Além da superfície.
59 Provocações.
Notas iniciais
Por Quinn
Depois que anunciaram a nossa vitória, Kurt nos contou sobre uma casa que seu pai comprou aqui perto, que era usada só em comemorações ou emergências. Foi difícil convencer o professor Schue, mas com a ajuda de Emma, ele acabou nos cedendo. Os dois nos fizeram uma série de recomendações, buscaram as autorizações de nossos pais. Alguns já estavam no teatro, outros precisamos ligar, mas todos deixaram. Leroy levou os professores no carro dele e nós ficamos com o ônibus só para nós.
A casa dos Hummel é simplesmente enorme e as coisas já estavam organizadas. Burt e Corole nos deixaram um recado na mesa, dizendo que já sabiam que nós iríamos ganhar e que aproveitássemos tudo com bastante cuidado. Puck foi em direção a geladeira e soltou um grito animado ao vê-la abastecida com várias bebidas. Blaine e Finn foram colocar as carnes na churrasqueira. Eu vi Rachel torcer o nariz com isso.
A piscina parece ser profissional de tão grande. Kurt deixou que nós entrássemos de roupa, por não termos levado acessórios de banho. Todos pularam quase ao mesmo tempo. Bom, todos menos Artie, que por questões óbvias, preferiu ficar na cadeira.
– Entra na água, amor. – San choraminga para a namorada que está sentada na beira da piscina. – Está tão gostosa.
– Depois, Santana. – Ela repreende. Já era a quinta vez que a latina a chamava.
– Mas, você adora piscina, Brittany e faz tempo que não entramos em uma. – Bate na água. – Daqui a pouco teremos que ir embora e...
– Santana, eu não vou deixar o Artie sozinho aqui. – Cruza os braços. O menino dá um sorriso tímido, mas orgulhoso.
– Você que sabe. – Dá os ombros, indo para a escada.
– Onde você vai? – Pergunto, segurando seu punho.
– Vou buscar mais uma bebida. – Cospe, irritada.
– Você não acha que já bebeu demais, San? – Rachel pergunta em um tom preocupado.
– Não, eu não acho. – Ela nos deixa para trás.
Troco um olha com Rachel e volto para ver Brittany conversando alegremente com Artie. Ele é um bom menino, mas sabemos que ele se aproveita da dançarina. Não que ela estivesse fazendo algo de errado, mas os outros estão conversando do outro lado da piscina, Sam está tocando violão do lado de fora, Artie poderia ir para lá muito fácil. Ninguém o deixaria sozinho.
Santana abre mais uma garrafa de vodka, brindando com Puckerman. Suspiro forte, sabendo que ela está tentando se controlar ao máximo. Rachel me abraça com as pernas enroladas na minha cintura e eu sorrio, jogando os braços para trás para segurá-la.
– Ainda não acredito que teremos mais uma chance para as Nacionais. – Solta.
– E dessa vez nós ganharemos. – Garanto. Ela morde minha nuca suavemente. – Controle-se, Rach...
– Quero ir para casa. – Sussurra, me fazendo estremecer.
– Meninas, vocês não querem beber nada? – Kurt se aproxima de nós, sorrindo.
– Nós já encerramos por hoje, Kurt. – Brinco, sentindo os dedos de minha namorada correrem perigosamente perto de minha barriga.
– Iremos competir as Nacionais de novo. – Grita um pouco exaltado. Blaine balança a cabeça, rindo e abraça o namorado.
– Estávamos falando disso. – Rachel sorri, enquanto continua a me provocar. Eu prendo a respiração. – Não foi, Quinn?
– Foi. – Limpo a garganta. – Eu estava dizendo que dessa vez nós ganharemos.
– Eu não tenho dúvidas. – O menino vibra. – Seu solo foi... Perfeito, Barbra.
– Obrigada, Kurt. – Seguro suas mãos inquietas.
– Eu não vi o Karofsky depois da apresentação. – Blaine lembra. – Será que ele gostou?
– Ele não estava com uma cara muito boa. – Kurt responde.
Eu me afasto para trás e prendo Rachel entre a borda da piscina e o meu próprio corpo. Sorrio vitoriosa quando escuto um gemido baixo da morena. Olho para o casal na nossa frente, fingindo prestar atenção no que eles estão dizendo. Minha namorada abaixa a cabeça em meu ombro, apertando mais forte o nosso contato.
– Isso não se faz. – Resmunga. Eu rio.
– Ah, é? – Levanto uma sobrancelha. – Você não parecia pensar nisso segundos atrás.
– Isso é golpe ba... ahr... – Geme outra vez, tentando me parar. – Golpe baixo, Q, pare.
– Por que eu pararia?
– Porque... – Ela respira com dificuldade. – Estão todos... nos vendo.
– Disseram que ele voltará para a escola próxima semana. – Kurt anuncia. – Confesso que eu estou um pouco curioso para essa volta. O que vocês acham?
– Eu não consigo esperar nada do Karofsky. – Digo sincera. – E você, Rachel?
– Eu... – Ela levanta a cabeça. – O que?
– Bebeu demais, diva? – Blaine ri.
– Acho que sim. – Sussurra.
Percebo que seu corpo está implorando pelo o meu agora e resolvo parar, antes que ela não consiga mais se controlar. Rachel dá um suspiro meio alivio meio frustração. Todos voltam para piscina, brincando. Sam se aproxima de nós, erguendo um copo como se fosse brindar. Nós acenamos com as mãos vazias mesmo. A morena avisa que precisa comer e sai da água, apressada. Eu mordo o lábio, tentando não rir.
Começamos a conversar sobre planos futuros. Rachel, Kurt e Santana falam sobre NYADA no maior encanto do mundo. Um sorriso bobo se espalha em meu rosto vendo o brilho nos olhos da minha namorada com esse assunto outra vez. Sam fala sobre ser modelo e nos faz gargalhar mais alto. Mercedes quer ter sua voz tocando nas rádios. Ela tem uma grande chance com isso. Finn se diz na dúvida de seguir o exercito ou tentar um curso de atuação.
– Se eu passar, vou para NY cursar dança. – Sorri. Santana abre a boca para dizer algo, mas o menino ao lado de sua namorada é mais rápido.
– Lógico que você vai passar, Britt. – Diz, amoroso. – Estamos estudando muito para isso.
– Obrigada, Artie. – Aperta sua mão. O corpo da latina fica rígido.
– Passará e irá morar comigo. – Santana fala meio alto. Artie rosna.
– Ela poderá escolher qualquer lugar pra ir, estudando comigo.
– Tenho certeza de que ela já escolheu. – O encara de forma ameaçadora. Eu ponho a mão em seu ombro.
– Ela não precisa fazer isso agora. Certo, Britt? Estamos conversando bastante sobre esse assunto. – Sorri, com as sobrancelhas arqueadas. A dançarina coça a nuca, sem jeito.
– Sobre o que estão conversando? – Santana se aproxima.
– Sem brigas, gente. – Kurt pede.
– Não estamos brigando. – A latina para em frente aos dois. – Sobre o que estão conversando?
– Artie apenas me mostrou outras universidades. Você sabe, eu preciso de uma garantia e...
– Por que não estou sabendo disso? – Franze a testa.
– Não sei, San. Porque não conversamos sobre isso. – Encolhe os ombros. – Ele só está me ajudando.
– Sim. – O cadeirante estufa o peito. – Todos nós sabemos que ninguém melhor que eu pode ajudá-la com isso ou com qualquer outra coisa que ela precisar.
– Você está brincando comigo? – Tenta avançar, mas eu seguro sua cintura.
– Pare, Santana. Foi você quem pediu que eu procurasse ajuda com ele. – A latina respira fundo, se soltando.
– Você tem razão. – Assente, pegando uma toalha e suas roupas. – E já me arrependi, se você quer saber.
– Pra onde você vai? – Rachel pergunta ao vê-la indo em direção a porta.
– Para o ônibus. – Responde sem virar. – Cansei dessa festa.
Um silêncio se instalou no lugar, antes que Puck pegasse o violão e começasse a descontrair todos mais uma vez. Brittany olha para a porta e dá um suspiro triste, mas não se mexe. Rachel se aproxima e coloca o queixo em meu ombro, segurando minha mão.
– Devemos ir lá?
– Não. – Viro para ela. – Você sabe como é Santana, ela nos colocaria para correr. Vamos dar o seu tempo.
– E quanto a Brittany?
– Não tenho como defendê-la. – Abraço minha namorada. – Não hoje
Rachel puxa minha boca na sua e eu sorrio para ela, fechando os olhos e me entregando ao beijo. Sua língua brinca em meus lábios e eu resmungo, querendo que ela entre logo. A morena se afasta.
– O que deu em você hoje? – Sussurro sem abrir os olhos.
– Nada. – Ri. – Por quê? – Pergunta com voz inocente.
– Resolveu me provocar.
Antes que ela pudesse dizer algo, puxo sua nuca e aprofundo rapidamente o beijo. Busco sua língua com fome. Seu corpo cede ao contato e amolece em meus braços.
– Chicago, ai vamos nós. – Finn grita nos assustando e todos o seguem, animados.
Rachel bufa, indo buscar refrigerante e eu rio, balançando a cabeça.
– Será incrível. – Sugar bate palmas.
– Nada se compara a New York, mas... – Mercedes sorri fraco. – Será muito bom.
Kurt a abraça, emocionado. Pelo canto do olho, vejo Sam suspirar e tomar mais um gole de seu copo. Me aproximo dele, aproveitando o momento certo. Ele sorri, oferecendo a cerveja. Bebo um pouco e faço uma careta.
– Você não vai me contar o que houve em New York? – Pergunto, sem olhá-lo.
– Você me deu um fora. – Ele lembra. Eu viro os olhos. – Isso foi o que aconteceu em New York.
– Além disso. – O encaro. – Você pode conversar comigo.
– Não tenho o que te contar, Q. – Ele franze a testa, chateado.
– Sabemos que tem sim, mas se você não quer dizer, te respeito. – Eu viro, mas ele segura meu braço.
– Por que está falando sobre isso? O que você sabe?
– Eu não sei, mas faço uma ideia. – Sam me encara confuso. – Troca de olhares provocativos, apaixonados, saudosos... Tristes.
– Isso não é verdade. – Suspira, colocando uma mão na cabeça.
– Você vai admitir que aconteceu algo com Mercedes em NY? – Sou mais direta. Ele fica tenso, mas assente. – Eu sabia. – Jogo água nele.
– Cala a boca. – Segura minha mão, olhando para os lados. – Não foi nada demais, ok? Foi sem importância.
– Não parece.
– Mas, foi! Eu estava chateado com você e... Aconteceu. Foi um erro.
– Mercedes não acha que foi um erro.
– Q, não fala assim. – Choraminga. – Eu me arrependo de ter feito isso com ela.
– Vocês ao menos conversaram depois disso?
– Não. – Eu o repreendo com o olhar. – Eu sei que nós precisamos, mas sinto vergonha.
– Sério? – Rio. – Desculpa, Sam. Eu não sou muito próxima a ela e nós temos nossos problemas, você sabe... Mas, ela não merece ficar sem essa conversa.
– Eu tentarei, certo? Fique com a boca calada, enquanto isso. – Eu assinto. – Quem mais sabe?
– Eu, Santana, Brittany e Rachel...
– Claro. – Esfrega o rosto. – Vocês quatro são umas pestes.
– Hey!. – Empurro seu ombro. – Foi Santana quem percebeu, na verdade. Quem manda não serem discretos? Ficam se comendo com os olhos.
– Shhhhhhh... – Tapa minha boca. – Pare com isso.
– Ok, ok. – Rio, abraçando-o. – Juízo, Samuel.
– Eu tenho. – Ele se afasta. – Tenho tanto, que sei que se eu não te soltar, Rachel irá me matar.
Por Rachel
Já estava começando a escurecer. Entramos no ônibus e cada um vai para o seu lugar, cansados. Brittany senta ao lado de Santana, que vira de costas, fingindo dormir. A dançarina nos olha e abaixa a cabeça, sem reagir. Nós sentamos nas cadeiras atrás das duas, por precaução. Quinn deita em meu colo, se encolhendo. Passo os dedos entre seu cabelo molhado. A loira fecha os olhos.
– Você ligou para o seu pai? – Pergunta, sonolenta.
– Liguei. Você sabe que ele não liga que eu durma na sua casa.
– Estou falando de Hiram. – Explica.
– Ah, eu... Não, na verdade. Amanhã eu faço isso.
– Bom. – Boceja. – Você prometeu.
– Eu lembro. – Traço seu rosto delicado. – Durma, que eu não pretendo dormir quando chegarmos em casa.
– Hmmm... – Sorri. – Alguém precisa apagar seu fogo.
– Que esse alguém esteja disposta.
– Eu sempre estou disposta. – Morde minha mão e eu rio, virando os olhos.
Tudo aconteceu mesmo. Eu consegui cantar hoje. Nós conseguimos ganhar. Karofsky nos assistiu. Hiram nos assistiu. Quinn continua namorando comigo. Eu acabo adormecendo também. Depois do que pareceram horas, escuto um fungado baixo. Aperto os olhos, sem saber o que está acontecendo. Quinn está apagada em minhas pernas. Vejo Santana encostar a cabeça na janela. Brittany está na frente com Mike e Tina. O asiático está dormindo no colo da namorada. Tento afastar Quinn sem acordá-la. Ela se remexe, mas continua dormindo no banco. Sento ao lado da latina, temerosa.
– Você está bem? – Sussurro. Ela ri fraco. – Desculpe, pergunta idiota. – Assente. – Você quer conversar? – Nega. – Ok. – Eu mordo o lábio com força. – Ela te ama, você sabe, não sabe?
Finalmente, Santana deixa a janela e me encara. Eu sinto meu corpo estremecer quando encontro seus olhos vermelhos, cansados.
– Eu sei. – Diz rouca, voltando o olhar para a rua.
– Ele não é o melhor pra ela. – A latina fica tensa. – Eu me lembro da nossa conversa na sua casa quando ele a pediu em namoro. Você disse que ele poderia dar o que você não tinha. Te digo, San, ele não pode.
– Ele pode, Rachel. – Suspira. – Artie terá um futuro brilhante, voc...
– Hey, você vai para NYADA. Também terá um futuro incrível.
– Isso não é certo ainda.
– Santana, quando você se tornou insegura, que eu acho que me perdi nessa história toda?
– Eu sou insegura quando se trata dela. – Acena com a cabeça. Eu olho para frente e vejo Brittany nos encarar.
– Não seja, ela realmente te ama. Conversem.
– Nunca duvidei disso. – Olha para as mãos. – Ele me provocou, você viu. E ela viu também. Ela poderia ter pedido pra que ele parasse, mas não. Estava concordando com tudo, como se eu tivesse feito algo de errado. Eu fiz algo de errado hoje? – Respira fundo.
– Não fez. – Quinn responde, sentando em meu colo. – Desculpem, perdi meu travesseiro. – Encosta a cabeça em meu peito. – Por isso mesmo vocês precisam conversar, San. Estava tudo bem até chegarmos a casa de Kurt, certo?
– Estava perfeito! – Exclama, desesperada. – Eu juro que não fiz nada.
– Hey, nós sabemos. – Passo a mão em seu braço. – Não se preocupe, San.
– Como não me preocupar, Rachel? – Ela limpa uma lágrima. – Artie está enfiando ideias na cabeça dela. Eu não vou suportar ficar longe de Brittany.
– Não é necessário que ela tente apenas uma universidade, Santana. Ela passando na de NY, ela vai para lá, sem dúvida.
– E se ela não passa? Se passa em outra? – Fecha os olhos. – Eu não falo nem por minha causa, eu não descartaria o profissional dela por isso. A universidade de dança de NY é a melhor de todas, eu pesquisei.
– Ela sabe disso, San.
– Se ele estiver falando sobre outras coisas também... – Sua voz fica grave. – Eu juro que eu o estrangulo.
– Calma. – Nós pedimos.
– Estou calma. – Esfrega os olhos.
– Confie nela, ok? Confie no relacionamento de vocês. – Peço.
Santana ia falar algo, mas se calou. Eu viro para o lado e vejo Brittany, tímida.
– Podemos conversar? – Sussurra.
A latina nos encara e nós assentimos, dando força. Ela solta um suspiro arrastado e acena. Quinn levanta, me puxando.
– Não façam sexo no ônibus, por favor.
– Santana! – Minha namorada repreende.
– O que? Vocês estavam quase fazendo na piscina, eu vi. – Eu sinto meu rosto queimar forte e o escondo na blusa de Quinn.
– Cala boca, nós não estávamos... Nós... – Limpa a garganta. – Boa conversa pra vocês.
Santana solta uma gargalhada sonora e Brittany se senta ao lado dela. As duas dão um sorriso envergonhado, enquanto nós vamos para longe.
– Sabe que o que ela falou não é má ideia. – Sussurro.
– Rachel!
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