Amaldiçoada
1 Capítulo 1
Sabe aquele dia em que você acorda querendo não sair da cama?
Eu sei bem como é isso, pois acordo assim todo dia. Tenho 14 anos e meus pais me odeiam. Ta ai a sinopse da minha vida. Porque eles me odeiam? Porque eu não sou uma adolescente normal. Mas eu tento ser normal, tento fazer isso todos os dias, mas simplesmente não dá. Sabe, é difícil ser normal quando não se tem nenhum amigo. E meus pais queriam que eu fosse uma garota que gosta de maquiagem e que sabe se vestir bem, mas eu não sou assim. Por isso eles tem a minha irmã. A minha única companhia é a musica. Eu uso fone direto, às vezes eu me pergunto como posso não estar surda, e como a professores parece não notar minha presença, embora eu use fone na aula deles mesmo eu passando o tempo todo de fone de ouvido (o que é proibido na minha escola) e em como eu pareço invisível para a maioria das pessoas, e em como eu consigo tirar notas altas mesmo não estudando para absolutamente nada, eu simplesmente sei a resposta certa.
Bem, eu me pergunto um milhão de coisas, então não liguem muito pro que eu falo. A onde estávamos mesmo? Ah, falando sobre a minha vida. Vamos lá, irei contar tudo a vocês.
Pois bem, nasci em 1997, moro em Paris, e eu amo minha cidade, eu amo muito mesmo. Tenho castanhos cabelos ondulados que me caiem sobre a costa com uma longa e bela cascata. Meus olhos são do azul mais claro que você pode pensar que mudam de cor quando estou com raiva, agitada ou ansiosa. Apesar disso, eu sinceramente não me acho bonita. Eu não quero elogios, mas eu realmente não me acho bonita. Primeiro que meus olhos provocam arrepios ate em mim, e a minha pele pálida só me faz parecer mais estranha.
Enfim...
Minha vida começou a mudar quando fiz 12 anos, o único amigo que eu tive na minha vida inteira foi um garoto chamado Mike. Ele era gentil e meigo, e eu o adorava.Só que ele morreu. Não morreu tipo “ Ah, teve alguma doença e morreu” ou “Ah, morreu num acidente de carro” Não, não foi assim. Ele morreu no meu aniversario de 12 anos. Eu não fiz festa ou algo assim, pois não gosto de comemorar aniversários, para falar a verdade, odeio isso. Por que comemorar um dia mais perto da morte? E também, sempre acontece algo ruim nos meus aniversários. Então eu nunca os comemoro. Mas naquele ano, Mike me convenceu a fazer uma festinha. Eu nunca devia ter ouvido ele, eu nunca devia ter feito aquela maldita festa. Se não fosse por isso, talvez ele ainda estivesse aqui comigo. Eu teria um amigo pra confiar. Eu teria alguém. E meus pais não me odiariam tanto. E seria tudo tão bom, tão bom. Mas não, eu tinha que tê-lo ouvido. Eu me lembro daquela noite como se fosse hoje.
9:30 daqui a meia hora nos cantaríamos o parabéns. Eu já os havia feito esperar demais. Enrolei a todos ate aquela hora, mas todos estavam me olhando como se fossem me matar então acho que vamos ter que cantar os parabéns. Odiava essa hora. Onde será que estava Mike? Era o que eu pensava. Estava até aquele momento me perguntando onde foi parar Mike. Quando eu tinha certeza que iria decapita-lo se ele não aparecesse em dois minutos o telefone tocou.
- Alô.
- Alô, ai quem fala é a Melina Dods?
- É sim, quem ta falando?
- Aqui é o policial Ian Mcgrai.
- O que houve?
- Bem, um garoto chamado Mike Gillis acabou de sofrer um acidente, e ele morreu na hora. Mas antes pediu para te ligar e pedir desculpas por não aparecer na sua festa, disse também que te ama muito.
Eu desliguei o telefone. Não me importei sobre o cara ser um policial e poder me prender, não me importou se aquela era minha festa e eu tinha de ficar lá, não me importei com nada. Simplesmente sai de casa. Sai correndo mesmo. Corri, corri, corri. Eu não me lembro de mais nada a partir dai, minha mãe me contou depois que eu passei dois dias sumidos, e quando me encontraram eu estava em estado de choque. Passei uma semana no hospital, disseram-me que eu não reconhecia ninguém. O que é muito assustador para mim. Depois disso, virei o zumbi que sou hoje. Escola, fone de ouvido, e computador. Essa é a minha vida.
Sabe quando finalmente você esta feliz, e a vida vai lá te dá uma rasteira? Pois bem, foi isso que aconteceu. Sabe quando você sente que tem o mundo e a vida toma isso de você? Foi isso que eu senti. Mesmo isso tendo acontecido à algum tempo eu não consigo passar um dia sem sentir falta dele. Ele era meu melhor amigo, meu único amigo. Eu sinto falta dele, queria que ele estivesse aqui. Queria poder conversar com ele novamente, queria poder atentar ele, brigar com ele, ajudar ele. Eu queria tanta coisa, mas eu não posso tanta coisa. Então é por isso que eu sou um zumbi.
Parece que as aulas acabaram. É normal, isso sempre acontece, eu passo o dia todo pensando e nunca sei quando a aula acaba. Voltei pra casa, meus pais tinham saído como sempre. Então a única coisa que eu fiz foi ir por meu quarto e trancar a porta. Tomei um banho e troquei de roupa e me joguei na cama, pronta pra dormir. Mas algo interrompeu meus planos. De repente, um arrepio, fez os cabelos da minha nuca se eriçarem. A névoa do meu quarto ficou de repente densa e fria. Algo me empurrou para frente do espelho. E o que eu vi ali me assustou mais que tudo na minha vida. Meus olhos estavam com olheiras tão profundas que pareciam completamente negras. Eu estava mais pálida que nunca, porém minha pele estava macia e chamativa. Os meus olhos antes de um azul claro, agora estavam brancos. E meus cabelos antes castanho claro estavam pretos. Pretos, tipo pense na cor mais escura que você pode imaginar. Agora pense que a cor dos meus cabelos estavam 3 vezes mais escura, ai você pode ter uma ideia.
Que diabos esta acontecendo comigo?
Fale com o autor