Amado
3 2º Capítulo – Tão fácil
Notas iniciais
POV Sydney
— Meu nome é Sydney. – Respondi sem guaguejar, para minha completa surpresa.
— Como a cidade na Austrália? Você ja foi até lá? É um lugar lindo! – Ele me respondeu, e parecia estar um pouco nervoso.
— Infelizmente, ainda não. – falei de forma curta, sem me prolongar.
— Entendo. Talvez seja minha oportunidade de te convidar para... – antes dele completar sua fala, fomos interrompidos pela naja, ou melhor, Sra. Ivashkov.
— Adrian, querido, vejo que você conheceu a filha dos empregados, venha comigo, preciso te apresentar uma pessoa... – e já saiu levando o menino mais gato que eu já tinha visto.
Não me deu nem chance de pegar o contatinho dele. Mas é uma naja mesmo. Cada minuto que passa eu acho que essa festa é uma furada. Tento me misturar entre os convidados, só resolvi aceitar porque o sr. Ivashkov insistiu muito para que eu viesse. Procuro por Rose, mas não a vejo em lugar algum! Resolvi ir até o bar, e pedir um refrigerante, claro, mas ao chegar lá me deparo com quem eu não queria ver de jeito nenhum, vou fingir que nem vi...
— Sydney, você está maravilhosa! – Exclamou Ashley, uma das amigas de colégio de Rose, mas eu sei que é só fingimento, pois na primeira oportunidade que ela tiver vai me colocar no meu “lugar”.
— Olá, srt. Vandorf! Que prazer em revê-la. – Minha mãezinha me ensinou a tratar bem todo mundo, inclusive patricinhas esnobes que só pensam na próxima semana de moda de Paris e quantos namorados podem ter.
— Oh, vamos deixar de formalidades, você não está em serviço hoje, está?
Nossa, mas eu não falei? Não acredito que a Rose está me fazendo passar por isso!
— Na verdade, eu sou uma das homenageadas da festa de hoje, você não viu no convite? – não pude deixar passar essa alfinetada, minha mãezinha que me perdoe.
— Ashley, você sabe muito bem que a Syd não é empregada aqui, ela é minha convidada e melhor amiga. – Sem que eu visse, Rose se aproximou de nós e repreendeu sua “amiga”. Eu não sou de gostar de ver pessoas serem mal tratadas mas... Bem feito!
— Sorry, Ro! Eu sempre esqueço. Mas enfim, quem era aquele gatinho que... – Affs, lá vem ela falar do assunto preferido dela, garotos. Minha mãe iria me repreender até amanhã pelo que eu vou fazer mas eu tenho que fazer isso.
— Desculpa lhe interromper, srt. Vandorf mas eu preciso falar com Rose em particular, e precisa ser agora. – E sai puxando Rose, sem esperar respostas de nenhuma das duas.
Eu puxei Rose para um canto qualquer, pois não tinha nada que me fizesse ficar nessa festa, nem a louca da minha melhor amiga, já tinha feito minha aparição, como tinha prometido ao mr. Ivashkov.
— Rose... — ela não me deixou nem começar a despejar toda a minha insatisfação antes de me interromper.
— Syd, eu sei que essa festa deve estar um porre mas você precisa aguentar só mais um pouco, eu preparei uma surpresa para você! – a Rose sabe muito bem como me manipular.
— Rose, sua mãe já me tratou mal, sua amiga também, sem contar que eu detesto surpresas, como você bem sabe.
— Eu sei, e todos nós sabemos que a minha mãe só se importa com as aparências, você tem que deixar ela pra lá. Promete que vai ficar até a hora da supresa? Linda, por favor? – como eu disse, minha amiga é uma excelente manipuladora!
— Ok, Rose, você venceu, mas com uma condição, você não pode me deixar só em nenhum momento com esse bando de tóxicos que você chama de amigos!
— Trato feito! Eu só vou precisar sair rapidinho pra dar os toques finais na minha surpresa e você vai ter que ficar um pouquinho só! Desculpa, S! – e lá se foi ela mais uma vez me abandonando numa festa cheia de gente que eu não tolero e que dão a mínima para a minha existência.
Resolvo voltar para o bar e finalmente pedir meu refrigerante, mas ao virar dou de encontro com Adrian novamente.
— Parece que algo quer nos manter juntos hoje, não é mesmo Sweet Sydney*? Dois encontros não pode ser só uma coincidência. – Ele fala, me encarando profundamente e de repente todo meu repertório de vocabulário foi pro espaço.
— Já acho que você tá me perseguindo, sr. Ivashkov. – Ufa, consegui pensar em alguma coisa, graças a deusa.
— Eu espero que você não pense tão mal de mim assim, mas não posso negar que algo me atraiu até você desde que te vi pela primeira vez.
— Nossa! Essa foi a cantada mais manjada que eu já escutei em todos os meus recém completos, 15 anos!
— É verdade! Hoje é nosso aniversário! Como eu pude esquecer? Sweet Syd, agora eu não tenho nenhum presente para você, mas ficaria infinitamente feliz se você me concedesse o prazer desta dança como um presente para mim. – ele estendeu sua mão para mim e se como em um passo de mágicas, começou a tocar uma música de um ritmo um pouco mais lento.
— Você não vai ter coragem de negar um presente tão simples, um favor se você quiser considerar assim.
Eu penso bem, e considero todas minhas opções, Adrian provavelmente é o garoto mais desejado dessa festa, sem contar que um tremendo gato! E não que eu dê muita importância a isso mas sei que se as entojadas amigas de Rose e a própria sra. Ivashkov me virem dançando com o filho do patrão, irão todas espumar litros e litros de veneno e ódio, decido aceitar seu pedido.
— Ok, mr. Ivashkov, apenas esta música e você segue o seu caminho com seu circulo de amigos ao qual claramente não faço parte, graças à Deus!
— Por favor, Syd, me chame de Adrian. – Ele me oferece sua mão novamente e eu, dessa vez, a seguro.
So easy – Marjorie Estiano
O que você quer eu quero mais
O que você diz não me distrai
Mas pode acreditar em mim
Tudo fica bem mais fácil assim
So easy so easy (Tão fácil, tão fácil)
Sei que é difícil arriscar
Amanhã quem sabe o que será
Mas pode acreditar em mim
Por que você tem tanto medo assim
— Amanhã eu gostaria que você me levasse num passeio para me mostrar alguns lugares daqui, como fui estudar fora muito pequeno, não lembro de praticamente nada.
— Tenho certeza que o seu pai com a Naja, desculpe-me sra Ivashkov, irão fazer as honras de reapresenta-lo a cidade!
— Vejo que você não gosta muito da nova sra. Ivashkov.
— Longe de mim falar mal dela! Jamais... – me arrependi rapidamente do meu comentário, por mais que Adrian pareça ser diferente, ainda sim é filho dos patrões dos meus pais, ou seja, pode coloca-los na rua muito rapidamente.
—Não, não. Não quero essa expressão tão séria no seu rosto! Não hoje quando você deve se divertir o máximo que conseguir! – e encarou com um olhar que parecia querer desvendar tudo que se passava em minha mente.
Me dá a mão (so easy)
Não há razão (so easy)
De se esconder nesse lugar
Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final
So easy so easy (Tão fácil, tão fácil)
Me dá a mão (so easy)
Não há razão (so easy)
De se esconder
Nesse lugar
Enquanto dançamos, penso na sua oferta, claramente cheia de segundas e terceiras intenções! Uma parte de mim quer dizer sim para ele, um menino novo na cidade, cheio de mistérios, lindo de morrer, mas que parece ter algo de diferente que eu não sei apontar ainda, ao mesmo tempo, outra parte está desesperada para negar seu pedido! Ele é um prato cheio de desilusão, preenche todos os caracteres de bad boy pronto para partir o coração de quem o deixar.
So easy so easy (Tão fácil, tão fácil)
Me dá a mão so easy
Não há razão so easy
De se esconder
Nesse lugar
Delicadamente te levar
Muito além daqui desse lugar
Resistir é natural
Mas tudo se resolve no final
Mas tudo se resolve no final
Tudo se resolve no final
Ao final das últimas notas, separo meu corpo do dele e digo:
— Ao contrário do que essa música diz, você não vai me ter tão fácil assim, sr. Ivashkov, por agora minha resposta é não! Mas quem sabe se até o final da festa eu não tenha mudado de ideia? Te vejo por aí... – saio o deixando sem fala.
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