Amanhecer dos Anjos

8 Capitulo V – Dor... Somente isso, Dor.


Amanhecer dos Anjos

Capitulo V – Dor... Somente isso, Dor.

O silêncio fazia minha alma voar em algum lugar que eu não a podia encontrar. Por um instante tudo que eu vi foram as palavras flutuarem no ar longe de minha compreensão enquanto após isso tudo que eu via se desfazia na escuridão e o que restava era algo que eu não consigo descrever, mas essa sensação logo foi substituída. Os dentes em minha jugular fizeram se esparramar pelas minhas veias o fogo puro a consumir cada pedaço andado pelo meu sangue. Era como se meu sangue fosse o combustível que mantinha acesa essa chama a me consumir. Minha alma (que agora descobri onde fora parar, mas desejava não a ter achado) partilhava uma dor pior. Senti quando a pessoa ao qual pertenciam os dentes em mim cravados foi jogada para longe por alguém que entrara no quarto agora enquanto antes que meus olhos se perdessem no breu, pude minha irmã tentando se controlar nos braços de Thiago (fora agora que percebi levianamente que fora ele que a tirara de perto de mim) e eu escorregava da parede e sentia meus joelhos se chocarem com o chão frio. Pedi a noção do tempo, e tudo que restou... Foi a dor

O mundo já não possuía significado algum e a única coisa que eu queria era muito simples: Morrer. Eu me sentia num turbilhão escuro sem o mínimo de luz, pendurado por um fio prateado a realidade. Eu sentia minha mente afundar num poço sem fim a sempre cair, e por mais rápido que eu despencasse eu nunca chegaria no fundo. Sentia minha alma mergulhar numa escuridão gelada, aliás meu corpo eu sentia-o com uma pedra de gelo a ser consumida pelas línguas de fogo que se esparramavam cada vez mais quentes, mais dolorosas a cada instante. O que de inicio a poucas frações de segundos atrás era o fogo a consumir minha pele agora estava mais que minha própria pele aderira a esse fogo. Era como se cada célula do meu corpo fosse engolfada por aquilo e virava cinzas, mas ele não se contentava e recomeçava a queimar mesmo as cinzas que sobravam de mim.

O calor subia exponencialmente sem nunca atingir o máximo. Se existisse algum inferno na terra esse era uma da maneiras com que ele se apresentava. Eu me sentia queimar em brasas vivas me transformando em algo insignificante. Um grito subiu pela garganta mas ela estava seca demais e não conseguiu produzir som algum. Era como se essa simples vontade de gritar para qualquer que me matasse fizesse queimar mais e mais, com a dor. Eu sabia no fundo de qualquer coisa que existisse em mim que aquilo um dia iria acabar e que eu já não estaria mais ali, pois minhas cinzas eram espalhadas pelo vento.

Minha perna, meus dedos, meus braços, minha cabeça, meu estômago, meu coração, tudo isso sendo consumindo pelo fogo que a cada segundo ficava pior, e eu queria gritar, sair correndo, implorar para que alguém me matasse. Eu não merecia aquilo. Eu não merecia ser queimado enquanto ainda estava vivo. O conjunto de todos esses 18 anos de vida me fez viver apenas por aquilo? Era a ingratidão do destino ou a idiotice de minhas escolhas?

Eu não sabia, eu realmente não sabia de nada, pois meu cérebro (em chamas) não conseguia pensar em algo. Todo aquele calor, tudo aquilo que eu sentia, tido aquilo que existia em mim naquele momento sendo consumido era insignificante quando todo aquele fogo atingiu a minha alma.

Eu estava perdido. Literalmente perdido. Era uma dor péssima a qual eu não gostaria que nem meu pior inimigo tivesse. Era algo indesejável a ninguém onde tudo o que você pode sentir é você querer se libertar do seu corpo e deixar seu espírito fugir das chamas, mas ele estava preso por um peso que você sabia ser seu próprio corpo.

Perdi a noção do tempo espaço ou qualquer dimensão. Passei ali o que poderia ser horas, dias, anos, décadas, isso não importava. Era a mesma coisa. Tempo algo insignificante quando tudo que existe é você queimando cada vez num lugar mais quente, mais e mais, cada vez mais insuportável, cada vez mais queimante se fosse possível. Sempre me disseram que a dor era psicológica, algo que somente existe na mente para alertar que algo estava errado, mas naquela hora eu arrancaria a cabeça de quem algum dia disse. A dor era real. Tão real que ela me atingia cada vez mais forte. Também uma vez me disseram que o calor é a propagação de energia, então quem me diria o que era aquilo correndo pelo meu corpo numa forma fixa, como línguas que consumiam até minha alma. Se realmente o calo fosse propagação de energia não demoraria para mim entrar em curto e haver uma explosão. Para mim naquela hora era tudo real, tudo palpável, algo que estava presente ali, misturado à minha carne me consumindo.

Eu já não sentia meus braços estavam, mas eu os sentia queimar. Não sabia onde estava minha perna se conectada ao meu corpo ou anexa no vento, mas eu a sentia queimar. Já não sabia localizar nada em meu tórax, nem coração, nem fígado, nada, mas eu os podia sentir queimar. Eu podia sentir meus dentes se contraindo um no outro, lacrando minha boca para me evitar gritar, pois eu sabia que se eu abrisse minha boca seria para gritar. Gritar até meu peito explodir e até meus pulmões expulsassem qualquer ar que ali estivesse alojado. Eu sabia que meu desejo era morrer. Morrer para não ter mais que suportar aquilo.

Um ruído muito longe, mas audível veio a meus ouvidos e eu pude sentir alguém do meu lado direito e outra pessoa do meu lado esquerdo. A que estava do meu lado direito pegou minha mão carbonizada e apertou com a sua. Pelo toque carinhoso e macio me veio a mente que era minha irmã. Cada micromolécula do meu corpo ardia em chamas e eu ainda não entendia como ela já não carbonizara ao máximo e ainda continuava a queimar.

-Quanto tempo? – Um sussurro de minha irmã.

Eu quis gritar para que ela me matasse. Se isso não bastasse para sua compaixão eu poderia lhe implorar. Implorar por sua compaixão, mas eu não podia. Quis gritar para que ela jogasse água, qualquer coisa que pudesse de alguma forma apagar aquilo que me consumia, mas eu não consegui. Eu fazia aquilo por ela, para ficar ao lado dela e pelo jeito triste que ela sussurrara eu senti que se gritasse e implorasse pela morte ela de alguma forma sofreria. Mas vampiros sofriam por algo?

Meu pensar em vampiro pareceu fazer o fogo começar a ficar mais quente. Como aquilo era possível? Como aquilo poderia estar acontecendo se eu já me sentia numa tocha incandescente que nem qualquer metal pudesse agüentar.

O que parecia ser pior era que por mais chamas que eu pudesse sentir no meu corpo, nenhuma luz era propagada! Era como estar preso na escuridão queimando sem estar no fogo. Era estranho, intrigante, mas meu pensamento não conseguia se concentrar nisso. A única coisa que planava na minha mente incansavelmente era dor, fogo, dor, chamas e mais dor.

-Não muito! Já faz dois dias....

Eu pensava como somente havia passado dois dias se eu já me sentia na eternidade queimando. Ele não contara direito. Ele somente poderia ter contado 2 milhões de anos queimando e cada vez eu me sentia pior. Meu corpo revolvia em chamas que cresciam, e cresciam, e queimavam e carbonizavam e cada vez aquecia mais e mais.

Um suspiro. Chega um tempo que você deveria se acostumar com a dor, mas aquilo não acontecera. Eu pensava quando a dor não seria mais incômoda, quando meu corpo se acostumaria com isso, mas isso era impossível. Isso fazia meu espírito querer ir para longe, muito longe, mas ele estava preso no meu corpo.

Lílian se afastou para algum lugar mas eu não pude saber se estava sozinho. Meu cérebro somente pensava em morrer. Parei de respirar quando sentia como se o ar que entrasse era feito de fogo, mas meu corpo não me obedecia mais. Uma movimentação ao meu redor anunciou que algo estava acontecendo e eu não sabia o que era. Não sabia se mesmo abrindo os olhos eu pudesse enxergar o que estava acontecendo.

O fogo aumentava seu calor (como isso seria possível meu Deus?), mas os sentidos começaram a vir. Primeiro veio a confiança. Algo agora começava a me dizer que aquilo acabaria. Eu comecei a me sentir mais forte. Era como se pelo poder do fogo eu me sentisse mais forte, e mais forte.

-Lily... Veja! – A voz do homem chegou ao meu ouvido – Já vai acabar...

-Ele vai ficar muito bonito! – Comentou uma mulher muito perto, que segurou minha mão entre as suas.

-Igual a irmã! – O outro se dobrou sobre meu corpo junto com Lily.

Eu podia ouvir, mas aquilo não fazia a menor importância, pois aquilo soava muito longe para mim. Um lampejo de um grito quase escapou de meus lábios. O fogo começara a ficar pior mais rápido. Era como se os últimos momentos fossem para realmente fazer aquilo que desejei desde o primeiro momento: Morrer. Mas junto com esse aumento de calor nas chamas em que meu corpo estava imerso eu comecei a sentir uma audição mais aguçara. Começou com Os passos quase silenciosos de Thiago perto e a respiração tensa, porém homogênea de Lílian.

Eu comecei a ouvir também outras respirações calmas ao longe, como se muitas pessoas estivessem dormindo alheio àquilo que acontecia comigo. Podia ouvir o vento a farfalhar a grama rasteira no piso térreo do lugar onde estava, ou até o ranger de um velho balanço na colina logo atrás do reformatório. Podia ouvir a água pingar, fruto da grande tempestade de ontem, mas nada fora o suficiente para retirar minha atenção da minha dor.

A dor aumentou ainda mais, como se dali ela teria de aumentar exponencialmente milhões de vezes aquilo que ela já fizera no meu corpo. Adoraria dizer assim com ela veio ela fora embora, mas isso não aconteceu como eu queria que acontecesse. Daquele grito de misericórdia ela continuou a aumentar impossivelmente mais, mas algo mudara. Finalmente eu pude sentir da ponta de meus pés como emergindo das chamas, enquanto elas se arrastavam muito lentamente libertando-me. Primeiro as pontas de meus dedos dos pés, vindo pela minha perna. Pareceu que eu passei uma eternidade naquela chama e levou mais um eternidade para a chama se recolher, cada vez pior. Finalmente me senti livre e cortei minha respiração enquanto eu sentia que todo o fogo se concentrava em meu coração que queimava imensamente como se aquele seria meu destino sentir meu coração queimar aquela dor, aquelas chamas cada vez pior. As chamas lamberam todo o meu corpo até meu coração mas em minha garganta aquela queimação ficou. Mais leve eu tenho que admitir, mas não era somente a queimação que estava ali, mas também uma sede que perecia insaciável.

Meu coração aumentou o ritmo das batidas pulando dali como querendo se libertar, correr. Um ritmo frenético, enquanto os últimos vestígios deixavam as veias ao redor se concentrando no único órgão condenado a arder. Isso permaneceu por um instante, o que atraiu a atenção de Thiago e Lílian. Pensei que me coração fosse sair voando donde estava mas algo finalmente aconteceu. Uma explosão dentro de mim onde as chamas se apagaram. Em resposta meu coração deu uma ultima batida, numa nota solitária e injustiçada. Seguiu-se de uma vacilada opaca e por fim uma ultima batida, e se apegou ao silêncio.

O silêncio pareceu total, como se mundo fosse afundado no silêncio. Nada. Nem passos. Nem vento. Nem respiração. Nem batimento. O silêncio era palpável.

A única coisa que percebi foi a falta daquela dor torturante. Somente isso pelo planar do tempo sem ruídos.

Lentamente abri meus olhos, com cuidado. Por um momento fiquei estático tentando compreender algo.

-Mark?

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Notas finais
N/A: E ai, demorei muito? Srsrsrsrsrs...

Ok tenho que admitir que demrei muito, mas é por motivos muito justos. Bom primeiro é que me deu a imensa loucura de conciliar Um curso técnico e o Ensino Médio(como se meus profs do EM já não comessem meu tempo....).

Realmente agora para piorar as coisas um pouco, eu to de mudança o que me tira fora da internet por um tempo.... Mas se Deus quiser só faltam dois meses(2 MESES... Meu Deus!!) para a obra se concluir. E quem me conhece sabe que eu vou a loucura sem net!

Bem espero que tenham gostado.... Tentei revisar, mas com a pressa talvez tenha deixado alguma coisa para trás, então por favor fechem os olhos para qualquer erro critico!

Desculpa por não poder responder os coments pessoalmente mas assim que der eu o farei....

Bem obrigado a todos que não desistiram da fic....

Jhoww....