá, obrigado.
Ele ainda ligou para Eleazar McCarthy e para o Patrick Hale, obtendo as mesmas respostas, ela não tinha ido embora com nenhuma das suas amigas. Logo os três casais de amigos estavam em frente à academia e buscavam uma solução.
– Vamos fazer assim, eu e Carmen fazemos uma ronda aqui por perto, vai que ela resolveu passar em alguma lojinha e se perdeu. – Disse Eleazar já com as chaves do carro na mão
– Isso, eu e a Melissa pegamos a rodovia, ela pode ter cansado de esperar e ter ido embora a pé. Faremos o trajeto até a sua casa e voltamos a encontrar com vocês aqui. – Patrick disse, segurando nas costas de sua esposa, que já mostrava sinais de pânico.
– Muito obrigado, eu não sei o que fazer, o celular só cai na caixa postal. Carlisle, Esme, vocês podem me acompanhar até a delegacia, vou fazer uma queixa. Sei lá, estou com um mau pressentimento, sabe.
– Então vamos, e nos encontramos na casa do Calebe, é melhor, assim Patrick não precisa voltar pra cá. E dependendo do que acontecer, a polícia vai querer ir para sua casa amigo.
– Você tem razão Carlisle, é o mais sensato.
Os casais se despediram e foram, duas horas depois estavam todas na casa de Calebe, que angustiado via os policiais grampearem todos os telefones, pelos cálculos dele, fazia quatro horas do desaparecimento, e nem notícia.
Kiara demorou muito acordar, não sabia o que tinha cheirado, mas era muito forte, sua cabeça doía. Quando abriu os olhos, estava em um lugar escuro, frio, fedido. Quando uma voz sombria lhe chamou atenção dando muito pavor.
– Então a judia acordou? Boa noite vadia? – falou um homem que ela não conseguia ver o rosto.
– Onde eu estou? Quem é você? Calebe? Cadê o Calebe? – Kiara já estava a beira do desespero.
– Fica quieta aí sua vagabunda. Você é a nossa mina de ouro judia.
– Eu não sou judia!
– Não é, e por que se veste assim então?
– Sou libanesa.
– A tanto faz! Sabe que pra uma judia você é bem gostosinha né, estou louco pra ver o que tem debaixo desse véu. — O homem grande falou dando uma risada muito estranha.
– Laurent, cadê a merda do celular descartável, porra!
– Ei, tá nervosinho chefinho...
– Não brinca comigo não seu bosta, eu quero o celular, tá na hora de entrar em contato com o doutor. Que bom que você acordou doçura! Vamos nos divertir muito a partir de agora.
O Loiro pegou o celular irado e ligou na residência da família Swan. Calebe atendeu o telefone angustiado.
– Alô? Quem fala?
– Olá doutorzinho, sabe que tua mulher é muito gostosa.
– FICA LONGE DELA! NÃO TOCA NELA!
– Ei, calma aí doutor, ela é uma bonequinha sabe...
Todos na sala estavam em absoluto silêncio a tensão era palpável, a polícia tentava freneticamente rastrear a ligação, As crianças estavam todas dormindo no quarto de casal e Melissa estava com elas. Ao fundo podia-se ouvir a voz de uma mulher gritando, ela parecia brava.
– PARA COM ISSO JAMES, FALA LOGO DO RESGATE PORRA!
James mandou um beijinho pra Victória, e continuou o seu diálogo com Calebe.
A polícia indicava para que Calebe continuasse falando a fim de dar tempo à polícia que trabalhava sem parar.
– Doutor Swan é o seguinte, se tu quiser a vadia da tua mulher de volta vai ter que seguir com as orientação que eu vou te dá, tá entendendo?
– Eu faço tudo que você quiser, é só falar, mas não machuca minha mulher.
– É o seguinte. Eu não quero a polícia envolvida nisso, se não ela já era, tá ligado!
– Tudo bem – Calebe respirou fundo, tremia muito. – Sem polícia. Entendi.
– Eu quero trezentos mil dólares em dinheiro, três malas, cada uma com cem mil.
– TREZENTOS MIL?
– Não grita não doutor, eu sei que tu tem esse dinheiro facinho. – os três sequestradores davam risadas. – quero o dinheiro amanhã. Tchauzinho.
O telefone foi desligado, a polícia não conseguiu rastrear a ligação, Calebe chorava desesperado, Carlisle e Patrick tentavam acalma-lo sem sucesso. Eleazar já entrava em contato com o gerente do banco, pedindo que ele viesse até a casa de Calebe com urgência.
A polícia estava montando sua estratégia, se tudo desse certo, pegariam os bandidos sem precisar haver pagamento algum. Aguardariam eles entrarem em contato de novo para dar o bote.
Calebe conversou com o gerente do banco, fez como o sequestrador havia pedido, teve que mexer nas ações, na poupança e também em algumas aplicações a longo prazo, levaram a madrugada toda fazendo as transações, ele recusou qualquer dinheiro de seus amigos, era o mais rico de todos dali. Já amanhecia e o sol raiava no céu, coisa meio rara em Forks, ele colocou os trezentos mil em três malas grandes, dez horas da manhã e nada do desgraçado entrar em contato com ele. Isso já estava angustiando a todos.
Esme e Carmen dormiram no sofá da sala, as crianças foram para escola, elas não entendiam muito o que estava acontecendo, mas sentiam. O hospital estava em alerta, as consultas e cirurgias foram todas canceladas, Kate passara as duas primeiras horas fazendo ligações, remarcando consultas, cirurgias e entrando em contato com médicos substitutos. Precisava de um pediatra, um cardiologista, um oncologista e dois ginecologistas com urgência.
Na casa de Calebe, estavam todos apreensivos, esperando contato do sequestrador e nada. James acabara de dar um trato na sua mulher Victória que estava muito estressada, a madrugada havia sido tensa, Laurent quase que estuprava Kiara, se não fosse Victória chegar a tempo e impedi-lo, ele havia batido nela, rasgado um pouco suas roupas, tirado o lenço (hijab) da sua cabeça. Na violência em que tudo acontecia, ele acabou pegando-a pelos cabelos e batendo sua cabeça no chão fazendo com que ela desmaiasse.
– Viu seu idiota, se queria tanto comer alguém, por que não foi atrás de uma puta na rua? Agora ela não acorda, já passa das dez horas, eu queria estar bem longe uma hora dessas seu imbecil. – Victória dizia, andando de um lado pro outro, no pequeno cômodo, daquela velha casa abandonada.
– Fica fria aí ruiva, ela já acorda. Eu não teria batido a cabeça dela no chão se você não tivesse tido seu ataque de boa samaritana. – retrucou Laurent, ele ainda tentaria transar com aquela mulher, sua boca salivava só em pensar nisso.
– Fiquem quietos os dois porra, se não vou perder o resto da paciência que eu tenho. Ela tá acordando, me dá aqui a merda do celular de novo.
James então ligou novamente para Calebe.
– Alô, passou bem à noite doutorzinho?
– Cadê a Kiara? Eu quero falar com ela?
– Ei, calma aí Doutor, você não tá em condição de querer nada não.
– Deixa eu falar com a minha mulher, por favor, eu preciso saber se ela está bem, pelo amor de Deus.
– Ah, essa é boa, não sabia que judeus chamam por Deus também.
– Eu não sou judeu!
– A é... me esqueci, a gostosa da sua mulher disse, são libaneses né... dá no mesmo.
Ao fundo podia-se ouvir a voz de Laurent.
–Para de enrolação porra, e vai logo pros finalmente.
A conversa continuou.
– E daí já tem os trezentos mil?
– Já, mas só vou entregar se eu tiver certeza que ela está viva, deixa eu falar com ela agora.
– Tá bom Dr. Swan, ó por que você pediu com educação. Traz a vadia aqui... Olha aqui sua vagabunda, o corno do teu marido que falar contigo, dá um oizinho pro doutor.
Kiara pegou o celular na mão, tremia muito, estava muito assustada, tinha marcas roxas pelo corpo, seu cabelo estava molhado e cheirava cerveja barata.
– Alô, amor? É você? – falou com a voz embargada de um choro incontrolável.
– Kiara é você, ai meu Deus, o que fizeram com você meu anjinho.
– Calebe estou com medo. Muito medo. Me ajuda, me salva... te amo...
O telefone então foi tirado bruscamente de sua mão, Calebe ainda falava, James conseguiu ouvir a última frase.
– Fica tranquila anjinho, eu vou te tirar daí.
– Oh!!! Que bonitinho, você chama a gostosa de anjinho, que fofo! Fiquei até emocionado agora. – James dizia com um ar de deboche e risos se ouvia.
Os policiais não conseguiam identificar de onde partia a ligação, e pediram para que Calebe combinasse o lugar do pagamento do resgate.
– Eu já disse, estou com o dinheiro, onde quer que eu entregue.
– Muito bom, ao meio dia em frente à praça central. Vá sozinho, nada de policia tá entendo. Coloque o dinheiro dentro da lata de lixo. Se tudo sair nos conformes, eu deixo a tua mulher livre. Até lá doutor.
James nem esperou resposta, desligou o celular, começou a juntar todas as tralhas espalhadas, colocou no porta-malas de seu carro. Victória respirava aliviada, estava chegando ao fim. Laurent, depois de recolher suas coisas, começou a arquitetar um plano particular, a fim de ter o que queria.
Calebe pegou as malas com o dinheiro colocou no carro, ele iria até a praça, três viaturas da polícia descaracterizadas estariam de prontidão no local. O Delegado Sam Uley comandava toda a operação de um ponto, localizado no telhado de uma das lojas próximas da praça.
Estavam todos de prontidão, Calebe chegou na praça sozinho, o lugar estava tranquilo, famílias curtindo um dia de verão, ele se aproximou do latão de lixo, não havia ninguém por perto. De repente o seu celular tocou, ele prontamente atendeu.
– Alô?
– E daí doutor, pontualidade britânica, gosto disso.
– Cadê você?
– Não se preocupa com isso não doutor. Eu tô ti vendo bem daqui. Escuta. Deixa as malas dentro do lixo e sai sem olhar pra traz, tu entendeu?
– Tá, eu entendi. Vou deixar as malas aqui dentro. Cadê a Kiara, eu quero minha mulher.
– Tua mulher tá bem, daqui uma hora ela vai estar na rodoviária te esperando, é só ir lá buscá.
James então desligou o seu celular, ele falava próximo a um carrinho de pipoca. O que ele não contava é que no lugar do pipoqueiro, estava o agente Seth Clearwater disfarçado, ao ouvir o final da conversa, ele rapidamente encostou o cano da pistola na cabeça de James que se assustou.
– Fica quieto aí marginal. É a polícia, se você se mexer eu estouro os seus miolos, está entendo.
James apenas fez sinal de positivo com a mão.
– Muito bom, agora anda até a lata de lixo, vai.
Os dois andaram, as pessoas pareciam alheias ao que acontecia. Quando James abaixou para pegar as três malas, os policiais Quil e Embry o abordaram, pegando as malas de sua mão.
– Agora tu vai pegar o seu celular e ligar pro teu comparsa e vai falar tudo que eu mandar, tá entendo? Seth falava ainda com a arma encostada na nuca do sequestrador.
James fez o que ele mandou, ligou pra Victória, ela atendeu no primeiro toque.
– Até que em fim amor. Onde você tá?
Seth Clearwater ia falando baixinho e James ia apenas reproduzindo o que o policial lhe dizia.
– Estou bem, tudo certo, você está com a Kiara?
– Estou com ela sim, você sabe, não ia deixar ela sozinha com o Laurent de jeito nenhum.
– Então fica aí que eu vou encontrar com vocês agora.
– Não amor, nós não tínhamos combinado de levar a garota na rodoviária e fugir.
– Eu sei, mas mudamos de plano agora, fica aí que eu encontro com você e com o Laurent. Até daqui a pouco.
O plano saiu melhor que a encomenda, Seth pegaria não só o chefe da quadrilha, mas também os comparsas. James não tinha saída, entrou na viatura da polícia e guiou os policiais até o esconderijo. Era um lugar sujo, imundo mesmo, cheio de ratos. Quando o carro parou em frente à casa abandonada, James tentou fugir.
Quando estava correndo, tentando pular o muro de uma das residências vizinhas, o policial Paul atirou bem na cabeça, James caiu morto no chão. Enquanto isso, Seth já tinha derrubado a porta a ponta pés, dado voz de prisão à Victória e partido pra cima de Laurent. Embry puxava o homem grande pelo colarinho , ao dois travavam uma luta de socos.
Quil algemou Victória e a levou a viatura, depois de alguns golpes, Embry conseguiu atirar em Laurent, que caiu morto. Seth ficou chocado com o que via, no chão daquela sala imunda, Kiara estava apenas de calcinha, com o corpo muito machucado, ela cobria os seios com as mãos e chorava muito.
Seth então tirou sua camisa, abaixou e vestiu na pequena que não conseguia se mexer, não falava, não demonstrava nenhuma reação, apenas chorava compulsivamente. Ele a pegou no colo e a levou até a viatura.
– Sam, encontramos a Kiara, os dois homens estão mortos e a mulher está sendo levada para a delegacia.
– Entendido, venham pra cá, o Dr. Calebe está aqui esperando.
Seth estacionou a viatura no subsolo da delegacia.
– Vamos moça, seu marido está lhe esperando. Já passou. – Ele tentava fazer com que ela saísse do carro, mas Kiara chorava muito e se segurava no banco com tanta força, que nada fazia ela largar.
– Vamos menina, pode sair do carro, venha. – Ele tentava fazer com que ela saísse, estendia a mão, mas não conseguia fazer com que ela largasse o estofado do banco. Passou trinta minutos e o delegado Sam ligou novamente para Seth.
– Cara, cadê você, estão todos aqui, Paul, Quil, Embry, todos já chegaram, cadê você com a mulher do doutor.
– Sam, eu cheguei tem mais de meia hora, estou no estacionamento da delegacia, aqui no subsolo, a menina esta chorando muito, ela não quer sair do carro de jeito nenhum, ela se agarrou no banco, que não tem Cristo que faça ela soltar. Já tentei de tudo.
– Péra aí, vou falar com o marido dela, quem sabe ele consiga trazê-la aqui pra cima. – o delegado Uley desligou o comunicador e foi falar com Calebe, que aguardava em uma sala reservada.
– Dr. Swan, sua esposa está bem, viva,
Calebe não deixou ele terminar.
– Onde ela está, cadê a minha mulher?
– É isso que eu estou tentando lhe dizer, ela está aqui, no estacionamento da delegacia, no subsolo, mas se recusa a sair do carro.
– Quem está com ela?
– O agente Seth Clearwater está com ela senhor, ela precisa vir aqui, fazer exame de corpo de delito, ter uma conversa com a psicóloga pra daí ser liberada. Compreende?
– Graças a Deus, eu vou descer lá, eu trago ela aqui, pode deixar.
Calebe chegou no carro, se abaixou e tentou tocar em Kiara, mas ela não permitiu, se afastando bruscamente dele.
– Amor, sou eu, Calebe, seu marido querida, deixa eu pegar você. O pesadelo acabou meu anjinho.
Ela apenas balançava a cabeça em negativa e chorava e se afastava ainda mais.
– Kiara, sou eu, vem comigo amor, eu te amo tanto. – Ele então se lembrou do medo que ela tinha de ser devolvida, dele não querer ela como mulher e a devolver aos pais. Ela sempre mencionava isso, agora não seria diferente, ela estava com medo. – Meu amor, eu amo você, não consigo viver sem você, e nada do que aconteceu vai mudar isso, você é minha. Me perdoa, eu não te protegi como deveria, é culpa minha tudo que te aconteceu, me perdoa meu anjinho, vem comigo. Por favor, vem.
Demorou mais uns dez minutos, até que ela permitiu que ele a tocasse, Calebe a abraçou tão forte, ele chorava muito, a beijou nos lábios carinhosamente, afagou seus cabelos soltos. A pegou no colo e os três subiram até o andar de proteção a vítima. Ela foi deixada sob os cuidados da Dra. Isabella Meyer.
Enquanto Kiara conversava com a psicóloga e realizava todos os procedimentos necessário, Calebe pegou as três malas de dinheiro, guardou duas no porta-malas do carro e cem mil dólares que estava em uma das malas, ele distribuiu aos policiais que ajudaram na missão, dando ao Delegado e a seus agentes uma grande quantia.
– Não podemos receber isso, Dr. Calebe, fizemos a penas o nosso trabalho. – dizia Seth um pouco envergonhado por estar sem camisa.
– Eu sei que fizeram, se não fossem vocês, eu não teria minha mulher de volta, nada paga o que vocês fizeram, agiram rapidamente, prontamente, é o mínimo que eu posso fazer, por favor, aceitem como forma de minha gratidão. Esse dinheiro ia pras mãos dos criminosos mesmo, pelo menos eu sei que agora ele está em ótimas mãos, mãos que realmente merecem.
Na aconchegante sala da Dra. Meyer, Kiara tentava se acalmar, após ter sido examinada, ela pode tomar um banho e trocou de roupa, colocou novamente seu hijab (lenço) na cabeça e agora sentava na poltrona confortavelmente, tentando responder as perguntas que lhe eram feitas.
– Por quê estava vestindo a camisa do policial Seth?
– Quando ele me viu no chão, seminua, ele tirou a própria camisa, vestindo-a em mim.
– O que eles fizeram com você?
– Depois que o homem loiro saiu, a mulher ruiva ficou comigo na casa, o homem grande moreno queria me beijar, e ficar passando aquelas mãos nojentas em mim. Ela disse que deixava ele se divertir um pouco, desde que ele não tirasse a minha calcinha.
Kiara, falava e a medida que ia se lembrando dos momentos terríveis que passou, lágrimas escorriam por seu rosto.
– Foi horrível, meu corpo está todo marcado, manchado de roxo, Calebe nunca mais vai me querer, eu quero morrer doutora, não quero mais viver assim. Preferia que tivessem me matado.
– Por que diz que seu marido não vai lhe querer Kiara?
– Ele não vai me querer mais, fui tocada por outro homem, ele não vai me querer, não vai.
– O que ele lhe disse, quando se encontraram?
– Ele disse que me ama, me pediu perdão, disse que a culpa foi dele de tudo o que me aconteceu, mas não foi, não foi culpa dele.
– Se ele disse que te ama, e se sente culpado pelo que houve, por que você acha que ele não vai lhe querer?
– Ele não sabe que fui tocada por outro homem ainda, mas quando ele ficar sabendo, ele vai me devolver, vai sim, eu tenho certeza.
– Você poderia conversar com ele primeiro, o que me diz?
– Tenho medo.
– Do que tem medo Kiara?
– Tenho medo dele não querer nem olhar pra mim quando souber do que aconteceu, de me bater e de me mandar de volta pro Líbano, para a casa dos meus pais.
– Ele já te bateu alguma vez?
– Não, nunca, ele sempre foi muito carinhoso comigo. E agora estou suja, estou marcada, ele não vai querer que eu carregue sua semente, que lhe dê filhos, eu não sirvo mais.
– Se ele nunca lhe bateu, não acredito que irá fazer isso agora, você foi vítima, não foi culpa sua, esse homem passou as últimas vinte horas movendo céu e terra pra encontrar você.
– A doutora acha que ele vai me ouvir, que vai me querer de volta?
– Eu tenho certeza que vai. Se você quiser, eu posso ficar aqui na sala acompanhando a conversa de vocês, e não vou deixar que ele lhe faça mal, a pesar de ter certeza que ele jamais faria.
Calebe então entrou na sala, abraçou e beijou com devoção sua esposa, ela lhe contou tudo que havia acontecido, ele a beijou com carinho, implorou mais uma vez o seu perdão, antes de sair da delegacia, Kiara quis pessoalmente agradecer ao policial Seth que tinha lhe resgatado.
Agora era só chegar em casa, no caminho, Calebe parou no banco, fez o deposito em sua conta do dinheiro que felizmente não foi parar nas mãos dos bandidos, o que ele queria agora era poder tomar um bom banho e dormir nos braços de sua mulher.
Notas finais
Quero ver vocês nos reviews!!
Obs: Quem comentou no capitulo passado recebeu via MP um presentinho cultural, dessa vez o presente será gastronômico, uma receitinha de família. Ok! Então comentem muito...
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