Amantes Desafortunados
4 A volta do fantasma!
Ash não retornou para o quarto. Sabia que Brock estaria acordado, esperando por ele para lhe contar como tinha se saído na conversa com Misty. Por isso, Ash decidiu passear por aquele castelo e, sem querer, acabou chegando ao quarto aonde o fantasma de Roseta o havia levado. Ash observou melhor os objetos no chão. No quadro onde Roseta estava com seu amado general, Ash pode notar o quanto a moça estava genuinamente feliz. “Só espero que eles tenham se encontrado!” – desejou o garoto. Foi quando notou um diário atrás da pintura, Ash afastou o quadro e pegou o diário. Era de Roseta. “Será que ninguém entrou nesse quarto depois que ela morreu?” – pensou o garoto – “Já se passaram cem anos e todas as coisas dela continuam por aqui!”. Ele abriu em uma página qualquer:
Não consigo entender por que meus pais não aprovam meu amado general. Ele é tão gentil e corajoso, qual será o problema que veem nele? Mas tudo bem, isso já não importa mais! Assim que ele voltar ele virá me buscar e fugiremos para nossa vida conjunta! Não vejo a hora de poder ficar ao lado do meu verdadeiro amor para sempre!
Ash virou a página.
Ele não morreu, eu sei que não! Eu sei que é tudo um plano dele, assim, quando ele vier me buscar para fugirmos, ninguém vai pensar que foi ele! Tenho certeza de que tudo não passa de um plano! Meu amor era corajoso e valente, ele não morreria assim tão fácil! Tenho certeza! Ele virá me buscar!
Após ler isso, o garoto começou a sentir uma tristeza enorme pela moça. Ficou pensando em como deve ter sido para ela esperar e esperar, até que o general aparecesse e a levasse embora, e ele nunca ter aparecido.
– Ash?! – chamou uma voz feminina atrás dele. O garoto se virou quase que imediatamente, era Misty.
– Misty?! O que faz aqui? – exclamou o garoto, surpreso.
– Eu não estava conseguindo dormir de jeito nenhum, então aproveitei para ver o local onde as coisas aconteceram quem sabe assim, talvez, eu me lembrasse! – explicou. – O que você está lendo? – perguntou após perceber o diário na mão do garoto.
Ash entendeu que “as coisas” significavam “o beijo”.
– Bem, é o diário da Roseta! – respondeu o menino.
– Ash, não sabe que é falta de educação ler o diário de uma garota?! – censurou a ruiva – Me passe pra cá! – disse tomando o diário das mãos dele e lendo a página que ele acabara de ler.
– Hey, você não disse que é falta de educação?! – protestou o menino.
– Falta de educação para um menino, mas meninas podem ler o diário de outras meninas! – respondeu.
*gota em Ash*
– Ah é, é?! – disse em dúvida se existia tal regra.
Após ler o mesmo trecho que Ash havia lido, Misty deixou uma lágrima solitária rolar pelo seu rosto.
– Tá chorando?! – perguntou Ash.
– Eu seria bem insensível se não chorasse! Coitada da Roseta, esperando pelo seu amor voltar e descobrir...que ele...
– É! – concordou o garoto – É bem triste mesmo! Fiquei com pena deles! Imagine como deve ser esperar por alguém e depois descobrir que ele não vai mais retornar!
– Olha só o que ela diz nessa página! – apontou a garota para um trecho. Ash leu:
Amanhã é o dia do casamento, Normam é um bom homem, está sempre cuidando de mim. Mas eu não o amo, não consigo amar. Eu continuarei te esperando Ashton, até o momento de eu ir para a igreja. Se você não aparecer para me buscar, eu irei encontra-lo meu amor! Uma vez juntos, sempre juntos!
– Foi no dia anterior do de quando ela se enforcou. – comentou Misty pesarosa.
Ash concordou. Misty virou- se para ele séria.
– Por que você decidiu ler isso?! – perguntou a garota.
– Ah, eu achei atrás do retrato e fiquei curioso! – respondeu sem graça.
– Bem, vamos deixar as lembranças dela em paz! –recomendou – É melhor irmos embora.
O garoto assentiu. Eles recolocaram o diário de volta ao lugar onde estava e fecharam o quarto novamente.
– Misty, você não está brava comigo? – perguntou o garoto enquanto eles andavam pelos corredores.
– E por que eu deveria?
– Bom, pelo que eu disse que eu fiz....- respondeu sem graça.
Misty soltou um sorriso, levemente melancólico, para o garoto.
– Está tudo bem! Não faça um grande caso por isso, ok?!
O garoto assentiu, mas algo dentro dele o incomodava por conta dessa resposta. Não fazer um grande caso? Ele quase infartou na hora em que teve que beijá-la. Seu coração quase havia saido pela boca. Será que ela não sentiu nada disso quando ele contou o que havia feito? Tudo bem, ela não vivenciou isso, mas ele contou o que havia acontecido. Por que ela estava reagindo como se fosse nada?
– Está tudo bem, Ash?! – perguntou a garota, notando o silêncio do treinador.
Ash acordou de seus pensamentos.
– Sim, está tudo bem! Mas...- começou o garoto, querendo esclarecer suas dúvidas – você realmente não se importa?
– Você queria que eu me importasse? – perguntou calmamente.
Ash não conseguiu responder, pois não sabia o que responder. Seu coração havia disparado novamente.
– Sabe Ash, -começou a ruiva – acho que a Serena tem uma quedinha por você!
Ash ficou ainda mais envergonhado.
– Você acha? Por que tá me dizendo isso?
– Ah, só pra ver se uma vez na sua vida você toma uma atitude! – disse a garota voltando com seu sorriso melancólico.
– Você...você quer que eu fique com a Serena?
– Você não quer? Ela é doce, meiga, gentil e bonita! E a melhor parte, é que ela enxerga você como um herói! Não existe nenhum rapaz que não queira uma namorada assim!
Ash não disse nada, realmente Serena era tudo isso, mas Ash não era um herói. Ele sabia, tinha muitos defeitos. Mas por que Misty estava lhe dizendo essas coisas? Por que justo ela, que ele sempre notara, era extremamente ciumenta com qualquer menina que aparecesse?
– Misty, eu não estou entendendo! – começou o garoto – Eu sempre achei que você gostasse de...
Mas Ash foi impedido de falar, pois um grito feminino extremamente alto foi ouvido pela casa toda.
– O que foi isso?! – perguntou a garota assustada.
– Vamos ver se os outros estão bem! – disse Ash.
Os dois correram e desceram as escadas, chegando ao corredor que davam para os quartos. Todos estavam acordados, do lado de fora de seus cômodos.
– O que aconteceu? – perguntou Ash ao se aproximar do grupo.
– Estão todos bem?! – perguntou Misty.
– Só ouvimos o grito! – explicou May
– Pensamos até que fosse você– disse Dawn para Misty– já que não estava no seu quarto!
– Será o fantasma de novo, onii-san? – arriscou Bonnie para o irmão.
– Eu não sei, Bonnie! Mas não poderia ser!- respondeu o garoto.
– Pois é – concordou Brock – ela disse que iria embora em paz, naquela hora!
Novamente o grito é ouvido.
– Espera, será o casal de velhinhos? – disse Max
– Boa, Max! – disse Ash – se o fantasma foi embora, só podem ser eles!
– Vamos até o quarto deles verificar! –falou Brock. Todos concordaram.
O grupo correu em direção ao quarto do casal de idosos. Eles subiram outra escadaria e entraram em um dos corredores, novamente ouviram o grito. Estava mais perto. Eles estavam no caminho certo.
– Deve ser aqui! – disse Clemont chegando a um quarto com porta dupla.
– Vamos entrar! – falou Ash empurrando as portas.
Todos do grupo exclamaram de susto. A senhora com quem haviam conversado estava caída no chão e o senhor estava flutuando ao lado dela, os olhos dele estavam negros e sem brilho.
– O que vocês fizeram? – disse o senhor com uma voz tenebrosa para o grupo – O que vocês fizeram com a minha Roseta?!
Continua....

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