Amantes Desafortunados
2 A Casa Mal Assombrada- O Fantasma de Roseta
Notas iniciais
Deveria ser umas oito da manhã quando Ash, Misty e os outros se postaram na frente do ginásio, esperando pelos outros amigos.
– Precisava ser tão cedo?! – bocejou Ash sonolento.
– Certas coisas não mudam jamais! – resmungou Misty, depois disse ao amigo – Culpe o Brock que marcou para esse horário!
– Estou ansioso para conhecer seus outros amigos, Ash! – disse Clemont animado, o único animado do grupo pra dizer a verdade, todos os outros estavam sonolentos.
– Nem deu tempo pra pentear a Fenekin...- lastimou-se Serena.
– Ash, Misty!! – ouviram uma voz feminina ao longe. Era May, seguida por Max, Brock e Dawn.
– Oie May!! – acenou Misty para a amiga.
– Galera, oie! – disse Ash espantando o sono pela animação de rever os amigos.
O grupo se aproximou. Ash apresentou Bonnie, Clemont e Serena aos outros e logo de cara, Max e Bonnie já estavam amigos, assim como May, Dawn e Serena.
– Bem, vamos seguindo para Pallet?! – começou Brock – Não quero atrasar o cronograma!
– Pra que precisamos de um cronograma, Brock?! – perguntou Ash.
– Pra que? Pra que? – os olhos de Brock se iluminaram.
– Você tinha mesmo que perguntar, Ash?! – disse Misty baixinho pra Ash.
– Um cronograma pode te levar ao sucesso ou ao fracasso em uma viagem, Ash! Com um cronograma você poderá regular seus horários de acordo com as suas caminhadas, assim vai saber a distância exata que caminhou e onde vai ser a próxima parada para descansar! Sem um cronograma você pode se perder, morrer de fome, de frio...E É PRA ISSO QUE PRECISAMOS TER UM CRONOGRAMA E RESPEITÁ-LO!
*gota em todos*
– Erh, mas o caminho até Pallet já é muito conhecido! – respondeu o garoto.
Misty deu uma cotovelada de leve no garoto.
– Fica quieto, Ash! – cochichou.
– Puxa Brock, você só piora com o tempo! – comentou May. Max e Dawn concordaram.
– Bom, vamos andando – disse Clemont tentando amenizar a situação — Acho a idéia de ter um cronograma de viagem bem legal!
Brock chorou e abraçou Clemont.
– Pelo menos tem alguém com cérebro dentro desse grupo! – disse.
– Brock, não me faça bater em você! – ameaçou Misty zangada.
– Tá dizendo que não temos cérebro?! –retrucou Dawn.
– Ahn...- Brock procurava palavras para se defender, mas como não conseguiu, saiu correndo.
– Hey, volta aqui! – gritou Dawn indo atrás dele.
– Bem, vamos indo também! – disse Misty.
Os amigos seguiram viagem.
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– Me diz uma coisa, Brock...- começou Ash já se arrastando no chão — ...nesse seu cronograma não tem parada para o lanche?!
– Pois é, Brock – concordou Misty – não comemos nada desde o café, estamos morrendo de fome!
Todos os outros concordaram.
– Parem de reclamar! – disse Brock determinado – Nosso almoço será ao meio dia em ponto!
– Meio dia? –Max olhou para o Sol – mas pela posição do Sol já são 3 da tarde!
Brock olhou para o seu relógio e disse sem-graça.
– Ahh..parece que meu relógio está quebrado, eram onze horas desde a última vez que olhei, e ainda são onze horas, desculpe pessoal!
– BROCK!!! – Todos exclamaram zangados.
O grupo parou e Brock começou a preparar o almoço com a ajuda de Serena.
– Estou com tanta fome que acho que meu estômago vai acabar me comendo! – reclamou Ash recostado numa pedra.
– Seu estômago não comeria você, ele saberia que ia ter uma baita indigestão! – provocou Misty. May, Dawn, Max, Clemont e Bonnie riram. Serena ouviu e não gostou. Por algum motivo, não gostava da forma como Misty falava com Ash.
– Estou com tanta fome que nem vou responder, Misty! – disse o garoto desanimado.
– Hey, olhem! – a ruiva apontou para um casal de velhinhos que se encontrava sentado mais a frente na estrada. – O que será que fazem aqui?
– Devem estar esperando alguém! – disse May
– Ou talvez devem estar esperando para pegar um ônibus!- arriscou Dawn.
– De qualquer forma, não é bom que eles fiquem muito tempo fora de casa – disse Clemont – parecem muito idosos, podem ficar doentes!
Os outros concordaram.
O almoço seguiu normal, mas Misty, Max, Dawn, May e Clemont continuavam observando o casal de idosos sentados na estrada.
Depois do almoço e da limpeza, o grupo decidiu montar acampamento, afinal já ia anoitecer em breve. Eles continuariam a viagem no dia seguinte. E novamente, Misty, Max, May, Dawn e Clemont repararam que os velhinhos continuavam lá.
– Estão lá o dia todo! – comentou Misty, preocupada.
– Esperem aqui! – disse Clemont indo em direção ao casal.
May, Dawn, Misty e Max observavam Clemont conversando com eles.
– O que o Clemont está fazendo? – perguntou Ash se aproximando do grupo.
Brock, Serena e Bonnie se aproximaram também.
– Parece que esse casal está sentado ai o dia todo! – explicou Dawn aos amigos.
– Acho que estão com problemas! – completou Misty.
Clemont voltou para o grupo.
– Bem, ao que parece, eles não podem voltar pra casa – começou o garoto – dizem que tem um fantasma lá!
– UM FANTASMA! – exclamaram todos.
Clemont assentiu e continuou.
– Dizem que ele sempre existiu, mas que apesar disso, conseguiam conviver em paz. Mas de uns tempos pra cá as coisas andaram piorando e hoje, quando foram sair para o jardim, não conseguiram mais entrar em casa, então vieram pra cá!
– Coitadinhos! – disse May.
– Onii-san, temos que ajuda-los! – pediu Bonnie, chorosa. E os demais concordaram.
– Bom, ainda bem que pensam assim, pois eu já ofereci a nossa ajuda! – falou o inventor sem graça.
– Você acha mesmo que podemos ajudar? – perguntou Ash – eu nunca lidei com fantasmas antes!
– Bom, tivemos aquela vez no Pico da Donzela – lembrou Misty – mas era um Gastly fingindo ser um fantasma.
– Bom, nada impede que dessa vez não seja um Pokemon também! – arriscou Brock.
– Se for um Pokemon, nós daremos um jeito nele! – disse Ash determinado.
– E se não for um Pokémon? – perguntou Serena, assustada.
– As chances de não serem são mínimas! – confortou Clemont. – quase nulas na verdade!
O grupo concordou e foram até o casal de idosos. Ash se adiantou.
– Nós vamos ajuda-los e tirar o fantasma da casa! – disse determinado
– Sim, sabem de algo sobre o fantasma da casa? – perguntou Misty.
– Bem...- começou a senhora — era uma antepassada minha! Roseta era o nome dela!
– Roseta?! Que nome bonito! – comentou May.
– O que houve com ela? – perguntou Dawn.
– Bem, ela era uma jovem muito apaixonada por um general, mas a família não permitia o casamento entre eles! Mas mesmo assim, Roseta e ele se encontravam em segredo! Só que quando a guerra veio, eles tiveram que se separar!
– Que triste! – disse Serena.
– Depois disso, — a senhora continuou – ela ficou sabendo que o namorado havia morrido, os pais dela então, arrumaram um noivo e a forçaram a se casar!
– Que terrível! – agora foram Misty e Brock.
– Mas, no dia do casamento, ela se enforcou! E desde o então, o fantasma dela vaga pela casa!
Max cochichou pra Bonnie:
– Não tenho certeza de que um pokemon tenha assumido a forma da Roseta e ficado por tanto tempo numa casa!
– Acha que pode ser um fantasma de verdade?! – perguntou Bonnie assustada.
– Eu não sei, mas acho que sim!
– Mas se vocês estavam acostumados com o fantasma, o que houve agora? – perguntou Ash.
– Bem...é que agora farão 100 anos desde que ela soube da notícia do seu amado, e de repente ela começou a berrar pela casa que queria o seu namorado de volta, pediu para que nós os trouxéssemos! – explicou o senhor – Dissemos que não sabíamos onde encontra-lo e então ela nos pôs para fora!
– Bem, eu não sei se isso é um comportamento normal de um Pokémon...mas certamente vamos entrar e verificar! – disse Brock.
– Muito obrigada, são muito amáveis! – disseram os idosos agradecidos.
O grupo foi em direção a casa, porém, ao chegarem, descobriram que o termo casa não fazia jus ao castelo de aura tenebrosa que estava à sua frente.
– Puxa! – disse May amedrontada – Pelo menos nós tentamos, não é?! Vamos embora e dizer que sentimos muito!
– Nada disso, May! É apavorante, eu sei, mas aquele casal precisa da nossa ajuda! – falou Misty à amiga.
May concordou.
– Bom...vamos entrar! – disse Ash decidido.
O grupo adentrou a casa, e mesmo Ash, em toda a sua pose, estava com medo e olhava os arredores com cautela.
– Bom, — começou Clemont – o que acha de nos separamos?!
– Péssima idéia! – disse Brock – se for um pokemon fantasma, ela vai brincar de ilusões com a gente, usando uns aos outros! Melhor ficarmos todos unidos!
– Olhem, o quadro na parede! – Dawn apontou para uma pintura de uma moça muito bonita, sentada em um jardim usando roupas de época.
– Olhem só o nome no quadro! – disse Serena. – Roseta!
– Puxa, ela era linda! *-*– começou Brock com seus olhos brilhantes em direção à moça.
– Vejam, tem alguém atrás dela! – então os olhos de Misty correram do quadro para Ash diversas vezes, até que ela disse – Ash, ele é a sua cara!
Esse comentário fez com que todos desviassem os olhos para o homem atrás de Roseta.
– Realmente! – afirmou Brock.
– Cara de um, focinho de outro! – disse Max.
– Nossa, parecem gêmeos! – exclamou Serena.
– Pois eu não me acho nem um pouco parecido! – disse Ash sem graça.
– Bem, ele é realmente muito mais bonito! – comentou a ruiva, o que fez Ash corar.
– Hunf, pois eu discordo! – respondeu irritado.
De repente uma voz feminina ecoa pela casa.
– Meu amado...meu amado...vocês trouxeram meu amado?
O grupo se encosta na parede, assustado.
– O que foi isso? – perguntou May.
– Acho que foi o fantasma! – respondeu Max.
– Podemos ir embora agora? – disse Dawn.
– E agora, o que vamos fazer? – perguntou Serena.
– Calma, -disse Clemont – vamos pensar em alguma coisa! Se for um Pokémon, temos que fazer com que apareça pra nós!
– Parece que a voz veio lá de cima! – disse Misty.
– Então vamos subir! – falou Brock.
O grupo então se dirigiu para as escadas, após subirem, entraram em um dos corredores que eles julgavam levar às próximas escadarias. Estava tudo silencioso e o grupo também permanecia em silêncio, olhando para todos os lados.
De repente, uma ventania muito forte abre uma das janelas do corredor. Todos gritam e se agacham no chão.
– O que foi isso?! O fantasma de novo? – disse May, totalmente apavorada.
– Acho que foi só o vento! – respondeu Clemont – está tudo bem!
Porém, Ash começou a soltar uma risada sinistra. Todos se calaram e olharam em sua direção.
– Ash?! – começou Misty preocupada, se aproximando do garoto – você está bem?!
– Ash?! – perguntou Serena, também preocupada.
Ash riu ainda mais sinistro e segurou Misty pelos ombros. Misty se assustou.
– Eu voltei! – disse com uma voz tão sinistra quanto a risada – Eu voltei pra você, minha amada!
– O QUE? – exclamaram todos.
Ash riu.
– O...o que está fazendo?! – perguntou Misty em um misto de susto com vergonha.
– Eu disse que voltaria, não disse?! Venha! – disse Ash se aproximando cada vez mais da menina – Vamos selar o nosso amor!
Ash se aproximou, como se fosse beijá-la. Todos estavam em choque olhando a cena, principalmente Serena. Misty estava tão envergonhada, ele se aproximava cada vez mais, até que quando ele estava quase encostado na sua boca, Ash parou e começou a rir a sua risada habitual.
– Devia ter visto a sua cara, Misty! – disse o garoto em meio às próprias risadas.
Misty teve uma mistura de fúria, vergonha e ódio, e Ash sentiu tudo o que ela estava sentindo quando recebeu um belo soco na cara dado pela ruiva. Ash foi arremessado ao chão.
– Você vai ver como EU vou deixar a SUA cara, Ash Ketchum! – gritou uma furiosa Misty partindo para o segundo soco, que foi impedido graças ao Brock que segurou a menina.
– Ash, será que ele está bem?! – perguntou Serena preocupada.
– Ele mereceu! – disseram May e Dawn juntas.
– Me solta, Brock! – continuou a ruiva furiosa.
– Poxa, Misty! Foi só uma brincadeira! – defendeu-se o garoto, sem entender o motivo da amiga estar com tanta raiva.
– Uma brincadeira é?! Pois você vai ver do que eu vou brincar com você, seu idiota! – Misty se remexia para tentar se soltar.
– Calma, Misty, brigar não vai adiantar nada! – Brock tentava usar de toda a sua força para conter a ruiva, o que, ele precisava admitir, estava bem difícil.
De repente uma nova ventania, e dessa vez, o que se abre é a porta do final do corredor. A briga cessa imediatamente. Ali, parada no corredor, estava uma moça bela, porém transparente.
– É a moça do retrato! – reconheceu Dawn.
– Ahhh, ela é linda até como fantasma! *-* — disse Brock soltando Misty.
– Se você é um Pokémon, mostre-se agora! – gritou Clemont.
– Meu amor...- começou o fantasma olhando para Ash – você voltou pra mim!
O fantasma de Roseta voou a toda velocidade em direção ao Ash, porém o transpassou, foi direto para o corpo de Misty e o adentrou. Misty caiu no chão logo em seguida.
– Misty! – gritaram todos indo em direção à amiga.
– Misty, Misty, acorda! – gritou Ash para a garota.
Misty abriu os olhos, encarou Ash e sorriu.
– Meu amor, finalmente!
Continua....

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