Além de mim

2 Vendo aquilo que não se vê


Notas iniciais
Desculpem pela demora! Espero que gostem e continuem acompanhando!

“O primeiro lugar onde vamos nem sempre é o primeiro lugar para onde deveríamos ir, mas embora o caminho seja errado pode se ter muito o que aprender com ele. ”

Tirei os sapatos para sentir a grama tocar nos meus pés, ah como aquela sensação era única, sempre pensei porque algumas pessoas não gostavam da natureza, é simplesmente tão encantadora.

Ao longe pude ver minha avó com aquele sorriso carinhoso que só ela sabia dar para mim e ao lado dela o meu avô com um olhar carregado de afeto, ele sempre me contava histórias que ele havia vivido desde que eu era criança eu achava que meu avô era imortal porque suas histórias nunca acabavam mas quer saber para mim ele é porque as histórias dele estarão para sempre no meu coração.

— Vovó, Vovô. Que saudades! – Pulei nos braços dos dois e os apertei assim como também fui apertada.

— Também estávamos morrendo de saudades de você meu amor! – Minha vó disse acariciando meu cabelo.

— Vocês devem estar com fome, sua avó preparou um bolo de cenoura com chocolate Suzanne, o seu preferido.

Meus olhos brilharam, meus pais ficaram na varanda conversando com meus avós e eu fui pegar bolo para todo mundo, aquele cheiro delicioso saindo da cozinha despertava em mim tantas memórias, sempre que eu vinha passar um tempo com meus avós eu sempre voltava com dois quilos a mais para casa e com um sorriso estampado no rosto.

Quando o sol estava se pondo fui para a varanda deitar na rede e escrever, minha avó apareceu e sentou-se ao meu lado.

— Como sempre escrevendo. Ela disse sorrindo

— Não posso evitar, quando as palavras vêm a mim eu preciso escrevê-las, ou então elas vão embora e não vão mais voltar, talvez alguém precise delas um dia. – Disse observando para o tom alaranjado daquela tarde.

— Tem razão, tem que assumir suas responsabilidades, sobre o que estava escrevendo dessa vez?

— Eu não sei, eu comecei a escrever mas não entendo muito bem sobre o que é, alguns textos vem a mim e eu simplesmente escrevo mas depois quando eu tento associar a algo não consigo compreender.

— Hum – Minha Vó parou pensativa. – Pode recitá-lo para mim?

— Sim! – Me ajeitei na rede e comecei a ler:

“As estrelas sempre vão

Mas nunca vão

Sempre estão onde estão

Aprenda a olhar

Para aprender a ver

Quando não puder ver

E então me verá

Quando não puder entender.”

— Oh é lindo! Ah quanto tempo está escrevendo? – Minha vó perguntou dando um gole no seu chá.

— Comecei a escrever assim que olhei para o pôr-do-sol. – Disse pensativa.

— Realmente não entende o que quer dizer?

— Bem, é como se eu tentasse ver mas não conseguisse.

— Bem, está bem a sua frente, o que exatamente você gostaria de ver?

— Como assim? – Disse confusa. Bem, eu gostaria de ver o sentido dele.

— Se você estiver decidida a ver apenas o que quer ver então não conseguirá ver nada além disso, por mais que tente.

Encarei meu caderno pensativa.

Fiquei pensando no que minha Vó disse por horas até as estrelas aparecerem no céu. Na cidade não dava pra ver mas no interior o céu estrelado parecia revelar mais ainda a sua beleza. Era lindo. Gostaria de entender aquele poema.