Amar é uma arte que se aprende
1 Capítulo 1 - Encontros
Notas iniciais
Antes de chegarmos no casal Edward e Bella, vamos saber um pouquinho a história de seus pais, começando com Carlisle e Esme.
1 Capitulo – Encontros
O hospital estava movimentado como sempre, pacientes, consultas, internações e muito, muito trabalho mesmo. Calebe, ou Dr. Swan como o chamavam não via a hora de poder voltar pra casa e descansar um pouco, faltavam 3 dias para suas tão sonhadas férias e ele não via à hora de por o pé na estrada, porém seus pensamentos foram interrompidos por sua secretária que acabara de entrar em seu consultório.
– Dr. Swan, posso interromper? Dr. Cullen pediu que o senhor passasse em sua sala antes de sair ok?
– Sabe do que se trata Kate?
– Não senhor, mas ele mencionou que o Sr. McCarthy estará presente e pediu que eu chamasse também o Dr. Hale e a sua esposa Dra. Melissa.
– Está bem Kate, obrigado por me avisar. Passarei lá assim que acabarem as consultas.
Por volta das 19h Calebe se despediu de sua última paciente, era um pediatra muito atencioso, conseguir consultas em sua agenda só para daqui dois meses. Além de ser muito bonito, alto, corpo atlético, Dr. Swan arrancava suspiros por onde passava. Conseguiu em fim se dirigir para sétimo andar onde se localizava a área da cardiologia do hospital, estava ansioso para saber o que o seu amigo queria. Carlisle Cullen era um dos melhores médicos cirurgiões e buscava ser o melhor do país.
– Nossa! Que sala mais cheia é essa? Nunca conseguimos nos ver direito aqui no hospital, isso parece até milagre.
Calebe tinha razão desde quando os cinco amigos se uniram para montar o hospital, que mal tinham tempo para conversarem no ambiente de trabalho. Ele pediatra de 32 anos, Carlisle Cullen de 30 anos, cardiologista, Eleazar McCarthy administrador financeiro, sua esposa Carmen oncologista ambos com 32 anos, Patrick Hale de 30 anos e sua esposa Melissa Hale, a mais nova do grupo com 25 anos, ambos ginecologistas. Ela recém formada.
– Já que estão todos aqui, quem faltava acabou de chegar. — Falou brincando Eleazer. Então Cullen, qual é o motivo dessa reunião inesperada?
– Eu tive que chama-los aqui, por que vou precisar me ausentar por uma semana, fiquei sabendo hoje de um congresso que vai ter em Vancouver, não posso perder de jeito nenhum, preciso encontrar uma maneira de mostrar minhas pesquisas ao Conselho Nacional de Cardiologia. Pretendo viajar amanhã mesmo pela manhã.
– Tudo bem amigo, o que precisa? Respondeu solícito Eleazar.
– Preciso que olhem minha casa e deem comida ao meu cachorro, sabem como é né Beer parece mais um urso do que um cão, precisa de comida três vezes ao dia. Não consegui entrar em contato com Maria, minha diarista.
– Fique tranquilo, deixe uma cópia da chave comigo que damos um jeito, quando um estiver de plantão o outro vai pra lá. — Melissa era mesmo muito prestativa.
Com tudo resolvido Carlisle partiu para o seu congresso, pegou a estrada bem cedo e depois de rodar por 4 horas seguidas, seu estômago começou a protestar, ele precisa parar para comer alguma coisa, e urgente.
Na rodovia próximo à Manchester havia uma grande fila de carros e caminhões, um grande engarrafamento havia homens trabalhando na pista, estavam erguendo uma das barreiras que havia cedido com a forte nevasca.
Parado a mais de meia hora, com fome e sede, ele avistou um lindo garotinho que parecia estar vendendo algum líquido na beira da estrada, parecia ser água ou suco, não sabia ao certo. O menino era pequeno, devia ter no máximo 5 anos, branquinho, cabelos acobreados e olhos um tanto caídos, parecia estar cansado. Carlisle queria saber onde estava os pais dessa criança que permitiam um absurdo desses.
Perdido em pensamentos, nem percebeu quando uma jovem loirinha batia no vidro do carro chamando sua atenção. Ela era miudinha, cabelos lisos e bem loiros, os olhos de um azul intenso, o corpo magro que vestia uma roupa surrada.
– Vai uma água aí? Tenho refri e suco também? – perguntou olhando para ele com os olhos que pareciam penetrar-lhe a alma. É dois dólares a garrafinha, vai tio ajuda aí?
Depois de sair do transe, Carlisle a olhou e finalmente conseguiu responder de forma coerente, sem gaguejar.
– Claro, quero sim, pode me dar uma sprit zero. Ei você está junto com o menininho do outro lado da pista? Perguntou logo depois de pagar com uma nota de 5 dólares recusando o troco com um balançar de cabeça.
– Sim, é meu filho Edward.- Respondeu ela com um rosto um tanto envergonhado, ela continuou falando – hoje é dia de reunião de professores na creche, tive que trazer ele junto. Obrigada por comprar o refri.
Quando ela estava quase se dirigindo ao próximo veículo da fila, ele a chamou.
– Moça, qual o seu nome?
– Esme.
– Esme, bonito nome, vem cá acho que quero mais do que só um refri.
Ela voltou e com um grande sorriso abriu a caixa de isopor na tentativa de oferecer-lhe mais alguma bebida, quando foi surpreendida por ele que inesperadamente pediu para que ela também chamasse Edward seu filho, gostaria muito de conhecê-lo também.
O menino que trazia uma caixa de isopor maior do que ele chegou no carro perguntando pra mãe apressadamente.
– Pronto mamãe já podemos ir embora? Estou super cansado, meus pés doem e estou com fome.
Carlisle então saiu do carro, abaixando-se na altura do menino e olhando naqueles profundos olhos verdes disse: Então você é o Edward? Pelo jeito sua mãe está fazendo você trabalhar muito por hoje hem garotinho? Quantos anos você
– 3, mas estou quase fazendo 4, né mamãe?
– é filhão, logo, logo você faz 4 aninhos.
– Eu acho que a fila vai começar a andar, o que acham de me acompanhar no almoço, sabe eu também estou com fome, podia leva-los pra comer em algum lugar aqui perto? Perguntou Carlisle ansioso para que eles aceitassem, pois queria muito conhecer essa mulher, não sabia o porquê mais tinha se apaixonado por esse menino assim que pôs os olhos nele. E ela era tão linda e não tinha aliança nenhuma na mão, o que dizia que não tinha marido. Sempre quis ser pai, ter uma família, uma mulher para chamar de sua. E via agora neles essa chance. Quem sabe ela fosse mãe solteira, ele adoraria poder preencher o espaço vago.
O requisitado cardiologista era estéril, descobriu isso da pior maneira possível, sua ex-mulher queria muito ser mãe e depois de muitos meses frustrados e exames exaustivos, veio à notícia bombástica, ele era estéril, não produzia espermatozoides suficientes para fecundar. Ela recusou-se fazer qualquer tipo de tratamento, fecundação in vitro ou artificial, o casamento não resistiu e logo se separaram. Elisabeth hoje estava casada e já tinha 3 filhos, dois meninos e uma linda menininha, todas as vezes que Carlisle os encontrava era como se recebesse um soco no estômago.
Edward, que ficou tão empolgado com o convite daquele homem que nem deixou a mãe responder, foi logo dizendo: — Claro que queremos, podíamos ir no McDonald’s, tem um bem no comecinho da cidade– Edward! – repreendeu a mãe – não queremos causar nenhum incômodo senhor, imagina, além do mais, nem nos conhecemos direito?
– Perdão, estendeu a mão a fim de cumprimentá-la e continuou dizendo, sou Carlisle Cullen, Cardiologista, trabalho e moro em Forks e estou a caminho de Vancouver a fim de participar de um congresso. Não quero fazer mal a vocês Esme, só pensei que poderiam me acompanhar no almoço, seu filho parece estar bem cansado e com fome.
– Ok, aceitamos então o convite Dr. Carlisle Cullen. – Ela realmente sabia que seu filho estava com fome e cansado e não discutira com ele, ela também estava faminta, nem se lembrava quando foi à última vez que se alimentou decentemente.
Disto isto, eles entram no carro, a fila de carros estava andando lentamente e as pessoas em volta nem perceberam o que acontecia naquele pedacinho de estrada. O menino Edward parecia que tinha encontrado um velho amigo, conversava com o médico como se o conhecesse há anos.
– A mamãe me levou no McDonald’s uma única vez, mais faz muito tempo, quando eu fiz 3 aninhos, eu nem me lembro mais, toda vez que a gente passa na frente eu fico com vontade de entrar, mais a mamãe diz que é muito caro e que não dá. Não tem problema pra você né Carlisle?
– Não tem problema nenhum não Edward, e você pode escolher o brinquedo que quiser ok? Tomara que tenha um bem legal.
Ele estava se divertindo e querendo que aquele momento fosse o primeiro de muitos entre eles, Carlisle já se sentia pai dele, mas no fundo sabia que precisava ser cauteloso, não conhecia ainda a história de Esme e poderia se enganar, vai que ela tivesse marido, noivo ou namorado, ele estaria perdido.
Chegaram na lanchonete e o menino correu pra ver qual o brinquedo que vinha no lanche, estava na dúvida de qual escolher, a máscara do Batman ou o Batmóvel, indeciso, Edward olhava para os dois brindes sem saber o qual pedir. Esme que era muito observadora percebeu a indecisão do seu garoto então sugeriu:
– O que acha de escolher o carrinho filho, você não tem um desses.
– Ele é lindo mamãe, mais eu também queria a máscara. Mas... é... você tem razão... já sei Carlisle , eu quero o carrinho do Batman.
Carlisle assentiu com a cabeça e se dirigiu ao caixa a fim de fazer o pedido, enquanto Esme e seu filho iam até as mesas localizadas na parte de fora, onde tinha um escorregador grande e colorido, que o pequeno Edward correu pra subir.
O médico não resistiu e acabou pedindo dois lanches com brindes, pegou a máscara e o carrinho e os colocou junto na mesma caixinha decorativa. Na mesa foi a maior alegria, não tinha preço ver aqueles olhos brilhando por uma coisa tão simples.
Durante o almoço Esme contou um pouco sobre sua vida, ele parecia muito curioso e sempre lhe fazia mais e mais perguntas, ela acabou falando de mais, estava com medo, não queria ser abandonada novamente, ser a garota boba que tinha caído no conto da prova de amor. Já tinha sofrido bastante.
Terminado o almoço, era a hora de partir, foi então que ele tomou coragem e lhe fez a proposta, não tinha nada a perder mesmo, o não ele já tinha, ia agora em busca de um sim, quem sabe sua felicidade não estava bem em frente aos seus olhos. Ele percebeu que Edward havia voltado para o escorregador, aproveitando o momento que estavam sozinhos resolveu arriscar.
– Esme, entendo que você já tenha passado por maus bocados, não é fácil perder os pais e ser enganada por quem se ama. Até agora você tem feito um excelente trabalho com o seu filho, ele é muito esperto e inteligente, mas quem sabe não está na hora de você ter alguém ao seu lado. O que estou tentado te dizer é que... eu estou indo pro congresso, vou ficar uma semana lá, você não gostaria de ir comigo? Sei lá, sair um pouco daqui, conhecer um lugar diferente. Não sei... não quero passar a você uma imagem errada de mim, mas estou tão encantado com o seu filho e com você, que me sinto na obrigação de ajuda-los. Então... o que me diz?
Esme ouviu tudo atentamente, e com a sensação de esperança no ar resolveu aceitar o convite, não tinha nada a perder, não tinha mais os pais e sempre foi sozinha criando seu filho com tanto sacrifício. Ele perderia aula nessa semana, mas na creche, isso não fazia grande diferença.
Quando chegaram no hotel onde Carlisle tinha reserva, mãe e filho ficaram impressionados, nunca tinham visto tanto luxo e requinte, só em programas de televisão mesmo. Moravam em um barraco de duas peças, banheiro e quarto/cozinha, em uma área de invasão, pagavam aluguel pela moradia, ela não conseguia um emprego descente uma vez que tinha cursado só até o Ensino Fundamental. Teve que parar de estudar pra cuidar dos pais doentes que logo morreram, desesperada, começou a ganhar a vida na estrada como camelô. A casa que moravam era alugada e não tendo como pagar o aluguel, acabou indo parar na invasão.
Se apaixonou por um homem vivido, Richard era na verdade um grande calhorda, exigiu uma prova de amor, na verdade queria mesmo era tirar a virgindade dela. Depois que conseguiu sumiu do mapa deixando pra traz uma menina de 15 anos grávida, sozinha e completamente perdida.
Carlisle subiu com suas malas, deixou com Esme uma grande quantia em dinheiro e pediu que ela providenciasse roupas e outras coisas necessárias para ela e seu filho, ele não poderia acompanha-la nas compras, pois tinha o congresso pra participar, só se encontrariam a noite.
Durante toda à tarde mãe e filho se divertiram comprando roupas e acessórios, produtos de higiene, compraram até um lindo porta retrato onde colocaram um foto dos dois, tirada na própria loja, esse seria o presente para Carlisle, eles já estavam completamente apaixonados pelo médico. Durante toda a viagem ele se mostrou ser o homem mais maravilhoso que poderia existir, ela seria uma completa idiota se não aproveitasse a chance que a vida estava lhe oferecendo. Se ele, com todo o conhecimento, dinheiro e educação que tinha havia se encantado por ela, o que ela poderia fazer? Iria agarrar essa chance com unhas e dentes, afinal encontros como esses só acontecem uma vez na vida.
Carlisle chegou no quarto do hotel por volta das 20h, encontrou os dois arrumando as roupas no closet, ele havia trazido uma porção de suvenires que recebera no congresso o que deixou Edward muito fascinado por cada apetrecho médico. A semana passou rápido, durante o dia enquanto ele estava no congresso e obtendo grandes resultados, Esme e Edward se dividiam entre passeios, compras e sonhos, muitos sonhos, Edward já dizia que queria muito chamar Carlisle de papai e que se a mãe aceitasse eles podiam se casar e então ele escreveria o seu nome na certidão de nascimento do menino, no local onde aparecia PAI DESCONHECIDO.
Ela também se permitia sonhar, já estava completamente encantada e apaixonada, disposta a viver mesmo intensamente esse amor, ele a salvara, a libertara, lhe mostrara uma luz no fim do túnel. Ela era apenas uma menina/mulher de 19 anos que desejava muito ser feliz. Seria pedir de mais... como queria viver esse conto de fadas, faria de tudo pra que ele também se apaixonasse por ela, seria a esposa ideal, faria de tudo pra ser a melhor pra ele, por ele.
Esme não tinha ideia, mas Carlisle também estava completamente e insanamente apaixonado por ela e por seu filho, como queria poder chama-lo de filho, dar todo o amor, atenção, educação e tudo que um pai pode dar a um filho. Como queria poder ter ela como mulher, era apenas uma menina perto dele, um médico, formado em busca do seu PhD, mas se ela o aceitasse, ele faria dela sua rainha, com toda certeza faria.
O congresso acabou e com ele a grande dúvida no coração de Edward o corroía, o menino estava triste, amuado e choroso, quando viu que Carlisle fechara a última mala e colocara no carrinho do hotel, bateu aquele desespero no menino, ele correu e se jogou nos braços daquele homem, que pra ele, era enorme. Pulou e se jogou no pescoço daquele gigante e chorou, as lágrimas mais sentidas de sua pequena vida, ele soluçava e seu pequeno corpinho se movia no ritmo descontrolado de um choro angustiante.
– Não vai embora papai... por favor... não me deixa... eu amo você, eu prometo, prometo ser bonzinho, eu vou escovar meus dentinhos direitinho, eu arrumo o quarto, ajudo em tudo... só não me deixa papai, eu quero tanto que você seja o meu papai... por favor... eu preciso tanto de um papai, eu quero você, quero muito você como meu papai.
O menino dizia essas frases em meio às lágrimas que escorriam pelo seu rostinho, Esme chorava baixinho, sem saber o que fazer, na verdade o que ela queria era se jogar aos pés daquele homem e implorar para que ele ficasse com eles, que levassem eles juntos, qualquer lugar seria melhor do que a casa onde moravam, qualquer vida seria melhor do que aquela que eles viviam.
Carlisle andou com o menino agarrado ao seu pescoço, sentou-se no sofá junto à parede, olhou para Esme e sem precisar falar, a chamou para que se sentasse ao seu lado, ela entendeu seu olhar e juntou-se a eles. Foi então que o Dr. Cullen deixou tudo que o seu coração desejava sair pela boca.
– Esme, minha linda, eu sei que só faz uma semana que nos conhecemos, mas o tempo realmente não importa quando o que sentimos é o mais puro e verdadeiro, eu sou só um homem Esme, um homem cheio de defeitos e imperfeições, mas que está disposto a tudo pra ter vocês na minha vida. Eu não quero partir sem vocês, não quero voltar pra minha casa vazia, pra minha rotina incompleta.
– Linda, quando eu vi vocês naquela estrada, não sei explicar, mas um laço de amor surgiu e é intenso, forte, você, minha preciosa, me aceita em sua vida? Permite que eu seja o pai do seu filho? Você me concede essa honra de ter você ao meu lado? Esme, você quer ser minha mulher e deixa eu ser o seu homem e pai do seu filho?
Ela o olhava com os olhos cheios de lágrimas, o nariz vermelho, o corpo todo tremia e suas mãos suavam muito, foi com a voz embargada que ela conseguiu apenas sussurrar. – sim – para logo depois se unir a eles em um grande abraço emocionado. Ela tinha encontrado finalmente o que tanto pedia em suas preces, não só ela, mas Carlisle e Edward também.
Notas finais
Semana que vem tem mais... vamos conhecer os pais de Bella.
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